Notas iniciais
Boa leitura
Chegamos a Londres, em um dia.

-Olha lá. Ela falou apontando para a linda torre com o relógio. Qual o nome dele?

-Big Ben. Ele é bonito né?

-Muito.

Nós tínhamos acabado de chegar de ônibus, e estávamos esperando um taxi.

-Ai que garotinha linda. Uma mulher falou, em inglês, enquanto esperávamos o taxi. Ela é sua filha?

-Não... Falei também em inglês, sorrindo para a mulher. Ela perdeu a mãe, e eu cuido dela.

-Oh. Coitadinha. Você está bem, lindinha? Ela perguntou olhando para Lissie.

Lissie me olhava com cara de assustada.

-O que foi? Perguntei agora em italiano.

-Eu não estou entendendo nada que ela está falando.

Em Volterra, todos da guarda Volturi falavam inglês, mas Lissie falava apenas italiano.

-Ah. Tudo bem. Ela te perguntou se você está bem. E falou que você é linda. Expliquei-a ainda em italiano.

-Ela é italiana? Perguntou a mulher.

-Sim. E ela não está entendendo o que nós estamos conversando.

-Oh tudo bem. Eu falo italiano.

A mulher começou a conversar com Lissie em italiano.

Ela me disse que não podia ter filhos, e que já tinha tentado tudo. E agora estava pensando em adoção.

Britany nos ofereceu uma carona, no seu carro, até um hotel que ficava perto da sua casa.

-Posso vir visitar vocês? Britany perguntou quando chegamos até o apartamento que ficaríamos.

-Pode claro. Nós adoramos te conhecer. E a Lissie ficou muito feliz. Falei me despedindo.

-Tchau, Brity. Lissie falou a abraçando.

-Tchau, lindinha. Vou vir aqui outro dia. Vou trazer um presente pra você. Ela falou com um sorriso de orelha a orelha.

-OBA! Lissie gritou.

Lissie foi para dentro do apartamento, e Britany se virou pra mim com os olhos cheios de lágrimas.

-Como a mãe dela morreu?

-Ataque de algum animal. Menti, olhando nos olhos castanhos dela. Para que ela acreditasse.

-Vocês eram amigas?

-Ah. Sim. Acho que eu era uma das pessoas mais próximas dela. Ela não sabia quem era o pai da pequena. E eu acabei ficando com a Lissie.

-Nossa. Coitadinha. Qual era o nome da mãe dela?

Britany ainda chorava, mas não entendi o porquê.

-Kassandra.

-Ai, me desculpe por estar chorando. Mas é que ela é muito parecida comigo. Eu perdi minha mãe muito nova, e... Agora não posso ter filhos.

-Oh. Eu tenho certeza que vai conseguir adotar uma criança. Falei imaginando ela com uma criança.

-Espero que sim. Agora, preciso ir, pois meu marido está me esperando para o jantar. Acho que volto amanhã. Ou depois. Ela me deu um abraço, e se foi.

Voltei para o apartamento, e Lissie estava sentada assistindo desenho na TV.

-Quer comer alguma coisa? Perguntei para Lissie.

-Eu quero um bolo igual aquele. Ela falou apontando para o desenho que estava passando.

-Lissie, acho que não dá pra comprar um bolo igual a esse. É um desenho.

-Eu quero comer bolo. Ela falou com um biquinho.

-Depois nós vamos lá comprar. Ok?

-Oba! Eu vou comer bolo! Ela falou me abraçando.

Nós fomos a uma padaria que tinha ali perto, e Lissie escolheu o bolo mais enfeitado que tinha.

Quando Lissie foi comer o bolo, ela lambuzou todo o rosto com o chantilly.

Eu ri, e ela chorou.

Fomos dormir tarde, pois ficamos assistindo desenho até tarde.

Acordamos às 15 horas. Lissie foi correndo tomar banho, pois iríamos conhecer o Big Ben.

-Kassandra, eu quero colocar o vestido de princesa. Lissie falou quando saiu do banho.

-Lissie, acho que não é a melhor roupa pra usar na chuva.

-Mas eu quero. Ela fez bico.

-Menina mimada. Caramba. Tudo bem. Eu falei rindo.

-Eu sou uma princesa, linda, e cheirosa. Ela falou quando coloquei o vestido nela.

-E uma princesinha muito mimada.

Nós saímos, e pegamos o taxi que eu tinha chamado.

Quando chegamos à entrada do Palácio de Westminster, ouvimos alguém chamando a Lissie. Com certeza era Britany.

-Brity! Ela comemorou quando viu a loira vindo na nossa direção.

-Oi, lindinha. Ela falou.

Elas se abraçaram, e eu vi ali, um tipo de amor materno.

-O que vocês estão fazendo aqui? Ela perguntou para Lissie.

-Viemos conhecer o relógio grandão. Lissie apontou para o topo da torre.

-Eu trabalho aqui. Nós podemos ir até lá em cima. Você quer?

-SIM! Lissie gritou.

-Ótimo. E você Vicenza? Vai junto? Ela perguntou me olhando.

-Acho que sim. Também sou meio turista por aqui. Sorri timidamente.

-Tudo bem. Nós vamos para o elevador.

Nós entramos em uma porta automática. E fomos na direção do elevador.

Britany apertou o último botão, do andar mais alto.

Lissie estava no colo da Britany e elas estavam brincando de fazer caretas.

Quando chegamos lá em cima, a visão era linda. Apesar de estar um pouco nublado. Mas ninguém podia entrar lá. O mais alto que podíamos ver de Londres era na London Eye.

-Aqui é escuro. Lissie falou baixo, e parecia estar com medo.

-Não se preocupe que não tem nenhum monstro aqui. Britany falou a tranqüilizando.

Lissie me olhou e deu um risinho.

Eu era o mais próximo de um monstro que tinha por ali.

Ficamos vendo por ali. Até Lissie sair correndo.

-Lissie volte aqui. Falei correndo atrás dela.

-Não se preocupe. Ela não vai longe. Ela vai acabar aparecendo atrás de nós. Britany falou rindo.

-Como assim?

-A única saída que esse andar tem, é o elevador.

-Ah. E ela vai ficar correndo em círculos. Eu concluí.

-Sim...

Ficamos em silencio.

-Vicenza. Eu sei que você nem me conhece direito, mas eu não sei o porquê mais a Lissie me chama muita a atenção. Eu sinto um amor muito forte por ela. E é como se ela fosse minha filha. Sei que você pode me chamar de louca, mas eu queria saber se eu poderia adotá-la? Britany tagarelou rápido.

-Eu vejo o amor que você sente por ela, e eu acho que ela também te considera como uma mãe. Eu posso até perguntar pra ela se ela quer ficar com você, mas talvez isso demore um pouco. Pois ela não tem documentos. Eu expliquei.

-Não tem problema. Eu posso ir para a Itália, e fingir que a encontrei perdida. Mas precisamos da ajuda dela. Tenho certeza que se ela quiser ficar comigo, ela faria isso. Ela estava planejando tudo enquanto olhava para a vista mais linda que já vi.

-AAAAAHHHHH! Ouvimos Lissie gritando.

Eu parei na sua frente, e a peguei antes que ela caísse.

-Baixinha. Para de correr. Eu falei séria.

Ela estava ofegando.

-Lissie, queremos te perguntar uma coisa. Britany perguntou sorrindo pra ela.

-O que foi mã... Brity? Ela perguntou ficando vermelha por quase ter chamado Britany de mãe.

Então possivelmente, ela iria aceitar.

-Lissie. A Britany quer saber se você quer ir morar com ela. Falei olhando séria, nos olhinhos da baixinha.

Ela ficou quieta olhando de mim para Britany.

-Mas e você? Ela perguntou me abraçando.

-Eu vou ficar bem. Falei com os olhos com lágrimas nos olhos. E além do mais tenho algumas coisas pra fazer.

-Você vai voltar para Volterra? Ela perguntou parecendo com medo.

-Não. Com certeza não volto mais para aquele lugar.

Ficamos em silencio por mais algum tempo. Acho que pode até ter passado pelo menos uma hora.

Lissie se virou para Britany com um olhar sério e maduro para uma criança.

-Eu adoraria morar com você, e ficar em Londres, mas eu quero que a Vicenza fique pelo menos um dia com a gente. Ela implorou com suas mãozinhas juntas.

Britany me olhou com um pedido desesperado nos olhos.

-Mas é claro que eu fico. Falei abraçando Lissie.

Ela retribuiu o abraço.

Quando voltamos para o térreo, já tínhamos explicado a operação adoção para Lissie. Que concordou com a condição de fingir ter sido deixada pela sua mãe, em um festival na cidade de Volterra.

A história é mais ou menos assim: Lissie e sua mãe Kassandra, são de Verona. E foram visitar Volterra no dia do festival de São Marcus. Kassandra deixa Lissie no meio da multidão e desaparece.

Espero que elas consigam enganar as autoridades.

Eu não vou junto, pois não vou voltar para Volterra. Nunca mais. E além do mais, preciso me desapegar da pequena. Ela ganhou a mãe que tanto merecia, e eu tenho que seguir minha vida.

Depois da visita ao Big Ben, Lissie e eu fomos na London Eye.

Londres era linda lá de cima.

Lissie ficava gritando que as pessoas tinham virado formiguinhas. E pareciam mesmo.

-Vicenza? Ela me chamou depois que já tínhamos voltado para o apartamento. Eu me virei para poder olhar para ela. Eu sei que não posso falar sobre vocês pra ninguém. Mas e se a Brity me perguntar algum dia sobre como te conheci?

-O que eu falei para ela, é que eu era amiga da sua mãe, e que possivelmente fosse a pessoa mais próxima de ser considerada sua parente, pois sua mãe não sabia quem era seu pai...

Seus olhinhos encheram de lagrimas e eu me senti culpada por ter falado sobre sua mãe.

-Como você sabe que eu não conheço meu pai? Ela perguntou com a voz estridente.

-Oh! Eu não sabia. Me desculpe. Acho que errei o motivo.

Depois disso, Lissie desligou a TV, e foi se deitar. Ela ainda estava chorando, mas não me deixou ficar perto.

Também fui me deitar.

Afinal, Lissie ganhou a mãe que queria.

Notas finais
Gostaram? Se quiserem mandar reviews, mandem. Saibam que me fariam feliz. Até o próximo.