Alex

Acordo com os primeiros raios de sol, olho pro lado e vejo a cena mais linda, Julia está virada pra cima, o lençol cobre sua cintura e seus seios estão expostos, seus cabelos levemente bagunçados. Sua respiração é calma. Não consigo parar de olhá-la. Ela é sexy até dormindo.

Repasso os acontecimentos da nossa ultima noite e um sorriso bobo se abre em meu rosto. Ela foi incrível. Eu me sinto cada vez melhor perto dela, já estou ficando acostumado a sua presença, com o seu jeito de falar e corar, suas risadinhas. São músicas pros meus ouvidos.

Aproximo-me dela e distribuo beijos molhados por seu rosto e desço pelo seu pescoço, ela sorrir ao mesmo tempo em que geme suavemente. Sua mão vai direto pro meu cabelo – do jeito que eu gosto -, e ela me puxa pra cima do seu corpo.

“Bom dia, garotão” ela diz enquanto movimenta seu quadril de encontro a minha ereção e morde o lábio inferior, “já acordou animadinho.”

“Bom dia querida” mordo seu queixo e mostro pra ela o quão animadinho eu acordei.

Julia

Depois do sexo incrível que fizemos, tomamos café da manhã juntos, conversamos e Alex me deixou em casa, me fazendo prometer que Segunda feira eu voltaria sem falta para o escritório, porque segundo ele, ele não agüenta mais olhar pra cara de Judith, e cada vez que ele diz isso eu caio na gargalhada. Menino bobo.

Passo o resto do dia em casa. Coloco algumas coisas em ordem, arrumo a casa, ligo pra minha mãe e converso um pouco com ela e peço pra que ela diga ao papai pra me ligar, sinto falta da minha família, mas não funcionamos juntos. Prefiro do jeito que está, estamos bem assim. Quando dou por mim já passa do meio dia e eu ainda nem comi. Sinto fome. Muita fome.

Vou em direção a cozinha e resolvo fazer uma coisa rápida, opto por macarrão com molho vermelho. Enquanto cozinho tomo uma taça de vinho e penso em como minha vida mudou nessas ultimas semanas. Estou saindo com o meu chefe, conheço seu apartamento, já dormimos juntos duas vezes, já transamos e fizemos amor mais vezes ainda, e ainda disse que gostaria de conhecer minha família. Oh Deus! O que estamos fazendo? Somos namorados? Não, definitivamente não. Não teve um pedido. Somos amantes fixos? Provavelmente. Eu só tenho olhos pra Alex Ruppert, e parece que ele só tem olhos pra mim também. Eu vejo no jeito que ele me olha, em como me toca, e como suas palavras são doces. Eu realmente espero que ele só esteja comigo. Uma onda de ciúmes atravessa meu corpo só de pensar em dividi-lo com alguém. Resolvo deixar meus pensamentos de lado. Gosto do jeito que estamos, e espero que continue assim por um bom tempo. Pretendo desfrutar de cada minuto maravilhoso que passo com ele. Sinto um vento frio atravessar meu corpo e meus pelos da nuca se arrepiam. Cruzes.

Depois do almoço vou em direção ao banheiro, preciso de um longo banho de banheira, preciso relaxar. Sinto meu corpo cansado, deve ter sido aquela maratona de sexo de ontem à noite. Sorrio com esse pensamento. Sinto-me melhor em relação à gripe, estou me curando mais rápido do que da ultima vez. Encho a banheira e vou até o armário pegar os sais de banho, quando algo me chama atenção: um pacote de OB fechado. Na mesma hora meu coração para e eu sinto o sangue sendo drenado das minhas veias. NÃO! NÃO! NÃO PODE SER! Eu tomo pílula e lembro-me muito bem de Alex usando camisinha em todas as vezes que transamos. PUTA MERDA. Começo a contar miseravelmente quando foi o meu ultimo ciclo e quase caio dura. Pode Deus! NÃO!

Saio do meu estado de choque quando sinto a água nos meus pés e vejo que a banheira está transbordando. Desligo a água e sento na beirada da banheira e entro em pânico.

PORRA.

FODA!

Não acredito que isso esteja acontecendo comigo. Logo agora que estava indo tudo bem. Eu tinha Alex comigo, estávamos nos dando super bem. Era cedo pra vir uma gravidez. A quem eu quero enganar, nem um relacionamento nós temos. PUTA QUE PARIU. O que eu fiz pra merecer isso? Oh Deus! Saio do banheiro praticamente correndo e pego meu celular, ligo pra Nath. Ela vai me ajudar. Deve ser um alarme falso. Rezo mentalmente pra que não seja nada além de um pequeno atraso. É normal atrasar, não é? Mas eu nunca atrasei. Foda-se! Depois do que parece uma eternidade Nath atende.

“Oi amiga. Eu estava pensando em te ligar mesmo, poderíamos sair pra jantar e conversar? O que acha...” Nath disse num fôlego.

“Apenas cale a boca e me escute Nath, apenas” eu a corto.

“Oh, sim. O que houve Julia?” ela me pergunta num tom preocupado e eu imediatamente me sinto uma vadia por ter sido grossa com ela.

“Eu apenas preciso de você aqui em casa. AGORA!” eu grito a ultima parte.

“Claro, claro. Estarei ai em cinco minutos.” E desliga.

Parece uma eternidade o tempo que Nath leva pra chegar a minha casa. Acho que envelheci uns vinte anos em meia hora. Vejo o furacão que é minha melhor amiga entrando no meu quarto.

“Meu Deus Julia, o que ta acontecendo?” Ela diz assim que nota o meu estado deplorável.

“Eu.. Eu... Eu não sei” me levanto do chão e me sento na beirada da cama. “Eu acho que estou grávida, Nath.”

Nathálie me olha como se tivesse crescido outra cabeça e quatro braços em mim.

“Como isso aconteceu?”

“Jura Nath que você quer que eu te conte como aconteceu? O pau do Alex entrou na minha buce...” ela coloca uma mão na minha boca me interrompendo.

“Eu sei como acontece isso” ela dá uma risadinha. “Mas como você deixou isso acontecer? Quer dizer, vocês não se preveniram? E você não toma remédio?” ela fala como se fosse óbvio.

“Claro que nos prevenimos. E sim, eu tomo remédio. Mas eu li que antibióticos podem cortar o efeito da pílula, e camisinha nem sempre é confiável.”

“E agora, o que você vai fazer?” ela me pergunta

“Oras, primeiro preciso ter certeza se estou ou não grávida e depois contarei ao Alex.” Eu respondo confiante, mas por dentro estou em frangalhos.

Eu ser mãe? Aos vinte e três anos sendo mãe. E o pior de tudo, sendo mãe do filho do meu chefe. Olha a merda que eu fui me meter. E como será que Alex irá reagir a essa notícia? Será que ele irá me abraçar e me rodar comemorando? Ou será que ele ira me xingar e me mandar embora de sua vida e empresa? Não quero nem pensar nisso.

“Primeiro vamos até a farmácia e comprar um teste e depois pensamos no que fazer” Nath me tira dos meus devaneios. Ela já esta com minha bolsa e um casaco em suas mãos e me entrega os mesmo.

“Eu não sei se consigo Nath” eu falo e meu estômago embrulha, e eu faço muito esforço pra não colocar meu almoço todo pra fora.

“Você consegue, eu estou com você. Vamos!” ela diz e me puxa pra fora de casa em direção ao carro.

Alex

Depois que chego do almoço com alguns colegas da empresa, resolvo mandar uma mensagem pra Julia. Ela estava tão feliz quando eu a deixei em casa. Sua alegria era contagiante. Passar a noite com ela foi magnífico, o sexo que fizemos de manhã foi melhor ainda. Eu quero isso pra minha vida. Eu nunca senti com nenhuma mulher o que eu sinto com ela. Em trinta anos ela foi a primeira mulher que despertou coisas desconhecidas em mim.

“Sinto sua falta. Não vejo à hora de te encontrar. A”

Me enfio no trabalho esperando uma resposta de Julia.

Julia.

Estamos saindo da farmácia com cinco tipos diferentes de testes quando recebo uma mensagem de Alex. E eu tenho uma vontade enorme de chorar, vomitar, morrer. Eu não sei o que sentir. Assim que leio sua mensagem meus olhos se enchem de água. Não sei o que responder. Eu não posso fazê-lo desconfiar de nada.

“Eu também J. ♥”

Espero que ele não desconfie de nada.

Alex

Depois de uma eternidade eu recebo a resposta de Julia e sorrio como um bobo, assim que abro a mensagem meu sorriso morre. O que será que aconteceu. Ela parece distante. Mas mandou um coração. Isso quer dizer algo, não é? Espero que sim. Volto pro meu trabalho, quanto antes eu terminar, antes poderei ver Julia. Sorrio com esse pensamento.

Julia

“Nath, eu não consigo!!!!” eu grito enquanto tento miseravelmente fazer xixi no ultimo palitinho.

“Consegue garota! Vai, só falta mais um e poderemos saber se você será mamãe, e se eu serei titia” ela fala enquanto bate palminhas. E eu tenho vontade de pegar suas mãos e arrancá-las e bater em sua própria cara. Maldita seja essa menina.

Praia. Cachoeira. Riacho. Torneira.

Praia. Cachoeira. Riacho. Torneira.

AAAAAAAAAAH...

“Consegui! Consegui” comemoro.

“Tá legal. Agora devemos esperar cinco minutos” Nath diz do outro lado da porta.

1 minuto...

“Nath, acho que vou desmaiar” eu digo enquanto começo a roer minha unha.

“Fica calma amiga” ela me acalma enquanto roe a sua própria unha.

2 minutos...

Eu não posso estar grávida. Eu não posso estar grávida. Repito esse mantra internamente.

3 minutos...

Acho que estou morrendo.

4 minutos...

Começo a contar quantos pisos possui no meu banheiro.

5 minutos... É agora!

“AAAAAAAAAAAAAAAAAH!” grita Nath do banheiro e eu me assusto.

“O que diz?” eu peço

“Um tracinho negativo. Dois tracinhos positivo” ela diz e me entrega um dos palitinhos.

Eu pego, e nesse exato momento parece que o meu mundo para. O chão abaixo dos meus pés some. E eu não sinto nada. Apenas grossas lágrimas saindo dos meus olhos.

“Parabéns, você vai ser mamãe” Nath diz e é a ultima coisa que eu escuto antes de apagar.

Notas finais
Espero que gostem!!