Dead
1 Eu morri... tentei mais morri.
Em uma terra muito distante os ventos pararam de soprar, as árvores morreram o solo era venenoso, os campos de flores murcharam.O inverno rigoroso fez os animais procurarem outras terras férteis, onde pudessem viver pois aquela estava condenada.Alguns diziam que era a segunda esposa do rei a causadora de tanta desgraça, que o rei havia trazido para suas terras as quatro pragas encarnadas na mulher, que era temida por tudo é por todos.E tudo piorou quando o rei morreu, a rainha ergueu de vez seu império tirano.Ao menos as terras começaram a dar frutos mais uma vez. Se isso não acontecesse o reino iria a ruína, e se não tivesse um reino para se governar, então não precisariam de uma rainha.
Zuria a única filha do rei, via aos poucos o reino de seu pai sendo destruído, e se erguendo um reino sem amor, frio, um verdadeiro gigante de ferro.Mais a jovem estava disposta a fazer o que fosse possível para tirar a madrasta do trono.A odiava por estar matando e destruindo tudo que seu pai construiu com tanto sacrifício, e ela sabia que o sentimento era recíproco.A mulher que seu pai um dia disse amar, já tentará lhe tirar a vida mais de uma vez, por simplesmente odiar Zuria mais também pelo motivo que Zuria é a única herdeira, e pode lhe tirar o trono.Mesmo que a única herdeira ao trono não tivesse completado a idade necessária para isso, é nem se casado.A rainha tinha o prazer de tornar a vida da princesa um verdadeiro inferno.E era por isso que Zuria estava no meio de uma tempestade tentando sair do reino, para pedir ajuda ao reino vizinho.Não aguentava mais, ficar com medo toda vez que fosse dormir, esperando que um mercenário saísse da escuridão de seu quarto e lhe arrancasse a cabeça, como quase acontecerá da última vez.Estava determinada a sair e buscar ajuda, mais a tempestade não estava ajudando, já estava fora do reino.Estava frio ventando muito, os pingos de chuva lhe acertava a rosto com violência, apesar da capa que lhe cobria a água encharcava suas roupas, os trovões denunciavam que a chuva não iria parar.Zuria se perguntava se a essa altura a madrasta já teria sentido sua falta, esse pensamento a fez sentir um calafrio.Se ela estivesse certa na melhor das hipóteses a rainha mandaria seus cães atrás dela, a ideia de ser arrastada de volta para o castelo em pedaços fez seu coração bater acelerado, aumentando seus passos.A floresta era realmente assustadora a noite, estava escura e sombria ainda mais em uma noite de tempestade.Zuria estava com medo mais não poderia voltar atrás, a madrasta daria um jeito de lhe matar sem levantar nenhuma suspeita.Estava concentrada em seu caminho quando sentiu a sensação de estar sendo observada.Isso fez com que ela corresse como tivera feito muito ultimamente, correndo das armadilhas da rainha.Correu o máximo que pode até chegar ao córrego do rio que estava violento jogando água pra todos os lados revirando suas entranhas.A princesa entrou em desespero não tinha a menor ideia de como atravessar o rio.Estava tentando achar um jeito, não podia voltar. Foi aí que sentiu uma bancada forte em sua cabeça.O dor lhe atingiu em cheio, tentou se levantar mais alguém colocou o pé em suas costas a impedindo.Sentiu seu corpo ser arrastado até a margem do rio, não conseguia ver o rosto de seu agressor, talvez mais um assassino da rainha.Seu coração quase parou quando viu uma pulseira de ouro familiar no pulso fino e branco do agressor, seu pai a tinha dado a madrasta no dia do casamento.Não era possível, a própria rainha se deu o trabalho de sair de seu trono para mata-lá._É um prazer enorme tê-la aqui majestade, eu não mereço tanto privilégio.-A ironia era palpável.A madrasta a ignorou arrastando com facilidade a enteada.Zuria queria discutir, esbravejar, socar a rainha mais seu cérebro estava processando tudo muito devagar e doloroso não conseguia mover seu corpo.A única coisa que sabia é que iria morrer,e dessa vez à madrasta estaria lá para se certificar disso.A princesa já estava na beira do rio, quando a madrasta parou._Parou porque ? Tá arrependida e quer meu perdão ?.- Mesmo estando a um palmo da morte Zuria não iria perder essa._Isso nunca minha querida, o quando antes eu me livrar de você melhor pra mim, você facilitou muito pra mim saindo do castelo e dando uma de heroína._Sua voz me da nojo.-Zuria sentia cada músculo de seu corpo responder ao ódio que sentia por aquela mulher._A sua também me da... chega sem mais delongas... adeus Zuria Haisenguer._Eu te odeio.Foi a única coisa que deu tempo de dizer, pois seu corpo foi jogado no rio, contra a correnteza.Se a pancada em suas cabeça não a matasse, com certeza o rio a afogaria.
Meus pulmões... não consigo respirar, a água esta me invadindo, não consigo conter meu desespero minha alma clama para que eu lute, mais a dormência que infesta meu corpo me impede de travar essa luta pela vida.
Meu corpo esta afundando, minha mente esta projetando momentos felizes que até mesmo eu tinha esquecido, mais me vem uma tristeza e vejo as lembranças ficarem cinzas, e logo volto a realidade que estou morrendo. A morte me rodea como um urubu faminto, atrás da podridão da carne.-"mãe, pai... me desculpem eu não pude honrar a vida que vocês me deram."Zuria se entregou a escuridão, se deixou ser levada pra as profundezas daquele rio inquieto e tempestivo.
Notas finais
Obrigado por lerem meus devaneios...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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