Dead World Assembly - Assembleia do Mundo Morto

16 Capítulo XV: O Pernicioso Cântico dos Anjos


Notas iniciais
15º capítulo. Nos vemos nas notas finais. ... Boa leitura!

Dead World Assembly

“— A gente fez um pacto de que ia ficar junto, não importa o que acontecesse”.

KIRKMAN, Robert. A Ascensão do Governador (pag. 64).

Capítulo XV:

O Pernicioso Cântico dos Anjos

— Tem certeza? — ele deixou escapar num sussurro inequívoco, descolando a boca da dela e mirando-a através dos feixes de luz que penetravam os lapsos da janela vedada; a tez lívida e os lábios carmesins pintavam-na tais quais as suas fantasias mais ignotas sempre imaginaram como haveria de ser.

Sakura desafiou-o com um sorriso carregado de malícia e devassidão e ousadamente deslizou os braços ao redor dos ombros dele. Atrevida, também se ajeitou sobre o sofá de forma que as pernas aveludadas e nuas pudessem envolvê-lo pelos quadris estreitos. Os olhos brilhavam provocativos por trás das pálpebras semicerradas.

— Ficou inseguro de repente? — devolveu ainda sorrindo. A pele dela ainda recendia ao perfume do banho de mais cedo e também ao aroma distinto da chuva.

— Curioso. — O mesmo sorriso saturado de perversão agora também repuxara um dos cantos de sua boca. — O que te fez mudar de opinião?

— Fiquei face a face com a morte ainda há pouco — ela deu de ombros tão apaticamente que o sorriso de Sasuke murchou.

— Eu me sinto usado agora — ele rebateu com aparente desgosto, o que levou Sakura a inclinar o rosto para trás e soltar um risinho abafado.

— Essa sentença geralmente é usada pelo sexo oposto, Sasuke — ela informou delicadamente, mas não o soltou. Muito pelo contrário, impulsionou o corpo para frente, deslocando o peso dos quadris até que tivesse se encaixado no corpo dele, prendendo-o contra o encosto do sofá.

Lentamente, ela sentiu um par de mãos escorregando por toda a extensão de sua cintura esbelta e dos seus quadris, pousando suaves como o roçar de asas de borboleta sobre as suas coxas, acariciando-as em seguida. Sakura reprimiu um gemido, prendendo o lábio entre os dentes.

— Dois podem jogar esse jogo, Sakura. — O murmúrio rouco incitou tudo o que ela estivera se esforçando para conter nos últimos dias; Sasuke estava certo: ela estivera negando o que realmente queria não apenas para ele, mas para si mesma.

— E então...? — ela o provocou novamente ao entrelaçar seus dedos nos cabelos dele, roçando as unhas no couro cabeludo. Inclinou o rosto e roçou a boca pecaminosa no queixo dele, a pele era quente e mais macia do que ela havia imaginado.

Afastando-se, ela o fitou, claramente divertindo-se, enquanto Sasuke lutava para controlar o ritmo da própria respiração. Apesar de tudo isso, sua feição estava cuidadosamente composta, muito embora o sorriso torto adornasse sua boca esculpida.

— Só quero ter certeza de que você não vai se arrepender depois — ele sussurrou e, no entanto, suas mãos se recusavam a abandonar a pele aveludada das coxas dela. Sakura suspirou por reflexo quando as palmas das mãos dele exerceram um pouco mais de pressão nas carícias.

— Você está certo — admitiu com tom monocórdio. — O mundo acabou e não há muito mais com o que se importar. Nós já tivemos de fazer tantas coisas para sobreviver, tantas vezes tivemos de sacrificar o que nos era valioso, mas... — ela retomou o fôlego. — Eu percebi que não quero me esquecer de como é ser humana, Sasuke. Não quero algum dia me lembrar da pessoa que eu fui antes de tudo isso começar e lamentar o que eu me tornei ou o que tive de fazer para continuar viva.

— E em que parte o sexo se encaixa nisso? — Mais uma vez ele a provocava, desarmando-a com seu sorriso malicioso. Sakura entreabriu os lábios, mas nenhum som saiu.

Ela respirou fundo, pronta para formular uma resposta coerente, mas ele a interrompeu.

— Sakura, eu não quero dormir com você só porque é a garota mais próxima de mim ou porque o mundo acabou. — Ao ver que as bochechas dela começavam a ganhar uma tonalidade mais rubra, ele sorriu.

— Então... — ela o instigou, talvez um pouco incerta agora ou mesmo descomposta.

— Você é uma pessoa extraordinária — ele disparou e fê-la piscar, ainda que no fundo se recusasse a se deixar impressionar demais por suas palavras. Provavelmente, este lado garboso de Sasuke ainda a constrangesse mais do que imaginava. — E eu gosto da sua companhia, Sakura.

— Certamente — ela aquiesceu encabulada.

— Você está certa em uma coisa: eu também não quero me esquecer de como é ser humano. Nós passamos por muita coisa e honestamente eu não sei se ainda sou a mesma pessoa que eu era antes disso tudo começar... — ele pareceu ponderar por um tempo. — Não, eu não sou mais o mesmo, com toda a certeza. Mas eu ainda não quero que você tome nenhuma decisão de que possa se arrepender depois.

— Eu sei que não vou me arrepender — ela rebateu e a convicção em seu olhar pareceu ser o bastante para acalmá-lo.

— Depois disso, tudo será diferente entre nós. — Um último argumento, talvez uma última tentativa de abalar a decisão dela. Sasuke tinha certeza de que não galgaria nenhum limite se Sakura não estivesse cem por cento convencida. — Nós não vamos poder voltar atrás.

Ela suspirou audivelmente.

— Eu sei — ciciou, o olhar preso nas sombras que se alongavam langorosas pelo cômodo. A chama da vela ardia distante em algum ponto atrás dela, mas, ali, era a luz do luar a banhá-los. — Mas eu quero isso tanto quanto você, Sasuke. Eu quero e sei que não vou me arrepender por isso — E afagou o rosto dele, mirando-o nos olhos enquanto uma única faísca punha-os em chamas.

Então ela tornou a cobrir os lábios dele, acariciando as mechas de cabelos revoltos que transbordavam de seus dedos. Os beijos eram suaves, leves como o flutuar de mariposas, mas não demorou a evoluírem para algo mais íntimo e esbraseado. As mãos de Sakura estavam, de repente, inquietas demais e agora corriam livres pela camiseta de Sasuke, percorrendo seus ombros, os braços que a estreitavam pela cintura e a puxavam pelos quadris.

Ela agarrou a bainha da camiseta e puxou-a para revelar a pele quente do abdome e do peito; deslizou os dedos trêmulos pelo êxtase, assim como as unhas curtas por cada reentrância dos músculos até sentir as palpitações descoordenadas sobre o peito dele. Sorrindo como há muito não fora capaz de fazer, ela o ajudou a retirar a peça e descartou-a no assoalho.

Aos mãos dele tornaram a envolvê-la pela cintura, mas desta vez para reposicioná-la, conduzindo-a até que suas costas encontrassem o estofado do sofá e Sasuke pudesse esparramar-se sobre o seu corpo em chamas. Há tanto ela não se sentia tão feminina ou desejada daquela forma. A fome por aqueles tipos de toques e atenções latejava dentro dela quase como uma antiga saudade e Sasuke era extremamente proeminente no que fazia, ela tinha de admitir.

Repousando ambas as mãos sobre as costelas dela enquanto arrastava a camiseta para cima, seus polegares pousaram bem abaixo da curva suave dos seus seios enquanto o rosto dele afundava-se na pele excessivamente macia do seu ventre plano. Sakura se contraiu ao primeiro contato da língua dele em seu umbigo pequeno e uma candura inigualável descortinou toda a inibição que ela ainda pudesse vir a sentir.

Ela teve dificuldade para assimilar que os sussurros perdidos entre as sombras que se descosturavam sob as suas pálpebras semicerradas pertenciam a ela. Havia algo de poético nos toques de Sasuke em seu corpo, na forma como ele se acomodava sobre as suas curvas ou na forma como a boca dele incitava nela as mais devassas infâmias.

Só se deu conta de que havia perdido a camiseta no instante em que a sentiu passando-lhe pela cabeça e sendo descartada no chão, e mesmo sob o olhar perscrutador dele — um olhar negro e tão quente que ela se sentia ardendo —, Sakura não teve a menor vontade de recuar.

Suas mãos o puxaram para perto uma vez mais, deslizando pelas linhas impudicas de suas costas, levando Sasuke a rir quando se precipitaram mais abaixo. Sakura abafou um sorriso no ombro dele, sentindo o sabor da pele na ponta de sua língua. Ela continha os arrepios pelas mãos que vagavam perigosas por suas pernas e lutava para não sucumbir aos beijos que percorriam seu colo.

Apenas seus instintos a conduziam agora, os desejos mais secretos que se cultuam no coração de uma mulher. E Sasuke correspondia à altura cada uma das expectativas dela, incendiando-a para depois moldá-la de acordo com a sua vontade. Se em algum momento houve o princípio da hesitação, ela não soube; perdeu-se no sabor agridoce daquela insânia e deixou-se levar.

Ao contrário do que esperara, Sasuke foi gentil e atencioso mesmo quando ela jurou que o desejo os consumiria. Sakura sentiu-se destemida, extasiada, perdida no erotismo deslavado de cada gesto, de cada carícia. A perspectiva de tempo e espaço desintegrou-se e toda a escuridão pareceu empalidecer. As bordas do pesadelo que viveram nos últimos meses distanciaram-se, desdobrando-se para revelar seus limiares fragilizados enquanto cediam espaço para algo que quase parecia onírico.

Ela não temeu mesmo quando sentiu as últimas peças de roupa deslizarem pelo seu corpo, ajudando-o a se despir logo em seguida; não se arrependeu mesmo quando ele a envolveu no calor febril do seu corpo e a arrebatou diretamente para um único espaço incoerente e primordial de sua mente.

Não mais de uma vez ela se descobriu ensandecida e desconectada de seu próprio corpo pelo prazer. E a cada vez que isso acontecia, a boca dele vinha para colher os seus gemidos mais inexprimíveis e roubar o seu fôlego.

E se insana ela o buscava, insano ele também a procurava, igualmente insaciável. O enlace sufocante de seus corpos permitia-lhes trocar segredos inimagináveis, tecer fantasias a partir da junção de suas bocas há tanto inchadas pelos beijos e se agradar a cada vez que um deles estremecia de prazer nos braços do outro.

Gotas de suor pincelavam-nos e o cheiro afrodisíaco que provinha de suas peles intoxicava suas mentes deturpadas pela lascívia e desprovidas de qualquer razão.

Sakura cerrou os olhos em certo ponto e cravou os dentes em seu lábio inferior; seu ventre se arrepiava e os dedos dos seus pés se retraíam tais quais os músculos do seu corpo se retesavam. Ela se apegou ao que ainda restava de sua sanidade até que todos os nós dentro dela se desfizeram e um embevecimento supremo a percorreu por inteira.

Sasuke a segurou contra si, minutos depois acomodando ambos sobre o sofá, lutando ele também para uniformizar o ritmo de seus batimentos e respiração. Ela sorriu, os belos olhos ainda cerrados, e se aconchegou a ele. Não se incomodou quando os lábios dele pousaram sobre o seu ombro desnudo e depois sobre os seus cabelos.

As pequenas mãos dela ainda acariciavam o peito dele quando sua voz rompeu o silêncio expectante no recinto, num sussurro quase inaudível, que se Sasuke não estivesse tão próximo e tão intimamente entrelaçado a ela não teria ouvido.

— Que bom que eu não me impedi de sentir isso.

— Suponho que não esteja arrependida então — ele brincou e a estreitou em seu enlace, levando Sakura a abafar um sorriso contra o ombro dele.

— Arrependimento certamente não se enquadra no extenso vocabulário que posso dispor para descrever como me sinto agora.

— Fico contente de ouvir isso — ele comentou enquanto distraidamente acariciava os cabelos rosados, afastando as mechas do rosto sonolento dela.

Ele conteve um suspiro quando a sentiu se aconchegar mais ao seu corpo, as curvas suaves dela encaixando-se nas cavidades deixadas pelos seus músculos extenuados e agora inegavelmente relaxados. Ela passou um dos braços sob o dele e colou os seios desnudos no peito dele.

— Obrigada, Sasuke — ela sussurrou antes de roçar a boca no ombro dele.

— Por que está me agradecendo? — Foi a pergunta dele enquanto crispava as sobrancelhas e afundava a ponta do nariz nas mechas cor-de-rosa, aspirando o aroma do xampu.

— Por ter me afastado desse inferno um pouco — ela respondeu, a voz afetada por uma típica sonolência que não passou despercebida por Sasuke. — E é nesta parte que o sexo se encaixa — sorriu, referindo-se ao comentário anterior que ele fizera.

Ele afagou o cabelo dela mais uma vez.

— Durma um pouco agora.

Sakura bocejou e escondeu o sorriso na pele ainda suada dele.

— Você vai ficar acordado a noite inteira?

Ele assentiu e a instigou a dormir mais uma vez. Em minutos, Sasuke percebeu que ela havia adormecido profundamente. A expressão inocente de seu rosto agora em nada lembrava a faceta destemida e ávida que ele conhecera há pouco, com as bochechas coradas, os lábios entreabertos permitindo escapar gemidos e o olhar inebriado pela luxúria.

Sakura havia sido uma parceira formidável, correspondendo a cada gesto dele com uma paixão meritória. Além disso, era impossivelmente linda com sua pele clara de alabastro, sua boca tingida por um rubro lascivo e suas curvas delicadamente insinuantes.

Sasuke roçou a boca no alto da cabeça dela e afagou os cabelos outra vez. Conteve um sorriso quando um de seus dedos esbarrou em uma mecha cujo cor-de-rosa já desbotara, variando para um louro-esbranquiçado próximo à raiz. Ele tentou imaginá-la com os cabelos cobertos naquele tom e franziu os lábios. Ele gostava que os cabelos de Sakura fossem o único ponto de cor na paisagem pitorescamente acinzentada daquele novo mundo. Mas ao que parece, o cabelo dela regrediria completamente para o tom natural em poucos meses.

Tentou imaginar qual seria a expressão dela quando revelasse que descobrira a cor original dos cabelos dela, mas não conseguiu. O segredo dela estaria a salvo com ele, pelo menos.

Sasuke desdenhou do rumo que os próprios pensamentos tomavam e aconchegou-se mais ao calor delicado que o corpo dela irradiava. Apesar da responsabilidade de se manter desperto e vigilante, foi impossível não relaxar com Sakura adormecendo completamente nua ao seu lado, as pernas entrelaçadas às dele, os seios pequenos pressionados contra o seu peito, e não se sentir um pouco mais humano depois de tudo.

Seu olhar alternava da porta cerrada para o rosto angelical dela enquanto uma certeza corroborava dentro dele: eles permaneceriam juntos agora, não importa o que acontecesse, o que viesse, o que surgisse.

Sasuke e Sakura estavam oficialmente juntos agora.

E eles sobreviveriam àquele novo e caótico mundo — tinham de sobreviver.

* * *

Eu conheço todos os meus pensamentos

E eu não posso mais escondê-los.

Wye Oak — Trecho de Civilian.

Notas finais
Obrigada à Masumi que me indicou essa música linda e que também faz parte da trilha sonora de TWD. *-* ... O que acharam? Geralmente eu levo mais tempo para escrever capítulos assim rs Eu realmente não curto cenas explícitas demais, mas fiz o possível para deixar tudo bastante intenso e sexy. Haha Agora esses dois devem ficar mais unidos do que nunca para conseguirem sobreviver. ... Dia 11 está chegando! Não sei se meu coração resistirá, eu acho que esse retorno da 4ª temporada será muito tenso e eu estou com medo de que mais personagens morram T.T ... Mas enfim, obrigada a todos que estão comentando. O review de vocês é muito importante para mim, pois me motiva a continuar escrevendo, além de vocês exporem o que ainda esperam da Fanfic. Não deixem de comentar, ok? ;) Responderei os reviews ainda hoje. Até.