Dead World.
3 Coluna de fumaça.
Notas iniciais
Partimos cerca de 1 hora depois do enterro de Anna e Lauren, com um funeral simples e discursos feitos pelo meu pai e a mãe de Anna. Ninguém disse mais nada depois que as covas foram preenchidas com terra e caminhamos até nossos carros para sair dali, todos estavam chocados demais para tentar consolar uns aos outros.
Seguimos direto pela estrada 43 rumo a escola que Antonio demarcara no mapa, meu pai dirigindo nosso trailer comigo sentado no banco do carona ao seu lado, Kate dormindo e mamãe cozinhando qualquer coisa no pequeno fogão. À nossa frente iam o carro dos pais de Anna, Harry e Jill, a caminhonete de Antonio e sua esposa e a o carro de Caroline e seus dois filhos. Estava uma manhã fria, apesar do sol forte no céu.
– Você acha que essa escola pode estar segura, pai? – perguntei, incapaz de ficar em silêncio por mais algum tempo.
– É o que parece, filho. – respondeu, sem tirar os olhos da estrada.
Tudo começou no dia 23 de julho de 2012, cerca de 9 meses antes. Eu estava cuidando de Kate, como fazia todos os dias após a escola para que minha mãe pudesse ir trabalhar e trocava de canal aleatoriamente em busca de algum programa que prendesse minha atenção.
Foi quando todas as estações de TV pareceram dar a mesma notícia ao mesmo tempo. Na CNN, por exemplo, um programa foi interrompido pelo apresentador de um importante telejornal americano. Sua voz, embora tentasse se controlar, parecia em pânico.
“Começou há pouco mais de 1 hora no estado da Dakota do Norte, e embora ninguém saiba o que pode estar causando esse surto entre a população local, várias viaturas policiais e forças do Exército já foram enviadas para a região para tentar controlar a situação. Pode ser um vírus, algum tipo de bactéria ou até mesmo um atentado terrorista bionuclear que está fazendo as pessoas se comportarem de maneira tão atípica.”
Kate passou correndo em volta da televisão, completamente alheia ao que estava passando. Segurava uma boneca Barbie numa das mãos.
O jornalista prosseguiu:
“O presidente já emitiu um comunicado pedindo que a população americana não entre em pânico. Emissários da Organização Mundial da Saúde já entraram em contanto com o Ministério da Saúde e estão em busca de uma vacina contra esse surto.”
Em seguida a imagem foi mudada para a de um repórter numa rua relativamente vazia. A legenda informava que ele estava no centro da maior cidade da Dakota do Norte. Atrás dele algumas pessoas andavam desnorteadas, parecendo não saber o que fazer. Carros estavam capotados, e várias lojas destruídas ou em chamas.
“As pessoas entraram em pânico. E o surto parece ser mais perigoso do que relatado em início. Há pessoas mortas pelas ruas, e o mais assustador é que eles...”
A câmera foi sacudida, e em seguida desviou do repórter para mostrar melhor a rua, e nesse momento eu contive meu grito de susto: haviam pessoas mortas na rua, estiradas na calçada. E o pior, outras pessoas estavam comendo os cadáveres.
“Oh, Meu Deus! Olhem só o que eles estão fazendo!”
O grito de repórter foi engolido por uma horda de pessoas que invadiram a tela, a câmera caiu no chão e só foi possível vislumbrar algumas pessoas atacando o repórter e mordendo cada parte do corpo dele antes da tela voltar ao apresentador. Que dessa vez parecia realmente assustado.
Nesse momento Kate parou de brincar e olhou para a TV.
– Aconteceu alguma coisa, John? – ela perguntou, parecendo preocupada com os gritos que vinham da televisão. – Alguém morreu?
Demorei a encontrar minha própria voz para responder, mas desliguei a TV e menti para ela dizendo que tudo estava bem. Agarrei o telefone e disquei o número do celular da minha mãe no mesmo minuto em que alguém batia desesperadamente na porta.
Voltei a realidade quando meu pai freou o trailer porque todos os outros carros a sua frente fizeram a mesma coisa. Havia uma ruga de preocupação em seu rosto, e seus olhos fitaram o horizonte.
– Mas o que é aquilo? – perguntou, sem olhar para mim ou para minha mãe.
Todos nós três descemos do trailer, enquanto o restante do nosso grupo fazia o mesmo. Eu, minha mãe, meu pai, Antonio, sua esposa, os pais de Anna, e Caroline olhamos direto para o horizonte.
Havia uma imensa cortina de fumaça vindo de lá, parecendo que alguma coisa estava pegando fogo. A fumaça subia pelo céu como uma coluna negra e deixava o horizonte extremamente ameaçador.
– OLHEM! – gritou Caroline, que estava mais a frente do grupo. Ela apontava para outra coisa no horizonte, dessa vez parecia estar se movendo.
Alguns minutos depois percebemos que era um carro, um modelo Fiat azul escuro. O vidro da frente estava completamente estilhaçado e ele vinha pela estrada em alta velocidade, parecia estar fugindo do que fosse que estivesse pegando fogo mais adiante.
E o carro vinha na nossa direção.
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