Dead End

7 Capítulo 8 - A igreja -parte I


“Bom saber que existe uma versão masculina da Ruby.” –comentou Dean sendo irônico após ouvir minha história quando já estávamos seguindo viagem outra vez.

Depois de chorar e trocar aquelas roupas molhadas, nos despedimos de Jô e Ellen e caímos na estrada novamente.

Dean olhou uma enorme cicatriz rosada em forma de uma mão que cobria meu ombro á mostra uma blusa de alças finas. Cicatriz semelhante a que ele carregava em seu braço.

“Pelo visto não fui o primeiro a sair do inferno.”

“Está desapontado? –brinquei. Ele riu.- Castiel me contou sobre as coisas que você passou quando esteve lá . –continuei. – Eu senti inveja de você.”

“Inveja?”

“Eu não fui recebida por comitê de boas vindas só porque valia algo pra eles. Mas eu me culpo por não ter sido tão forte quanto você.”

“Você não têm que se culpar.”

“Você ainda se culpa?”

“É diferente. – foi curto e grosso sem mais argumentos – E se quer saber, você é mais forte do que pensa. Você é corajosa.”

“Acha mesmo?” de certa forma, fiquei feliz por ouvir aquilo.

“Claro.Você teve coragem de pedir pra dirigir meu carro. Enfrentar uma diabinha de merda vai ser fácil.” –brincou sorrindo pra mim.

Ele conseguiu me fazer rir em meio a toda tristeza que estava sentindo. Mais do que triste ,me sentia cada vez mais culpada.

Já estava amanhecendo outra vez. O sol surgiu em meio a chuva fina que não cessava formando uma paisagem pitoresca.

“Agente têm que aproveitar os dias bonitos assim enquanto eles ainda existem.” Pensei alto,olhando pela janela , sentindo a brisa em meu rosto e trazendo todas lembranças ao lado de Castiel e de meu irmão. Foi como perdê-lo pela segunda vez, era como se dentro de mim restasse a esperança de que um dia o anjo libertaria seu corpo e meu irmão voltaria. “Não consigo acreditar que ele esteja morto.”

“Talvez porque não esteja. Quem nos garante que seu namoradinho lá estava falando a verdade?” –exceto por sua piada desagradável, ele até tinha razão.

“Mas por que ele mentiria?”

“Pra te enfraquecer, te preocupar. Castiel sabe se virar. Vamos nos concentrar em encontrar Sammy agora.”

Fez-se um pouco de silêncio, apenas o rádio continuou ligado tocando o bom e velho rock’n roll .

“Dean.- derrepente, fiquei curiosa – você diria sim a Miguel?”

“Olha, já me induziram de diversas maneiras e eu recusei.” –ele respondeu um pouco cheio de si.

“Mas existe algo que o faria aceitar?”

“Você é uma espiã dos anjos por acaso? –sempre com suas piadas fora de hora... Depois ele hesitou um pouco e respondeu convicto. –Não. Não há nada que me faça aceitar.”

“E Sam, acha que ele...”

“Ele não vai dizer. Fim de assunto.”

Fiquei quieta. O celular tocou e ele atendeu. Não sei por que me deu a impressão de que fosse Sam, mas na verdade era só o velho Bob. Depois um monólogo, Dean, desligou o telefone.

“Parece que estamos no lugar certo e na hora certa.”

Assim que chegamos no centro da pacata cidade, vimos uma aglomeração de curiosos, fotógrafos e policias em frente uma igreja interditada. Estacionamos em frente. Dean pegou uma carteira no porta-luvas e eu vesti minha jaqueta antes de descermos do carro.

“Vocês não podem entrar aqui.” –disse um policial que estava controlando o tumulto.

“Sou investigador Kevin –Dean mostrou um distintivo (falso, obviamente) – e essa é minha parceira Kate.”

“Tudo bem.”- ele abriu uma faixa que cercava a igreja e nos deixou passar.

Subimos a escadaria que havia em frente e empurramos a porta. O ar pesado que vinha de lá de dentro me causou arrepios. Quando nos viramos para o altar, me deparei com a cena mais sombria que já havia visto ,talvez, em toda minha vida.

“Mas que ...” –Dean até perdeu a voz.

Em frente o altar, haviam três freiras enforcadas por cordas penduradas em algum lugar do teto. Todas vestidas em seu tradicional hábito preto ,segurando um crucifixo em suas mãos presas por outra corda.

Nos aproximamos mais e foi quando um senhor de cabelos brancos entrou pela porta lateral da igreja.

“Santo Deus o que é isso?” –disse boquiaberta, tão chocado quanto nós. – Sou delegado local . Vocês já têm alguma idéia do que significa...isso?”

“Estou descartando tudo que conheço.” –disse Dean, ainda espantado, observando os corpos acima de sua cabeça.

“Pode nos dizer quem os informou , se há alguma testemunha?” –tentei ser mais profissional.

“Bom, o padre Willian chegou hoje pela manhã e nos avisou imediatamente. As freiras ficaram de fechar a igreja mas não apareceram no convento. Até agora,nenhuma testemunha. Isto é muito estranho...” –ele se afastou para analisar a cena.

Puxei Dean para um canto .

“Isso é coisa pesada Dean.”

“Como assim?”

“Eu já ouvi falar sobre um ritual para invocar Lúcifer que envolvia freiras.”

“Lúcifer? Acha que foi...”

“Urian? Provavelmente. Mas por quê?”

“Olha eu já não sei de mais nada.”

“Podemos sair daqui pelo menos?” –falei meio enjoada.

“Você é tão fraquinha. Por que não vira professora de jardim de infância ou coisa assim?”- sorriu provocativo.

“Por que no momento eu sou investigadora Gary.” –retruquei lhe dando as costas.

“É Kevin!.” –corrigiu.

“Tanto faz idiota.”

Fomos para um pequeno hotel que ficava á dois quarteirões dali. Dean deitou em uma das duas camas e eu fiquei o encarando.

“O que foi?”

“Vai ficar ai o dia todo?”

“Eu também sou humano, eu fico cansado se ainda não percebeu.” –respondeu tirando os sapatos e um casaco que usava.

Me sentei na outra cama entediada, por uma razão desconhecida não sentia um pingo de sono. Devia ser aquela cena horripilante que não saia da cabeça.

Logo Dean desmaiou em sono profundo e decidi sair para arrumar algo pra comer. Como ele estava dormindo, não vi problema algum em pegar seu carro emprestado por alguns minutos. Ele nem notaria.

Fui até uma lanchonete ,me sentei no balcão e pedi alguns lanches pra viagem. Atrás de mim, tinha alguns adolescentes em uma mesa falando sobre o caso da igreja.

“Eu vi cara, você não têm noção, tinha sangue pra todos os lados que escorriam das freiras que estavam penduradas. Com certeza alguém ,tipo um serial killer, matou elas.” –dizia um garoto meio atropelado nas próprias palavras.

“Eu ainda acho que foi ele. Ele estava muito estranho ontem e ele não ... voltou pra casa.” –disse uma garota muito assustada.

“Oi, eu sou Kate,investigadora.. –me apresentei e me sentei na cadeira vazia. – Vocês estão falando sobre o assassinato das freiras?”

“Então foi mesmo um assassinato?” –se empolgou o garoto ruivo tagarela.

“Disso já estamos certos. Ouvi dizer que alguém não voltou pra casa?”

“Bom, é meu irmão, Adam.-respondeu a garota tímida.

“Por que você acha que foi ele?”

“Eu não acho, quer dizer... Ontem a noite, ele estava estranho, não parecia ser ele. Sabe, era ele mas não parecia. Eu sei que você não vai acreditar.”

“E depois?”

“Depois ele saiu sem dar explicações e até agora não voltou. Eu estou apavorada, quer dizer, sabe se lá se foi mesmo ele, ou se ele também foi morto pelo assassino das freiras. Eu to me sentindo tão culpada.” –ela desatou a chorar.

Foi como me ver no espelho, eu me sentia exatamente como ela sem meu irmão.

“Fique calma, eu vou encontrar seu irmão. Sabem de mais alguma coisa?”

“Gente, vocês não sabem o que aconteceu! – outra garota entrou espantada na lanchonete.

“Onde você se meteu ontem a noite Vick?”

“É sobre isso que eu quero falar, eu não me lembro de nada.” –não sabia dizer se ela estava drogada ou se estava falando de algo sério.

“Como assim? Qual a ultima coisa que se lembra?”-perguntei.

“Vocês vão tirar uma com a minha cara.”

“Eu sou investigadora. Pode dizer, seja lá o que for.”

Ela se abaixou ao meu lado e disse baixinho:

“Eu ... me lembro de ver uma fumaça escura quando sai pra encontrar vocês. Depois, só sei que acordei no jardim de minha casa.”

Aquilo significava uma coisa. Urian tinha uma nova parceira. Mas quem? Antes que pudesse fazer mais perguntas , avistei pelo vidro da janela, Dean vindo em direção á seu carro. Sai correndo até ele empolgada com as novidades.

“Dean você não....” –comecei dizer.

Ele ,dramático, passou a mão no carro:

“Ow minha belezinha, ainda bem que você está inteira!”

“Dean?”

Ele se virou enfurecido pra mim. Já imaginei o que me esperava.

“Sua maluca! –berrou comigo no meio da rua –O que deu em você pra pegar meu carro escondido? Você ficou mais louca do que já é por acaso?”

“Depois você me xinga, eu descobri uma coisa importante.”

“Depois o caramba, você roubou meu carro.”

“Ótimo, me processe. Dá pra me ouvir?” –retruquei me irritando.

“Você é que vai me ouvir!”

O larguei falando sozinho, e fui andando lhe dando as costas.

“Eve volta aqui!” –chamou.

Quando fui atravessar a rua, um garoto ficou me olhando de um jeito estranho. Desconfiei que fosse Urian, qualquer um podia ser. Sai correndo atrás dele e foi quando um carro quase me atropelou. Achei que tinha me acertado quando caí no chão ,mas na verdade, foi Dean quem me empurrou e me salvou, caindo em cima de mim.

“Você está bem?” –perguntou enquanto ainda estávamos deitados no chão.

“Estou. –ele se levantou e me puxou. – Dean era ele. Só pode ser.Mas ...ele vai mudar de corpo, eu tenho certeza. “-falei nervosa.

Naquele instante, fiquei cega. Um raio de visões me atingiu . Tudo ficou muito confuso.

Notas finais
O que estão achando gente?
Reviews por favoooor!!!

beijinhos