Dead Whisper

2 Mais um dia infernal... Para alguns.


POV Hazel.
Abri a porta já sentindo as lágrimas rolarem pelos meus olhos, ele havia prometido que iria se cuidar, eu o odiava por me fazer sentir isso!Para a minha grande surpresa ele estava acompanhado por uma garota, ok, é muito para um começo de manhã. Notei que a garota tinha um tom de pele moreno, mas seus olhos eram tão verdes que parecia que eu estava olhando para uma esmeralda. Olhei em direção ao meu irmão e notei que ele tinha sangue escorrendo pela camiseta.

– Isso é grave? — Perguntei com raiva.

– Não, foi apenas um tiro de raspão. — Respondeu calmo.

– Seu idiota! — Fui até ele o abraçando. — Da próxima vez que me assustar eu te mato!

– Sempre atenciosa...

– Quem é ela? — Perguntei apontando para a garota.

– Uma amiga. — Respondeu.

– Sou Hazel... — Falei sorrindo.

– Sou Alice... — Se apresentou.

Me afastei e indiquei com a cabeça para que eles entrassem, minha mãe estava sentada em um canto com um copo na mão, ela chorava sem parar. Fui até Jake e sussurrei:

– Leve Alice para o meu quarto, eu vou acalmar a mamãe, fala para ela tomar um banho e pegar uma roupa minha.

Fui até minha mãe e sentei ao lado dela, dei um beijo amoroso em seu rosto e segurei suas mãos com firmeza.Senti sua respiração se acalmar, ela levantou o rosto e quando seus olhos negros se encontraram com os meus eles estavam inchados de tanto chorar.

– Mãe, você precisa ser forte. — Falei com um tom calmo.

– Eu ainda o amo! — Ela sussurrou rouca.

– Eu também o amo mãe, mas ele está morto e não ia querer que ficássemos assim!

– Eu sei querida, mas ele faz tanta falta! Não sei se consigo seguir em frente.- Ela colocou a mão sobre a face.

– Você tem que conseguir! Precisamos ser fortes. — Expliquei

Minha mãe me abraçou e foi em direção ao seu quarto, eu apenas observei. Desde a morte do meu pai ela não é mais a mesma, o choque acabou com todos os vestígios da mulher forte que ela já foi um dia, eu sentia necessidade de cuidar dela, não podia perder mais ninguém importante. Levantei do sofá e passei a mão no cabelo dando um suspiro, haviam outras coisas com as quais me preocupar agora.

Subi até meu quarto para falar com Alice, Jake estava perto dela, quando ele me viu na porta corou um pouco e desviou o olhar então se levantou, quando passou por mim eu fiz um gesto com os dois dedos apontando meus olhos e os dele, ele deu um sorrisinho e saiu dali.

– O que achou do meu irmão?- Perguntei.

– Ele parece ser legal. — Respondeu.

– Está com fome? — Fiz outra pergunta.

– Morrendo!

Deixei Alice tomando um banho, e fui buscar algo para ela comer, botei a mão dentro da cesta de frutas e me dei por conta de que tínhamos pouca comida, eu logo soube que teria que caçar.... E enfrentar o mundo lá fora, uma hora isso iria acontecer.

POV Alice.

Quando chegamos a tal casa reparei que era num lugar bem deserto, no caminho encontramos algumas daquelas aberrações mas nada que nós não tivéssemos conseguido matar, enquanto andávamos reparei que Jake não estava gravemente ferido, na verdade foi uma bala de raspão. Não acredito que eu havia atido nele.

– Me desculpe — disse intrigada

– Mas pelo que ? — ele disse meio fraco

– O tiro! — eu disse meio triste

Ele deu um sorriso fraco, quando olhava para ele me lembrava do Math, meu melhor amigo.

Flash Back on ~

– Ai cara que isso ? Por que você fez isso ? — disse Math com algumas lágrimas no rosto

Eu estava intrigada, eu não sabia o que fazer, no momento eu chorava, havia cravado uma faca perto do coração de meu melhor amigo, mas ele não devia ter tentado me tocar, eu disse que não, por que ele fez aquilo, por que ? Não queria ter feito isso com Math, eu o amava, mas ele estava agindo de um jeito doentio!

– Você é louca ? — ele se aproximou de mim novamente e eu levantei a faca em forma de proteção

– Você não devia ter feito isso! Você esta louco Matheus!

Aos poucos ele foi se sentindo mais fraco, estava querendo dizer algo, estava fraco demais pra fazer aquele ato, eu sentia um aperto no coração vendo-o daquela forma. Mas a culpa foi dele!

– Eu estou morrendo Lice — ele disse cuspindo sangue

Eu não aguentava mais ficar longe dele me aproximei num ato de rapidez ao Matheus. No momento ele estava sentado encostado a uma parede, Math era meu melhor amigo, ele namorava mais eu sempre soube que ele tinha uma paixão por mim ele não escondia isso de ninguém, mas ele também sabia o que eu havia acontecido comigo no passado, não podia deixar que mais ninguém me tocasse! Acho que quem estava num ato doentio era eu! Acho que estava ficando louca, louca em acreditar que todos os homens fossem iguais, Math era uma pessoa diferente... Sabia que não iria fazer nada comigo. Mas meu corpo agiu de má fé, e minha mente estava fixada no passado.

– Me desculpe por favor! Me desculpe! Eu... eu... — estava com meu rosto cheio de lágrimas e soluçando

Math deu um sorriso fraco como quem queria dizer estar tudo bem, mas eu sabia que não estava..

– Eu... Eu te amo. — ele disse num ato de adeus e fechou seus olhos

Flash Back off ~

Nunca me perdoei pelo que havia feito ao Matheus, mas não podia mais fixar minha mente ao passado. Chegando a casa de Jake uma menina que se apresentou como Hazel veio até nós, me recebeu bem, mas eu vi em seus olhos que ela sabia que eu carregava algo ruim no coração! E ela estava certa! Jake me levou até o quarto, tomei um banho e me troquei. Jake já havia saído do quarto, até que a menina entrou com um sorriso forçado no rosto o que me fez sorrir. Havia tempo que eu não me comunicava com uma menina, na verdade com humanos!

POV Dante

Após horas caminhando na mata fechada eu e Zoe encontramos um pequeno riacho no qual paramos para reabastecer o cantil e descansar um pouco, enquanto Zoe se banhava e brincava com um galho eu tirei minha camiseta para dar uma olhada no meu ferimento, a principio tudo estava bem, ele ainda estava aberto, mas não ardia mais então só por garantia rasguei um pedaço da camiseta, lavei no riacho e improvisei um curativo.

Minhas pernas estavam doloridas pela caminhada, eu estava cansado e machucado, não sabia por quanto tempo mais eu iria aguentar viver daquela maneira, eu só havia resistido até ali por causa da Zoe, ainda me lembro de quando encontrei ela a algumas semanas atrás escondida em um contêiner de lixo, seus pais haviam acabado de morrer e eu havia assistido tudo, eu poderia tê-los ajudado, mas fui fraco de mais para agir, fiquei paralisado pelo medo e por minha culpa a menina ficou órfã. Era minha obrigação cuidar dela depois daquilo e com o passar do tempo ela se tornou meu anjo e apenas por causa dela que eu aguento tudo isso. Sacudi a cabeça para afastar aqueles pensamentos melancólicos, eu ainda precisava encontrar algo para comermos então comecei a caminha pela volta do riacho sem me distanciar muito para ver se encontrava algo, sem precisar caminhar muito encontrei uma macieira na qual recolhi um punhado de maçãs, voltei para perto de Zoe e me sentei em uma pedra, quando ela viu as maçãs veio correndo até mim e se sentou na minha frente já pegando uma maçã e devorando-a.

– Ei ei, vá com calma, vai acabar se engasgando. – Eu disse forçando um sorriso

– Eu estou com tanta fome, por mim eu comia um caminhão dessas maçãs. – Ela disse de boca cheia

– Eu sei, mas não coma tudo, precisamos economizar comida. Não podemos ficar aqui para sempre se quisermos achar algum lugar seguro.

Ela assentiu com um movimento de cabeça e continuou comendo sua maçã, ficamos sentados até o pôr do sol quando percebi que a pequena estava sonolenta e me levantei para arrumar algo com o que improvisar uma cama. Juntei algumas folhas e coloquei em cima de um tronco que estava pela metade, tentei deixar o mais confortável possível para Zoe poder ter uma noite tranquila de sono, ela se deitou em cima do tronco e logo pegou no sono enquanto eu me recostei no mesmo e fiquei de vigia por mais algum tempo até que minhas pálpebras começaram a pesar e eu também dormi.

Fui acordado com o barulho dos pássaros cantando e com o sol batendo em meu rosto, ainda parecia ser cedo e o ar estava úmido, Zoe ainda dormia então me levantei e comecei a juntar nossas coisas tentando não fazer barulho, quando terminei acordei Zoe, ela ainda estava meio sonolenta quando se levantou cambaleando e me deu a mão para então sairmos dali.

Caminhamos até mais ou menos meio-dia que foi quando encontramos uma rodovia, seguimos por ela por mais uma hora até encontrarmos uma casinha na beira da estrada, sua porta parecia estar arrombada e haviam dois zumbis mortos logo na entrada, resolvi nem entrar na casa pois Zoe já estava começando a ficar assustada então seguimos mais um pouco até que consegui avistar ao longe dois zumbis no meio da estrada, me certifiquei de que Zoe os visse e fiz um gesto para que ela ficasse calada, puxei a pequena para o acostamento e saímos da estrada, enquanto continuávamos caminhando Zoe apertava minha mãe cada vez mais forte e eu pude perceber que ela tremia, eu precisava acalma-la então me agachei e coloquei as mãos em seus ombros.

– Pequena, olhe nos meus olhos. – Eu disse colocando o dedo em seu queixo e levantando sua cabeça – Não vou deixar nada acontecer a você, tá me ouvindo?

– Dan, eu to com medo. – Cheia de lágrimas nos olhos.

– Eu sei pequena... Mas você precisa ser forte, logo vamos encontrar um lugar seguro, eu prometo.

Ela entrelaçou os braços em meu pescoço, eu a peguei no meu colo e a abracei apertado.

– Estou com saudades do papai e da mamãe. – Ela disse.

Aquilo fez meus olhos se encherem de lágrimas e me deixou sem palavras.

– Eu sei minha querida, eu sei.

Durante os metros seguintes caminhei com Zoe no colo e sem dar uma palavra, subi em uma colina e de cima dela pude avistar uma casa antiga de madeira, tinha uma grade que cercava toda ela e um grande portão de ferro, a casa parecia bem segura e um ótimo lugar para passar um longo período de tempo. Observei por algum tempo e percebi uma movimentação dentro da casa, resolvi não arriscar ir até lá pois podíamos correr perigo então comemos mais algumas maçãs e dormi recostado em uma arvore com Zoe no meu colo.

Acordei com Zoe me sacudindo, ela puxava minha camiseta com força.
– Dan! Dan! Vem ver isso, rápido. – Ela disse sorrindo.
Levantei cambaleando e deixei que ela me guiasse até o outro lado da colina onde podíamos ver a casa, quando cheguei lá eu pude entender o porquê de tanta euforia, havia um grupo de pessoas na frente da casa. Finalmente, humanos.