Notas iniciais
Lindezas do meu heart! Espero sinceramente q gostem do cap...estamos chegando a nossa reta final( sem lágrimas produção) e estou tentando ao máximo imprimir o misto de emoções que eu sinto com essa proximidade do fim. Obg a tdas pelo apoio incondicional de sempre....por aguentarem meu mimimi(ahh gnt nem foram tantos vai?!) por terem paciência e esperarem os cap eternos e imensos e principalmente por n me matarem por gerar ansiedade.(hahah) Amo vcs e minha forma de agradecer td esse carinho é dando um cap como esse pra vcs...sem mais...boa leitura. P.S: Tirem as mentes puras da frente do pc por motivos de : Marron 5

O domingo estava cumprindo o seu papel de ser entediantemente lento com louvor. Até os pássaros, que habitavam o espaço reservado para o ar condicionado, tinham preguiça de cantar.

A amiga Juliana estava calada e tristonha o que tornava o dia ainda mais deprimente e a falta de noticias do noivo traziam rebuliços estranhos no seu estômago.

Queria evitar pensar que toda a confusão do dia anterior tivesse refletido de forma definitiva em seu relacionamento.

Olhou para o lado e encontrou a amiga professora com a mesma expressão vazia que lhe acompanhava desde a conversa com Zelão.

Estavam sentadas, uma do lado da outra, na sala silenciosa. A televisão, a sua frente, estava desligada e refletia o quadro sombrio em que estavam pintadas. Piscou algumas vezes tentando compreender esse pesar que as envolvia e resolveu que o que lhes faltava era desprender-se de todo e qualquer sentimento que estavam acumulando. Estava pronta para começar uma conversa quando ouviu a voz fraca da amiga desenvolver o mesmo objetivo que tinha em mente.

–Gina?

–hm..

–Você esta bem?...nunca foi dessas de ficar olhando uma televisão desligada em pleno domingo.

–Ah...mas você também não costuma fazer isso...

–É...normalmente a tv fica ligada...mas da no mesmo...nunca presto atenção.

Silencio novamente...aquela situação toda era muito estranha para as duas. Gina compreendia o estado de espirito da professora...mas não entendia o seu próprio. Juliana abraçava seu momento de fossa e procurava prestar atenção em outras coisas que não fossem sua própria tristeza... como por exemplo a confusão instalada no rosto da ruiva ao seu lado.

–E o Ferdinando? Ja deu noticias?

–Não...

–Ué..mas o que foi que aconteceu...? Vocês brigaram?

–Não...briga..briga..briga...não...mas ta a caminho de acontecer... porque a mãe agora Juliana fica bacando a bruxa. Ela fica cercando...não da pra fazer nada...e agora até o porteiro é cumplice dela...aii olha eu não sei o que fiz pra merecer essa marcação serrada...e ela ainda quer que depois do casamento a gente venha morar aqui...pra ficar pertinho dela.

–Ih....e o Ferdinando não quer isso não é...?

–De jeito maneira... é so falar nesse assunto que ele fica fulo da vida...ahh mas eu vou dar um jeito nisso.

–A minha história com o Zelão não deu certo por causa da mãe dele.

–É mesmo né?

–É

–Mas eu não tinha pensado nisso não

–Mas é isso que vai acabar acontecendo...se a sua mãe continuar com essa mania de lhe proteger de tudo o que você não precisa ser protegida e querer ter você pelo resto da vida ao lado dela.

–Quer saber de uma coisa Juliana...minha mãe não vai acabar com nada não porque eu não vou deixar....Logo agora que eu descobri o quanto que eu amo o Ferdinando...eu to sentindo uma saudade danada dele...agora eu sei o quanto ele me faz falta cada sorriso, cada olhar...cada toque..E se ele desistir do noivado por causa disso? Eu vou morrer!

–Ohh vem ca minha amiga...vai ficar tudo bem. –Juliana puxo a amiga para um abraço fraterno e deixou que a mesma revelasse todas as suas preocupações.

–Ai mas a mãe encheu tanto a paciência do Ferdinando que ele nem veio me visitar...e nem me ligou...hoje

–Pelo jeito ele ficou mais bravo do que podia imaginar.

–É ...eu também acho.

–Tudo bem uma mãe não querer se separa da filha ...mas ficar marcando em cima desse jeito e exigir que vocês venham morar aqui já é demais né Gina?!

–Mas eu vou te dizer uma coisa Juliana ...se a mãe continuar com essa história eu e o Ferdinando ja pensamos em uma solução.

– Pois conte...qual o plano de vocês...

–A gente vai casar escondido.

–Você só pode estar brincando minha amiga...

–Não..não é claro que não...isso é se é que ele ainda vai querer casar comigo...

– Mas para de bobagem minha amiga...o Ferdinando te ama...!

A ruiva apenas suspirou e deixou que os afagos da amiga retirassem as dúvidas que insistiam em crescer.

*

O engenheiro acordava mais tarde do que o normal. Procurou, com a vista embaçada, a razão de tanta dor de cabeça e encontrou a garrafa de whisky vazia e imponente ao lado de um porta retrato com a foto deles em um dos dias na fazenda da família dela. Ambos os objetos descansavam na cabeceira da cama. Os flashes do dia anterior, que acompanharam a descoberta da garrafa, o fizeram fechar os olhos e apertar as cobertas. Sentia que sua paciência estava em seus últimos dias de vida. Contou mentalmente até 10 e tentou se livrar de toda a frustração que uma pequena senhora podia causar em seu relacionamento. Pegou o celular que estava jogado no chão e não encontrou chamada nenhuma e muito menos mensagem...apenas passou a admirar a imagem do descanso de tela. Os olhos castanhos da amada brilhava intensamente e estavam perdidos no seu olhar azul. Reparou na simplicidade e no amor que emanava da imagem e sentiu o coração doer de saudade. O retrato espontâneo foi tirado por sua irmã que estava brincando no celular quando os flagrou conversando durante a festa de casamento da amiga italiana. Suspirou e deixou – se viajar por lembranças daquele dia. Os beijos na cerimonia, o flagra, a dança, a fuga, o parquinho, as alianças...Sorriu queria se prender apenas nas lembranças felizes e ele tinha certeza que aquelas ja estavam na sua lista de memórias inesquecíveis.

Foi então que sentiu o celular vibrar em sua mão, o despertando para a realidade composta de uma sogra linha dura e uma falta terrível que sentia da noiva.

–Nando!- a voz esganiçada da madrasta não era aquela que ele queria ouvir mas esforçou-se ao máximo para parecer ao menos educado...afinal ela não tinha culpa dos últimos acontecimentos.

–Bom dia Catarina.

–Como assim bom dia meu querido...são quase 3 da tarde.

–A sim...então boa tarde.

–Vejo que sua noite foi boa...

–Quem dera tivesse sido Catarina...mas me conte...o que meu pai andou aprontando.

Ela riu do outro lado mas compreendeu que o enteado não estava para conversas.

–Não é sobre seu pai que eu queria falar... bom é que o Lepe está conosco hoje e eu pensei que você podia vir aqui ficar com eles afinal...eles ja andaram fuxicando pra Rosinha que estão sentindo a sua falta.

Era bem verdade que estava um tanto ausente de suas obrigações de irmão...e precisava urgentemente reparar isso.

–Pois então diga para eles que eu passo por ai daqui a pouco para leva-los a um passeio la na capital. Afinal estou com o carro mesmo.

–A certo certo...vou falar...e Nando...seja o que for que esteja acontecendo ...você sabe que pode contar comigo não?

–Claro que sei Catarina e muito obrigado por isso.

Eles se despediram e o rapaz ensaiou ligar para a namorada. Desistiu. Seria melhor que hoje passasse o tempo apenas com os irmãos. Precisava descansar dos ataques da sogra e dedicar mais atenção aos pequenos e, tendo a ruiva por perto, com a saudade que estava, tornaria tudo mais difícil. Além do mais, sabia que Gina ja havia conquistado Pituca mas a pequena não era nem de longe a mais ciumenta dos imãos Napoleão.

*

– Oi Filha! Que visita boa...entre...entre.- A voz do senhor de barbas ruivas revelava uma felicidade sem tamanho. Sentia falta da convivência com a filha. Das poucas conversas e do silencio reconfortante que ambos gostavam tanto de compartilhar.

–Oi pai...eu não vou demorar não eu so vim trazer esse pedaço de bolo...sabe como é a Juliana...agora que ela brigou com o Zelão ...ela não sai mais da cozinha.

–A mais pode agradecer a ela por nos viu...e se ela precisar de alguma coisa estamos aqui.

Doce e compreensivo. Seu pai sempre fora assim. Um companheiro para todas as horas. Uma verdadeira enciclopédia de bondade e sabedoria. A moça também admitia saudades do pai...dos conselhos e da habilidade que só ele tinha em lhe compreender e orientar. O observou colocar o bolo na mesa e quando o viu se virar e olha-la com os olhos de proteção que a lembravam infância não se segurou e se atirou nos braços do pai. Precisava daquela amparo que só os braços dele a ofereciam. Não disseram nada...e nem precisariam...ela sentiu os problemas do mundo tornarem se silenciosos enquanto descansava a cabeça no ombro do senhor.

– Oi Filha!- a voz da mãe atrapalhou um momento pai e filha...Gina sabia que não era por maldade...mas ultimamente a mãe andava interrompendo momentos demais.

Ela se desfez do abraço do pai e apenas respondeu secamente.

–Oi mãe...

O senhor estava no meio de uma batalha e sabia disso. Resolveu calar e não se intrometer nos assuntos de mãe e filha.

–Eu acabei de fazer um mingau de milho maravilhoso...vem comer com a gente?- ela estava tentando descongelar a barreira de gelo que havia se formado entre elas.

–Eu não quero.- Orgulhosa demais para se render a um mingau.

–Eu sei por que você ta sem fome...é por que o seu frangotinho ainda não veio te ver não é mesmo?Pois seu eu fosse você eu cortava as asinhas dele enquanto é tempo.

Gina respirou fundo...pensava que a mãe podia esquecer, pelo menos por alguns dias, esse seu oficio de lhe pertubar a vida amorosa.

– Mas vai la comer esse mingau a senhora mãe....mas come tudo o que a senhora ver pela frente até não caber mais. Que é isso que a senhora merece pelo que me fez.

– O minha filha...por que que você ta falando assim comigo? – o marido ainda estava ali...e fazer cena e se vestir de vitima fariam com que ele a defendesse...pelo menos era nisso que dona Te se confiava.

–Ahh a senhora não sabe o que a senhora me fez? O mãe eu prefiro nem falar mais nada que é pra eu não lhe faltar com o respeito. O respeito que eu ainda lhe tenho.

–Que isso ...o respeito que você ainda me tem?! O que você quer dizer com isso?

–Agora mãe...eu não quero dizer nada...mas amanhã eu vou poder dizer...e muito!

–Por que só amanhã?

–Por que se o meu noivo não aparecer pra me dar aqueles beijinhos doces que só ele tem mãe...eu vou embora daqui...e vocês não vão mais saber de mim e do Ferdinando.

–Opa...opa..opa..calma minha filha...calma..vem ca...vem conversar com o pai. – Seu Pedro ja estava assustado com o rumo que a discussãoo estava tomando. Resolveu ser o conciliador e levou a filha para uma conversa no antigo quarto dela.

Verificou se a esposa estava escutando por detrás da porta e a viu meio chorosa na cozinha. Relaxou...poderia conversar em paz com a filha.

–Mas o que foi pai?

–Eu queria conversar com você minha filha sem a vossa mãe ficar perturbando a gente.

–Então o senhor fale logo pai.

– É sobre esse assunto que você falou de que você ia sumir mais o Ferdinando caso vocês não conseguissem noivar direito por aqui.

– Eu falei serio sim...se o senhor quer saber. Aquela confusão toda de ontem não tem cabimento pai...o Ferdinando é meu noivo e nós ja somos bem grandinhos...sabemos o que estamos fazendo.

–Eu compreendo filha...mas é que sua mãe é de uma época e criação diferente da vossa. Eu mesmo tive muito trabalho com ela e com os pais dela...e lhe digo que so venci tudo e todos por que eu realmente amo a sua mãe.

Ele deu um suspiro ao se lembrar dos 6 meses esperados até pode tocar na mão da esposa...e no 1 ano passado antes do primeiro beijo do casal.

–Mas filha...você não ta pensando em desaparecer ne? Isso foi da boca pra fora...não foi?

–Mas como é que eu posso viver no mesmo prédio que vocês se a mãe suborna o porteiro para que toda vez que o Nando chegue ela apareça de “surpresa”- ela fazia aspas com os dedos e tinha o rosto marcado por linhas de frustração.- A gente nem pode namorar direito.

–Eu entendo filha..

– Eu e o Ferdinando ja combinamos que se o pai dele continuar com teimosia e a minha mãe continuar com essa marcação...que a gente vai fugir e casar escondido.

Ele riu...não duvidava que os jovens fariam isso mesmo. Ele se via um pouco no romantismo de Ferdinando e é claro...sabia que a filha era a sua copia.

–E vocês vão pra onde filha...

–Eu sei lá pai...e to pouco me importando com isso....por que esse mundão é grande por demais...e contanto que eu tenha o meu noivo comigo...nada mais me interessa. Agora o senhor me da licença que eu vou voltar pra casa antes que a Juliana acabe cozinhando a comida toda.

Ela deu um breve abraço no pai e saiu rapidamente da casa. Deixando o senhor um pouco mais preocupado do que deveria estar.

–Ela ta falando serio mesmo rapaz...

A ruiva esperava o elevador e ainda guardava as palavras da mãe na mente...precisava se livrar de tudo isso. Ouviu o som de campainha alerta-la que a porta logo se abriria mas nada no mundo a havia preparado para a pessoa que encontraria.

–Seu Epaminondas?

–Olá menina Gina... como esta? –ele disse enquanto saia do elevador .

–Ahh...bemm...eu acho...- ela ainda piscava varias vezes verificando em todas elas que a imagem do futuro sogro não era ilusão.

–Eu vim falar com seu pai...eles está?

–Sim..sim..

–Então... com a sua licença.

Ele se dirigiu para a porta e ela entrou perplexa no elevador. So podia rezar para que não fosse agraciada com mais uma confusão.

*

–Seu Epaminondas! O senhor...mas entre entre..

–Obrigado dona Tereza...eu vim pra conversar com o Pedro.

–A ..sim sim..vou chama-lo o senhor fique a vontade.

O senhor de bigodes brancos sentou-se no pequeno porém confortaval sofá. Reparou na casa e lembrou o quanto o amigo não era fã de coisas luxuosas...mas sim amante das coisas simples e acolhedoras.

–Epaminondas...- a voz calma de Pedro chamou a atenção do antigo amigo que levantou-se para cumprimenta-lo.

–Pedro.- Apertaram as mãos civilizadamente e encararam se por breves segundos.

–Sente –se por favor.

–Agradecido.

–A que devo a inesperada visita?

–Bom Pedro eu dei uma passadinha aqui pra modo de prosear com você...e até esperava que ia encontrar meu filho por aqui mas não vi o carro dele la por baixo.

–Não ...não ..não...o Ferdinando não passou por aqui hoje.

–Então eu não sei por onde ele se meteu porque lá em casa e na casa dele ele não ta...deus sabe o quanto eu liguei para aquele menino pra pegar seu numero e avisar que estava vindo. Infelizmente não o encontrei então peço que me perdoe por ter aparecido sem aviso prévio.

–Não se preocupe com isso.

–Pode ser que ele tenha saído para a capital...até porque ele está com o carro...não teria muita dificuldade e não perderia muito tempo para chegar lá.

–Mas o que será que ele foi fazer la?

–Não sei...hoje é domingo pode até ser que ele tenha arranjado algum programa por la.

–Possa ser...- Ele riu...gostava de poder voltar a conversar com o amigo sem tensão entre eles.- É eu to muito passado mesmo...Eu sou do tempo que domingo era dia de namorar...sacomé? Esperava a semana inteira pra chegar domingo.

Epaminondas sorriu...o amigo ainda continuava com o sotaque do interior.

–E eu também rapaz...mas essa juventude agora é tudo diferente...não respeita mais pai nem mãe...faz tudo da cabeça deles.

–É disse tudo.

–Mas mudando de assunto Pedro....eu vim aqui com você pra modo de termos uma prosa... como amigos...se é que isso ainda é possível.

–O senhor pode falar que eu sou todo ouvidos.

–Para lhe ser franco eu não sei...não sei como começar...eu...quero frisar que gostaria que essa conversa fosse uma conversa de amigos Pedro Falcão...então eu vou direto ao assunto. Como você sabe meu filho está namorando com a vossa filha...e eles pretendem unir nossas famílias...você...deve conhecer bem o Ferdinando e viu do que ele é capaz...para garantir a felicidade dele e da sua filha.

–Pra lhe ser sincero eu admiro muito o doutor Ferdinando....pelo amigo e profissional que ele é.

–Então ele esta fazendo um bom trabalho na sua terra?

–Não só na minha como a dos meus clientes. E lhe digo que ele seria de grande ajuda para a vossa terra. Primeiramente por que ele é um excelente engenheiro agrônomo e segundamente por que sendo vosso filho ele é herdeiro de vossas terras.

–Sim sim...ta certo...então eu lhe pergunto se meu filho Ferdinando e sua filha Gina resolverem realmente levar esse relacionamento até o altar... com ficamos? Não podemos permanecer brigados, certo?

–Absolutamente.

–Então Pedro... houve tempo em que nós dois eramos grandes amigos.

–Sim houve...tempo aquele que o senhor não sabia com quem estava lidando

–Nada disso...você me virou a cara Pedro Falcão...depois que..- ele engasgou não conseguiria dizer o nome da falecida mulher...- depois daquela tragédia.

–Você se fechou Epaminondas...você entrou em depressão...ninguém iria conseguir levar aquela sua candidatura adiante...eu tive que apoiar o atual senador pra modo do outro concorrente da coligação adversaria a nossa não ganhasse.

–Me desculpe...mas não foi essa a minha intenção. E é reconhecendo que errei que venho aqui lhe pedir que me desculpe e que aceite de volta a nossa amizade.

–Você ta falando sério?

–Muito sério. Você sabe muito bem Pedro...que nunca se briga com alguém de verdade...quando se trata de politica.

–É ..eu to sabendo disso mesmo

–E nós dois estamos nela a muito tempo Pedro Falcão.

– Me espanta muito que o amigo me tenha dito todas essas coisas....olhe bem...o senhor note que ja estou lhe chamando de amigo.

Eles ja estavam rindo de novo..eram mais suaves quando estavam sorrindo.

– Ja é um progresso...-o sorriso murchou novamente- Eu lhe confesso meu amigo que nunca tive tato para muitas coisas na vida que não fossem a política. Perde-la naquele dia foi como se eu mesmo tivesse me perdido. Ela mantinha minha vida em ordem e em funcionamento...era minha amiga, a mãe do meu filho, a minha companheira, o meu amor....e perder tantas qualidades em um dia só foi muito para esse seu velho amigo. O meu filho sempre foi um guerreiro e sempre foi muito mais forte que eu...porém meu amigo...esse pai que o senhor esta vendo...nunca soube lidar bem com ele...

–O senhor reconhece?

–Eu queria que ele voltasse advogado...e ele voltou engenheiro agrônomo, ele se recusou, por motivos óbvios, a não entrar na politica...e eu ...ao invés de abrir os braços e conforta-lo...eu o expulsei de casa...preciso dar mais explicações?

–Absolutamente...

–Esses anos todos de desavenças...não tiveram o menor sentido.

–O amigo entenda o que eu vou lhe dizer com toda a sinceridade...eu Pedro Falcão também lhe peço desculpas por qualquer mal entendido do passado...e considero sua visita como a retomada de nossa amizade...e digo mais...eu também abençoo a união do seu filho com a minha filha... com muita felicidade.

–Eu também amigo Pedro Falcão...sou muito feliz e aprovo a união de nossos filhos.

Eles se levantaram e deram as mãos em um aperto cheio do mais profundo reconhecimento e amizade.

*

–Boa Tarde meus amores!

Os pequenos apenas se olharam. Tinham combinado em dar um gelo no irmão mais velho.

–Ora essa não vão falar comigo é? Então não vou levar ninguém pra tomar sorvete comigo la na capital.

–Não maninho eu quero sorvete!- Pituca era sempre a primeira a acreditar em tudo o que o irmão falava e isso deixa Lepe extremamente irritado.

–Não Pituca....você não lembra que não estamos falando com o Ferdinando?

–Mas eu quero sorvete Lepe.

–Ora essa mas não vão falar comigo por que?

–Por que você não liga mais pra gente...vive no trabalho ou com a tal de Gina.

–A tal de Gina é minha namorada Lepe e ela ta doida pra te conhecer...

–É pode até ser...mas você não liga mais pra gente.

–Ora essa mais que tanta amargura nesse coraçãozinho...

–É Lepe...o Nando ta aqui não ta? Então deixa de brincar que ta chateado por que eu cansei e agora quero sorvete.

O pequeno pensou nas possibilidades...o sorvete realmente lhe parecia mais agradável do que o orgulho.

–Tudo bem...

–A Gina vai com a gente maninho?

–Não Pituquinha hoje ela não pode...mas eu prometo que da próxima vez vamos os quatro.

–Não sei não...

–A Lepe para de ciumeira...a Gina é muito legal...ela até me deu biscoito e me contou de onde vem os bebês..

–Foi mesmo e como é?

E la estava a pequena Pituca contando a história da couve que Ferdinando não tinha coragem de desmentir.

*

A ruiva suspirava ainda tensa...não tinha noticias do noivo...e muito menos da conversa entre o pai e o futuro sogro. A amiga estava entrertida em alguma conversa no celular e não percebia o nervoso em que a moça se encontrava.

Outro segundo passado, mas uma volta completa no relógio...e o tempo parecia engatinhar para um futuro incerto. Pensou em mandar uma mensagem...mas não saberia ao certo o que falar...não era daquelas namoradas grudentas que exigiam saber de tudo...mas ja havia se acostumado com as mensagens diárias do noivo.

Pelo menos, pensava ela, a professora não estava mais tão depressiva como pela manhã...aparentemente a pessoa que a estava espairecendo estava fazendo um bom trabalho.

No momento a jovem so conseguia pensar em duas possibilidades de como fazer sua tarde mais excitante...correr pelo quarteirão...ou ir ao clube de tiro...e pela semana que teve...a segunda opção lhe cabia mais no contexto.

Pegou a caixa onde escondia a arma e saiu em busca de um pouco de divertimento.

*

Os herdeiros da família Napoleão passeavam pela cidade em perfeita harmonia. Tomavam sorvete enquanto admiravam a natureza do parque da cidade

–Eu pensei que você tava trabalhando maninho...

–Ora essa e eu trabalho no domingo por um acaso?

–A tia Catarina disse que você tava trabalhando domingo passado...e era por isso que não foi ver a gente.

Ferdinando realmente não se lembrava de ter visitado os pequenos...mas sabia que com certeza não estava trabalhando.

–Eu tive la meus compromissos...

–Compromissos com a Gina é?

–Ai Lepe vai começar com essa ciumeira besta de novo? Você vai gostar muito dela tenho certeza...ela até me deixa chamar ela de maninha...

–A Pituquinha ta certa Lepe...vamo combinar então que no próximo domingo sairemos os 4 pode ser?

–Terei que ver na minha agenda...mas meu pessoal entrará em contato com o seu.

Ferdinando riu do orgulho que era maior do que o pequeno.

–Mas maninho...porque que você só vai trazer a Gina no domingo que vem? Por que que ela não veio hoje?

Ferdinando suspirou...por mais que quisesse esquecer a saudade que sentia...sabia que não conseguiria.

–Por que hoje ela estava ocupada maninha...

–Mas ela é muito ocupada assim que nem você?

–Ora essa...ela também tem a família dela pra dar atenção...

–Ela também tem irmãos?

–Não Lepe...mas ela tem um pai e uma mãe que sentem muito a falta dela e que não querem que ela fique longe.

–Mas e se você casar? Você vai ter que ficar com o pai e a mãe da Gina também? Mas e a gente?

–Meus queridos...olhem pra mim...e o que eu vou falar é pra ficar guardado...estamos entendidos?

Os pequenos se entreolharam e afirmaram com a cabeça.

–Eu e a Gina um dia vamos nos casar...mas isso não quer dizer que vocês serão substituídos...de forma alguma! Vocês sempre serão o meu pirata da cabeça de papel e a minha princesa das flores...vocês não estão me perdendo...vocês estão ganhando uma nova irmã. E eu espero profundamente que vocês fiquem felizes por mim e que a acolham com o bom coração que eu sei que vocês tem.

–Por mim ta tudo bem maninho! Eu ja gosto muito da Gina.

Lepe olhava para os irmãos desconfiado...mas sabia que o ciúme era infundado...conhecia o irmão mais velho...e ele ja havia dado inúmeras provas de que nunca os deixaria. Também lembrava-se da moça que o ajudou a voltar pra casa no dia em que havia fugido...ela realmente não tinha lhe dado outra impressão que não fosse a de uma pessoa extremamente cativante a seu modo.

–Tudo bem então...

–Otimo!

Eles voltaram a caminhar pelo parque admirando algumas folhas caídas e arvores secas que denunciavam que o outono, a muito, ja os tinha deixado.

–E quando vocês vão casar? Hoje?

O engenheiro riu do pensamento da irmã...mas no fundo... começou a pensar em tal possibilidade.

–Bom ela vai la em casa no sábado...e eu estou planejando em pedi-la em casamento la mesmo...mas isso é segredo!

–Imagina quando o papai souber...

–Nem me fale Lepe...mas pela conversa que tivemos ontem...acho que não vamos ter muitos dramas. Bom.. a conversa ta ótima mas ja ta ficando tarde e a gente precisa ir que amanhã vocês tem escola logo cedo...to certo?

Ferdinando ouviu um mundo de reclamações mas não teve muito trabalho em colocar os pequenos novamente no carro e se dirigir de volta a cidade.

Fez o caminho todo bolando um plano com a ideia dada inocentemente, por sua irmã. Ele sabia que era arriscado...mas sabia também que tudo na vida deles seria assim...perigoso e deliciosamente excitante.

*

Zelão sabia que tinha que se manter longe...mas a tração que sentia não tinha explicação nenhuma. E lá estava ele admirando a janela da amada. Conseguia enxergar alguns relances da sombra dela quando a mesma dava voltas no quarto. Sentia-se mal por estar lhe tirando a privacidade de um momento tão seu mas não conseguia retirar os olhos dela.

–Zelão?

A atenção do rapaz foi retirada pela voz do amigo que agora estacionava o carro do lado da moto do segurança.

–Douto Nando...quer dizer...Nando...meu amigo.

–O que faz a uma hora dessas aqui? Ja são quase meia noite.

–Eu...- ele lançou o olhar novamente, viu a cortina se abrir um pouco e fechar novamente acompanhada pelo desligar da luz do quarto.- Eu ja estava de saída.

–Veio ver a Juliana não foi? Mas me diga...o que diacho anda acontecendo com vocês?

–Não deu certo meu amigo...agora eu vou ter que me conformar de qualquer jeito.

–Mas não deu certo por que?

O segurança contou brevemente os acontecimentos para o amigo engenheiro e este identificou o problema logo no começo.

–Zelão meu amigo..você tem que entender uma coisa...mulher é um bicho que gosta de marcar território...ou ela se aproximan de você e faz questão de dizer para o perigo iminente que você esta com ela, como é o caso da Gina. Ou ela espera que você o faça...que eu vejo bem ser o caso de Juliana.

–Mas por causa disso precisava me trocar pelo doutorzinho

–Meu amigo...a Juliana é a pessoa mais insegura que eu conheci na vida...você tem que ser bem determinado e nunca a fazer duvidar de nada...por que eu penso que ela busca a segurança que lhe falta nos seus relacionamentos.

–Pode até ser...

–Mas veja bem...se foi essa a decisão que você tomou...de que não pretende ajuda-la a se encontrar eu apenas desejo que não se arrependa e que também não fique por ai se desmilinguindo por um amor que vocês dois colocaram um ponto final juntos.

A realidade do acontecido agora ressoava com força na mente do segurança. Ele nunca tinha parado pra pensar nas consequências do termino...apenas as vivenciou.

–Você ta certo meu amigo...eu acho que preciso seguir a minha vida e ver no que vai dar...agora eu vou indo antes que a Juliana me veja por aqui...não quero dar nenhuma falsa esperança. Obrigado novamente.

Eles se abraçaram e o engenheiro o observou ir com pena nos olhos.

*

Juliana tinha acabado de falar com Renato pelo telefone quando observou uma movimentação estranha em sua janela. Abriu um pouco da cortina apenas para encontrar os olhos dele ali...fixos nos seus. Fechou a cortina rapidamente e respirou fundo...não sabia se era real ou se era sua imaginação lhe pregando peças. Desligou as luzes e ousou lançar seu olhar novamente para a rua...que dessa vez se encontrava vazia...Fechou os olhos e deixou uma lágrima quente lhe invadir a face...estava ficando louca...e sabia disso.

No outro quarto da casa uma jovem de cabelos cor de fogo se preparava para dormir. Olhou uma ultima vez para o celular...nada...nenhuma ligação...nenhuma mensagem. Suspirou. Enrolou-se nas cobertas e deixou o sono chegar...foi então que o barulho de mensagem a fez jogar os lençóis longe e lançar as mãos tremulas para o criado mudo onde o mesmo repousava.

–“Desça.”

Apenas isso...apenas um comando...que ela obedeceria com um sorriso nos lábios. Não ligou para as vestes ou frescuras...apenas colocou um robe branco por cima do conjunto de shorts curtos e regata branca que usava para dormir e calçou nos pés uma sandália qualquer.

Chegou na portaria e retirou os sapatos, observou que o porteiro dormia sonoramente...resolveu que esta seria a sua chance... andou na ponta dos pés e abriu o portão com facilidade. Já do lado de fora e sem as suspeitas de ninguém ela relaxou e sorriu ao ve-lo do outro lado da rua...a sua espera. Notou que nenhum carro se aproximava e correu para os braços dele ainda com as sandálias na mão.

Ele a abraçou com uma força que julgava inumana. Ela o olhou nos olhos e esperou o beijo que não veio...

–Entre. – ele estava misteriosamente dominador aquela noite...em outras ocasiões ela se recusaria e apenas obedeceria se ouvesse uma explicação por de trás de tudo...mas naquele momento ela apenas se sentia mais dele do que de si própria. Ela compreendia que era uma extensão da vida dele...que recusa-lo seria também recusa-la.

Em silencio o casal entrou no carro e seguiu o caminho que dava pra fora da cidade.

Ja estavam dirigindo a algum tempo até que ela resolveu desabafar os pensamentos que teve o dia todo.

–Poxa frangotinho...eu senti falta de suas mensagens hoje...até pensei que você não vinha me ver...pensei até que você tava com raiva de mim.

Ela baixou os olhos e ele jurou que nunca tinha visto nada tão encantador na vida.

–Desculpe meu amor...é que eu tive que passar o dia com meus irmãos e você sabe muito bem que eu não sei ficar com raiva de você...acho que nunca serei capaz...eu tava era com raiva da sua mãe.

–A não fala assim Nando...a mãe gosta muito de você...esse é o jeito dela.

–Mas ela tem que entender que eu não sou nenhum moleque...

–Eu cheguei a pensar que você ia terminar o nosso noivado...

–Como eu lhe disse eu não sou nenhum moleque e so um acabaria um noivado dessa maneira Gina...por enquanto eu ainda lhe amo.

–Por enquanto?

–É Gina isso vai depender de você

–A não mais então a gente vai ter que dar um jeito...você vai ter que voltar a frequentar la em casa ...poxa frangotinho eu to sentindo tanto a sua falta lá. Você sabe que eu até disse pro pai que se você terminasse comigo por causa da mãe eu ia me embora com você...que a gente ia casar escondido e ia sumir no mundo.

Ela sentiu a inercia leva-la um pouco mais a frente do que deveria e o cinto traze-la de volta ao banco do carona. Ferdinando tinha parado bruscamente o carro em uma área completamente deserta. Ela reparou que a estrada, agora era de terra, o que denunciava que estavam a caminho de alguma fazenda e não pela estrada normal de asfalto. O engenheiro não pode evitar que essa atitude dela em enfrentar o mundo por eles não o excitasse. Precisava dela...ali...agora...saberia que não conseguiria esperar até o destino planejado.

–Desce Gina

–Mas o que?

–Desce Gina.

–Mas Ferdinando...

–Pare de perguntar e desça.

Ele comandou novamente. Ela desceu ainda desconfiada. Analisou novamente o ambiente e percebeu que reconhecia aquele caminho...mesmo na escuridão do local deserto. Ela caminhou até a frente do carro e ele a seguiu com os olhos predatórios de sempre. Conseguia ver que o robe branco era mil vezes mais curto do que o robe preto que ele ja havia visto outras vezes. Saiu do carro e mordeu os lábios um gemido involuntário ao encontra-la do jeito inocente e preocupado que estava. Encantadora...em toda a sua existência.

–Mas eu falei alguma besteira?

–Não...você não falou nenhuma besteira

Ele se pos na frente dela a pressionando sobre o carro...deixando evidente a saudade que sentia.

–Mas é que agora...eu quero lhe dar um beijo.

Ele a segurou firmemente na cintura e lhe levantou...fazendo com que a moça sentasse no capo do carro.

A abraçou ainda mais forte e percorreu o pescoço dela com nariz...sentiu aquele perfume que o fazia enlouquecer e soltou um suspiro de desejo totalmente involuntário.

A ruiva forçou ainda mais o contato no momento em que abraçou a cintura do rapaz com as pernas e ele gemeu novamente...dessa vez acompanhado por ela. O engenheiro deixou as mãos percorrem as pernas da noiva e subirem ao encontro do seus shorts e por fim desatando o nó do robe que caiu pelos ombros dela tornando –se o lençou no qual ela se deitaria. Linda...maravilhosa...uma visão que ele jamais esqueceria. A de te-la desejosa por ele em cima do carro....e no meio do nada. Ela lhe retirou a blusa e a lançou para algum lugar entre o mato que os cercava. Levou as mãos ao peitoral bem definido dele e deixou a mão percorrer cada traço até chegar ao pescoço. Jogou a cabeça pra tras quando o sentiu pressiona-la novamente. Gemeu baixinho e desejou que as roupas sumissem. Ferdinando acompanhava os movimentos do tronco dela derivados da respiração forte e a apertou ainda mais para que sentisse o contato da pele dela na sua. Os dedos encontraram a brecha entre sua blusa e seu shortes e forçaram a regata para cima retirando a mesma sem pudor nenhum.Os seios dela revelavam o ritmo da sua respiração e denunciavam que as vezes a mesma lhe faltava. Ele seguia cada puxada de ar mais forte que ela dava...cada vez que seus pulmões se enchiam com o perfume dele. Resolveu que ja estavam muito além do que gostariam...culpa da saudade...e decidiu que deveriam relaxar mais para que o prazer se prolongasse. Distribuiu beijos molhados por toda a extensão do colo dela enquanto dava algumas investidas em períodos de tempo não especifico. Para ela era sempre uma surpresa...uma mordida na orelha e a pressão exercida em seu quadril, uma serie de beijos violentos no pescoço e mais uma tentativa de preenche-la com todo o seu desejo. A mente viajava entre tempo e espaço enquanto ele ainda lhe beijava e massageava os seios e ritmava as pressões que passaram a ser frequentes. Ela sabia que ja não aguentava mais aquele joguinho dele e resolveu que não seria a única a ser provocada.

Levou a mão ao cós da calça dele e passeou os dedos por la até chegar na região que tanto a pressionava. O livrou da calça e sentiu os lábios dele pararem apenas para soltar um gemido de aprovação. Ambos continuaram...ela se derretia nos lábios dele e ele estava literalmente nas mãos dela. Ele apenas deixou os seios dela para que pudesse mergulhar em um beijo ardente...daqueles que tiram o folego e sugam a alma. Daqueles que ele tanto sentia falta e adorava repetir. Lançou as mãos aos shorts dela e os retirou com um certo desespero. Sentiu as mãos dela enlaçarem seu pescoço e puxa-lo novamente para um beijo cheio de pedidos silenciosos. Ele deslizou os dedos pelo corpo dela e a descobriu totalmente entregue aos carinhos dele. Não precisava de mais nada...ela ja derá o sinal que ele estava esperando. O engenheiro lhe apertou a cintura enquanto ela colocava novamente as pernas em volta dele. Fechou os olhos ao sentir o contato que tanto ansiava. A ouviu gemer denunciando que o momento também era esperado por ela. Sentia que ele se aprofundava cada vez mais fazendo com que seu desejo aumentasse em cada investida. A adrenalina , o lugar totalmente inconveniente e a certeza absoluta de que o seu lugar era ali, nos braços dele, sendo sua em cada beijo apaixonado, em cada suspiro arrancado e em cada sensação alucinante que o corpo dele lhe proporcionava.

O rapaz segurou com mais força a cintura da namorada e comandou com mais vigor os ritmos e a pressão do momento. Ela o sentia faminto, forte em todos os sentidos e extremamente dominado pelo desejo. O engenheiro conseguia extrair gemidos cada vez mais altos por parte da moça, a ouvia chamar seus nomes diversas vezes e teve certeza que ja tinha feito a namorada explodir algumas vezes. Ele estava totalmente insaciável e ve-la revirando os olhos de satisfação o dava mais potencia em suas investidas. Parou em um breve segundo... forçou com que ela deitasse sobre o capo e agarrou- lhe as pernas e forçou-se contra ela novamente. Ela ja não podia se segurar nele...não podia se segurar em nada e acabou passeando as mãos pelo carro em busca de apoio ate encontra-lo na parte da frente do carro. Se agarrou aos ferros do veículo e aproveitou cada deliciosa sensação que o noivo lhe oferecia. Se contorcia na direção dele e o ouvia gemer em pleno consentimento com seus movimentos. Ele aumentou ainda mais a velocidade sentindo a eletricidade dominar cada vez mais espaços em seu corpo. A ruiva sentiu-se viajar pela terceira vez so aquela noite e dessa vez foi acompanhada por ele que deixou-se levar por ela pelos caminhos da satisfação completa.

Ainda ofegantes, deixaram o olhar se fixar. O azul se misturando com o castanho, ambos com o brilho que so um podia proporcionar ao outro. Sorriram...eram dois loucos que não mediam consequências e nem local para nada. Apenas importavam-se com o bem estar e felicidade da pessoa que mais lhe dava e trazia amor na vida.

–Mas o senhor é um maluco mesmo doutor Ferdinando Napoleão...

–Mas com uma noiva dessas que eu tenho...maluco eu seria se não me rendesse a ela...

Eles riram e ele a ajudou a descer do capo. Se arrumaram ainda rindo do acontecido .Não estavam arrempendidos...nunca ficaram. Antes de voltarem para o carro ele fez questão de amarrar o robe no corpo dela novamente e ela tentava, retirar alguns pedaços de folha que ficaram pregadas da camisa dele. Pararam por um segundo e se deixaram levar por um longo e doce beijo.

–Vamos?

–Pra onde?

–Eu ainda tenho uma surpresa nos esperando.

Ela sorriu...e deixou que a curiosidade brotasse em seu peito.

Entravam novamente no carro e seguiram para o verdadeiro destino da noite. E não tardaram pra chegar no local.

Gina reconheceu de imediato a fazenda da família Napoleão. O casarão imenso e o trigal ao redor. Ele a conduziu para uma das partes novas do sitio...os jardins da nova esposa do pai. O local era belíssimo ornado com rosas de todas as cores e decorado com alguns fios de trigo, havia uma pequena ponte sobre um raso lençol d’água que cortava a fazenda e que originava um lago bem longe dali. Ela passeou pelo local admirada com tamanha beleza ...enquanto isso Ferdinando dava continuidade ao seu plano. Montou a coroa de flores, tirando cada um dos espinhos das rosas que utilizava e também preparou o anel de trigo entrelaçado a uma longa folha verde. Ela estava tão dispersa em tamanha perfeição que não notou as artes do noivo. Foi quando ela estava atravessando a ponte que ele ligou as luzes do jardim e ela ficou ainda mais encantada. Pequenas luzes iluminavam alguns arranjos e a faziam lembrar do Natal em casa. O chafariz do centro do jardim também foi ligado e agora deixava que o som da água dominasse o ambiente em uma trilha sonora perfeita.

Ela buscou os olhos dele e o viu se aproximar com os braços para trás a encontrando no centro da ponte.

–Gina...- ele respirou fundo. Nunca pensou que veria tanta beleza reunida em um só lugar.- Eu não sei o que seria da minha vida sem você, sem esse seu sorriso lindo que me ilumina a vida, sem esses olhos que me dominam em sentidos que eu nunca pensei serem possíveis. Eu sei que nunca planejamos isso e que casar não era a sua primeira opção da vida mais eu me sinto honrado de ser escolhido por você para realizar esse, que se tornou o sonho da minha vida.

Ele retirou os braços das costas e revelou os itens a ela. Um coroa de rosas brancas que ele fez questão de colocar majestosamente em seus cabelos vermelhos e um maço de trigo amarrados com uma fita branca...simbolizando claramente um buque. Ela segurou o arranjo com as mãos tremulas e os olhos mareados. Ele continuou:

–Hoje Gina Falcão ...eu lhe pergunto se você aceita se casar comigo agora...tendo as estrelas como testemunhas, a lua como madrinha, o solo como padrinho e o universo nos abençoando.

Ela não podia acreditar no sonho em que se encontrava. Piscou algumas vezes para que as lágrimas caíssem e deixassem seus olhos longe do embassado provocado pelas mesmas. Não conseguia falar nada então apenas balançou a cabeça em afirmação.

Ele sorriu e continuou. Retirou o anel, que tinha acabado de fazer, do bolso da camisa e delicadamente colocou no seu local de direito

–Eu Ferdinando Napoleão te desposo Gina Falcão e declaro o meu amor pela mais bela das criaturas que ja andaram sobre a terra. Tendo a natureza como testemunha do nosso amor eu te prometo ser fiel e te amar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença e que nem a morte seja capaz de nos separar. Peço, também, que universo nos abençoe do dia de hoje até toda a eternidade.

Ela reparou na aliança feita de trigo e folha e riu da simplicidade que pra ela representava o maior sentimento que ja teve na vida. O rapaz tirou o outro anel do bolso e entregou a ela que repetiu a ação do noivo.

–Ferdinando Napoleão...eu te tomo agora como meu esposo e te prometo ser fiel como mulher e como amiga, te prometo nunca esconder nada e prezar a sinceridade como um dos pilares principais na nossa relação, prometo te amar em todos os nossos momentos sejam eles alegres ou tristes, prometo te acompanhar em todas as nossas loucuras e cuidar de ti em todos as ocasiões. Prometo fazer da nossa vida um verdadeiro ciclo de estações: doce como a primavera, quente como o verão, belo como o outono e aconchegante como o inverno. E que deus não me deixe nunca viver em um mundo sem você. Eu te amo frangotinho e peço que o universo abençoe o nosso amor.

Dessa vez foi Ferdinando que deixou que lágrimas lhe invadissem a face. Ele estavam entregues a emoção do local e de suas próprias palavras. Ferdinando segurou a mão da, agora esposa, e os dois olharam pro céu... como se questionassem ao mesmo se poderiam se considerar casados. Viram uma estrela cadente rasgar o negro plano onde a lua se encontrava grandiosa em sua essência. E sorriram.

–Acho que agora o noivo ja pode beijar a noiva – O rapaz disse baixinho se aproximando da amada.

–E eu acho que ele deve.- ela sorriu e fechou os olhos para o contato dos doces lábios dele.

Estavam enfim ...casados.