Dead Lights //Larry Stylinson
1 Capítulo 1
Notas iniciais
CARTA Nº 1: PROGRAMA “ÀS CEGAS” ENTRE PACIENTES E PROFISSIONAIS
PROFISSIONAL SELECIONADO, DR (A): HARRY E. STYLES
PACIENTE SELECIONADO: LOUIS W. TOMLINSON, 20.
Eu posso começar explicando como tudo na minha vida ficou tão confuso. Eu sei que eu não te conheço e você também não me conhece, mas isso não importa, importa?
Eu não sei muito bem por que eu estou levando essa carta tão a serio, mas eu sinto que devo explicações para alguém. Talvez para mim mesmo.
Durante muitos anos da minha infância com os meus pais as pessoas me falavam o quanto eu era sortudo e o quanto eu era um menino bom com um futuro brilhante pela frente. Eu nunca liguei muito para o que essas pessoas estavam dizendo, porque eu realmente sabia o que eu tinha e eu não deixava que todas essas pessoas me transformassem em um garoto esnobe, esbanjando a sorte que tinha por ter uma família carinhosa e feliz, que me apoiavam, tanto a mim quanto as minhas irmãs, em qualquer decisão que tomássemos.
Meus pais eram realmente incríveis. Ainda sinto a falta do cheiro de bolinhos vindo da cozinha ou o cheiro do café do papai que ele fazia todos os dias antes de ir para o trabalho. Sinto falta das risadas que eles me causavam, falta das broncas que me davam e eu sabia que eles só estavam tentando me proteger. Sinto falta dos passeios, dos conselhos, dos ‘eu te amo, meu filho’.
A pior coisa que pode acontecer a um filho é, sem sombra de duvidas, perder os pais. É uma dor insuportável, é algo que só sabe quem já passou por isso e não importa o quanto você tente afirmar que tudo ficar bem e que você vá a vários psicólogos diferentes, essa dor nunca vai passar. Nunca.
Hoje faz 3 anos que meus pais morreram.
Eu estou chorando, não vou negar. Acabou se tornando um ritual, chorar, todos os anos nessa data.
Mas a vida não tirou apenas meus pais de mim, ela fez pior.
Quando eu tinha meus 7 anos eu fui diagnosticado com uma doença que requeria tratamento de hipnoterapia, todos acreditavam que iria me ajudar, inclusive eu.
Porem, a cobiça cegou algumas pessoas que me fizeram cometer um erro terrível que me custou a vida das duas pessoas que eu mais amei em toda minha vida.
Eu sei que essa carta pode não ter nenhum valor, mas eu só quero ser livre, quero que alguém me escute, quero que alguém saiba da minha historia sem eu precisar ver a dor nos olhos delas enquanto eu a conto.
Eu não tenho certeza se você é a pessoa certa, mas agora eu não tenho mais nada a perder. Tudo de bom que eu tinha já se foi. Agora somos apenas eu e meu arrependimento.
CARTA 1, TOMLINSON, LOUIS WILLIAM.
PACIENTE 396
CENTRO DE PSIQUIATRIA DE JOVENS E ADOLESCENTES DE MANCHESTER, 2015.
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