De repente bilionária
3 Nova moradia
Notas iniciais
Passei três dias em um hotel, passava a maior parte do tempo relendo alguns livros, mas tomei banho de piscina e realizei o sonho de tomar banho de banheira de hidro massagem. Foi então que recebi a notícia que meu pai já havia comprado uma casa nova e eu me senti empolgada, fiquei a madrugada inteira pensando em como seria minha vida agora. Sairíamos pela manhã e não teríamos de arrumar nossas coisas, pois meus pais tinham feito questão de contratar uma empregada. Mas uma coisa me decepcionou muito, aula.
Haviam me matriculado em uma escola perto de casa, uma escola particular. Eu nunca tinha se quer entrado em uma escola assim, e agora não teria meus amigos para aturar as quatro horas de aula junto comigo. Eu ficaria sozinha. As aulas começariam em uma semana e eu não estava pronta para isso, meus materiais já estavam comprados a muito tempo, por mais que minha mãe quisesse que eu trocasse por novos e mais bonitos eu não aceitei. Já havia personalizado meus cadernos com fotos e frases, e eu gostei deles assim.
Minha mochila era surrada, porém bonita. Eu já tinha ela a mais de dois anos e não fazia questão de troca-la tão cedo. Mas minha mãe não cedeu em relação as roupas, teríamos que sair em breve e fazer compras durante uma tarde inteira e ficaríamos horas no salão, segundo ela. Ela chamava isso de dia de princesa, e eu achava isso frescura. Talvez eu não quisesse admitir que seria legal.
– Manu? Filha? – Minha mãe estava me sacudindo sem parar. Não devia nem ser nove horas ainda e lá estava ela acabando com meu descanso. – Já são dez horas, precisamos ir pra nossa nova casa.
Dei um pulo ansiosa para ir pra casa, vesti a primeira roupa que vi, uma calça jeans velha e uma camiseta estampada, o cabelo deixei do jeito que estava e já fui pegando Penelope no colo e a levando para o carro. As malas estavam no carro e eu também, meu pai dirigiu rápido pela pressão que eu estava colocando nele e quando ele disse que havíamos chegado e eu olhei aquela casa, meu queixo caiu. Por fora a casa, a mansão, era encantadora como as dos filmes americanos, do jeitinho que sempre sonhei. Um tom claro, rosa? Eu não sou boa para decifrar cores, a porta era grande e branca, tinha um gramado limpo e bonito, era incrível.
Saltei do carro e sai correndo para a porta que se abriu, dei um pulo ao ver uma idosa com a aparência de uma mulher doce e gentil, Penelope estava logo atrás de mim e aos poucos meus pais também se aproximavam.
– Vocês devem ser a família Fonseca, estou certa? – Perguntou a idosa.
– Sim senhora. – Respondi sorrindo, quase não aguentava a ansiedade de entrar lá.
Mordi meus lábios, eu estava movimentando as minhas pernas rapidamente e estava ficando chato pra todo mundo ali.
– Você deve estar louca para entrar não é? – Ela sorriu.
– Nem imagina o quanto.
– Fique à vontade, a casa é sua.
Sai correndo e atrás de mim estava Penelope, a casa estava toda decorada, entrei pela sala e fiquei chocada com a beleza estupenda. Um sofá nude e um painel enorme para a televisão, havia milhares de filmes e cds naquela estante e um som enorme que devia ser bem potente por sinal. Eu nunca tinha visto uma sala de estar mais bonita que aquela. Caminhei encantada com todos os lugares, desde corredores até a cozinha, era enorme e tinha todo tipo de tecnologia que eu nunca havia imaginado. Mas cansei daquilo e corri subindo as escadas e entrei na porta que mais me chamou a atenção que era branca com detalhes em azul, provavelmente era o meu quarto.
– Caramba!
Fiquei paralisada ao ver aquela decoração, aquela cama, o closet, a porta da minha suposta suíte. A cama era enorme, e agora eu poderia dormir sem reclamar pelos meus pés estarem saindo para fora da cama, o closet era enorme e tinha um espelho grande nele, fiquei ainda mais assustada quando entrei na suíte. Uma banheira só pra mim, caramba, era inacreditável. Eu jamais iria aceitar que estava rica e não precisaria mais dividir o banheiro, dizem que o dinheiro não traz felicidade, mas ele traz muitas coisas que fazem a felicidade brotar em nós.
– Não gaste seu ânimo só no seu quarto, tem um cômodo que vai anima-la ainda mais. – Meu pai me levou até uma porta branca e quando eu abri quase tive um ataque cardíaco.
– Minha biblioteca particular, caramba!– Eu não conseguia acreditar, meus sonhos estavam se realizando.
Fiquei horas por lá curtindo meus livros novíssimos, eram muito mais de cem. Era a lista que eu havia feito a muito tempo e ela foi crescendo cada vez mais e agora todos estavam ali. Fiquei vendo as capas e lendo as últimas palavras de alguns livros, eu sempre fazia isso. Experimentei a poltrona bege que eu havia adorado, e explorei todas as gavetas da minha estante.
Só depois de muito tempo fui interrompida pela minha mãe me chamando para conhecer o jardim que tinha uma piscina enorme, nós duas não conseguimos evitar e entramos naquela mesma tarde. Curtimos ao máximo aquela mordomia enquanto meu pai, ele estava pensando em negócios, ele queria que sua conta bancaria crescesse muito mais, pelo menos com isso a gente não precisaria se preocupar. Meu pai era um ótimo administrador e conseguia convencer qualquer um a ajuda-lo com negócios.
Quando deitei minha cabeça naquele travesseiro de penas de ganso eu me dei conta, estou bilionária. A ficha caiu.
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