Dead Moon
1 Midnight
Notas iniciais
Cheguei em meu apartamento exausto, joguei a mochila em um canto e me deitei no sofá, sem fazer questão de acender uma única luz. Fechei os olhos por um minuto, ou uma hora, e logo ouvi a campainha tocar. Ele não me deixaria esta noite, era lógico que não, e eu sabia muito bem.
Arrastei-me para fora do sofá e fui com passos lentos até a porta, abrindo-a um pouco. Ele adentrou na casa escura como uma sombra, fechou a porta atrás de si e logo me tomou em seus braços. Murmurou palavras doces no meu ouvido e logo invadiu meus lábios com sua língua. Ainda grudado a mim atravessou a casa desviando de todos os obstáculos e chegando ao meu quarto. Em um rápido movimento despiu-me e inclinou-se sobre mim, forçando-me a deitar na cama. Abracei seu corpo e, por durante logos ou rápidos minutos, senti seu corpo. Senti seus lábios. Senti sua fragrância. Senti a perda de noção do espaço e do tempo. Divaguei brevemente e logo ele já possuía meu corpo, e nossas vozes cortavam o silêncio da noite. Mais uma vez cheguei ao êxtase antes dele, mas algumas investidas depois ele veio. Deitou-se na minha cama e agora era eu quem estava por cima, com a cabeça no peito ofegante. Demoramos alguns minutos para normalizar a respiração, e nos mantivemos naquela mesma posição até que minha visão ficasse turva e eu adormecesse.
~
Abri os olhos e estiquei o braço pela cama, procurando seu corpo, mas apenas sentindo o frio da noite e sua suave fragrância que restara na roupa de cama. Olhei adiante pela janela e, novamente, eu não podia enxergar a lua cheia, pois as nuvens a mataram como de costume. Suas doces palavras ainda queimavam em meu ouvido. Momentos antes tão reais, agora tão cruéis. E o silêncio da madrugada tão vazia voltava a dominar o apartamento. Mesmo que meu coração batesse tão forte, o barulho não era capaz de ser escutado por ninguém, e quase não era escutado por mim. Batidas falhas em busca de socorro.
Sem perceber meu rosto se umedeceu, e por mais que o exaustão já tivesse de longe me vencido, eu não conseguia dormir, minha mente não parava.
E eu continuava a repetir para mim que seria apenas mais uma noite comum, apenas mais uma noite sem dormir para aumentar minhas olheiras. E ele era meu vício, meu vício doentio. Daqueles que não nos permitem dormir, daqueles que não nos permitem comer, daqueles que não nos permitem viver.
E rindo sozinho do quão tolo eu era aguardava a manhã chegar, ou talvez aguardasse meu coração parar de bater para não ter que passar novamente por aquilo.
Será que ele por acaso se importaria?
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