Notas iniciais
Olá pessoal. Essa é a primeira vez que posto uma história no site. Espero que gostem!

Era mais um dia corrido para Aoi na grande Tóquio resolvendo problemas do seu restaurante e comprando ingredientes para o dia a dia. Em relação aos problemas, foi atualizar alguns documentos, impostos e marcar horário com um serviço dedetização. Não que seu restaurante precisasse mas era bom garantir a perfeita ordem.

Ao terminar tudo isso, foi direto para o super mercado comprar os mantimentos. Saiu do local com as mãos lotadas de sacolas. Sua sorte é que estava de carro, o qual ralou muito para comprar. Voltou novamente dentro do mercado trazendo os legumes, frutas e temperos. Ao entrar no carro e se estabilizar no banco de motorista deu um longo suspiro de cansaço.

Nos últimos dias estava se sentindo muito fadada não só de corpo mas de mente e espírito também. Mesmo com o relativo sucesso do “Dama da Noite” — nome de seu restaurante — ainda assim se deparava com problemas grandes e pequenos no decorrer do dia. E um deles tinha nome e endereço. Se sentia meio angustiada toda vez que lembrava. Jurou a si mesma que enquanto estivesse ocupada com o restaurante não iria misturar os problemas pessoais com o trabalho e assim fez ou pelo menos tentou.

Deu partida no carro e dirigiu- se ao restaurante. Chegando lá, descarregou todas as compras para a dispensa e em seguida organizando tudo no seu devido lugar. Ao término de tudo escorou- se na parede e deslizou até cair sentada no chão. Sentia- se cansada depois de toda correria.

Pegou o celular e olhou a caixa de mensagens esperançando haver alguma mensagem dele. Havia várias mensagens exceto dele. Lembrou-se da noite anterior e do que aconteceu. Nos últimos meses via -se muito nessa situação. Na noite anterior acabou discutindo com Akatsuki seu namorado.

O motivo? Nem ela acha que era um motivo tão importante assim. Tudo começou quando ele chegou na casa dela com uma expressão de estresse e frustração. Disse que sua irmã havia sai do de casa e se abrigou numa pousada simples. Ela pretendia sair do país e aceitar o papel de atriz que lhe ofereceram na Coreia do Sul. Aoi e a cunhada tinham uma boa relação de amizade e sabia o quanto ela era esforçada mesmo não tendo nenhum apoio do irmão, que na visão dele tudo isso era bobagem e que ela deveria seguir a vida normal de uma japonesa se casando tendo filhos e cuidando da casa e não ficar se mostrando nas telas para todo mundo.

Machista? Pode- se dizer que sim. Ela tentou acalma- lo, fazendo uma massagem nele para que relaxasse. Enquanto fazia isso tentou conversar com ele tentando abrir sua a mente dele para o futuro brilhante que a cunhada teria caso aceitasse, e é que ele também ele evitasse esse conflito desnecessário com a irmã.

Mas parece que tudo o que ela falou passou distorcido pelos ouvidos dele, pois livrou-se de forma abrupta de suas mãos, e começou a dizer que ela nunca o apoiava o que ele falava. De que lado você estava? Porque nunca tentava entende-lo? Ela praticamente ficou sem palavras com essa reação ignorante dele.

Tentou rebater tudo o que ele disse. Que ele não tinha o direito de falar com ela naquele tom, tudo o que ele estava até o momento fazendo com a irmã era puro machismo e coisa de pessoa que que vive no passado. Ele de cabeça pegando fogo saiu dizendo que não queria ve- la tão cedo e que ela nem ousasse em procura- lo ou ligar pra ele. Ela sabia que ele não costumava voltar atrás com sua palavra tão fácil. Iria realmente ignora-la até quando bem quisesse. Embora ela ainda sentisse vontade de se reconciliar com ele, ligar e esclarecer tudo, sabia também que não podia amolecer tão fácil diante de qualquer birra dele.
Levantou-Se do chão fez algumas postagens nas redes sociais promovendo o restaurante, ligou para a alguns fornecedores de bebida, conferiu na agenda as reservas feitas para mais tarde até que chegou uma notificação do Ginji: seu amigo da faculdade e também sócio minoritário do restaurante. Era uma foto dele e da sua esposa Yorui em viagem de lua de mel.

Antes do casamento ele havia dito que não deixaria o local mas ela se sentiu culpada por de certa forma por prende-lo no restaurante. Então como presente de casamento deu 10 dias livres para ele. Disse que conseguiria dar conta junto com a ajuda dos funcionários nesse meio tempo em que ele estivesse fora. E de fato estava conseguindo se virar bem nos últimos 3 dias.
Na mensagem também ele perguntou se estava tudo bem com ela e com o Dama da Noite. Se precisava de algum auxílio imediato. Ela tratou de tranquiliza-lo, de e que poderia curtir em paz a sua folga com sua recém esposa . Desejou-lhes Boa viagem e desligou o telefone.

Antes de começar os preparativos para a noite, foi verificar os lotes de alimentos e sua validade por uma eventual visita da vigilância sanitária. Os irmãos gêmeos Sasuke e Dasuke rapazes de 17 anos de cabelos castanhos e de boa aparência eram os garçons e responsáveis Pela limpeza e organização do local chegariam a partir das 15:00 da tarde
A noite chegava e tudo já estava quase nos conformes.
— Sasuke, Dasuke já limparam tudo? Ligaram as luzes lá fora? Separaram as mesas e colocaram o nome dos clientes que reservaram antes? -- perguntou Aoi com ao nervos a flor da pele.
— Claro. Já está tudo nos seus conformes – falou Sasuke
— E a adega? Já verificaram?
— Sim, inclusive chegou um dos fornecedores hoje à tarde e já organizamos tudo lá dentro. – um detalhe não passou despercebido pelos rapazes. Aoi estava mais nervosa do que de costume. Dasuke tomou a iniciativa:
— Taichou, está tudo bem com você?
— Parece muito nervosa. cansada e com essa cara de ayakashi vai espantar a clientela hein? – os dois foram
— Haha engraçadinhos! É verdade que estou relativamente nervosa e cansada mas não é pra tanto. Quanto tempo temos até o restaurante abrir?
— Temos 30 minutos ainda. Você não tem uma muda de roupa no armário como nós? Aproveita toma um banho. Pelo menos vai ficar com uma cara mais decente- Aoi jogou o pano de prato neles e eles saíram correndo e rindo dela entrando na cozinha. Embora as pestes tivessem tirando sarro dela ate que eles estavam certos. Olhou o relógio, tinha 25 minutos ainda. Foi fazer o que eles disseram.

De fato, tomar banho, trocar de roupa e se mostrar apresentável lhe deu a sensação de que conseguiria lidar com tudo . Colocou um vestido cor de vinho de altura até o meio das pernas, com mangas até os cotovelos sem muitos detalhes fez uma trança raiz no cabelo e colocou suas sapatilhas.

— Nossa hein? Nem parece que a uns minutos atrás tinha um fantasma no lugar da nossa anfitriã- disse Sasuke sendo acompanhado na risada por Dasuke.
— Depois ficam sem emprego e não sabem o motivo ne? – disse ela dando um pescotapa de leve em cada um. Embora vivessem tirando brincadeiras com ela eram bons garotos. Se não fosse a eficiência e o trabalho em conjunto dos 2 todos os dias não sabia como iria desenrolar tudo aquilo – se dividam e terminem de ajeitar os pequenos detalhes. Hoje a noite está cheia. – disse ela caminhando para a cozinha.

Mesmo sentindo metade do cansaço sair sabia que tinha algo mal resolvido. O que era mesmo? Lembrou quando seu telefone começou a vibrar. Era Akatsuki . Em primeiro momento se surpreendeu ao ver seu nome na tela. O que ele teria para falar? Duvidava muito que ia se mostrar arrependido do que disse. Mas enfim; quando ia atender, Sasuke abriu a porta dizendo que havia chegado um grupo de 10 pessoas que estava reservado.
Ela lembrou-se que o grupo de 10 pessoas que tinha para hoje era comemoração de bodas de casamento do senhor e senhora Agake. Eles já eram clientes fiéis do restaurante desde que abriu a um ano e meio atrás e criaram um bom laço de amizade com Aoi pelo bom atendimento, qualidade e paz que o lugar transmitia. Sasuke também disse que eles gostariam de receber as reverências da anfitriã da noite.

Olhou novamente para o celular que continuava tocando mas desligou e foi atender os clientes. Disse mentalmente para si mesmo “lugar de trabalho não é lugar de problemas pessoais”. Fez a melhor postura e colocou o melhor sorriso no rosto e foi atender os Agake.

E assim começou mais uma noite corrida. Todas as reservas estavam ocupadas e mais clientes chegavam ocupando as outras mesas. Uns acompanhados, outros sozinhos. Aoi estava a todo vapor na cozinha fazendo vários pratos ao mesmo tempo. Não sabia se podia considerar sorte mas maioria deles eram pratos menos elaborados e caseiros. Pouco mais das 21:00 a família se Agake se despedia de Aoi agradecendo por mais uma noite agradável no dama da noite.

A satisfação que ela recebia dos clientes servia como energia para continuar no ofício que tanto amava. Por volta das 22:00 o fluxo começava a diminuir. Alguns clientes desacompanhados estavam se retirando e alguns grupos da reserva já se preparavam para sair. Só assim os gêmeos conseguiam descansar ao menos uns alguns minutos escorados no balcão.

As 23:00 restava apenas 1 grupo de 7 pessoas. Pelo o que os garotos escutaram pelos altos, 2 deles estavam comemorando uma promoção que receberam no trabalho. Pediram petiscos e 2 garrafas de vinho. Aoi conseguiu desacelerar na cozinha aproveitando para lavar maioria da louça suja. Agradecia a Deus por maioria dos clientes já terem ido embora. Repentinamente se lembrou de Akatsuki e da chamada que não atendeu. Aliás onde estava seu celular? Foi no balcão e o encontrou em uma das prateleiras guardado.
Ao verificar havia 10 chamadas perdidas dele. Nossa, ele realmente queria falar com ela? Pensou em retornar mas ainda tinha alguns afazeres e os meninos estavam lanchando enquanto podiam.

Ao entrar na cozinha escutou o sino da porta de entrada tocando anunciando que havia chegado alguém. Acabava de entrar um grupo de 5 homens. Aparentavam estar meio alterados, com certeza já vieram bêbados de outro bar. Aoi fez sinal para os garotos ficarem de olho neles. Eles pediram uma garrafa de uísque e acompanhamento. Os gêmeos serviram a eles.

Como eles eram irritantes!. Fazendo tanto barulho com gargalhadas eufóricas, fora as piadas pervertidas que comentavam tão alto que Aoi da cozinha escutava. Um deles se pronunciou perguntando aos garotos quem era o dono do lugar. Eles ficaram com receio em dizer. Afinal, Aoi chan iria conseguir lidar com eles?

Ela pensou em continuar lá mesmo mas isso já estava começando a sair do controle. Como dona do lugar deveria mostrar ao que veio quando resolveu abrir um comércio. Saiu da cozinha e foi até o grupo juntando-se aos gêmeos; escutou a porta abrindo novamente enquanto ia até eles mas não prestou atenção a quem era. Ao chegar na mesa percebeu que eles mudaram sua expressão para algo...malicioso Talvez?
—- Boa noite senhores.
—- Ora ora, quer dizer que essa belezinha é a dona daqui? – disse um deles
—- Eu tenho nome. Tsubaki Aoi. Seja bem-vindo- curvou-se fazendo referência.
—- Aqui dá a sensação de ser um lugar bem agradável. Comida gostosa. Mas e a dona? Qual será o gosto dela? – falou outro cara mais alto devorando- a com os olhos. Por um momento Aoi se sentiu assustada mas não poderia se amedrontar tão fácil
—- O senhor será bem vindo aqui sempre para degustar da nossa comida, mas para esse tipo de passatempo, indico que procurem a “Esquina da Luz Vermelha” mais próxima para satisfazer-lhe.
—- Oh nossa. Quanta impaciência!. Por que não se junta a nós e vem bater um papo também? – falou o cara mais próximo dela na mesa pegando sua mão e a puxando para sentar. Sasuke e Dasuke já iam tomar as providencias quando uma mão masculina puxou de volta a mão de Aoi e com a outra a puxou pela cintura recostando-a no seu peitoral. Podia jurar que era Akatsuki mas algo a dizia que não:

—- Que tipo de assunto você teria para falar com a minha dama da noite? – falou um homem alto, bonito, forte de cabelos negros como a noite. Dirigia aos homens da mesa um olhar sinistro de quem iria tortura- los só olhando. – Vamos! Agora também quero participar. O que vocês queriam falar com a minha noiva? – os homens estavam com uma expressão totalmente de assustada como se estivessem vendo coisa de outro mundo. Os gêmeos estavam em completa confusão. Encenação ou não, ao menos serviu para colocar os cretinos para fora. O grupo de 7 pessoas também viram que a hora estava mais do que avançada e pediram a conta para os garçons. Quando o homem e Aoi se encontraram sozinhos ele falou:
—- Olá Aoi. Há quanto tempo! – E no lugar de um olhar sinistro estava um rosto sereno com um sorriso feliz mas contido.
—- Odanna? É você mesmo? Nossa como você... mudou!
— Sério?! Ah deve ser o cabelo mais comprido e maioria das espinhas que sumiram também. Realmente o cabelo dele estava maior do que a última vez que se encontraram na faculdade. Mas tinha algo a mais na visão de Aoi. Talvez o peitoral mais largo e definido. O rosto adornado pelos fios negros destacando sua pele tão clara em contraste com seus exóticos olhos vermelhos. Vestia uma blusa social branca, com calça jeans, sapato social e um sobretudo de veludo por cima ambos preto. Definitivamente a visão de um Deus grego.

Sem perceber se viu nos braços de Odanna que lhe abraçava envolvendo seu corpo encaixando a cabeça entre seu ombro e pescoço sentindo o mínimo do seu perfume floral que emanava de sua pele e cabelo. Sentiu seu rosto queimar com a aproximação repentina mas não lhe passou despercebido o perfume forte que ele exalava. E que perfume! Um cheiro tão atraente que quando menos percebeu já estava passando os braços pelas costas largas dele afundando o rosto no seu peitoral para sentir mais daquele cheiro. “Espera. O que eu estou fazendo??” O empurrou ele num estalo quando percebeu o que estava fazendo inconscientemente. Seu rosto deveria estar em chamas. No rosto dele vou viu um sorriso se formar. Espera; era um sorriso sacana? Ia retrucar aquela expressão dele mas a confusão que menos queria no momento já estava formada:

—- Então foi por isso que não atendeu as minhas ligações Aoi? Estava ocupada demais se consolando com sua amizade colorida? — Aoi olhou em direção a porta e viu Akatsuki mais vermelho de raiva do que seu cabelo – e eu achando que você não atendia a porra do telefone porque estava muito ocupada com clientes! Nas não... Essa pocilga está às moscas e você ta se agarrando com esse ai! – Qualquer falta de reação dela se esvaiu depois de ouvir tantos desaforos:

—- Primeiramente, lave a porcaria da sua boca antes de falar do meu estabelecimento. Em segundo lugar eu não estava “me agarrando” com ninguém e por último se não atendi a droga do celular é por que estava 100% ocupada juntamente com meus funcionários dando duro de verdade. Que foi? Não foi você que disse que não queria me ver tão cedo? O que houve? A aranha caiu da própria teia?
—- Resolvi retornar e acabar logo com essa situação já que você não se pronunciava.
—- Eu? Sempre eu ne? Hahaha nunca é você claro. É sempre eu que tenho que voltar atrás e pedir perdão.
—- Sim é você. Se simplesmente você fizesse o que eu digo, concordasse comigo, largasse esse lugar nos entenderíamos muito melhor. Porque não pode fazer o que eu mando? E resolve vir se consolar nos braços de um qualquer?
Aoi olhava para um ponto fixo no chão fechando os punhos com força em resposta a sua raiva crescente. Odanna se pronuncia:
—- Ei, está indo longe demais! Eu e Aoi somos só..
—- São o Que? O casal de dissimulados? Você estava alugando ela?
—- ora seu!!! – Odanna já ia partir para agressão mas Aoi levanta o braço impedindo de continuar. Entretanto, transmite ao ruivo um olhar que nunca havia visto:
—- Saia daqui agora! Nunca mais ouse em pisar aqui ou aparecer na minha frente. Sasuke. Dasuke. Vocês têm carta branca para expulsar esse inseto do restaurante se ele aparecer aqui novamente.
—- quem pensa que é pra me ..
—- SAI DAQUI AGORA SEU VERME. EU NÃO QUERO TE VER TÃO CEDO NA MINHA FRENTE. EU NÃO AGUENTO MAIS ESSA VIDA. DE FICAR COM VOCÊ. EU TE ODEIO E ME ODEIO MAIS AINDA POR TER PASSADO TANTO TEMPO AO SEU LADO. DESAPARECE!!! – disse ela com os olhos lacrimejando.

Como se algo tivesse sido desligado, Aoi cai desacordada no chão sendo amparada por Odanna e os gêmeos. Akatsuki vai embora sem nem ao menos prestar socorro. Foi direto para a primeira casa de mulheres que encontrou.

No restaurante, os garotos a colocaram no sofá na área de descanso ainda desacordada. Estavam muito preocupados com a figura a sua frente. Nunca a viram tão irritada, gritando e muito menos desmaiando. Odanna havia perguntado se ela tinha algum problema de saúde ou pressão baixa. Sasuke informou que esse tinha sido um dia bem corrido pra ela. Muito mal havia se alimentado e estava muito ocupada com restaurante. Ele deduziu que não era nada grave. Talvez com todos esses fatores e o estresse recente sua pressão havia caído. Os garotos resolveram leva-la no hospital mas ela já estava recobrando os sentidos.

Ao acordar endireitou-se, sentada no sofá, tendo a visão dos 3 homens a sua frente preocupados:
—- Aoi chan!! — Falaram os gêmeos em uníssono- tudo bem com você?
— Ainda se sente tonta? -Sasuke
— Está com fome? – Dasuke
—- Meninos! Calma. Eu já estou melhor. Certamente foi só o cansaço que tomou conta de mim. Que horas São? Vocês... Odanna ... ainda estão aqui?
—- Já são 12:30. Não se preocupe já fechamos tudo. Aqui as chaves.- disse Dasuke. .- e claro, aquele cara não está mais aqui. Aoi ao se lembrar do que aconteceu sentiu uma pontada na cabeça.
—- Ainda bem que já se foi. Aliás já está na hora de vocês também irem.
—-Mas você ainda ta fraca – Dasuke.
—- Claro que não! Olhem já consigo até ficar de pé. Levantou-se e tentou se firmar máximo que conseguiu.
—- Tem certeza? – Aoi ia responder mas Odanna tomou a frente.
—- Não se preocupem. Eu tomo conta dela. Vocês devem estar cansados depois de tanto trabalho — eles estavam cansados de fato. Ao olhar para Aoi ela também não o distorceu então deixaram- na aos cuidados do homem. Ela os acompanhou até a porta e mandou ter cuidado na volta para casa. Ao trancar a porta atrás de si não pode conter a ânsia de vômito embora não viesse nada para colocar pra fora. Sentia isso quando ultrapassava o limite da impaciência.
—- Ainda se sente mal, né? – Surgiu Odanna trazendo um copo de água para ela.
—- Obrigada. Na verdade não estou ainda 100% mas não podia mantê-los aqui. Já tá tarde até demais pra eles.
—- Deveria se preocupar um pouco mais com você no momento. Está amarela!
—- Eles são meus braços aqui dentro. Inevitável não me preocupar. Mas e você?
—- O que tem?
—- Como chegou até aqui? Ou melhor, há quanto tempo voltou? Não havia retornado a sua cidade depois que terminou a facul?
—- Ah sim. Apareceu alguns problemas naquele tempo e tive que voltar para Quioto. Voltei a 1 mês e meio depois de 3 anos. Estou gerenciando uma das filiais da rede de hotéis da minha família aqui na cidade. Amanhã é meu dia de folga e resolvi tirar essa noite para dar uma volta na cidade. Mas ao ver um restaurante com um nome tão incomum resolvi conferir para ver se voltaria mais vezes. E depois de descobrir quem é a dona, certamente pretendo voltar mais – falou, olhando-a nos olhos profundamente. Depois dessa frase inesperada, ela sentiu seu rosto corar levemente.
—- Não mudou muito nesses últimos 3 anos hein? – falou levantando- se para colocar o copo no balcão.
—- Eu que o diga. Que descuido foi aquele de bater de frente com aqueles homens?
—- Eu não estava em perigo. Sasuke e Dasuke também estavam comigo.
—- Acha mesmo que aquele garotos dariam conta daqueles caras?
—- Enfim – disse ela sem querer concordar- que história foi aquela de me chamar de noiva?
—- Bem, não seria mentira se dependesse de mim – olhou para ela com a uma sobrancelha arqueada. Ela o olhou com cara de desaprovação.
—- Mentira ou não, obrigada por aquilo. Evitou futuros conflitos de certa forma.
—- E ainda te deixei bem na Praça. Agora aqueles caras e o outro grupo me conhecem como seu noivo. Imagina se te vissem com aquele cara?
—- Precisava me lembrar dele?
—- Mas não é seu namorado?
—- ... Não importa. Depois de tudo, ele não passa de “ex” pra mim. Ou melhor, não quero mais falar disso. Obrigada pela encenação de mais cedo mas agora, vou para casa. Não aguento mais nada por hoje – pegou sua bolsa e a chave do carro.
—- Espera. Não pretende dirigir, né?
—- Claro que vou!
—- É óbvio que não! Hoje te levo e amanhã você vem de taxi – tomou a chave da mão dela. Sem dar chance de resposta, saiu andando para a porta de saída. – te espero lá na frente.

Sem poder de fala, verificou as portas e trancas internas e foi fechar o restaurante. Ele estava recostado no carro com o sobretudo na mão. Quando ela estava se aproximando ele foi ao seu encontro colocando o sobretudo em seus ombros:
—- Isso não é necessário. Posso muito bem ir sozinha.
—- Claro que não. Eu disse aos garotos que cuidaria de você. Agora entre no carro e diga o caminho para sua casa. – Assim ela se viu obrigada a segui-lo. Ao se estabilizar no banco de passageiro, sentiu mais forte o perfume que emanava da peça de roupa dele. Certamente grudaria nela. Seguiram o trajeto até sua casa falando só o necessário. Finalmente chegaram.
—- Está entregue – falou ele recebendo de volta o sobretudo.
—- Obrigada. Mas agora vai fazer um longo trajeto até sua casa né?
—- Nem tanto. Não se preocupe com isso.
—- Um aborrecimento desnecessário.
—- Que nada. Sem contar que qualquer aborrecimento desapareceu depois de eu confirmar um dos motivos que me atraiu de volta a Tóquio.
—- Não tem nada a ver comigo, mas pode dizer o motivo? – Ele nada disse, mas recostou a cabeça no banco do carro e pendeu na sua direção, a olhando nos olhos. Aoi começou a sentir o clima mais pesado e se apressou a entrar no apartamento.

Despediu- se dele com um aceno. Ainda dentro do carro, Odanna pensou em voz alta dizendo a si mesmo “Sua displicência também não mudou nada, né Aoi?” colocando de novo sua peça de roupa, deu partida no carro e voltou para o apartamento que alugou, relembrando em como seu dia já valeu a pena só por ter reencontrado aquela pessoa.