Dead Line Circus - Interativa

9 Não há lugar como nosso lar, especialmente se ele não tiver regras...


Notas iniciais
TERMINEEEEEIIII!!!! FINALMENTE A COLETA DE PERSONAGEMS TERMINOU! Estou tão emocionada comigo mesma que me sinto ridicula por me emocionar comigo mesma. E pra ajudar este meu sentimentalismo irracional, ainda ganhei mais DUAS recomendações. Agradeço a AkumaCiel e a Theoria por recomendarem a fic, sério, eu amo vocês! E também um meio agente que me chacoalha virtualmente querendo um novo capitulo e conta comigo quantos dias faltam para mim terminar de escrever. Meu pequeno stalker: Himitsu Rida.

"Uma regra é apenas uma regra. Obedecê-la ou não é uma escolha. Seguir a regra ou quebrá-la é o que chamamos de liberdade."

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Dublin. Irlanda.

Às margens do rio Liffey, existia uma ponta que era muito semelhante a um jardim cujas árvores e plantas davam a impressão de ser o lugar mais próximo do "Éden". As plantas eram mais verdes, as flores mais belas, as árvores mais majestosas e o ar era tão leve quando plumas sobre os ombros dos visitantes. As flores se abriam e exalavam seu singelo perfume pelo espaço. Brincos-de-princesa, Orquídeas, Margaridas, Lírios, Azaleias, Violetas, Flores da lua, Tulipas, Narcisos, Sinos dourados e Lobélias azuis coloriam o jardim que ficava na margem do rio cujas águas refletiam a luz como um lago de vidro. Alguns senhores irlandeses se sentavam à sombra de alguma árvore e dedilhavam singelas notas em seus violões, enquanto crianças brincavam na água e mulheres faziam piqueniques com a família. O espaço tinha um ar acolhedor do tipo que só se encontra em seu lar, as famílias riam de piadas feitas em meio as refeições, o vento soprava espalhando o perfume das pétalas de flores que haviam ali e uma garotinha, cuja existência parecia a de um anjo, andava pela grama com tanta leveza que parecia nem pisar no chão.

– Ciaran – A menina levanta um dos braços acenando para alguém indicando para ele segui-la.

Ela tinha a pele clara como a de uma boneca, seus cabelos platinados brilhavam na luz e refletiam o brilho como fios de estrelas, seus cabelos estavam presos desajeitadamente em dois rabos-de-cavalo baixos cujos fios caiam pelos ombros. Os olhos azuis eram puros e inocentes, tinham a cor do mar.

Ela chamava alguém pelo nome com seus lábios rosados e seus olhos serenos esbanjando doçura. Toda vez que repetia o nome, as letras pareciam soar como notas musicais de uma melodia que nunca foi cantada.

– Venha, vamos procurar por leprechaus antes que anoiteça – A menina pede virando-se e continuando a andar pela grama.

Seu irmão tinha acabado de chegar próximo a uma árvore um pouco mais atrás. Como a irmã, ele também era belo, mas aparentava ter dois ou três anos a mais que ela. A pele clara era lisa e macia como veludo, seu cabelo prateado possuía um corte elegante e sofisticado cujas pontas desfiadas caiam por seu rosto enquanto outras eram presas atrás da orelha. Mas seus olhos com certeza era o que possuía de mais destaque, eram azuis da cor do mar como os da irmã, mas quando a luz incidia sobre eles, refletiam um brilho colorido de múltiplas cores como um caleidoscópio.

Seus olhos amáveis fitavam a irmã observando como a figura dela parecia encaixar-se com o cenário. Tinha a impressão de estar mesmo no jardim do Éden, com aquele pequeno anjo correndo entre as flores.

– Ciaran, venha. Não conseguirei capturar um sozinha, por favor.

– Como queira – Ele se afasta da árvore e se põe a caminhar de encontro a menina.

Aquela tarde tinha passado como um passe de mágica, a menina procurava com afinco, mas as vezes se atrapalhava e ficava presa entre os galho de algum arbusto floral ou o buraco de alguma árvore. Para se distrair também pregava sustos em seu irmão aparecendo subitamente atrás de algum tronco ou deixando-o preocupado quando se escondia de sua visão. Depois da brincadeira se sentaram debaixo de um pessegueiro para descansar, mas em vez de apreciar a paisagem, o menino preferiu retratar um quadro que via a sua frente. Ciaran desenhava minuciosamente uma irmã parcialmente adormecida deitada sobre a relva. Perguntava-se mentalmente como poderia existir criatura tão perfeita naquele mundo.

– Você me deixaria ver, por favor? – Ela pede abrindo os olhos referindo-se ao desenho.

– Venha – Ele permite.

Ela aproxima-se do garoto e senta-se em seu colo, a menina era incrivelmente leve, Ciaran quase não podia sentir seu peso. Ela se põe a observar o desenho enquanto seu irmão prefere observa-la.

Uma sombra melancólica cai nos olhos da albina e Ciaran percebe isso. Era fácil adivinhar o que estava pensando, sua irmã era simples.

– Posso... ser egoísta? – Ela pergunta.

– Quantas vezes quiser.

– Eu posso... ficar com você para sempre?

Os olhos de Ciaran enchem de ternura. Sua irmã realmente fazia pedidos simples, e dada a situação ele também sentia o mesmo. Estavam de luto e agora só tinham um ao outro, como irmãos, eles zelavam pela segurança de seu companheiro.

– Dê-me sua mão.

Sem entender o pedido, ela estende sua mão enquanto o irmão retira algo do bolso do casaco e põe em seu dedo. Era um anel claddagh. O aro tinha o formato de duas mãos que seguravam o centro do anel: um coração que ostentava uma coroa imperial.

– Eu lhe prometo... – Ele dá uma pausa colocando um anel em seu dedo e o outro no da irmã – Que nunca deixarei de proteger-te e nunca ei de deixá-la só.

– Pra sempre?

– Eternamente.

~ ❖ ~

Os olhos vazios de Ciaran se abrem quando parece ouvir um eco do que tinha dito naquela ocasião. As orbes azuladas se movem pelo local e veem tudo do jeito que estava antes. O mesmo aposento escuro e frio, as paredes de pedra impedindo a passagem da luz, o pó que se acumulava no chão imundo e as algemas de ferro que suspendiam seus braços para o alto por correntes que estavam penduradas no teto.

Foi apenas um sonho, ou melhor, uma lembrança.

Aquele menino tinha mudado muito desde então, e da mesma forma continuava o mesmo.

Seus olhos bonitos que antes eram admirados e que na adolescência tornaram-se objeto de inveja, agora estavam vazios, sem brilho, opacos como os de um peixe, mas possuíam uma certa firmeza rude semelhante a das rochas antigas. O corpo estava marcado por chicotes e objetos em brasa, alguns ferimentos ainda nem haviam cicatrizados e já tinham sido abertos de novo.

Ele ergue o olhar para as algemas e seus olhos encontram suas mãos, o anel claddagh ainda estava em seu dedo.

Cada símbolo tinha um significado especial: As mãos que compunham o aro simbolizavam a amizade, uma singela e simples amizade. O coração era o amor, forte e infinito. E a coroa era sobretudo a lealdade, uma lealdade devota que romperia o tempo e quaisquer barreiras. Para Ciaran ele era o símbolo de uma promessa, uma promessa feita há muito tempo atrás.

– Liadan...

Haviam acontecido milhares de coisas antes e depois da lembrança de seu sonho, sua consciência devia estar lhe lembrando de tudo como uma vingança pessoal em si mesmo. Haviam pessoas realmente satisfeitas por encontrá-lo naquele estado: Vazio, ferido, sujo, preso; os sulistas e até mesmo alguns de seus antigos amigos nortistas sorriam prazerosamente ao vê-lo ali.

Ele sorri com escarnio pensando naqueles rostos hipócritas.

No andar de cima, sem que o prisioneiro soubesse, algo realmente estranho estava acontecendo. Normalmente os guardas passavam seu tempo jogando cartas ou apreciando um bom rum com os companheiros. Os prisioneiros estavam atrás das grades, o que poderiam fazer contra eles? Mas naquele dia o som das botas ecoavam apressadas pelos corredores enquanto as munições das armas eram equipadas as pressas. Guardas e policiais pegavam os revólveres, as metralhadoras e o que vissem à frente para correr para fora. Era uma invasão. Alguns resmungavam xingamentos para os nortistas enquanto gritavam ordens para os companheiros, não sabiam de que lado estavam sendo atacados e por isso corriam pelo perímetro avaliando onde haviam sons de tiros.

Dublin era dividida pelo rio Liffey como a margem norte e a sul, e desde sempre houveram rivalidades e disputas entre os dois lados. Antigos vizinhos, amigos e até familiares trocavam desavenças se seu companheiro fosse da outra margem. Era uma rivalidade saudável, onde apenas palavras machucavam o orgulho um do outro, mas isso mudou quando jovens marginais do norte resolveram interferir com o sul. Apenas baderneiros que queriam causar confusão e se divertirem um pouco, mas acabaram servindo de estopim para os dois lados virarem inimigos mortais e enfurecer ainda mais a disputa que havia entre os nortistas e os sulistas. Por causa disso, até a polícia se recusava a ajudar e pelo contrário, caçava os invasores se encontrassem algum em suas margens.

A prisão em que se encontrava era do lado sul do Liffey, e Ciaran era um nortista. Não imaginaria o que faziam com ele como vingança pessoal pela margem norte.

E no meio de toda aquela confusão lá fora, uma pessoa desconhecida caminhava calmamente pelos corredores na direção oposta à qual todos se dirigiam. Enquanto os guardas corriam apressadamente para fora, ela caminhava sem pressa alguma para dentro. Ninguém percebeu que era uma pessoa estrangeira e passaram direto por ela sem chegar a encostar um dedo em sua figura. Ela vinha sozinha, descendo as escadas para o andar inferior sem que ninguém interferisse. E após passar direto por algumas celas, pára em frente a uma cujo prisioneiro estava suspenso por correntes no teto.

Ciaran abre os olhos quando ouve a fechadura das grades ser aberta por uma chave e os direciona para o visitante, encontrando um novo guarda que nunca tinha visto antes. Tinha cabelos dourados embaixo do quepe de policial e olhos azuis que revelou ao erguer um pouco a aba do chapéu. Estava definitivamente com o uniforme dos guardas, até o emblema da delegacia carregava no peito. O tecido caramelo esverdeado, as botas negras, os vários bolsos na blusa, era a imagem exata de um guarda, mas por que Ciaran não acreditava que ele era um?

– Olá querido colega. Sua cela parece bem desconfortável – O guarda impostor empurra a grade da cela e entra no lugar. – Mas encontrar alguém nessa posição me anima. Eu realmente devia ter trazido uma máquina fotográfica.

Ciaran o vê se aproximar de si com uma chave entre os dedos, quando já está bem perto ele se inclina na ponta dos pés e abre as algemas acima do menor. Com a proximidade, o garoto sente um aroma familiar emanar do visitante. Hortelã? não. Camomila! O estranho tinha cheiro de camomila. Odiava aquele cheiro, ele o deixava sonolento. Estranhamente, suas pálpebras começaram a ficar mais pesadas que o normal, parecia estar sendo atraído para o sono.

Quando o loiro termina de abrir as fechaduras, o mais jovem cai no chão livre das algemas. O loiro então percebe que ele já estava dormindo.

– Que criança gentil.

Ele se abaixa e pega o garoto no colo, se retirando da cela em seguida. Dormia como um morto, quem diria que daria certo?

– Para um brinquedo quebrado você promete ser bem interessante – Ele inicia uma conversa mesmo sabendo que o albino não ouviria. – Essa pode ser a primeira vez que nos encontramos pra você, e de fato o é, mas eu te conheço de uma forma que nem mesmo você se conhece. É assim com todos, não se preocupe, não sou suspeito.

Ele começa a subir as escadas para o andar de cima quando sente um familiar cheiro de fumaça.

– Sabe, pode ser estranho ouvir isso de alguém como eu, mas eu realmente lamento ter que arrastar vocês para o meu "lar".

Ele chega até a porta e olha para fora. Guardas baleados estavam caídos na grama enquanto outros estavam empalados nas grades dos portões, fogo estava avançando pela grama enquanto explosões aconteciam dentro da prisão, quebrando janelas e matando prisioneiros asfixiados pela fumaça. Alguns policiais ainda vivos atiravam contra uma criança de cabelos loiro acinzentados com desespero tentando acertar as balas. O menino desviava de todas com agilidade e flexibilidade anormal, sendo muito rápido e feroz em seus movimentos. Ele corria até o atirador e direcionava a arma que este usava para seu próprio corpo, fazendo-o atirar em si próprio e morrer instantaneamente. O menino corria pelo gramado com velocidade indo de um guarda para o outro com uma animação animalesca e diabólica, ria com o sorriso mais inocente do mundo quando fazia o sangue de alguém jorrar. Parecia uma besta com cara de anjo.

– Oliver.

O menino vira a cabeça na direção do som e abre o sorriso mais feliz do mundo quando avista o maior.

– Mik-nii-chan.

Ele vai correndo até o loiro depois de matar mais um policial e pára a poucos centímetros do rosto de Ciaran.

– Ele é nosso novo companheiro?

– Sim, este é Ciaran Ó Reagan (Tradução: Ciaran neto de Reagan).

– Parece um boneco – Oliver cutuca a bochecha do adormecido, para confirmar se era mesmo feito de carne. – Inimigo ou aliado?

– É o que vamos descobrir. Se divertiu enquanto fui buscá-lo?

– Sim, como você me pediu eu distraí os guardas para não chamar a atenção – O menino bate continência. – Mas eles são fracos, não miram direito e ficam apavorados por quase nada. Não tem o orgulho de um soldado.

– E você é um soldado?

– Sim, em treinamento pelo Mik-onii-chan – Oliver diz abraçando a cintura do loiro tomando cuidado para não derrubar Ciaran.

– Meu irmãozinho precisa aprender a ser "discreto" então – Ele conclui olhando em volta. – Ainda há tantas coisas para te ensinar...

– Eu sei, tenho muito a aprender.

O maior observa a paisagem, com seus corpos humanos mergulhados em vermelho regando a grama esverdeada. Os guardas estavam caídos de qualquer jeito, alguns até aproveitaram seu último suspiro para se agarrar em vão a uma foto da família que carregavam no bolso. Mas um dos soldados caídos prefere usar seu último sopro de vida para mirar no guarda impostor, infelizmente tem seu pulso quebrado pelo pé do menino antes mesmo de atirar. A criança tinha visto a ameaça.

– Ei, o que acha que está fazendo? – Oliver diz pressionando um pouco mais o pulso do policial com seriedade – Ele é da minha família.

– Oliver, vamos – Michael interrompe – É desnecessário perder mais tempo aqui se já terminamos o trabalho.

Com essas palavras o menino desiste do guarda semi-consciente e volta para perto do loiro.

– Quando voltarmos para casa você deve tomar um banho – Michael diz autoritário. – Olhe só para isso, suas roupas vão ficar manchadas com todo esse sangue. Tente fazer um serviço mais limpo da próxima vez.

– Desculpe... – Oliver abaixa a cabeça.

– Tudo bem, pelo menos posso ver que meu monstrinho pode matar sem fraquejar, isso me deixa feliz.

– Mesmo?

– Sim, quero que você sobreviva mesmo quando todos caírem no chão e eu não estiver por perto para te proteger. Vence o ultimo soldado que estiver de pé – Michael lhe diz com um tom paterno. – Oliver, quer tirar o último adesivo?

Com um sorriso infantil ele retira o último adesivo de dentro do envelope e o entrega ao maior.

– Nii-chan, por que eles tem esses formatos? – Pergunta de maneira doce e fofa tentando ganhar uma resposta. – Tem algum motivo por trás disso?

– Sim, por você ser você acho que posso te contar – Ele se agacha à altura do menino e diz baixinho como se estivesse contando um segredo. – Cada um é um símbolo de um mapa. Ou instrumento que eles vão precisar usar.

– Mapa de que? – Oliver sussurra com os olhos brilhando de curiosidade.

– De um jogo – Michael confidencia bem baixinho – Do Mestre.

A menção da última palavra ele recua um passo surpreso. Assim como todos os artistas, empregados e trabalhadores, o menino sentia medo do dono de seu lar, mesmo sem conhecê-lo sabia que ultrapassava as barreiras da maldade humana. Tinha medo, os jogos do mestre só eram divertidos para ele mesmo, e no final todo mundo acabava envolvido.

– Venha, vamos voltar – Michael pede colando o último adesivo na bochecha de Ciaran.

Oliver se agarra à cintura do mais velho fechando os olhos com força. O adesivo de uma lanterna começa a brilhar com potência enquanto os transporta de volta para casa. Só nesse momento Michael percebe que as mãos de Oliver tremiam, ele estava com medo de voltar. Tinha se esquecido. Apesar de tudo o que tinha ensinado e tudo o que ele fazia sem remorso, Oliver ainda era só uma criança.

~ ❖ ~

Em um divã vermelho vinho dois garotos exatamente iguais se encaravam tensos e corados. Estavam sentados um de frente para o outro, mas estavam tão rígidos que pareciam mais duas estátuas do que seres humanos. Nikon estava do lado esquerdo e Leopold do direito. Desviavam os olhos do irmão à sua frente procurando qualquer outro ponto para dirigirem o foco.

– Nikon, isso é mais difícil do que eu pensei que seria.

– Eu também não achei que isso iria acontecer – O outro concorda sabendo muito bem o que o irmão sentia, já que era o mesmo que ele. – É muito difícil de ignorar.

Os dois focam os olhos quase ao mesmo tempo no motivo para estarem tão tensos e rígidos. Em uma poltrona de luxo com ornamentos de rosas douradas havia uma mulher que os observava com olhos fixos iguais os de uma águia. Tinha cabelos castanhos curtos e repicados com duas mechas medianas para diferenciar do resto. Uma fita escarlate fazia um laço em seu cabelo e ela usava roupas que pareciam ser da era vitoriana. Seus olhos negros brilhavam fixamente enquanto um sorriso pairava em seus lábios.

Ninguém conhecia seu primeiro nome, os que sabiam já haviam se esquecido, era conhecida por todos apenas como Madame Sondhein. Mas para os gêmeos, aquela era a mulher que os havia acolhido, e também uma pessoa com gostos muito estranhos.

– Não se incomodem comigo. Vamos, se peguem – Ela diz com uma voz amável. – Me ignorem, eu só quero assistir um pouco.

Os gêmeos sentem seus músculos petrificarem. Não era como se fosse a primeira vez que faziam aquilo, mas ter alguém observando um momento tão íntimo era um pouco... embaraçoso.

– Você... não pode olhar pro outro lado? – Leopold pergunta quase implorando por sua privacidade.

– Não – Ela responde com um sorriso. – Como vou assistir sem olhar para vocês? Ou talvez vocês queiram que eu espione escondida?

A mulher faz menção de se levantar, mas os gêmeos mudam de ideia. Era melhor vê-la sentadinha ali do que escondida em algum lugar observando os dois de um ângulo em que não conseguissem observá-la.

– Não precisam ficar tão tímidos, não é a minha primeira vez vendo isso – Ela tampa a boca com uma mão enluvada escondendo um riso educado. – Embora seja a primeira com meninos tão jovens.

– Você fica vendo isso? – Nikon pergunta perplexo.

– Só quando me interessa.

Ela caminha pela sala rodeando o divã em que eles estavam com um sorriso malicioso, puxando um leque de madeira em seguida e abrindo 1/6 dele para tampar seu sorriso. Os gêmeos acompanham seus movimentos.

Madame Sondhein passava uma impressão muito elegante, talvez pelo modo de andar ou por suas roupas clássicas. Sua pele parecia nunca ter visto o sol, era branca como giz, e ela parecia uma boneca de porcelana. Uma dama da alta classe, era essa a impressão que tinham até ela dar um gritinho feminino e acabar quebrando o leque em dois devido a animação.

– Vocês ficam tão fofos juntos! Por que eu nunca tive gêmeos antes? – Ela os observa com os olhos ônix brilhando perdida nos próprios pensamentos – Casais proibidos são tão divertidos! Qual dos dois pode ser o uke*?

Se ela parecia uma dama essa primeira impressão foi logo quebrada. Madame Sondhein era muito criativa quando o assunto envolvia o prazer carnal, tentava ver casais mesmo onde não havia chance de haver um. Na verdade, ela adotava uma personalidade diferente para cada situação, era uma mulher de muitas facetas, tantas que muitos membros do circo já haviam se esquecido qual era a original. Quando se tratava de casais do mesmo sexo ela parecia uma garotinha curiosa, seus olhos ficavam brilhantes e adquiria um jeito muito animado de conversar. Já com casais problemáticos, era uma mulher um tanto séria.

– Que tabu delicioso temos aqui. Podem deixar tudo comigo, eu lhes ensinarei a extrair o máximo dessa relação.

Cheia de confiança e animação ela sai do aposento aos pulinhos como uma criança. Quando a porta bate, Leopold recebe um rápido beijo de seu irmão. E no momento que ia abrir a boca para falar algo, sente o dedo indicador de Nikon pousar em seus lábios pedindo silêncio.

A principio não entendeu a ação do irmão, mas quando este pegou sua mão e muito cautelosamente desceu do divã, entendeu que iriam sair antes dela voltar.

~ ❖ ~

Michael chega no camarim do mago e se depara com uma cena chocante. Caído no sofá, o mago estava rindo com uma Isadora impaciente por cima dele. Ela falava alguma coisa sobre "tirar logo sua blusa" enquanto tentava puxar o tecido para fora do corpo do homem. Este apenas ria de alguma coisa que havia acontecido a alguns minutos atrás e a morena insistia na remoção daquela peça.

Perturbado com o que via, Michael jogou Ciaran de qualquer jeito em cima de um sofá e tampou os olhos de Oliver rapidamente.

– O que acham que estão fazendo? Na frente de um menino!

– Ahn? não, NÃO! Não é o que está pensando! – Isadora se retira de cima do maior constrangida, notando só naquele momento que Michael tinha chegado ali – Eu só queria tirar a blusa dele!

– Pra que? O que ela ia fazer depois? – Oliver pergunta sem enxergar nada.

– Absolutamente nada. Você é jovem demais para isso, quando crescer eu te conto – Michael tenta encobrir o caso. – Pode buscar uma coisa para mim lá fora? Acabei de lembrar que esqueci do meu livro de anotações.

– Eh? Eu quero ficar aqui.

– Por favor. Quando voltar te darei um caramelo.

– Tudo bem... se você quer assim... – Oliver obedece se retirando do camarim sem olhar para os dois.

– Explicações – Michael pede quando Oliver sai.

– Ela queria ver o que eu estava escondendo em minhas mangas. Disse alguma coisa sobre hologramas, efeitos de fumaça e mecanismos escondidos embaixo das roupas. Essa garota é hilária – O mago explica.

Isadora vira o rosto para o outro lado ficando corada pela raiva.

– Conseguiu descobrir o truque por trás da mágica dele "Corujinha"? – O loiro pergunta sarcástico usando um apelido que ouviu a dona do bar Dionísio usar para ela.

– Eu... eu... preciso de um pouco mais de tempo, só isso.

– Você perdeu Isadora. O Mago será seu professor a partir de agora.

– Ele só é bom. Tenho certeza que existe um truque por trás de tudo. Mas diante da situação... prefiro admitir a derrota – Isadora diz com um sorriso orgulhoso, tinha ficado realmente curiosa sobre os truques que tinha visto, nunca pensou que poderia existir coisa igual.

– Perdeu... Você fez algum tipo de aposta com ela Michael? – O mago pergunta.

– Sim, se ela não conseguisse desvendar sua magia teria que ficar em Dead Line Circus. Não é um mal negócio, não acha?

O moreno observa Isadora com calma e Michael logo em seguida.

– Ingenuidade pode mesmo custar uma vida – Ele diz decepcionado.

– Trouxe um novo aluno para você. Este é Ciaran Ó Reagan, encontrei ele na Irlanda. Em uma prisão de Dublin.

O mago se levanta do sofá e caminha até o adormecido de cabelos prateados. Quando chega aos pés do sofá em que ele está avalia o novo membro da família. Sem dúvida alguma ele era bonito, estava muito magro e ferido, mas o tempo e bons cuidados resolveriam isso num instante. O moreno belisca o braço de Ciaran e este abre os olhos devagar, acordando vagarosamente em um novo ambiente. O olho escarlate do mago observa os azuis de Ciaran e não gosta do que vê, os ponteiros do seu tapa-olho avançam um minuto.

– Esse menino está quebrado – Ele faz uma pausa para Michael absorver suas palavras. – Do jeito que está ele me é totalmente inútil.

– Quando ele se recuperar tenho certeza que será um aluno brilhante. Dê um pouco de tempo.

O mago suspira e cruza os braços.

– Quanto tempo?

– Isso é indeterminado.

O moreno franze uma sobrancelha com a resposta. Michael realmente devia amar fazê-lo esperar, justo ele que valorizava tanto o tempo.

– O que fez esse garoto quebrar assim? Essa tarefa é minha.

– Liadan – Michael diz com um tom malicioso.

– Liadan... não sei o que é isso. De qualquer forma, este é o último membro?

– Sim, finalmente terminei. Nem acredito que consegui trazer tantas pessoas para cá. E vieram por livre e espontânea vontade.

– Parabéns. Acabou com a vida deles. Mas eu lhe agradeço, gosto de conhecer gente nova e de que elas me conheçam – O mago sorri. – Vou levá-lo ao doutor. Essas cicatrizes acabam com sua boa aparência e preciso que pelo menos seu corpo esteja em boas condições. E você devia descansar um pouco, deve ter sido difícil convencer cada um deles a virem aqui.

– Obrigado mago, mas eu vou dar uma volta. Em breve haverá uma reunião...

– Isadora venha comigo, quero lhe mostrar um verdadeiro milagre da medicina – Ele fala para a garota enquanto se dirige até uma cortina vermelho vinho e puxá-a para o lado, revelando uma outra garota escondida atrás do pano. – E você também Evanecer. Estou começando a me preocupar com sua curiosidade.

– Esse lugar é divertido – Evanecer diz saindo de seu esconderijo descoberto.

– Consegue se levantar Ciaran? – Michael pergunta estendendo sua mão.

– Onde me encontro? – O albino pergunta olhando em volta.

– Dead Line Circus. Onde todos seus pesadelos vão se realizar.

– Não são sonhos?

– Não, não são.

Ciaran se levanta sem usar da ajuda de Michael e faz uma rápida recapitulação do que tinha acontecido. Encontrava-se na prisão de Dublin até receber uma visita inesperada, o impostor disfarçado tinha lhe soltado de suas correntes e ele então sentiu muito sono quando este chegou perto de si. Depois... O que acontecera depois? Não se lembrava. Mas isso era importante?

– Ciaran venha, quero vê-lo em boas condições para a reunião – O mago fala ajeitando sua cartola.

– Reunião? Que reunião?

– Ah, sim, como você pegou no sono acabei esquecendo de lhe dizer. Você está fazendo parte desse circo agora. Parabéns novato – Michael lhe felicita.

Circo? Novato? Ciaran tinha assinado alguma coisa enquanto dormia? Seus pensamentos estavam embaralhados, mas sua mente permanecia sã.

– Eu não vou obrigá-lo a ficar aqui... – Michael diz.

"Brincadeira, eu vou sim." – Ele pensa logo depois.

– Mas posso te oferecer uma coisa muito valiosa se você trabalhar conosco.

– Não há nada que possa oferecer-me para comprar minha simpatia – Ciaran fala calmamente sem interesse.

Será? O loiro ria por dentro com a ironia da situação, sempre haveria. E Michael sabia bem o que o albino queria.

O mago de olhos vermelhos apenas observava o desenrolar da interessante conversa que acontecia em seu camarim, junto de Isadora e Evanecer. Então era assim que ele fazia? Com uma voz mansa e um olhar acolhedor. Apesar de ser um estranho criava uma atmosfera quente e bem vinda, como se o convidasse para uma amável família. Não obrigava as vítimas a nada, as convidava gentilmente a acompanharem-no, elas nem deviam saber que eram vítimas.

– E se eu lhe oferecesse Liadan? – Michael sussurra em seu ouvido como uma víbora atiçando um pecador.

Liadan.

A palavra vibrou em seu corpo parecendo acordá-lo. Liadan. Ele lhe dissera o nome dela. Liadan. O que ele queria com Liadan? Como a conhecia? Não, o loiro tinha lhe dito que lhe daria Liadan. Como? Onde? Quando?

– Do que fala?

– Este circo é diferente dos demais. Nosso mestre e dono pode realizar qualquer desejo que alguém possua. Não importa se for impossível ou não. – O loiro ri – Se você ganhasse a chance de realizar um desejo... o que pediria Ciaran?

O albino estreita os olhos por um momento, desconfiado. Que história absurda era aquela? Não podia ser real. Mas era tentador... Um desejo realizado.

– Eu não preciso dizer-lhe preciso?

– Não. Não pra mim.

Vendo que o recém-chegado estava bem, o loiro sorri e se retira do camarim, deixando ele aos cuidados do mago e de suas duas novas alunas: Evanecer e Isadora.

– Por que está rindo? – Isadora pergunta ao moreno.

O mago se apoiava em uma penteadeira com uma mão cobrindo sua boca, com a cabeça baixa sua cartola projetava uma sombra em seu rosto, mas pelo movimento dos ombros Isadora supôs que ele ria.

Gentilmente, amavelmente, o loiro se aproximava deles como um amigo prestativo e bondoso, não importa o quanto a guarda de alguém estivesse alta, inconscientemente pensariam se tratar de alguém gentil. Ele se aproximava e então mordia como uma cobra. Falando o que deveria falar para desejarem acompanhá-lo. Então era assim que Michael os atraía, impressionante. O Mago não conseguia parar de sorrir, com aquele riso sádico que possuía diante de um desastre. Não era nem um pouco parecido com o Michael que conhecia.

~ ❖ ~

A sala do Doutor era ligeiramente diferente dos hospitais comuns. Haviam macas, remédios, bisturis, aparelhos e o interior todo branco como nos hospitais comuns, mas o lugar não possuía um teto. No lugar da parede de concreto havia um céu completamente nublado, se existisse um teto ele era feito de nuvens de tempestade. Elas eram brancas com sombras escuras, e as vezes se podia ver relâmpagos atravessando por elas.

O médico estava quase terminando de tratar um paciente, quando o mago e três jovens batem em sua porta e entram sem esperar sua permissão, não que eles devessem esperar.

– Preciso que trate de um paciente – O mago adianta-se já recuperado de seu episódio anterior.

– Eu sei. Por que outro motivo me procuraria? – O doutor fala friamente. – Estou quase terminando.

Isadora se inclina um pouco mais para o lado para tentar ver o paciente que o médico atendia. Conseguia ver a perna que o homem de cabelos cor de neve segurava, parecia parcialmente derretida por algum tipo de ácido e pequenas bolinhas negras estavam embaixo da sola do pé. Quando o doutor pega uma daquelas bolinhas e puxa, a garota então percebe que eram pregos.

– Desculpe o incômodo – A voz do paciente pede.

– Venha brincar conosco da próxima vez. É muito divertido – Uma segunda voz parecendo vir do mesmo lugar se manifesta.

– Podemos voltar mais tarde, não é tão sério – Ciaran pede cruzando os braços.

Um rosto alegre se mostra atrás da cortina. Tinha olhos felinos de coloração esverdeada e cabelos brancos como trigo. Um segundo rosto também se mostra, e tinha as mesmas características do primeiro, os mesmos olhos verdes e o cabelo cor de trigo, mas possuía uma expressão infeliz.

– Eu já terminei – O Doutor conclui.

A perna que este segurava estava saudável outra vez, sem queimaduras e nem furos, lisa como se nunca tivesse acontecido nada. Isadora se espanta, não tinha visto o que ele fez, mas curar feridas como aquelas em tão pouco tempo... era possível?

O paciente se levanta e sai de trás da cortina. Nossa!

Os três jovens recuam um passo com a surpresa.

O homem ou os homens, ou melhor, a coisa que tinha sido tratada tinha uma forma um tanto estranha. Eram duas pessoas em uma. Possuíam um par de pernas como qualquer um, mas sua coluna se dividia em duas partes originando dois seres diferentes em uma mesma pessoa. Seu tronco estava coberto por uma peça semelhante a um corpete duplo de tecido negro. Grandes pernas de escorpião ou caranguejo enfeitavam o quadril deixando-o mais bizarro ainda. O homem da direita possuía uma expressão feliz em seu rosto, seus lábios e seus olhos estavam pintados de vermelho escuro semelhante à maquiagem dos pierrots. Um chapéu de napoleão vermelho e preto com um sol dourado na ponta da aba cobria seus cabelos brancos cuja franja tinha a tarefa de cobrir metade do rosto. O homem da esquerda tinha uma expressão infeliz, sua maquiagem de pierrot lembrava alguém chorando, usava um chapéu de carnaval com o formato de uma cartola, onde uma lua minguante pendia na ponta da aba. O homem triste possuía uma asa de demônio em sua fantasia e o feliz uma asa de anjo.

– Querem brincar conosco? – O alegre pergunta.

– Quem são vocês? – Evanecer pergunta ainda surpresa.

– Não responda nossa pergunta com outra pergunta... – O infeliz murmura cabisbaixo.

– Vamos, não seja mal com ela. Eu sou V. É um prazer conhecer você – O alegre se apresenta. – Ah, eu fiz uma rima.

– E eu sou D – O tristonho diz.

– E-Evanecer.

– Por que E-Evanecer está nos olhando assim? Nunca viu pessoas como nós? Não deve ser muito comum. Ou será que tem alguma coisa em meu rosto? Não é uma aranha ou um morcego é? – Ele faz uma cara assustada – TIRA DE MIM D! TIRA O TROÇO DE MIM! Eu ODEIO levar susto.

D não responde e nem se move. Isso por que ele não tinha ânimo para responder. Sempre foram assim, V era excessivamente animado e D sempre fora melancólico.

O Mago aproveita a deixa para encaminhar Ciaran até o Doutor, que depois de tirar a camisa do paciente e jogá-la no lixo começa a tratar de suas cicatrizes. Suas mãos deslizam pela pele machucada com muita delicadeza e por onde elas passam os ferimentos vão sumindo.

Isadora observava o fenômeno curiosa. Que tipo de truque ele estava usando?

– Não está doente, mas seu corpo está fraco. Ele tem que se alimentar e repousar – O doutor receita quando termina.

Enquanto a medicina moderna podia melhorar aspectos de cicatrizes e levava um longo tempo para curar completamente um machucado, o Doutor podia fazer melhor em pouco tempo e sem nenhum aparelho ou medicamento. Mas sempre existia um porém.

– Perfeito como sempre. Agora não será um estorvo para mim – O mago lhe parabeniza. – Temos que ir na reunião agora, Doutor. O senhor não virá?

Ele afirma com a cabeça informando que iria, já estava sabendo que aquele era o último membro.

– Re-u-ni-ão! Re-u-ni-ão! – V cantarola.

– Eu odeio reuniões... – D resmunga.

~ ❖ ~

A reunião à qual todos se dirigiam seria na grande tenda. Esse lugar em especial era a primeira construção do circo, possuía o formato que a maioria dos circos antigos e alguns tradicionais usavam: uma tenda muito grande listada de vermelho e branco. Ela se localizava bem no centro da grande área que era o circo, pois conforme ele evoluía, se expandia para os lados usando seu ponto central como coração. Era a única construção que não mudou, sendo que as paredes eram de lona e a arquibancada vários bancos de carvalho dispostas em alinhamento.

O palco era rente ao chão, e os artistas que se encontravam ali se espalharam pelo espaço procurando algo para matarem o tempo.

Ivie se equilibrava em cima de uma bola colorida, saltava em cima dela e a fazia rolar pelo palco em uma brincadeira infantil. Cain disparava as balas de um revólver em um alvo encostado em uma coluna. Arman estava sentado lá em cima, em uma barra de trapézio se balançando devagar enquanto esperava o tempo passar. Madame Sondhein estava sentada na beira da arquibancada girando sua sombrinha cujo interior era um universo de estrelas. Ela se entretinha cantando uma música que na opinião de Ivie, era fofa e ao mesmo tempo tensa.

Um, dois, três ukezinhos

Quatro, cinco, seis ukezinhos

Sete, oito, nove ukezinhos

Dez sem nenhuma sorte

Iam saltitando pela rua abaixo

Quando o Grande Seme se aproximou

Raptou todos os ukezinhos

E um por um ele estuprou

Quando ela terminava, recomeçava a cantar. Cain achava graça nas manias de sua companheira, ela era muito pervertida. Certa vez, tinha trancado o Mago e Arman em um mesmo quarto para, como ela disse "aproxima-los". O resultado foi a destruição do quarto e um Arman muito irritado pelo resto do dia. Aquela mulher era a teimosia em pessoa, quando se interessava por alguma coisa mergulhava fundo na tarefa.

Erich estava no chão com seus dois leões favoritos: Carrasco e Ditador. As feras sempre simpatizavam com ele. Seryu estava em uma mesa especialmente posta para ela em um canto, apreciava um chá que Magnus lhe servira a pouco tempo atrás, e ao seu lado havia as aberrações 1 e 2 sentadas no chão encolhidinhas. Apesar do corpo desenvolvido, elas ainda tinham mentalidades de crianças, sendo muito inocentes e gentis. As duas cabeças que compunham aquele mesmo corpo cuidavam do Jardim dos Monstros e de todas as aberrações do circo. Embora tivessem a estrutura similar a de V e D, elas não eram nascidas, mas criadas. Prova disso eram as costuras espalhadas por seu corpo. A cabeça da esquerda tinha longos e lisos cabelos verdes e a da direita tinha longos cabelos rosa ondulados.

Aos poucos o resto do pessoal chegava. O Doutor, o Mago, V e D, Evanecer, Isadora e Ciaran vieram todos juntos, os veteranos foram para o picadeiro e os recém-chegados para a arquibancada.

O mago e V e D foram para perto de Madame Sondhein, que parou de cantar quando viu eles se aproximarem.

– Não trouxe seus alunos?

– Não consegui encontrar meus gêmeos. Justo quando encontrei um presente perfeito para eles – Ela faz um biquinho infantil choroso.

– Presente? – D fica desconfiado.

Inspirada pela curiosidade do pierrot, a mulher puxa um objeto que estava escondendo atrás de si. Era uma fivela negra com uma bolinha no centro cheia de furinhos. D demonstrou aversão ao objeto e V ficou curioso com ele.

– Uma mordaça masoquista? O que você quer fazer com esses meninos? – O mago pergunta com um timbre malicioso.

– Como se você não soubesse – Ela lhe devolve com o mesmo tom.

Os alunos de Arman, entre eles Satsuki, Isis, Aegeon e Sheng chegam em grupo, tinham terminado o exercício que seu "professor" tinha lhes passado e vieram para a reunião como ele instruiu logo em seguida.

– Vocês terminaram, que pena – Arman diz ao observar seus alunos chegarem.

– Depois ele é odiado e não sabe por que – Aegeon comenta baixinho com Sheng.

Depois deles se sentarem na arquibancada, chegam Alma, Tzvetana, Rebecca, Ênia, Ellie e Arisu. Elas tinham se encontrado por acaso e como iam para o mesmo lugar decidiram acompanhar as demais (ideia de Ellie). Os garotos chegaram um pouco depois, Will, Ivan, Callisto e os gêmeos Vasiliev, os dois últimos só sabendo da reunião pelos outros, já que tinham escapado por um momento da sessão-observação de sua tutora, e vendo ela acenar para eles segurando uma mordaça na mão não acharam que tinham errado.

Para terminar, as duas mulheres com aparências diferentes do usual vieram ao mesmo tempo, mas bem longe uma da outra, Johanne e Saga, apesar de se identificarem, não queriam ficar muito próximas uma da outra. E quando as duas se sentaram na arquibancada os outros preferiram se afastar um pouco delas.

Já estavam todos lá, menos dois homens que iriam apresentar a reunião. Estes dois chegaram um bom tempo depois, Magnus entrou primeiro, e quando ele apareceu os veteranos se calaram e isso acabou incentivando os novatos a entrarem em silêncio também. Michael veio depois, com uma expressão cansada como se tivesse permanecido acordado durante uma noite inteira, mas se forçou a se recompor alguns segundos depois. Os dois se dirigiram em direção ao centro do picadeiro.

– Pois bem, vamos começar.

O loiro fica em pé bem no centro do espaço, com sua habitual postura ereta e adquirindo uma expressão séria e formal, com Magnus ao seu lado para corrigi-lo caso errasse.

– Bem vindos a Dead Line Circus novatos. Como todos devem saber este será o novo lar de vocês a partir de agora. Eu espero que se esforcem em suas futuras apresentações quase tanto quanto nos esforçamos em nossa época.

– Deem o melhor de vocês para os visitantes, não somos um circo que admite falhas amadoras – Magnus avisa.

– Sim, mas antes de começarmos acredito que será melhor avisá-los sobre nossas regras – Michael dá uma pausa. – Bem... não há regras, leis são para trouxas.

A platéia ficou em silêncio absorvendo a informação. Hã? Não havia regras? Como os artistas e empregados conviviam uns com os outros sem algo que garantisse sua segurança?

– Não tenho certeza se entendi, pode dizer de novo? – Rebecca pede.

– Sim, não há regras e nem leis nesse lugar, todos são livres para fazerem o que quiser.

– Ei, ei, ei, espera um pouco. Então se eu quisesse atirar em você agora mesmo não seria preso depois? – Callisto pergunta com um sorriso nervoso.

– Não.

– Se acontecesse um assassinato o culpado ia continuar andando por aí numa boa? – Arisu pergunta perplexa.

– Sim.

– Isso não faz sentido. Este lugar pode se tornar um campo de batalha, ninguém confiaria em ninguém – Ivan declara surpreso.

– Ninguém nunca deveria confiar em ninguém. Humanos traem para salvar a própria pele, confiança é desnecessária – Magnus explica calmamente. – No entanto... – Magnus incentiva Michael a ir para o aviso.

– No entanto, tem alguns conselhos que eu sugiro que vocês sigam à risca se quiserem viver aqui. Eles são as únicas leis que podem matá-los se forem quebradas. Melhor segui-los caso não queiram ser... bem... caçados – Michael olha de esguelha para o mordomo. – A primeira e mais importante regra que vocês devem seguir o mais à risca possível é nunca em nenhuma circunstância trair, enganar, machucar ou até mesmo matar (isso se vocês conseguirem) o mestre do circo. Se vocês fizerem qualquer coisa que prejudique o Mestre receberão uma morte instantânea. Não importa o motivo ou a circunstância.

– Quando vamos conhecê-lo? – Aegeon pergunta curioso.

– Nunca – Magnus responde interrompendo Michael antes mesmo deste iniciar a resposta, estava fazendo uma expressão mais séria do que de costume.

– Bem... isso eu não sei. Existem pessoas que estão aqui há anos e nunca o encontraram pessoalmente, mesmo nós artistas nunca vimos seu rosto embora tenhamos nos encontrado com ele uma vez ou duas desde que entramos. É muito raro encontrá-lo se movimentando pelo circo, quase impossível vê-lo pessoalmente.

– E como vamos trair alguém que nunca vimos? – Tzna diz irônica.

– Fazendo alguma coisa que pode prejudicar o circo ou a ele. Tomem cuidado com essa questão. Bom, continuando... Façam o possível para proporcionarem uma apresentação de qualidade. Todos os olhos estarão em vocês, não os decepcionem.

– Isso é óbvio – Will comenta ajeitando os óculos.

– E por último, mas não menos importante, não sejam curiosos. Se vocês vasculharem demais e acabarem encontrando coisas que não deveriam ter encontrado, não tomarei a responsabilidade pelo que acontecer em seguida.

– Isso é tudo – Magnus termina.

– Nyah? – Satsuki se levanta exaltada. – Cadê o "não pode matar", "Não pode queimar", "não pode brigar"?

– Ah, isso não tem por aqui. Você pode fazer essas coisas, mas vai ter que assumir a responsabilidade de qualquer jeito.

– Vocês podem fazer isso conosco? – Isis estreita os olhos desconfiada.

– Claro que podemos, por que não poderíamos se até híbridos como você podem? – Arman interfere lá do alto.

– O que funciona por aqui é a lei de causa e consequência. Se você matar alguém e sua vítima for amiga de alguém forte, prepare-se para o caso de uma possível vingança. Se você for pego roubando vai ter que arcar com a responsabilidade sozinho. Vocês podem fazer o que quiser aqui dentro, mas serão responsáveis por seus atos da mesma forma.

– Alguém já morreu aqui antes? – Saga pergunta.

Quase todos os artistas veteranos riem. Erich, V e D, Seryu, O Mago, Cain, Ivie, Arman, Michael e Madame Sondhein tentam disfarçar os risos mas não conseguem. Tirando Magnus e o Doutor, que normalmente não riam.

– Isso foi engraçado? – Saga pergunta com uma voz ameaçadora.

– Você não faz ideia – Ivie fala entre suas risadas.

– Sim – O Doutor responde a pergunta indo direto ao ponto, sem especificar quantas e nem quando elas aconteceram.

– Então não deveríamos criar uma regra que proibisse a morte de alguém? – Sheng sugere.

– E por que faríamos isso? Mesmo se criássemos essa regra, não há garantias de que todos seguissem – Michael fala.

– Seguiríamos se ela nos protegesse, podemos chamar a policia – Sheng se defende.

– "Sua consciência em meu ver é só uma forma educada de nomear sua covardia." – Ciaran cita uma passagem de seu livro favorito (O retrato de Dorian Gray) para Sheng. – Não acha interessante ver como funciona este tipo de lugar cujas regras morais, sociais e politicas não se aplicam?

– Não consigo imaginar um lugar assim organizado – Evanecer apoia o chinês.

– Se não consegue imaginar então veja com seus próprios olhos – Cain intervém. – Esta é a casa de vocês agora, quanto antes aceitarem isso, mais fácil ficará.

Os novatos se aquietaram por hora sabendo que não iria adiantar discutir, mas ainda pensando em seguir suas próprias regras e planos por enquanto.

– Continuando, há dois tipos de pessoas que vocês vão servir: Os comuns e os VIPs – Michael prossegue. – Os comuns são atendidos durante o dia, são pessoas normais que desejam passar um tempo com entes queridos ou ver um maravilhoso espetáculo. Nosso objetivo é oferecer alegria e encanto para tais pessoas, sejam o mais gentis e calorosos possíveis com eles. E os VIPs são a elite da sociedade, os mais ricos, os mais habilidosos e os que possuem um futuro brilhante pela frente. Pode-se dizer que são os destinados a terem vidas perfeitas neste mundo.

Alma engole em seco. Os ricos eram sempre favorecidos.

– Sejam o mais cruéis possíveis com eles. Mas os obedeçam.

– Hã? Repete a última parte, minha cabeça deu um nó – Ellie pede. – Os VIPs não deveriam receber um tratamento especial? Já que são VIPs...

– E eles recebem. Os VIPs são, em sua maioria, pessoas destinadas a terem uma vida rica e gloriosa desde o seu nascimento. Com essa perspectiva eles ficam entediados com uma vida serena e vem aqui para buscar o perigo. Sempre foram mimados e tiveram tudo o que queriam em um piscar de olhos, não são pessoas que chegaram a sentir muitas emoções. Foram afogados em sonhos e desejos realizados durante tanto tempo que acabaram entediados. Os VIPs nos procuram para poder sentir fortes emoções outra vez, e todos possuem gostos e interesses diferentes dos demais, são um tanto exóticos.

– Sim, eles amam a dor e o sofrimento, como nós. Mas ao contrário dos cordeirinhos malvados comuns, eles sabem desfrutar – O mago diz.

– Proporcionamos apresentações exóticas onde podemos liberar o estresse que acumulamos durante o dia. Eles assistem e as vezes fazem parte do show. São atendidos durante a noite, tratem eles de um modo que não sejam acostumados a serem tratados, mas obedeçam seus pedidos com resistência.

– Parece mais difícil interagir com os VIPs do que com os normais – Isis arqueia uma sobrancelha balançando a cauda um pouco confusa.

– Por isso os responsáveis por vocês irão ensiná-los a maneira correta de se comportar.

– Perguntas? – Magnus adianta-se.

Ellie levanta a mão para cima e fica em pé para estar em evidência. Michael permite que ela fale.

– Antes de virmos para cá você disse algo sobre realizar desejos. Se nós não vermos o "mestre", como você o chama, como realizaremos nossos desejos?

– Um bom ponto, você não vai até ele, ele vem até você.

Todos os veteranos expressaram um sorriso malicioso, até mesmo o Doutor que não era muito de sorrir.

– Eu disse que vocês não podem vê-lo, mas não quer dizer que ele não pode ver vocês.

– O mestre se move como ele quer. Se ele gostar de você e quiser realizar seu desejo você o verá. E isto é claro, se você desejar alguma coisa dele – Magnus explica.

– Se tiverem mais dúvidas perguntem a seus tutores. Agora que sabem teoricamente como as coisas funcionam por aqui terão de entendê-las na prática.

– Não traia o chefe, faça seu serviço e tenha cuidado para não ser morto. Regras facilissimas de seguir, certo? – Will tenta confirmar.

– Isso mesmo. Agora, enfim, estão todos dispensados.

~ ❖ ~

Finalmente livre de sua tarefa, Michael decide voltar para seu tão amado aposento. O quarto dele era de todos o mais comum. As paredes de madeira davam a impressão de se estar em um chalé nas montanhas. Era um lugar quente e confortável, com uma cama coberta por um edredom de linho. Seu guarda roupa era extenso, mas parecia que algumas roupas tinham sumido de seu interior.

Quando entrou pela porta notou que estava tudo fora do lugar, roupas espalhadas, livros caídos, cama desarrumada, um furacão havia passado ali? Ou ele foi assaltado? Um choro baixinho era ouvido em um cantinho atrás do criado mudo, quando ele vai conferir o que havia acontecido encontra um Oliver encolhido tentando secar as lágrimas dos olhos.

– O que aconteceu aqui?

– Eu não con-consegui encontrar o li-livro de anotações do Mik-nii-chan... – O menino diz em meio aos soluços.

– Você ficou até agora procurando?

Oliver afirma com a cabeça. O maior tinha inventado aquela tarefa apenas para Oliver sair do camarim do mago e não ver o que se desenrolava, o que acabou sendo um mal entendido. Ele não tinha de fato um livro de anotações, mas não podia dizer isso a ele.

– T-Tudo bem, não era tão importante. De qualquer forma já é hora de ir dormir e nós já terminamos tudo que tinhamos que fazer, vá fazer companhia para a Evanecer, ok?

– Posso ficar aqui hoje? – Ele pergunta com os olhinhos marejados. – Tem um monte de gente estranha andando por aqui agora. Estou com medo do mestre sair.

– Ele não sairia por um motivo tão trivial, você sabe que o mestre não é assim – O loiro observa o menino encolhido e fica com pena de seu pedido. – Mas tudo bem se for só hoje.

Michael pega Oliver no colo como um filhotinho e o coloca em sua cama, desamarrando as botas do menino e tirando seu quepe em seguida.

– Lê uma história para mim?

– Agora? – Michael se surpreende. – Talvez amanhã, estou um pouco cansado e você também precisa ir dormir.

– Mas eu não estou com sono – Oliver diz bocejando.

– Ora, está.

– Não estou... – Os olhos de Oliver quase fechavam.

Michael vai para outra divisão do quarto e alguns minutos depois volta com um copo de leite quente com mel para o menino.

– Você sabe que eu não sou um bom cozinheiro – Ele desculpa-se. – Pode ir bebendo enquanto eu vou tomar um banho. Deve ter poeira dos quatro cantos do mundo em minha orelha.

Oliver ri enquanto pega o copo. Aparentemente, ele tinha ido tomar um banho antes do maior. Michael toma o seu banho com uma expressão preocupada em seu rosto, várias coisas passavam por sua cabeça naquele momento, e quando volta Oliver já estava dormindo com o copo vazio ao seu lado.

"Eu sabia." – Michael pensa.

O maior se troca e veste suas luvas. Oliver dormia calmamente em sua cama, com certeza devia estar sonhando. Para alguém que tinha participado de um massacre naquele mesmo dia ele dormia com mais calma que um anjo. Michael sorri ao vê-lo ali. Ele se aproxima da cama e muito suavemente afaga seus cabelos loiro acinzentados.

– Boa noite Oliver – Ele sussurra.

De repente sente uma dor. Seu coração doía. Pasmo ele olha para baixo e vê um braço saindo de seu peito, a mão no final do braço segurava seu coração entre os dedos. Perplexo e surpreso com a dor inesperada, ele sente que sua visão escurece, então, como último esforço, ele vira a cabeça para trás querendo ver quem era seu assassino. Dois ferozes olhos cristalinos se encontram com os seus, não imaginou que chegaria o dia que os veria serem destinados a si.

– Você é desnecessário – Magnus lhe diz com uma voz fria e direta. – Ordens do mestre.

Michael se assusta.

– Eu... não...

Antes que pudesse terminar ou mesmo entender o que fez de errado, Magnos retira seu braço do simples corpo do loiro e este perde os sentidos, caindo num poço escuro e interminável de inconsciência.

~ ❖ ~

Uma sombra mais negra que a própria noite caminhava pelo circo. Era envolta por escuridão e morte, onde ela passava a terra secava e morria como se fosse uma praga sobre o mundo.

A sombra misteriosa era maligna e temida mesmo entre os seres mais cruéis, não havia quem não tremesse ao ficar diante de sua presença, ela exalava poder e escuridão. Naquela noite ela visitou alguns quartos enquanto todos dormiam, os quartos de suas novas aquisições. Todos receberam uma inesperada visita noturna. O ser que caminhava pelo circo naquela noite chegou perto o bastante daquelas pessoas para tocá-las, e uma a uma, ele observou seus rostos adormecidos, embalados por sonhos e pesadelos de seus subconscientes. A sombra chegou a roçar as pontas de seus dedos nos rostos dos novatos inocentes, fazendo alguns franzirem as sobrancelhas com os sonhos perturbados.

No fim de uma estrada, um mordomo de olhos cristalinos a esperava e quando avistou a sombra se aproximar, seus olhos normalmente gélidos e severos encheram-se de ternura. O mordomo pousou uma mão no peito e se ajoelhou diante dela, abaixando a cabeça em sinal de profundo respeito por aquele ser.

– Bem vindo de volta Mestre.

Notas finais
Imagens que me recuso a não postar: Ciaran Ó Reagan: https://lh5.googleusercontent.com/-S95j5EWiIDY/Urtp08bjR9I/AAAAAAAANFc/lnBWIps1MPs/w346-h616-no/large.jpg V e D: http://image.hotdog.hu/album/Picyboszy/ikrek-alice-csodaorszagban-503b8431e007029768001b6d_thumb_top-center_624x0-false.jpg 1 e 2 (essas vocês já conhecem): http://upload.crazzy.com.br/pictures/020f0b4b91f8be3a52e2e4275ab10ea0.jpg Madame Sondhein: http://fc00.deviantart.net/fs71/f/2010/020/5/6/5662fbbf60307a9c7000dff1a4fd153d.jpg *Uke: Basicamente é o passivo da relação, popularmente aquele que "recebe". *Seme: é o ativo da relação. Ah, alias.... é agora que a história definitiva vai começar. Ansiosos? Já estão todos dentro, o que pode acontecer? Por falar nisso, enquanto escrevia este capitulo pensei em uma coisa: E se os VIPs também participassem? Estou pensando em abrir vagas para os VIPs, afinal eles também fazem parte da história. O que acham? Vai ser muito estranho abrir vagas a esta altura do campeonato? Ps: A musiquinha que Madame Sondhein estava cantando é de um perfil que eu tinha visto aleatoriamente no nyah, a música é da Olga Niedel, créditos a ela. Como eu achei fofa eu tive que coloca-la aqui.