Dead Love
3 Capítulo 3
Espero por você há três noites. Na primeira, você passou só, confinada em um quarto de hospital. Nos outros dois, eu passei ao seu lado, sentado em uma cadeira desconfortável, mas não importa, pois tudo o que eu precisava era estar com você.
Já é uma hora da manhã. Eu estou acordado, olhando para você, pensando em como pude ser tão descuidado. Se eu fosse mais rápido, você poderia estar acordada.
Começo a chorar. O desespero simplesmente toma conta de mim. Depois de um tempo, sinto algo acariciando minha cabeça. Olho para o seu rosto. Você está acordada, mas com um olhar cansado e vazio.
Seguro sua mão, você sorri. Sinto a esperança voltando ao meu corpo. De repente você diz:
—Me perdoe... — sua voz soava baixa, quase muda.
—Perdoa-la? — pergunto
—Não pude passar mais tempo com você... Você foi sempre tão gentil... Atendia sempre aos meus pedidos, mesmo que eles fossem absurdos...
Quando percebo, você está chorando. Eu também estou.
—Não me esquecerei de tudo o que você fez por mim... — você completa
Logo, percebo que seus olhos voltam a se fechar. Seu coração ainda bate, pelo que o maquinário indica.
Chamo os médicos. Eles me pedem para sair do quarto. Depois de uma hora, eles me dizem que você está em coma. Fico abalado, choro muito. Dessa vez, não tenho você ao meu lado para me consolar.
Volto para casa, como os médicos me aconselharam a fazer. Não consigo dormir. Quando chega meu horário de trabalho, ligo para o escritório, e meu chefe me dá duas semanas de folga, para que eu me recupere.
Passo a maior parte dos cinco dias seguintes deitado, pensando nas suas ultimas palavras:
" Não me esquecerei de tudo o que você fez por mim..."
Só de pensar nisso, volto a chorar. Como pude deixa-la? Como pude ser tão idiota? Por que não estou lá agora?
Lembro do que os médicos falaram:
"É melhor o senhor ir para casa. Ela não deve acordar tão cedo. Eu sinto muito, mas tudo o que o senhor pode fazer é esperar."
É verdade. Não posso fazer nada para ajuda-la. Tudo o que tenho são memórias. O futuro é incerto, o presente nos constrói, e o passado se esvai...
Passam-se mais quatro dias, quando recebo uma ligação do hospital. Eles e pedem para comparecer imediatamente. Não penso duas vezes, me levando, me visto o mais rápido que posso e saio de casa.
Chegando no hospital, a recepcionista diz que eu devo ir ao seu quarto.
Antes de entrar, já me desespero. Começo a ouvir um ruído, agudo e incessante. O som tem a mesma intensidade da maquina que está ao lado de sua cama.
Entro no quarto. A cena que vejo já me dá vontade de chorar. Você continua deitada, estática. A máquina que está ao lado se sua cama, que mostrava varias oscilações tracejadas (os batimentos cardíacos), agora mostra uma única linha, e emite o tal ruído que eu havia escutado.
Os médicos me dão a noticia. Meu coração se quebrou. Nada mais faz sentido. Não existe nada que possa me fazer feliz novamente.
Anne Snow, 20 anos, hora do óbito: 16:37 quinta-feira
Foi a ultima vez que te vi naquela vida.
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