De repente: VOCÊ
5 Junho
Segunda Semana
Quarta-feira era um dos meus dias da semana preferidos, pois só tinha aulas boas: Biologia, Química e História. Também poderia considerar ser um dos dias preferidos pois era dia de preparação para o trabalho junto com Daniel.
Estava na última aula, de história, copiando o conteúdo que a professora passava no quadro. Meus pensamentos se reviravam no que eu iria fazer após sair do colégio: ir para o restaurante da minha mãe, ajudar um pouco, almoçar, sair às 14h, chegar no colégio e encontrar Daniel me esperando na escadaria na entrada.
— ENTRA! — Minha mente deu um baque logo que alguém grita no meio da sala.
— Com licença, professora, posso dar um recado para os alunos? — O professor de sociologia entra na sala segurando uma folha em mãos.
— Claro.
— Então, pessoal... Como vai ser dois dias de apresentação, pois temos bastante alunos, eu já separei as duplas de cada dia e escrevi nesta folha para vocês saberem. Vocês já devem estar com o trabalho pronto ou quase pronto nesse horário do campeonato, então não podem reclamar.
— Eta, carai. — Ouço alguém falando.
— É só isto, professora. Pedro, você coloca no quadro de avisos pra mim? Obrigado.
Logo que Pedro, o representante da turma, coloca a folha que o professor Sérgio havia entregado, praticamente a turma toda se levanta para ir checar o dia de suas apresentações. Eu não estava tão preocupada pois meu trabalho já havia ficado quase pronto, faltando apenas os slides que iria fazer junto com Daniel hoje. Enquanto terminava de escrever a última parte do que a professora havia passado, percebo que Daniel caminhava em minha direção.
— Sa, ficamos pro dia 26. — Ele falava com uma animação que me fazia ficar feliz também.
— Que ótimo, mais tempo para se preparar. — Sorrio. — Tudo certo para hoje a tarde?
— É... Deu um problema lá em casa e vou ter que sair com a minha mãe hoje. — Ele fala e bate uma baita tristeza dentro de mim. — Será que não tem como você ir lá em casa amanhã?
— Hmm... — Sinto alguém me chutando por baixo da cadeira e olho para trás vendo Dani me encarando com um pequeno sorriso malicioso. — Pode ser. Não tinha nada planejado para a tarde mesmo.
— Que bom. — Ele abre um sorrisão. — Às 14h mesmo, pode ser?
— Sim... Pode ser. — Respondo e ele consente, voltando para sua carteira do outro lado da sala.
Logo após que ele já tinha sentado e tudo na sala parecia ter voltado a calma, sinto duas mãos em cada ombro meu e logo escuto um sussurro:
— Usem proteção, viu. — Dani fala e eu apenas ignoro-a dando risada.
***
Vc esqueceu de me passar o endereço, querido.
14h03
Você já tá perto d tubo?
14h03
To
14h03
tu falou que era perto do tubo mas não falou exatamente a rua
dai eu não consigo chegar na tua casa
14h04
tu desce a rua depois do japonês
14h05
aquela em diagonal
14h05
kkkkkk
14h05
Ta
14h06
Tem como pelo menos me esperar na frente da tua casa?
14h06
To descendo
14h07
To descendo tb
14h07
Ta
14h07
Ta
14h08
Daniel pode ser bonito, mas tem uma memória de onça do mato, ou seja, nem sei se existe. Não conversamos tanto ontem para chegar ao ponto de ele me passar a rua que ele morava. Apenas sabia que era perto do tubo do ônibus no alto da avenida e só. Caminhava com minha mochila que continha meu notebook velho e meu caderno rua a baixo, olhando para as casas e pensando em qual delas ele morava.
Logo após eu passar uma rua, escuto alguém me chamando e olho para trás.
— OH, SABRINA! — Ele estava na esquina da primeira rua.
— Hey.
— Tava indo aonde? — Ele pergunta enquanto eu ainda ia em sua direção.
— Ué... Você falou para eu descer a rua.
— Não pensei que ia correndo. — Chego em sua frente sem saber o que fazer. — Eu mandei uma mensagem no Whats para tu falando que era pra esperar aqui na esquina pois eu já tava saindo.
— Ha... — Pego meu celular. Havia uma notificação de uma mensagem que eu não havia percebido ter chegado.
— Bom... Mas tu já tá aqui, então vamos.
Andamos por alguns metros até chegar na casa dele, um triplex amarelo. Ele abre o portão me deixando entrar primeiro e logo vamos a porta de entrada. Estava super (hiper, mega) nervosa, pois estava entrando na casa do crush pela primeira vez. O coração estava a mil pois muito provavelmente os pais dele estariam em casa. Logo na entrada estava a sala e sentada no sofá estava uma menina.
— Bem vinda a minha casa. — Ele diz logo após fechar a porta. — Aquela ali é minha irmã. — Ao falar, a menina tira os olhos da TV onde passava Winx.
— Oi.
— Oi. — Respondo retribuindo o pequeno sorriso.
— Vou avisar minha mãe que você chegou e já volto para subirmos. — Ele fala e sai do cômodo passando por um corredor.
Fico sem graça e me encosto na parede bordô esperando-o e assistindo o desenho nostálgico que passava.
— Vamos? — Ele surge de repente fazendo que minha atenção seja inteiramente sobre ele.
Concordo com ele e o sigo subindo a escada até chegarmos no ático da casa, ou seja, o quarto dele.
—--
Estava sentada em sua cama jogando Candy Crush enquanto ele terminava a parte dele do último slide da apresentação. Já era 17h23 pelo o que o celular mostrava e finalmente estávamos finalizando aquele trabalho que sugou todas as nossas energias.
— ACABEI! — Ele exclama até que alto demais. — Vem cá ver.
Pulo da cama e vou ao seu lado me agachando para ficar na altura do notebook.
— Senta aqui. — Ele se move um pouco da cadeira deixando um espacinho para que eu possa sentar. — Não é tão grande o espaço, mas as pernas não vão tremer.
Me sento, observando ele voltar até o primeiro slide para que possamos ver como ficaria a apresentação por inteira. O contato entre nossos corpos era a maior que já obtivemos e fazia os meus pelos se arrepiarem por inteiro. Ele se acomoda na cadeira, após ter colocado os slides em modo apresentação, para tentar ficar mais confortável no pequeno espaço que dividimos. Enquanto ele apertava a setinha para que os slides aparecessem, sinto ele colocando seu braço esquerdo sobre meus ombros e tento não dar cara que minha respiração havia falhado no momento em que Daniel me puxou um pouco mais próxima de seu corpo.
Respira.
Inspira.
Não pira.
A cada vez que ele apertava a setinha, cada vez chegava mais próximo do fim da apresentação, o que significava que aquele momento estava chegando ao fim e eu não queria aquilo. Queria continuar naquela posição. Queria continuar sendo abraçada parcialmente por ele. Queria continuar sonhando que havia algo entre nós, mesmo sendo algo quase inexistente.
— Então... O que achou? — Não havia percebido que havia acabado até ele chamar minha atenção.
Levanto um pouco minha cabeça para olhar para ele e responde-lo, mas fico perdida naqueles olhos de cor castanha, que a única coisa que consigo dizer é:
— Eu gosto de você.
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