De quem você gosta? - Dramione
6 Ma vie est vous (Minha vida é você)
Notas iniciais
POV HERMIONE GRANGER
— ENTÃO É ISSO? VAI DESCUMPRIR SUA PALAVRA?
Eu que já estava chocada com essa conversa fiquei mais atônita o possível. Olhava para Draco com uma cara escancarada de desespero, medo, angústia, raiva, tristeza. Foi como se uma eternidade passasse em um segundo. Tinha medo dele dizer que a mãe estava certa, que ele deveria cumprir o acordo, que não poderia ficar comigo, que voltasse a me insultar, que voltássemos a ser os inimigos de sempre.
Estremeci em seus braços, que ainda estavam ao redor da minha cintura. Ele deve ter sentido, pois logo depois me apertou mais, pressionando minhas costas em seu peito e respirando perto do meu pescoço. O desconfortável silêncio se expandia pela sala e eu não sabia para quem olhar. Narcisa Malfoy mantinha os olhos em mim, como se me fuzilasse com o olhar. Queria que essa situação acabasse logo, foi então que Malfoy se pronunciou.
— Vocês poderiam me deixar a sós com Hermione por um instante por favor, Professora?
— Mas é claro, Draco, levem o tempo que precisar. – Vi Minerva se levantar e se encaminhar até a porta. Olhou para trás como se quisesse dizer para a outra mulher se retirar junto, mas não foi preciso, pois a mesma já se encaminhava para a saída com uma cara de mau-humor.
A porta se fechou com um som abafado e Draco se desencostou de mim. Senti um frio nas minhas costas, mas logo me virei para encará-lo. Foi então que lembrei das poucas palavras trocadas no nosso quarto antes de virmos para cá, do pedido de casamento e eu aceitando. E agora? Ele voltaria atrás?
— Dobbiamo parlare, principessa.. (Precisamos conversar, princesa) – Seus olhos me invadiram, o cinza estava ao mesmo tempo calmo e revolto, como um mar agitado.
— Sto escoltando. (Estou escutando.) – Dei dois passos para trás e esperei para ouvir o pior.
— Ti ho chiesto di sposarmi, ed è stata la migliore decisione che io abbia mai fato... (Eu te pedi em casamento, e foi a melhor decisão que já tomei...) – Sua voz fraquejou, sabia que viria mais.
— Ma? (Mas?) – Ele se aproximou de mim e eu não sabia se recuava ou se ia para seus braços, então fiquei parada.
— Ma niente... (Mas nada...) – Ele pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos. Olhei seus olhos e eles estavam calmos e serenos, como se não tivéssemos acabado de entrar numa briga com sua mãe. – Ma petit, peu importe ce que dit ma mère, peu importe ce que toute personne quelqu’un dit, je ne vous laisse pas, Je t’aime. (Minha pequena, não importa o que minha mãe diga, não importa o que qualquer um diga, não vou deixar você, eu te amo.)
Ele não me deu tempo de resposta, puxou minha cintura para si e tomou meus lábios no seu. Nossos lábios se completavam perfeitamente, como se tivessem sido feitos um para o outro. As vezes era louco pensar que eu estava dividindo minha vida com meu inimigo, na maior boa vontade e livre escolha, pensar o quão o mundo dá voltas. Sua língua pediu passagem e eu permiti de bom grado. Nossas línguas dançavam e competiam ao mesmo tempo, explorando toda a extensão de nossas bocas. Eu tentava memorizar o cheiro amadeirado que já me era necessidade, e aquele gosto de menta que me deixava inebriada, era a combinação perfeita.
O beijo cheiro de carinho, amor e sedução me envolvia, minhas mãos buscavam os fios loiros e macios que me davam uma sensação gostosa ao tocar enquanto minha cintura era apertada cada vez mais contra Draco. Ele conseguia me levar à Lua e voltar em poucos segundos, nunca existiria uma ligação assim com outra pessoa que não ele.
O ar nos faltou e nos afastamos o mínimo possível. Draco colou nossas testas e sorriu. Aquele sorriso maravilhoso, que me fazia perder uma batida do coração. Nossas respirações estavam entrecortadas e eu não conseguia não pensar em como eu estava feliz ao lado dele. O famoso Draco Malfoy, Príncipe da Sonserina, sendo atencioso, carinhoso, amigo, amoroso, simpático, com uma grifinória, ele estava mudado, para melhor. O sonserino que sempre disse que não se apaixonaria, me pedindo em casamento. Era algo cada vez mais apaixonante.
Ele fechou os olhos e inspirou fundo. As nossas testas continuavam coladas, minhas mãos em seus ombros e as dele na minha cintura. A serpente me puxou para um abraço apertado e escondeu seu rosto em meus cabelos. Eu sabia que aquela situação não era fácil para ele. Sabia que ele tinha uma admiração, um respeito e principalmente, um amor pela mãe que não cabia em palavras. Vê-la discordar de suas decisões devia estar fazendo-o quebrar por dentro.
— Draco, faça o que for preciso, não brigue com sua mãe. – Ele nos afastou e encarou meus olhos, confuso.
— O que quer dizer com isso?
— Quero dizer que não quero que brigue com a pessoa que você mais ama, não quero que estrague toda sua relação com ela por minha causa. – Ele tomou meu rosto com as duas mãos e olhou direto nos meus olhos.
— Ich liebe dich, mein schönes, ich will nicht auf uns aufgeben! (Eu amo você, minha linda, não vou desistir da gente!) – Sorri com suas palavras, ele me deu um selinho e me soltou. Caminhou lentamente até a porta e a abriu. Logo entraram a Sra. Malfoy e a diretora McGonagall.
Draco se aproximou da mãe e começou a falar.
— Mãe, eu sei que por muito tempo você teve que aceitar as condições do Lucius, e sei que isso te causou várias consequências, mas eu, fruto de vocês dois, consegui enxergar por detrás de tudo isso. Não há diferença nenhuma entre eu e Hermione, na verdade, há: ela é bem mais inteligente que eu. Mãe, desculpa não ter te contado antes, mas espero que entenda, eu sou com ela, uma pessoa muito melhor, sou feliz de verdade mãe.. Essa menina me traz paz, alegria, amor, simpatia, ela é incrível e vocês se dariam muito bem. Por favor, tenta se despoluir daquele idiota, por mim. – Ele foi dando passos para trás ainda mantendo contato visual com a mãe, chegou até mim e me puxou pela cintura me mantendo presa a ele. Passei meu braço pelas suas costas e me aconcheguei ali.
Olhei para Dona Narcisa e ela tinha os olhos iguais aos do filho, os olhos que eu amava. Ela me olhou e respirou fundo, não sabia se era bom sinal ou não. Quando sua voz saiu estava totalmente diferente da de Draco. A da mulher era elegante e firme, já o filho tinha a voz embargada e hesitante.
— Uma hora eu imaginei que isso fosse acontecer. – Ela se virou para a professora. – Minerva, você se importa se eu acompanhá-los até o Salão Comunal dos Monitores? – Minerva negou docemente, feliz por o clima voltar a ficar ameno. Disse-lhe para voltar até lá antes de partir para Londres e que era para ficarmos à vontade.
O caminho até o Salão Comunal foi silencioso, Draco sempre mantinha sua mão entrelaçada a minha e me olhava a cada três minutos. Ele estava sendo muito fofo e garantindo que eu não me sentisse mal na presença de sua mãe.
Dissemos a senha e entramos. Sra. Malfoy caminhou com uma postura perfeita até o sofá e sentou-se, esperando que fizéssemos o mesmo. Ela me acompanhava com o olhar a cada instante. Draco acariciava as costas da minha mão tentando tranquilizar-me.
— Hermione – ela me chamou e olhei para aqueles olhos cinzas – Eu te devo desculpas. Quando Draco era criança eu me opunha a ensiná-lo a odiar os nascidos-trouxas e fazia questão que ele conhecesse seu mundo, mas Lucius era irredutível. Acho que com o passar dos anos acabei sendo contaminada pelo jeito dele. Então eu sinceramente peço desculpas. – Ela respirou fundo. – Eu sabia que uma hora ou outra isso aconteceria. Meu filho sempre chegava em casa falando de você, como uma grifinória era capaz de ultrapassá-lo em todas as notas. – Eu revirei os olhos e virei pra Draco rindo, ele estava com uma cara de emburrado igual quando éramos pequenos. – Eu, no fundo, já imaginava que toda essa perseguição, todas as irritações e os xingamentos era um amor não aflorado. E Hermione, me orgulho muito por ter você como nora, você é a melhor pessoa para meu filho. Sei que ele é um imbecil as vezes, muito mimado e teimoso, mas vocês vão se dar bem. Nos poucos minutos que os presenciei juntos, já vi a sintonia de vocês. – Sorri para ela e para Draco.
— Imbecil, mimado e teimoso?? Achei que fosse me defender mãe! – Ele fez cara de birra, com certeza era mimado. A mãe deu uma gargalhada.
— Sim, você com certeza é tudo isso filho. – Ela ria. Se levantou e veio em nossa direção. – Hermione – Ela me estendeu a mão e eu rapidamente olhei para Draco que assentiu. Peguei e me levantei. Me surpreendi quando ela me puxou para um abraço. Senti quando Draco nos abraçou, ficando atrás de mim.
— Obrigada Sra. Malfoy, eu amo seu filho. – Disse após nos afastarmos.
— Me chame de Narcisa, querida, ou Cissa. – Ela sorriu gentil. Estava começando a perceber quem ela realmente era por detrás dessa postura que o Sr. Malfoy a fez ter. Ela parecia ser uma pessoa extremamente gentil. – Cuide do meu filho, está bem? Quero vê-los muito feliz, vocês formam um lindo casal. – Abraçou-me mais uma vez e se aproximou de Draco.
— Filho, me desculpe por gritar com você.. Aquele acordo nem me importa mais. Não sei porque falei tudo aquilo, as vezes ainda acho que seu pai vai brigar conosco. – Vi Draco puxá-la para um abraço apertado e sorrir. Me senti feliz. – Draco, cuide de Hermione, sim? Não a deixe ir embora, ela é a melhor pessoa pra você, pode ter certeza disso. E filho, ela te ama.
— Eu vou cuidar mãe. Jamais deixaria a morena, ela é o amor da minha vida. Estou muito feliz que tenha visto que ela me faz bem, é muito importante para mim. Eu a amo mãe.
Cissa se despediu e rumou em direção a sala da McGonagall, deixando-me lá com um Draco um pouco emotivo. Sorri-lhe e o puxei para um abraço.
Peguei sua mão e o conduzi até o quarto, os pijamas ainda estavam ali, no meio da bagunça que tínhamos feito e peguei-os para colocarmos novamente.
— Sei que você queria fazer algo lá fora hoje, amor, mas também podemos ficar juntinhos aqui na cama. – Disse estendendo o pijama dele. Ele estreitou os olhos e então deu um sorriso de canto, pegou o pijama e começou a se trocar.
Coloquei minha camisola e com um aceno de varinha dei uma geral no quarto, Draco já estava deitado e me observava calmamente. Sorri para ele e me aproximei. O sonserino me pegou na cintura e me sentei em seu colo apoiando a cabeça em seu peito. Aquele tinha sido um dia e tanto.
Ficamos em silêncio por um tempo, até que sua voz foi ouvida no cômodo.
— Obrigado, amor. Você é a melhor pessoa que eu poderia pedir. – Seus olhos brilhavam, e eu fiquei muito feliz.
— Obrigada você, loiro. Me faz muito feliz ao seu lado.
Ele me beijou calma e apaixonadamente. As línguas pareciam em câmera lenta, mas ao mesmo tempo tão intensamente ligadas. Cada dia eu conseguia descobrir algo melhor no beijo de Draco. Cada dia eu me apaixonava mais pelo jeito dele, pela personalidade forte, pelo jeito mimado que me cativava, pela teimosia que complementava a minha, por tudo.
— Eu te amo muito Hermione Granger. Eu sei que brigávamos muito, que eu enchia teu saco, que sei lá, te xingava, mas tudo isso era minha forma de dizer que te amava, sem saber que amava. Eu passava horas procurando você pelo Castelo só para poder te xingar e você retrucar. Para poder tentar ganhar de você e dizer que era o melhor do nosso ano. Você sempre ganhava, mas eu não perdia a esperança, queria te irritar, fazer você sair do sério. Você era a única pessoa que me desafiava, que inconscientemente me fazia querer ser melhor. E foi quando me deu aquele soco, no terceiro ano, que percebi que realmente não poderia parar de pegar no seu pé. Hoje, já crescemos, já estamos mais velhos e temos cada um à sua história. O impressionante nisso tudo é que por mais que não fossemos amigos você sempre está nas minhas lembranças. A verdade é que eu acho que éramos mais próximos do que pensávamos. A Guerra mudou a percepção de todos nós, tenho certeza, deixou marcas e cicatrizes. – Nesse momento ele pegou meu braço e viu a cicatriz que sua tia havia feito. Eu me orgulhava dela. Ele sabia disso. Ele se aproximou e a beijou, eu me senti maravilhada. Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, de emoção. – Eu fui um babaca por muitos anos, mas posso lhe assegurar que muito já mudei e tentei consertar. Eu me orgulho muito da bruxa que você é. E tenho certeza que vou adorar conhecer as suas origens. Você faz parte de mim agora, quero que seja feliz por completa ao meu lado. Eu sinto muito arrependimento por não ter tirado minha tia de cima de você naquele dia. Seus gritos ecoavam nos meus sonhos por noites e noites. Eu não queria que você morresse. Eu queria te proteger, de alguma forma. Na batalha em Hogwarts eu lutei ao lado de vocês. Eu sabia que era o certo, e eu só tenho que agradecer, você foi a luz no fim do meu túnel, durante toda a minha vida. Então, ma petit, não acredite se alguém disser que não a amo, que irei lhe abandonar ou trair, porque não vou. Eu a quero comigo hoje, amanhã, sempre. Quero acordar todo dia ao seu lado, quero arrancar sorrisos dessa boca linda, quero ser o seu príncipe e seu herói. Você é a única em meus olhos morena, ninguém chega aos seus pés pra mim. Eu te amo muito mia perfetta (minha perfeita).
Ele estendeu uma mão e limpou as lágrimas que escorriam por minha bochecha. Ele me olhou, ainda em seu colo e eu não tinha palavras para descrever o quão grata eu era por tê-lo comigo. Puxei-nos para deitar e fiquei olhando aqueles imensos olhos cinzas, só consegui falar poucas palavras.
— Ma vie est vous, blonde et je vous aime (Minha vida é você, loiro e eu te amo)
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