De repente
5 Reencontro
Notas iniciais
Acordei cedo no domingo, levantei e fiz minha higiene matinal. Preparei um bom café da manhã, estava bem, não quero ficar pensando muito nas coisas, estou um pouco cansada disso.
– Bom dia filha – minha mãe fala ao entrar na cozinha – Acordou cedo pra quem chegou tarde.
– Bom dia mãe, velhos hábitos nunca mudam – Falei levando a xícara de chá a boca.
– Tem razão, veja seu pai, em pleno domingo de inverno, saiu para comprar o jornal.
– Detalhe, ele nunca vem com um, vem o de notícias e o de esportes – completei.
– Ah Hermione, eu me esqueci de te falar, os McLaggen nos chamaram para um almoço hoje, sabe, antes de chegarem às festas de fim do ano, depois fica muito apertado para nos reunirmos. Vamos sair de casa 12h em ponto.
– Incrível – Falei rindo, e eu juro, eu realmente achava aquilo incrível – Vocês têm algum problema, me desculpe mãe, mas vocês com essa mania de manter contato e um ótimo relacionamento com a família dos meus ex’s – Falei rindo e ela riu também – Eu já sabia que você mantinha contado com Lídia, mas não sabia que era tanto. Primeiro vocês matem contato com os McLaggen, até aí ok, meu namoro com o Córmaco foi totalmente passageiro, coisa de criança. E depois descubro que meus pais têm contato totalmente direto com meu ex e que inclusive pegam a filha dele semanalmente – Falei rindo da situação – Obrigada Senhor por ter tido dois namorados que eu apresentasse a minha família – Falei dramatizando.
– O que eu posso fazer se você arruma rapazes de família legais, nos pais não temos culpa se não conseguem levar o relacionamento de vocês pra frente – Minha mãe falava analisando a situação – E te digo mais Hermione, eu e seu pais visitamos os Weasley mais do que você pensa, ano passado Molly e Arthur passaram o natal aqui.
– Como assim? Os Weasley’s aqui? São tantos.
– Na verdade só vieram Molly, Arthur, Ron, Gina, Harry e Rose. Gui está morando na França com a esposa.
– É, do Gui eu sei, Gina comentou. Comentou que Carlinhos está fazendo biologia na Romênia. E Percy, os gêmeos? Onde estão.
– Percy estava trabalhando no natal passado por isso não veio, e os gêmeos passaram na casa de Angelina.
– Ah sim, saudade dos gêmeos.
– Molly me falou que esse ano todos serão obrigados a passar o natal em casa.
– Imagino, ela sempre gostou da casa cheia. Agora me de licença – Falei me levantando.
– Toda. Hermione, só um minuto.
– Diga mãe – Incentivei a falar.
– O que você quis dizer com dois namorados que você apresentou para nós? Teve mais? – Ela perguntou e eu revirei os olhos.
– Sério isso mãe?! Eu passei seis anos fora, e você achou que eu ficaria o tempo todo sozinha – Falei rindo.
– É o tal do Draco?
– Não, está louca – Falei apressada – Luna me mata – Comentei.
– Peter?
– Não mãe, não é o Peter. Sério mesmo que a senhora vai me perguntar todos os nomes de homens que eu já lhe falei?!
– Você pode facilitar a minha vida me falando o nome – Ela falou dando um sorriso.
– Eu vou falar o nome e basta – Falei revirando os olhos – Viktor Krum, satisfeita?
– Claro, como pude esquecer-me de Viktor, ele é um rapaz adorável – Minha mãe falou rindo.
– Ele realmente é encantador.
– E por que não levaram adiante?
– Quem disse que não – Falei rindo e a deixando curiosa – Agora chega, eu só falei que iria falar o nome – Completei e sai da cozinha e fui em direção ao quarto.
– Hermione, Hermione volta aqui, eu fiquei curiosa, Hermione... – Minha mãe me chamava e eu ria – Hermione depois eu quero saber o desfecho – Ela completou falando da ponta da escada.
– Ok dona Lisa – Respondi antes que ela continuasse.
– Vai nos acompanhar no almoço?
– Não – Gritei em resposta.
– Lídia está doida para lhe ver.
– Eu ligo para ela e marco um chá outro dia – Gritei do quarto – Preciso ir ao meu apartamento.
– Ta, mas não deixe de ligar.
Me agasalhei bem por causa do frio, peguei alguns panos velho para tirar o pó dos móveis, não sei se Mag limpou o apartamento, do jeito que minha mãe é nem deve ter falado com ela. Passei na cozinha e peguei algumas baboseiras no armário para comer mais tarde.
Tentei ligar para Luna antes de sair, mas ela não me respondeu, então deixei uma mensagem no whatsapp com uma foto minha falando que estava indo arrumar o apartamento e que quando ela chegasse estaria tudo limpo. Liguei para o taxista de ontem e me despedi dos meus pais assim que ele chegou. O apartamento não ficava longe, mas eram 20 minutos de carro, e além de estar muito frio. Assim que Jonny — descobri ser o nome do taxista americano depois de passarmos essa pequena viagem conversando – Me deixou em frente ao apartamento, falei que ligaria mais tarde para que viesse me buscar.
Assim que entrei no apartamento, uma onda de nostalgia me pegou, sorri, não era algo ruim, pelo contrário. Assim que sai do meu momento nostálgico coloquei as coisas que havia trazido de lado e puxei os lençóis que cobriam os móveis, como eu já imaginava havia poeira para todo lado. Eu teria bastante trabalho para limpar. O bom é que não estava com cheiro de mofo, pelo menos dona Lisa se lembrou de mandar alguém abrir as janelas uma hora ou outra.
Quando fui pegar meu telefone para colocar uma música, ele toca me avisando que havia chegado whatsapp.
– Meu Deus, quatro conversas! – Abri primeiro a de Luna que era uma foto dela suja de tinta com a legenda “limpe para que eu possa sujar, ahahaha”. Respondi em áudio falando para ela não ser besta de fazer isso. A outra, era uma mensagem de Viktor falando que estava com saudades, mandei um “eu também” em resposta, até que eu estava, ele era ótimo em todos os sentidos. Uma de Draco reclamando que Luna não atende as ligações dele, e a última da editora que publicou meus dois livros, estavam me perguntando se eu tinha alguma novidade.
Respondi a todos, coloquei a música, tirei o excesso de casaco, fui até a caixa de luz liguei os interruptores e parti para a limpeza, seria um longo domingo.
POV RONALD
Não acreditei quando cheguei em frente ao apartamento de Gina, como eu estava exausto e morto de saudades da minha ruivinha. Apertei a campanhinha para que Gina viesse abrir a porta.
– Bom dia maninha – Falei assim que Gina abriu a porta com a cara amarrotada.
– Bom dia – Falou bocejando – Como foi no trabalho?
– Foi bom, mas tive um problema na reunião da empresa, por isso só cheguei hoje.
– Que bom que deu tudo certo – Gina falou indo na direção da cozinha – Rose não acordou ainda, dormiu um pouco mais tarde ontem.
– Reparei que ela ainda não acordou. Cadê Harry?
– Tomando banho, já esta vindo – Gina falou colocando a mesa do café – Vai almoçar na mamãe hoje?
– Vou sim, mas ante eu preciso passar em casa, tomar um banho, aparar essa barba que está me incomodando – Falei indo lavar minhas mãos na pia da cozinha.
– Rony! – Gina me repreendeu.
– Que foi? – Perguntei sem entender.
– Lavando as mãos na pia da cozinha, faça-me o favor.
– Ta bom ta bom, me desculpa – Pedi e me sentei a mesa me servindo de café – Aí está ele, bom dia cunhadinho.
– Bom dia madruga, chegou cedo – Harry falou me dando dois tapinhas nas costa – Como foi no trabalho? – Meu cunhado me perguntou e se sentou ao lado de Gina na mesa.
– Foi tudo bem, só uma reunião um pouco chata.
– Legal, depois eu quero falar com você de um projeto novo que eu estou, quero falar do controle de material.
– Maravilha, passa lá em casa quando quiser ver isso – Falei me servindo de mais café.
– Rony, come alguma coisa, só tomou café – Gina falava em sinal de cuidado.
– Na verdade não estou com fome, estou bem cansado para falar a verdade.
– E por que você veio direto pra cá? – Harry perguntou – Podia ter ido para casa, tomado um banho e descansado um pouco.
– E a saudade que eu estou da minha ruivinha – Falei com um sorriso no rosto e me levantando – Gina eu vou pegar Rose, depois você leva pra Toca o que achar importante e me entrega lá, vou tentar não acordá-la.
– Rony vai sair com ela nesse frio? Não vai fazer bem a ela – Gina me repreendeu.
– Meu carro está aí na frente, vou enrolar uma manta nela.
– Ok, mas depois não reclama quando ela for ficar resfriada – Gina falou me convencendo.
– Ta bom sua chata, eu busco ela mais tarde – Falei vencido – De qualquer forma, vocês já sabem que eu cheguei caso ela pergunte de mim, eu vou pra casa me recompor e quando ela acordar você manda um whats ou me liga, sei lá.
– A gente a leva pra Toca Rony, não se preocupe – Harry falou.
– Não precisa Harry, vocês já tiveram muito trabalho com ela – Falei de forma grata.
– Rony, ela é minha sobrinha, é como se fosse minha filha, sabe que a gente não liga pra isso.
– Sem contar que eu sou o padrinho, e eu vou treinando para os meus – Harry disse rindo pra Gina.
– Gina você está grávida? – Perguntei olhando pra ela.
– Não – Ela me respondeu de pressa.
– Potter pervertido, que olhar foi aquele pra minha irmã?!
– Estamos treinando, a qualquer momento você pode ser tio – Harry me respondeu e eu não tive como não rir.
– Serei um ótimo padrinho – Falei me gabando.
– Os gêmeos dizem a mesma coisa – Gina falou rindo – E olha o joelho da sua filha, com uma bela cicatriz por causa deles.
– Obrigado, obrigado por tudo, não sei o que seria de mim e de Rose sem vocês – Falei agradecendo aos dois.
– Falamos que iríamos ficar sempre ao seu lado, lembra? – Harry perguntou – Eu não volto atas do que eu falo, sem contar que nós os amos.
– Eu sempre soube que você era o melhor para minha irmã – Falei e Harry riu – Bom, agora eu estou indo mesmo.
Entrei no carro e me recostei por alguns minutos no banco, lembrei de Hermione mais uma vez hoje e nem cheguei à metade do dia. Todos os dias eu me lembro dela, penso como está a sua vida, o que ela fez todos esses anos, eu só sei o básico, o que Gina o Harry me contam, comentários dos pais dela. Peguei meu celular e olhei a foto do whatsapp dela, reparei que ela trocou, ri com isso, estou parecendo um garoto apaixonado, fico fazendo essas coisas bobas só para saber dela, tive que roubar o número de Hermione do celular de Gina só para ver a foto do whatsapp dela quando eu quisesse. Olhei mais uma vez a foto e depois me encarei no espelho retrovisor, passei a mão em minha barba e reparei o quanto eu estava com a aparência acabada, eu envelheci nesses anos, talvez um pouco mais que o normal, e quanto a ela, parecia que nada havia mudado, minha vida parou sem ela, bom e a dela, a dela deslanchou. A única coisa que me faz feliz todos os dias é saber que eu tenho Rose, ela é melhor parte de mim.
Dei partida no carro e sai em direção a minha casa, peguei a mesma rota de sempre, a que passava em frente ao apartamento de Hermione, literalmente eu gostava de sofrer, sempre passa em frente ao apartamento dela, e como de costume olhei para janela do apartamento e hoje ela estava aberta, provavelmente o porteiro abriu para pegar ar. Uma vez, assim que Hermione foi embora eu passei por aqui e olhei para janela e ela estava aberta, meu coração se encheu de esperança, eu parei o carro imediatamente e subi jurando que ela estaria lá, foi quando eu vi o porteiro, aí ele me explicou que Hermione e Lisa o pediram para sempre abrir a janela. Olhei mais uma vez para a maldita janela aberta e reparei que a luz dessa vez estava acesa, nunca tinha visto a luz acesa.
– Que se dane Ronald, ela não está lá, babaca masoquista – Briguei comigo mesmo.
Assim que cheguei a casa, entrei na ducha extremamente quente, o quanto meu corpo aguentou, fiquei alguns minutos deixando que a água apenas caísse no meu corpo, assim que sai da ducha decidi que tiraria a barba por completo, penteei o cabelo, que estava grande, fiz a nota mental de ter que cortar o cabelo, Rose não gostava dele grande, pra falar a verdade eu também não gostava dele grande. Me vesti e deitei no sofá para relaxar por alguns minutos. Iria buscar Rose na hora do almoço, quero passar na confeitaria que ela tanto gosta antes de ir para o almoço.
Acabei passando da hora, dormi além da conta, acordei com o toque do telefone.
– Alô – Atendi ao telefone.
– Papai cadê você? – Rose perguntou – Eu já estou na’Toca, você demorou passa na casa da tia Gi, ela falou que você estaria aqui, cadê você paaaaaaaaaaaaai? – Rose desatou a falar.
– Calma minha ruivinha, papai já está indo – Falei me levantando e pegando as chaves do carro – Só vou demorar um pouquinho de nada...
– Nãaaaaaao paaaaaaaaaaai, vem logo.
– Eu já vou, mas antes eu vou comprar torta pra gente, eu queria minha companheira pra ir comigo, mas você já está aí – Falei e ela se acalmou – Prometo que vou comprar aquela sua favorita e já corro pra te ver, ok?
– Ok, não demora, te amo – Rose falou e eu sempre sorria quando escutava essas palavras, era o gás da minha vida.
– Eu te amo mais que a minha vida ruivinha – Respondi e desliguei o celular.
Entrei no carro mais uma vez, fui em direção a confeitaria, que fica bem próxima a casa de Gi, e obviamente eu iria passar pelo apartamento de Hermione e agora eu olharia para aquela janela e a veria fechada. Como o previsto eu estava passando pela rua dela, olhei para janela e ela ainda estava aberta, mas essa nem de longe foi a minha maior surpresa, não mesmo. A minha maior surpresa foi ver ela, sim, Hermione estava entrando no prédio. Não é ilusão, eu juro. Estacionei o carro imediatamente e fui atrás dela, meu coração estava acelerado, eu não sabia que eu iria falar, apenas estava agindo pelo meu impulso, a vontade de ver, de tocar e de fala que eu ainda penso nela todos os dias.
Quando cheguei à entrada do prédio falei com o porteiro, ele me reconheceu, era o mesmo da época que nós namorávamos.
– Sr. Lewir – O chamei – Lembra de mim? Sou o Rona...
– Ronald Weasley, claro que eu me lembro, sempre vejo o senhor passar por aqui – Lewir me respondeu com um sorriso.
– Isso mesmo – Respondi e peguei coragem pra perguntar – É ela não é? Ela está de volta?
– Se o senhor está se referindo a senhorita Granger
– É ela mesmo, você ainda se lembra de como eu vivia aqui – Falei e dei uma pausa antes de voltar a falar — E nada de senhor Lewir, Rony pra você – Completei.
– Lembro sim, não tem como esquecer.
– Eu sei que é pedir demais, mas teria como você me deixar ir até ela? – Pedi esperançoso, como um menino pidão.
– Eu vou deixar o senh, você entrar – Ele falou e eu sorri – Mas com uma condição – Lewir falou levantando o dedo indicador e eu prestei bastante atenção – Não fui eu quem deixou você entrar – Lewir terminou de falar abrindo o portão e olhou para o lado, assim que eu entrei e passei por ele sussurrei um obrigado – Boa sorte Rony.
Dei graças por o elevador está no térreo, entrei e apertei o botão do quarto andar umas trezentas vezes de tanta ansiedade. Assim que ele chegou, andei até a porta com o número 401. Parei, e controlei minha respiração, ela estava atrás daquela porta, era só isso que estava nos separando naquele momento, uma porta. Coloquei a mão na maçaneta e a girei devagar para não fazer barulho, como eu me lembrava, ela nunca tranca a porta. Abri a porta e lá estava ela sentada em um tapete e de costas pra mim.
– Você e essa mania feia de deixar a porta aberta – Falei alto para que ela se virasse pra mim, e foi isso que ela fez com uma cara de assustada.
– Ronald! – Ela falou meu nome assustada e olhou para mim – Quer me matar de susto?! – Hermione falou se levantando e ficando de frente pra mim. Naquele momento eu não conseguia descrever o que estava sentindo, o silêncio se instalou e isso era tudo que eu não queria, eu sempre planejei mentalmente nosso reencontro e silêncio não estava nele.
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