O chalé 1 era o de Agatha. Era o maior e mais magnífico de todos. Era feito de mármore branco. O 2 era parecido com o 1, e haviam imagens de pavões entalhadas nas laterais. Certo, então cada chalé tinha as características de um deus grego.

-E onde vou ficar se não sei quem é meu pai? – perguntou Amy.

-Você vai ficar no Chalé 11, esse aqui. O chalé de Hermes.

-Por quê?

- Porque Hermes recebe todos os recém-chegados, por ser deus dos viajantes. Você ficará aqui até que descobrirmos quem é seu pai. Quando descobrirmos, você mudará de chalé.

Amy olhou para o chalé. Ele tinha a soleira desgastada, a pintura marrom descascando. Acima da porta havia um daqueles símbolos de médico... Um caduceu. Ela hesitou.

- Vamos, Amy! – disse Agatha animada.

Amy entrou, tentando não chamar atenção, o que não deu certo. Como ela poderia não ser notada por pelo menos uma daquelas numerosas crianças? O chalé estava abarrotado. Haviam sacos de dormir espalhados por todo o chão.

-E aí, gente? Essa é a Amy...

-Smith.

-Sim, Amy Smith. Então, Amy, esse é o chalé 11. EEEEEEEEIIIIIIIIII!!!!!! Vamos gente, onde está a educação? Anda, levantem e recebam a Novata!!!!!!

-Bem-vinda ao acampamento, Amy – disse um garoto alto e magro, com cabelos castanhos caindo sobre os olhos. Ele, assim como muitos outros no chalé, tinha sobrancelhas arqueadas e um sorriso sarcástico no rosto. – Eu sou Travis Stoll. Eu e meu irmão, Connor, somos os conselheiros do Chalé 11.

-E aí, Amy? – disse o outro garoto, que obviamente era seu irmão. Eles eram praticamente idênticos, a não ser pela altura. Travis era um pouco mais alto que Connor. – Você pode ficar com aquele ponto no chão, perto do canto.

-Ahn, obrigada, acho – respondeu Amy, colocando ali sua mochila. Ela se lembrou que Hermes era o deus dos ladrões, mas não havia nada de valor ali mesmo.

-Venha – disse Agatha – ainda tenho que te mostrar o resto.

-Mas eu já vi tudo! – disse Amy, de repente irritada por tantos “Venha Amy, Vamos Amy, Rápido Amy!”.

-Vamos. Agora.

-Tchau gente!

-A gente se vê – disse um dos irmãos.

Já fora do chalé, Amy ainda estava um pouco irritada.

-O que foi?

-Desculpe. É que isso sempre acontece. Eu apresento o chalé, e a pessoa com quem eu estava nem se despede de mim.

-Você não podia avisar?

-Já pedi desculpas! – ouviu-se uma trovoada ao longe.

Amy de repente notou que os olhos de Agatha estavam em um tom de mel, antes azuis bem claros.

-O que houve com seus olhos? – perguntou assustada.

-Eles refletem a cor do céu. – respondeu Agatha, rindo. — Por exemplo, numa manhã com o céu azulzinho, eles estão azuis, se estiver Nublado, eles ficam acinzentados, e agora, como está mais ou menos na hora do pôr-do-sol, meus olhos adquirem um tom de mel. – explicou.

-Deuses, quase me esqueci!!! – exclamou Agatha de repente.

-O quê???

-Está quase na hora do jantar! Vá rápido para seu chalé e eles te levarão até o refeitório. – disse Agatha, saindo correndo logo em seguida.

-Eu mereço... – resmungou Amy.