De ontem, De hoje, De amanhã
3 Dúvidas
Notas iniciais
— então você a encontrou novamente depois daquela loucura de 3 anos atrás? – perguntou o homem de cabelo Branco a Odanna.
— Sim. Continua em Tóquio.
— Tem certeza que vai fazer o que planeja? O Conselho ainda não aprovou isso.
— Não sou de impor minha vontade, mas só de sentir sua presença mais forte a cada dia que passa, me move a quebrar regras.
— Já sabe o que eu penso sobre isso. Não é uma boa ideia de qualquer forma.
— Muita coisa mudou nesses últimos 400 anos. Aquilo que aconteceu me mudou de forma que eu mesmo duvidava. Até alguém como eu, depois que descobre algo tão precioso, se torna disposto a tudo.9
— Que seja! E ela? Duvido que continue a mesma daquele tempo.
— À primeira vista talvez. Mas no fundo, sinto que ela ainda está lá. Cuide dos pormenores na minha ausência.
Uma semana depois, Ginji havia retornado de viagem com Oryo e voltou a dar auxílio a Aoi no restaurante. Ela achou um alívio seu retorno, pois desde a sexta passada até a noite anterior da quarta feira, o estabelecimento ganhou muito movimento precisando até contratar temporariamente um amigo dos gêmeos para ajudar.
Era mais uma tarde de sexta carregada de preparativos. Aoi estava na cozinha com Ginji fazendo uma limpeza e separando alguns alimentos, enquanto os gêmeos limpavam o salão. Ao se reunirem para um lanche antes do trabalho começar, Sasuke faz uma pergunta de forma descontraída:
— Taichou, e o seu noivo? Não apareceu mais, está tudo bem? – Ginji, sem saber dos últimos acontecimentos, se surpreendeu:
— Noivo?! Aoi chan! Vai se casar com Akatsuki? – Aoi lembrou- se que não havia explicado o que aconteceu a ele, mas quando ia falar:
— Akatsuki? Quem precisa de akatsuki quando se tem um Odanna, ne taichou? – falou Dasuke com seu bom humor, rindo junto a Sasuke. Ginji sem entender nada apenas olhou para ela com cara de confuso. Aoi dirigiu aos rapazes um olhar repressivo e eles se calaram. Depois de explicar tudo o que aconteceu a ele:
— Nossa Aoi! Que horrível! Por que não me chamou imediatamente no outro dia? Graças a deus não houve nada a sério e que essa relação abusiva acabou! Então, parabéns ao novo relacionamento e o novo “noivo” — falou ele entrando no jogo dos gêmeos
Aoi engasgou- se com o chá que tomava:
— Vocês não prestaram atenção ao que eu disse? Foi tudo encenação dele para me ajudar!
— E no outro dia também? – comentou Dasuke. Aoi jogou um pano nele:
— Sim! Eu nem o vi mais depois daquele dia. Deve estar muito ocupado, segundo ele, está gerenciando uma das filiais de hotéis da família. — De fato, desde a semana passada, não aparecera mais. As vezes se via perguntando e pensando nas últimas coisas que ele disse. De uma forma tão próxima. Será que estava louca? Enfim...
— Vou para a cozinha. Vocês se preparem para trabalhar – ela saiu do campo de visão deles. Eles se entreolharam. Algo a incomodava.
Aoi dirigiu- se a cozinha com sua mente levantando várias perguntas. “Como ele foi se tornar o centro do assunto?’ — pensou ela “E daí se ele não aparecer mais? Era super normal“ ... “E se ele sumir de novo? Que suma! Não tenho nada com ele mesmo! Só faltava agora achar que estava com saudades dele. E não estava? aaaaarrrrrgrrrrr que saco!” Cansada disso foi cortar alguns legumes.
Pela noite, a casa estava cheia. Ginji revezava na recepção e na cozinha ajudando Aoi, que direcionava e convertia qualquer pensamento sobre o assunto de mais cedo em foco máximo que podia no serviço. Eram 21h e mais pessoas apareciam. Porém precisava ir ao banheiro. Já na saída, ao lavar as mãos, olhou no espelho fitando em seus próprios olhos. Passou um lapso de memória muito rápido na sua mente causando uma tontura. O que era aquilo? Quando saiu bebeu água e sentiu-se um pouco melhor retornando a cozinha.
Visto que não tinham mais clientes por volta das 23:15, encerraram o expediente, também não havia sentido mais nada. Os gêmeos se despediram e foram embora. Oryo tinha combinado de sair pra beber com Ginji, e saíram no carro deles. Ela iria ficar e fechar tudo antes de ir.
Ao vê-los saindo no carro e dobrarem a esquina ela não acreditava no que lembrava. O carro. O CARRO IDIOTA!! Tanta correria e “pensamentos desnecessários” a fizeram esquecer que tinha deixado o carro na revisão. Quem esquece de um detalhe desse? Se amaldiçoou internamente por não lembrar antes, e pedido ao menos uma carona a um ponto mais próximo de casa. Droga! Teria que pegar um táxi ou ir andando.
Era muito azar para uma noite só. Até sua cabeça voltou a doer. Adentrou no restaurante para verificar as fechaduras. Ao retornar ao salão sobressaltou- se ao perceber quem estava lá:
— Que susto!!– falou ela surpresa – nem escutei a porta abrindo.
— Boa noite para você também. Aoi! – La estava ele diante dela. Odanna. Com um sorriso feliz e contido no rosto, vestindo um sobretudo, camisa e calça ambos pretos. “Como alguém podia ficar tão bem de preto?” Pensou ela. “Mas que droga de pensamentos são esses?!”
— Não sei se percebeu, mas já estou fechando por hoje.
— Tudo bem. Porque só vim aqui para ver você!- Ela estava de costas pra ele se inclinando no balcão para pegar sua bolsa quando escutou isso:
— Hum? Pensei que iria levar mais 3 anos para me ver — falou ainda de costas. Reprimiu- se internamente. “Droga. Porque deixou isso escapar em voz alta?”
— Ora ora! Será que você estava com saudades de mim?
— Até parece! – Quando se virou bateu de frente com o peitoral dele e sem perder um minuto a mais ele a prendeu contra o balcão. Ela ruborizou.
— Já fiquei longe demais de você. Não desperdiçarei mais um minuto em que eu possa ficar tão próximo!” — Falou aproximando o rosto dela que ela interrompeu o afastando com uma mão:
— Já falei. Não sei quais suas intenções agora que retornou mas não estou aberta a esse tipo de relacionamento!
— Eu já disse também. Leve o tempo que levar, irei abrir seu coração, e pelo visto já tem uma brecha nele.
— Não fale como se ...– ela sentiu uma tontura e perdeu a consciência. Odanna a segurou com um semblante de preocupação. “Seria isso uma reação?” Pegando- a em seus braços, fechou o restaurante. Lembrava o trajeto até seu apartamento. Não era tão longe, foi andando a pé todo o caminho com ela desacordada.
Chegando lá explicou que sua namorada havia desmaiado e perguntou o número que ela residia. Subiu as escadarias até o apartamento 22. Abriu e entrou com ela em seguida a colocando no sofá. Depois de fechar a porta, olhou ela e reparou em cada detalhe de sua feição ao se aproximar.
Sabia que não era uma boa situação, Mas tê-la em seus braços de novo lhe trazia uma sensação que há um bom tempo não sentia. Não resistiu ao desejo e a trouxe de volta encostando a cabeça dela no seu peito, envolvendo- a com um dos braços e com o outro entrelaçando seus dedos aos seus cabelos soltos.
Sentia- se num limbo. Estava num campo e ao piscar os olhos estava num cenário caótico, piscou novamente e estava numa sala. Aquele perfume... De onde vinha? Depois não viu mais nada.
“Seori...” alguém chamou por esse nome
“Aoi”
Quem estava lhe chamando?
“Aoi”
Parecia mais próximo.
“Aoi”
Sentia que estava saindo daquela realidade. Ao abrir os olhos percebeu que estava aconchegada no peitoral quente de alguém. Aquele perfume. Odanna? Olhou para cima e viu seu olhar terno que residia no rosto dele. E ao mesmo tempo de alívio por ela ter acordado:
— Bem vinda de volta, ainda bem quem acordou! — Falou Odanna enquanto afagava seus cabelos. Que lugar era Aquele? “Minha casa? Como cheguei aqui?” Imaginou ela
— Espera. Como cheguei em casa? Porque está aqui também? O que houve?
— Você desmaiou no restaurante. Eu te trouxe, o porteiro liberou minha entrada e agora você está onde sempre deveria estar – Aproximou o rosto de seu ouvido – Em meus braços! – Aoi reparou na aproximação e corou se afastando dele no sofá:
— Se eu estava desmaiada, o correto era me deixar deitada no sofá certo?
— Eu disse antes que não perderia mais um minuto em que eu pudesse ficar tão próximo de você. – Disse fitando-a com um sorriso singelo — O que sentiu ao desmaiar? — perguntou ele
— Me senti tonta, minha consciência esvaindo e um sonho... estranho. — “ Então era isso mesmo” pensou ele.
— Sente- se melhor?
— Sim, deve ter sido cansaço. Enfim, obrigada! — Ao olhar a hora marcava 1:30 – Já está tarde. Por que não me deixou aqui e não foi para casa?- falou tentando levantar.
— Até ia fazer isso, mas ter diante de mim seu rosto sempre tão agitado convertido em algo calmo e sereno era uma visão e tanto que eu não poderia perder. – Aoi sentada olhou para ele incrédula.
— O que há na sua cabeça? – ele fez expressão de quem não entendeu — você sumiu nesses 3 anos, do nada aparece no restaurante me chamando de noiva! – Levantou-se e começou a andar pela sala – agora fica agindo com toda essa intimidade como se me conhecesse a séculos. O que pretende? Retornou para me escalar pra uma coleção de mulheres que cederam aos seus encantos? – Perguntou ela com um misto de sentimentos entre eles raiva e confusão presente também no olhar.
Odanna estava sem palavras para a recente explosão da mulher a sua frente. Sentia- se maravilhado com o fato da semelhança que o tempo não foi capaz de apagar. Ela ainda estava lá.
“O que ele pretendia?” Ela perguntou. Haviam muitas coisas, mas uma se tornava necessária para ele naquele momento.
— De fato. Acabei ficando afastado por 3 anos – falou ele com uma expressão um pouco mais fechada. Levantou-se também e ficou na direção dela — eu aparecer no restaurante, será que foi mesmo do nada? “Parece que me conhece há séculos”, será que não há uma intencionalidade por detrás disto? – a cada questão que levantava sobre o que ela falou antes dava um passo se aproximando ainda mais.
Aoi se encontrava em um mar de incógnitas. Como assim? Porque ele não falava logo o que queria seja lá o que fosse? – “O que pretende” você pergunta, agora que retornei, há algumas coisas que quero de volta, mas no momento não serei justo. Terei que roubar algo que não provo há muito tempo. – Ao terminar de falar, estava a menos de um passo de distância dela. Passo esse que foi eliminado quando pegou o rosto dela entre as mãos e selou seus lábios aos dela. Totalmente pega de surpresa sua pupila dilatou transformando parcialmente em preto seus olhos violetas em resposta a sua euforia momentânea.
Odanna movimentou seus lábios sobre os dela aproveitando o máximo possível do momento e do seu gosto. Era um beijo carregado dos sentimentos mais profundos que alguém pode sentir. Amor e saudade. De “alguma forma” ela sentiu tudo isso.
Começava a protestar tentando se afastar dele, mas aquele mísero selar de lábios estava longe de ser o suficiente para ele. Enquanto ela protestava ele a empurrava até a parede mais próxima prendendo seus pulsos na mesma e aproveitando para intensificar ainda mais o beijo. Quando ela tentou reclamar ele adentrou sua língua explorando cada canto interno de sua boca.
Aoi ainda tentava se manter relutante, mas pouco a pouco, seu corpo pareceu reconhecer aquele toque, o calor daquele corpo, aos poucos foi reagindo e cedendo a ele, até Odanna soltar seus braços e abraçar sua cintura aproximando de vez seus corpos.
As mãos dela agora livres, percorriam os ombro largos dele até chegar nos seus sedosos cabelos negros. Como era possível ela ter a sensação de reconhecer tão bem aquilo? Aquele cheiro, o toque de suas mãos percorrendo suas costas, sua boca quente. Era como se um sentimento que estava adormecido, pela primeira vez em anos estivesse vendo novamente feixes de luz em meio a escuridão... Hum? Estava lacrimejando? Mais uma memória lhe passava. Aquela garota estava chorando?
Odanna tinha em mente que mesmo que quisesse muito aquele momento, ainda não era o certo. Autocontrole foi a última coisa que teve aquela noite. Aoi separou- se dele completamente sem ar, esbaforida suplicando por oxigênio e praticamente sendo mantida de pé pelos braços dele a segurando. Com a mão esquerda segurou o queixo dela exigindo um último beijo por mais breve que fosse, com a outra afastou um pouco a blusa do seu ombro.
Aoi achou que ele fosse “avançar o sinal”. Já ia impedi-lo quando ele inclinou a cabeça depositando ali um beijo seguido de um chupão marcando sua pele:
— Como havia dito – começou ele – vim recuperar algo importante para mim. Quando entrei naquele restaurante fui com intenção de te reencontrar. Há coisas e questões que você vai saber e eu contarei no tempo certo. Deve ter muitas dúvidas sobre mim ainda, mas quando olhar essa marca amanhã, lembre -se que você foi o motivo mais importante do meu retorno.
Quanto a mulheres – aproximou- se do ouvido dela- há muito tempo só tem uma mulher que faço questão de ter. Você já deve saber quem ela é! – Deu-lhe um beijo na testa e virou-se em direção a porta lhe deixando mais vermelha que uma cereja e mais do que nunca perdida em pensamentos sentando no chão ao pé da parede
— E só pra lembrar- disse Odanna já na porta – de onde eu venho, essa marca que deixei em sua pele representa que você e eu temos um relacionamento. Em outras palavras, você é minha. Boa noite!
Trancou a porta atrás de si. Ela parece ter ficado estática e decifrado o que ele disse a poucos segundos pois ele escutou do corredor ela perguntando o que isso significava. Quando ela abriu a porta para questiona-lo ele já havia sumido. Olhou na janela para ver ele saindo mas não tinha mais nada lá.
Estava em êxtase com tantos ocorridos nos últimos minutos, levou a mão até a boca e ainda sentia o calor dos lábios dele sobre os seus e ... a marca. Ele falou de uma marca. Olhou no espelho e lá estava: o roxo no seu ombro . Não sabia a quem culpar. Odanna ou seus pensamentos que lhe traiam admitindo que havia gostado e reconhecendo de alguma forma toda aquela sensação.
Porque ela era o motivo dele voltar? O que ele queria? Ou melhor quem era ele? que sensação crescente era aquela de tanta afinidade, de quem o conhecia mais do que a 3 anos atrás? QUEM ERA ELE?! Tantos questionamentos a fizeram desabar no sofá e dormir profundamente.
Em outro lugar, especificamente num prédio alto, no outro quarteirão, alguém usando uma máscara sem detalhes... estava a espreitando.
— Ela está mais próxima do que nunca hein?
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