De repente
3 Descoberta
Notas iniciais
Tive uma sensação estranha naquele momento, mas boa, Rose estava deitada ao meu lado e a única coisa que eu queria era que ela se sentisse bem, meu cansaço já não me importava mais, aliás eu já nem me sentia mais cansada. Durmo segurando firmemente sua mão.
– Hermione – Minha mãe entra no quarto me chamando – Aí está ela – Minha mãe fala se referindo a Rose – Eu fui no quarto dela e não a encontrei.
– Ela teve insônia – Explico falando baixo e minha mãe sorrir olhando pra gente – Que foi mãe? – Pergunto sorrindo dela.
– Vendo você e Rose assim, achei bonito – reparei em nossa posição, Rose estava de frente pra mim agarrada em meu peito e nossas mãos ainda estavam unidas – Não tem vontade de ter filhos?
– Um dia – Respondi simples – É muito fácil gostar de Rose, ela já é crescida, inteligente, independente, quase não dá trabalho. É diferente de ter um recém-nascido – Falei – Que horas são?
– Hora de você não se preocupar com a hora, santo Deus Hermione, parece que só sabe viver de hora – Minha mãe ralhou comigo e eu ri.
– Tá bom, só fiz uma pergunta – Falei rindo e minha mãe saiu do quarto. Fiquei observando Rose até ela acordar, ela era tão bonita, delicada.
– Bom dia Herm – Ela falou com uma voz rouquinha e gentil.
– Bom dia ruivinha – Falei depositando um beijo em seus cabelos – Dormiu bem? – Perguntei e ela balançou a cabeça afirmando enquanto passava as mãos sobre os olhos.
– Você ficou aqui até eu acordar – Ela falou rindo.
– Eu falei que eu iria ficar aqui – comentei simples – agora vamos levantar pra tomar um café da manhã bem gostoso – Falei me levantando e fazendo um pouco de cosquinha nela – Vai pro banheiro tomar banho e escovar os dentes, enquanto eu vejo uma roupa pra você.
– Fica no outro quarto a roupa – Rose falou indo em direção ao meu banheiro – Herm! Coloca água quente pra mim.
– Já está no quente Rose.
– Tem que mexer nessas coisas aqui, que eu não sei – Me lembrei que tinha que regular e fui até ela.
– Pronto! Está uma delícia a água, não molha o cabelo, está muito frio lá fora – Falei e me direcionei ao quarto onde Rose ficava, na verdade o quarto dela. Abri a cômoda e havia bastante roupa, peguei uma roupa aparentemente confortável e quentinha – já está acabando Rose? – Perguntei assim que entrei no quarto.
– Quase – Esperei mais um pouco – Quer ajuda Rose?
– Herm! – Na hora que Rose pronunciou meu nome eu me levantei e corri pro banheiro, ela tinha uma voz chorosa.
– Meu Deus, por que não me chamou logo? – Falei tirando o sabão que tinha no rosto de Rose, inclusive nos olhos – Tá ardendo muito?
– Tá – Rose falou deixando escorrer lágrimas, na mesma hora meu coração apertou, não queria vê-la chorar.
– Calma, já vai passar – Falei terminando de tirar o sabão de seu corpo e jogando um pouco de água em seu rosto – Vai passar – Falei mais uma vez, enquanto agora eu a secava e a embalava na toalha e levava ela pra minha cama, para que eu a vestisse – Está melhor?
– Sim, tá ardendo um pouco – Rose falou esfregando os olhos.
– Não mexa nos olhos – Falei segurando suas mãos.
– Tá ardendo – Ela falou e eu fiquei mais agoniada a vendo assim.
– Abre bem os olhos – Falei e Rose me obedeceu, soprei em seus olhos e ela fez uma cara de alívio, assim acalmando meu coração.
– Tá melhorando – Rose falou e eu sorri pra ela.
– Ainda bem – Falei a colocando no chão – Vai no quarto do vovô Tony e fala que você já está pronta – Falei e assim que ela saiu pela porta eu fui fazer minha higiene. Escutei algumas vozes e percebi que meu pai havia descido com Rose para tomar café.
Despois de me troca, desci e fui direto tomar um bom café, estava faminta. Assim que cheguei vi Rose com a boca toda suja de torta de morango e meu pai rindo.
– Que isso? Torta a essa hora? – Olhei pro relógio de parede que marcava 9 horas da manhã – Nove horas da manhã e você comendo torta e meu pai deixando, nada disso – Falei pegando a torta de Rose e ela fez cara feia.
– Não tem problema filha – Meu pai falou – Hoje é sábado e Rose está na casa dos avós, tem que ser mimada – Meu pai falou dando uma piscada pra Rose e que me olhou na esperança de que eu devolvesse a torta.
– Nem pensar mocinha – Eu falei e ela desfez o rosto e fez uma cara triste – Você não vai me convencer fazendo cara triste.
– Por favor Herm – Ela me pediu e juntava as mãos pra intensificar o pedido.
– Não, eu vou falar com a vovó Lisa.
– Ela que deixou separada a torta – meu pai falou rindo.
– Meu Deus, vocês estão loucos – Falei rindo da situação.
– Vai deixar agora Herm?
– Não – Falei e Rose fez uma cara triste e eu me derreti – Mas eu juro que eu te preparo um chocolate quente bem gostoso e depois do almoço você come a torta, que tal?
– depois do almoço você vai deixar?
– Claro – Falei indo fazer o chocolate.
Depois de alguns minutos servi o chocolate pra Rose, ela amou e tomou tudo e ainda me perguntou se eu podia fazer pra ela mais tarde. Minha mãe logo veio avisar que a tia de Rose a viria buscar.
– Come um pedacinho de pão.
– Não quero mais nada – Rose falou com um bigode de chocolate e eu ri.
– Vem cá – Falei e Rose veio na minha direção e eu a limpei – Vai aonde Rose? – perguntei quando a vi andando em outra direção.
– Quero fazer xixi.
– Sabe ir sozinha? – Falei alto mas ela não me escutou.
– Ela é muito independente minha filha – Meu pai falou e eu sorri e concordei com a cabeça – Ela é adorável, me lembra você quando pequena.
– Você e mamãe gostam muito dela – Comentei.
– Ah nós amos a Rose filha, a conhecemos desde que ela tinha um ano, ai ela ficou maior e começou a vir pra cá, os dias que ela vem pra cá é uma festa que só – Meu pai falava feliz.
– Fico feliz que tenham alguém que os deixem assim.
– Hermione, você é o nosso maior orgulho, meu e de sua mãe. Você é a nossa felicidade. Rose só acrescenta isso – Meu pai falou e depositou um beijo em minha cabeça – te amo.
– Eu também te amo pai.
– Não a deixe sem a torta de morango, filha.
– Eu sei– Falei e ele riu.
Escutei a campainha tocar e a porta se abrindo, minha mãe cumprimentando uma mulher e logo em seguida uma voz familiar veio em minha mente, a mulher fala mais alguma coisa e eu reconheço a voz. Gina. Como ela sabe que eu estou aqui, eu não liguei pra ela, será que mamãe falou?!
Levanto rapidamente para ir ao encontro de minha melhor amiga, estava com saudades, eu pretendia visita-la só mais tarde mas ela estava aqui, fiquei feliz que ela tenha vindo. Assim que chego no corredor ela leva faz uma cara de surpresa com a minha presença.
– HERMIONE! – Gina grita e me abraça forte – Não acredito, que saudades eu estava – Ela fala e eu retribuo o abraço – Eu e Harry tentamos falar com você por esses dias, mas não conseguimos.
– Eu também estava com muitas saudades, eu fiquei em um lugar um pouco isolado, pouca rede – Falei me explicando – Eu ia passar na casa de vocês mais tarde, mas você veio antes – Falei me soltando de Gina – Como me descobriu?! Aposto que foi mamãe quem te falou.
– Na verdade – Gina tentava falar – Eu vim, é...
– Titia – Uma voz fina invade os meus ouvidos, a voz de Rose, e logo em seguida vejo a menininha ruiva se jogar nos braços de Gina. Por um momento fiquei estatelada.
– Eu vim buscar a minha sobrinha Mione – Gina completou a frase e eu fiquei apenas a observando sem nenhuma reação, eu já havia entendido, não sou uma pessoa burra, Rose tem 5 anos e a última vez que tive notícias de Ronald ele seria pai, as contas batem perfeitamente, 6 anos separada de Ronald, 9 meses de gestação e 5 anos e alguns meses de vida.
– Por que não me falou? – Olhei pra minha mãe. Perguntei com os olhos ardendo.
– Não queria que julgasse a menina pelos atos dele – Minha mãe respondeu. Minhas lágrimas não se seguram mais e começaram escorrer silenciosamente pelo meu rosto, não tinha forças para me mover, eu queria sair dali, precisava de ar. O dia que eu tanto quis esquecer me veio como uma memória recente, parecia que havia acabado de acontecer. Não podiam ter feito isso comigo. Ela era filha da pessoa que me destruiu há seis anos, da pessoa que fez os meus sonhos caírem por terra, deveriam ter me falado.
Olho para Rose, ela está me olhando assustada, isso me faz querer chorar ainda mais. Com um pequeno movimento ela desce dos braços de Gina e vem em minha direção e abraça minhas pernas.
– Não chora Herm – Ela fala simplesmente e eu choro ainda mais – Você está triste? – Rose me pergunta com a voz preocupada e me fita com os olhos azuis, os mesmo que os dele. Me agacho para ficar na sua altura, seco minhas lágrimas e dou um sorriso pra ela, o melhor que tenho no momento.
– Já parei viu – tentei falar normalmente – Não se preocupe comigo, eu estou bem – Falei com as minhas mãos em seus ombros – Só estou com um pouquinho de dor, mas logo passa.
– Aonde é a dor? meu papai fala que se a gente der um beijo no lugar da dor, ela passa – Rose falou com tanta inocência. E era isso que ela era, inocente. Jamais teria coragem de maltratá-la, nunca faria isso, ela não tem culpa de quem é filha.
– Aqui – Falei apontando pra minha bochecha e Rose logo depositou um beijo.
– Está melhor?
– Muito melhor – Respondi e ela deu um sorriso e me abraçou, eu logo retribuo o abraço e olho para meu pai, Gina e minha mãe que nos observava. Minha mãe tem lágrimas nos olhos. Eu entendo que ela fique emocionada, as duas pessoas que ela tanto ama estão abraçadas.
– Agora eu tenho que dar uma saidinha Rose – Falo a pegando no colo.
– Amanhã eu posso vir ver a Herm, titia? – Rose pede pidona. Gina olha pra mim como se esperasse minha aprovação e eu apenas concordo com a cabeça e Gina sorri.
– Claro minha pequena, mas acho que a Mione podia dar uma passada lá em casa hoje – Gina fala vindo ao meu encontro e pegando Rose e me dando um abraço – Sentimos sua falta, Harry ficara muito feliz em te ver, eu faria um jantar pra nós quatro.
– Meu papai ainda não chegou? – Rose perguntou triste.
– Não minha ruivinha, só amanhã, ele teve um problema, não vai poder vir hoje. Você vai dormir na minha casa e da do tio Harry hoje.
– Tá bom – Ela falou triste e apoiou a cabeça nos ombros de Gina.
– Não fica triste o tio Harry comprou uma boneca linda pra você.
– É que eu queria o meu papai – Rose explicou.
– Ei, ele me ligou e falou que está morrendo de saudades, ele me promete que ele vem amanhã – Gina falou na tentativa de que Rose não ficasse tão triste.
– Se você quiser, pode deixa-la aqui Gina – Minha mãe tentou.
– Obrigada Lisa, mas ela já ficou aqui ontem e acho que a Mione precisa de um refresco – Gina falou me olhando, como se pedisse desculpa.
– Rose – Eu a chamei atraindo a atenção dela pra mim – Não fica triste, eu vou jantar com você hoje lá na casa da sua tia Gina – falei olhando de Rose para Gina que abriu um sorriso alegre e agradecido – Aí eu te conto uma história e ainda levo uma torta de morango da vovó Lisa, que tal?
– Você jura Herm?
– E eu já menti pra você? – Perguntei e ela balança a cabeça em forma negativa – Eu juro – Falo e deposito um beijo em seu rosto.
– Obrigada – Gina fala de forma agradecida.
– Pelo que? – Pergunto já sabendo a resposta.
– Por poupá-la.
– Eu nunca descontaria nela, vocês sabem – Falei para todos – Eu nunca culpei ninguém a não ser ele e a Lilá.
– Quem é Lilá titia? – Rose perguntou e eu agora fiquei sem entender nada. Lilá era mãe de Rose, como assim, quem é Lilá? Ou será que eu estava errada e Ronald havia tido uma filha com outra mulher? – É a moça que foi embora, que me deixou com meu papai pra ele cuidar de mim? – Rose perguntou simplesmente e eu senti um peso horrível em meu estômago.
– Essa mesmo minha pequena – Gina respondeu e olhou pra mim – É a MOÇA que a deixou com o seu papai – Gina falou e deu ênfase a palavra moça com raiva. Olhei pra ela cheia de dúvidas – Te espero as 19 horas lá em casa, temos tanto para conversar.
– Eu estarei lá – Falei e nos abraçamos mais uma vez – Senti sua falta.
– Eu também.
Assim que Gina virou as costas, corri para meu quarto, olhei a minha volta e me senti totalmente desnorteada, fui rapidamente em direção a minha mala e peguei um grosso cachecol, eu precisava sair e pegar um ar. Desci as escadas correndo e rumei em direção a saída, escutei a voz de minha mãe me chamando preocupada, mas não respondi, não queria ficar aqui, não nesse momento, eu preciso colocar a minha mente no lugar, essa situação não pode me afetar, não dessa maneira, não da maneira que me afetou há seis anos.
– Filha – Meu pai me chamou colocando a mão em volta do meu braço me impedindo de sair e eu o olhei suplicante.
– Por favor pai – falei olhando em seus olhos – Eu preciso sair, preciso pensar.
E ditas essas palavras, meu pai me largou e eu me aprecei em sair. Assim que eu passei pela porta percebi o quanto havia nevado na noite passada, a rua estava coberta de neve. Andei em direção contraria da minha rua, não sabia exatamente aonde eu queria ir, acho que na verdade eu não queria ir para lugar nenhum, apenas queria andar. Enquanto andava grossas e silenciosas lágrimas desciam pelo meu rosto, e eu não fazia nem esforço para esconde-las ou seca-las.
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