Dead Flowers
24 Capítulo 24 -I miss you
Notas iniciais
Espero que gostem!
Pov. Susie
Dois anos depois...
Não creditei quando vi aquela garota parada na enorme porta daquela mansão.
“Hellen!”
“Susie!”
Nos abraçamos depois de muito tempo. Ela estava diferente, seus cabelos ruivos agora eram loiros , na altura dos ombros, quase que chanel. Mas seu sorriso exuberante continuava o mesmo.
Por várias vezes a convidei para vir me visitar ,mas até então, só tínhamos nos falados por telefone.
“Que bom que está aqui! –a ajudei entrar com suas malas. – Até que enfim resolveu vir me ver. Você está tão diferente!”
“Você também mudou muito. Está ótima!”
Eu não tinha mudado tanto. Meus cabelos tinham crescido um pouco, estavam quase na metade das costas com algumas ondas nas pontas. Fora isso, continuava a mesma. Fisicamente pelo menos.
“Uau que casa incrível! Sua irmã foi bem esperta em se casar com aquele cara.”-ela olhou em volta admirada.
Subimos as escadas de mármore que levavam até meu enorme quarto. Eu não ligava para aquele luxo todo, mas adorava minha sacada com vista para o oceano.
“O que está achando daqui? Já conseguiu se acostumar?” –ela perguntou.
“Não é tão ruim. Faz calor todos os dias, eu tenho uma praia como quintal praticamente... Alem disso Erick me trata super bem e estou mais próxima da minha irmã.”
“O que têm feito?”
“Não muita coisa. Eu ia procurar algum emprego mas Erick me colocou em sua empresa pra atender telefone. Não conheço muita gente por aqui, quase não sai desde que cheguei.”
Eu queria deixar ela fazer o máximo de perguntas possível para eu não fazer a pergunta que tanto queria. Mas a pergunta que ela fez não me agradou muito.
“Têm pensado no...você sabe quem.”
“Arrumei um namorado por falar nisso. Bom, não é bem um namorado, é um garoto que vem surfar aqui todos os dias, eu tenho saído com ele.”
“Sério? Isso é ótimo.”-falou não muito empolgada.
“Vamos dar uma volta.” –sugeri.
Fomos até um quiosque na praia e voltamos a conversa enquanto tomávamos nossos sucos.
“E as coisas por lá? Como estão?” –perguntei logo de uma vez.
“O mesmo ué. Não tenho visto muito os meninos, eles estão fazendo muitos shows agora que fecharam contrato com uma gravadora.”
“Hum... E o Nikki?”
“Terminamos á muito tempo. –ela riu. –Estou solteira desde então. Larguei minha vida de groupie depois que sai da rádio. Voltei a estudar acredita?”
“Nossa! As coisas mudaram mesmo...”
“Oi Susie.” –a filha do marido da minha irmã se sentou com agente.
Mia tinha quinze anos , não regulava muito bem das idéias apesar da tendência em ser mimada. Tinha se tornada minha nova companheira por lá.
“Essa é Hellen minha melhor amiga. Ela vai passar uns dias em casa.”
As duas logo se entenderam. Resolveram fazer uma “noite das garotas” aproveitando que Sara estava viajando com seu marido. Assistimos um filme na sala e depois que acabou, elas deixaram no canal de musica.
Fui buscar mais sorvete na cozinha quando Hellen berrou me chamando.
“Vem aqui agora!”
“O que foi?”
Na televisão gigantesca ,um cabeludo tocava um rifle em sua guitarra.
“Não acredito...”
Fiquei paralisada. Era mesmo quem eu estava pensando? Depois que vi Duff mais ao fundo com seu baixo tive certeza. Tudo se paralisou em minha volta e as batidas de meu coração chegaram a sua velocidade máxima quando o vi com um cigarro no canto da boca acompanhando a câmera.
Izzy...
O que senti ao vê-lo depois de tanto tempo foi indescritível. Meu Izzy, meu Jeff , era ele ali, tocando sua guitarra em um enorme galpão, todo de preto com seu cigarro inseparável entre os lábios. Seus cabelos estavam mais curtos e eu agradeci pelo óculos aviador que tampava seus olhos escuros. Eles sempre foram minha perdição, não seria diferente.
Comecei chorar inevitavelmente. Não conseguia desviar os olhos da TV mas podia sentir as lagrimas deslizando pelas minhas bochechas.
Era uma mistura de sentimentos , uma saudade insuportável, uma alegria imensa por ver onde eles tinham chegado... Derrepente eu já não estava mais chorando e sim rindo. Até o grandão do Jack , o rotwailler preto, teve seus segundos de fama, ao lado do dono.
Sweet Child o Mine era o nome da musica. As letrinhas no canto da tela encerraram o clipe.
“Susie? Você está bem?”-Mia me encarava espantada com seus enormes olhos verdes.
“Deixa ela. Imagino o que esta passando na cabeça dela agora.” –Hellen disse .
Limpei minhas lagrimas e me sentei ao lado delas. Respirei um pouco tentando absorver o que tinha acabado de ver.
“Essa musica é linda mesmo. Nossa Guns’n Roses é incrível, mas eu nunca vi ninguém chorando.” –disse Mia confusa.
“Foi tão bom vê-los... –suspirei. – Estou tão feliz por eles terem conseguido.”
“Já conhecia essa banda?” –Mia continuava sem entender nada.
“Mais do que você imagina. –sorri pra Hellen que retribuiu. –Steven e Slash eram meus melhores amigos. O grandão do Duff era um amor de pessoa, salvou minha vida. Axl era aquele tipo de cara chato e irritante ,mas no fundo eu gostava dele.”
Os grandes olhos de Mia saltaram ainda mais. Ela ficou incrédula.
“E Izzy? Não falou sobre ele.” –a esperta percebeu.
“Bom... –suspirei. –Posso dizer que ele foi meu grande amor.”
“Namorou Izzy Stradlin? Caramba! Você é tipo...sortuda demais! Eu adoro ele, o nome da minha guitarra é Izzy , eu sou muito fã dele. Ah, espera aqui.” –ela subiu correndo as escadas.
Hellen veio para meu lado e me abraçou.
“Esse clipe mexeu mesmo com você né?”
“Sei lá, eu não esperava por isso. Sinto tanta saudade daquele tempo...”
“Eu sei.”
Pouco depois, Mia voltou com uma caixa preta , cheia de recortes de revistas e várias fotos do Guns. Dei uma olhada.
“Nossa, quer dizer que eles estão mesmos famosos? Em que mundo eu estava que não percebi isso?” –ri de mim mesma.
Fiquei observando uma foto de Izzy. Era preta e branca, seus cabelos ainda estavam compridos debaixo de uma boina, acompanhado como de costume por um cigarro no canto da boca e sua Gibson.
Izzy...Como eu sentia falta dele e das pequenas coisas relacionadas ele. O cheiro cativo de nicotina em seu colarinho, o toque de seus dedos ásperos pelas cordas da guitarra, sua voz cantando em meu ouvido as músicas que tocavam no rádio nas madrugadas em que dormíamos abraçados no colchão frio...
Sentia falta de me perder nas profundezas de seus olhos escuros, de sentir as batidas aceleradas de seu coração quando deitava em seu peito com seus braços me protegendo.
“Ainda sente alguma coisa por ele não é?” –Hellen perguntou me observando.
“Sinto saudades é claro. Mas nosso tempo já passou. Tudo ficou lá atrás.”
Eu não estava mentindo. Era exatamente naquilo que eu me forçava a acreditar sempre que ele me vinha á cabeça, como se negar á mim mesma e a todos, fizesse meus sentimentos por ele deixarem de existir.
Guardei as coisas na caixa. Não queria ver mais nada daquilo. Queria apenas voltar a minha nova vida normalmente. Mas depois de meu passado, que tanto lutei pra deixar lá atrás, resolver voltar á tona, seria impossível.
E um simples clipe e algumas fotografias eram só o começo.
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