A vida tem dessas coisas.

Como perder o emprego e a mãe em um intervalo de duas semanas. Como já disse alguém, nada nunca está tão ruim que não possa piorar.

Robyn tinha acabado de desligar o telefone. A conversa com a irmã mais nova não durou mais do que três minutos. Ela estava sentada em um banco de madeira no gramado em frente à English Bay, seu ponto favorito em Vancouver. Morava naquela cidade chuvosa fazia sete anos, e, quase todos os dias, passava por aquela praia. Durante a semana, para ir ao trabalho; no fim de semana, quando queria se exercitar e distrair a mente, com suas corridinhas matinais ou as poses de yoga. Sete anos. Desses, cinco sem visitar a cidade natal, um pequeno município no interior de Manitoba de onde tinha acabado de vir aquela ligação.

Suspirou fundo, olhando as pessoas na faixa de areia mais a frente, completamente alheias ao turbilhão de emoções que se passava dentro dela, emoções que nem ela mesmo sabia classificar.

Durante a conversa, não derramou uma lágrima nem vacilou a voz. Se sentia incrivelmente desconfortável em chorar ou se emocionar na frente de pessoas conhecidas. Não que achasse sinal de fraqueza ou algo do gênero. Simplesmente não se sentia bem agindo assim.

Agora, no entanto, já não estava mais com a irmã ao telefone. Não precisava mais se importar com isso.

Podia chorar em paz.