De Volta ao Lar
2 Capítulo I
Notas iniciais
Dei um beijo na testa do meu filho que estava no colo do meu irmã caçula, antes de me encaminhar para a reunião do Conselho, na qual minha presença foi exigida.
O céu estava estrelado e o brilho da lua crescente podia ser visto através de algumas nuvens cinzentas que o vento gelado da noite começava a dissipar.
Haviam apenas dois lugares vagos em volta da fogueira e minha mãe sinalizou com um movimento de cabeça que eu deveria me sentar naquele localizado mais próximo dos anciões e mais distante da matilha, aquilo me vez perceber a falta de um lobo, mas sou capaz de dizer quem faltava.
– Apresente-se para o conselho e para matilha. – A voz de Billy quebrou o silencio.
– Meu nome é Leah Uley, sou viúva de Samuel Uley, que era Alfa na Reserva de Sunshine na cidade de Jacksonville da Florida. – Disse pausadamente.
– Por este motivo não se assustou quando te contamos a existência de lobos aqui em La Push, seu falecido marido teve uma impressão por ti? – A pergunta veio do velho senhor Ateara.
– Não, Sam me escolheu para ser sua companheira. – A nostalgia era nítida em minha voz.
– Há alguma informação que queria acrescentar? – Agora foi a vez de minha mãe questionar.
– Eu me transformo em loba. Aconteceu na segunda semana de aulas na Universidade da Florida, Sam estava presente e desde de então me ensinou a lidar com isso. – Parei de falar para piscar os olhos, a fim de conter as lagrimas que ameaçavam escorrer por meu rosto, dizer aquilo em voz alta trazia boas memorias mais vivas do que nunca e fazia meu coração se apertar pela perda. — Em Sunshine eu era a beta da matilha, mas depois que dei à luz ao Noah, Samuel me fez prometer que não me transformaria a menos que fosse para defender nosso filho em sua ausência. – Completei com um suspiro.
– Bom, Leah, eu sou Jacob Black, lembra de mim? – Afirmei com um aceno de cabeça, quando parti ele e todos os outros eram moleques magricelos, porém com a transformação todos ficaram mais másculos. – Pois bem, eu sou o Alfa aqui em La Push, meio irmão Embry é o beta. – Ele apontou para o lugar vazio ao seu lado. – Ele está socializando com uma tribo vizinha, Makah. Gostaria de poder contar com você como membro da matilha tão logo quanto possível.
Mordi meu lábio inferior, pois estava indecisa quanto a uma resposta naquela ocasião, pedi à Jacob um tempo para refletir sobre isso e ele me concedeu.
Os anciãos iriam encerar a reunião quando Paul ergueu a mão solicitando a palavra.
– Por que voltou para cá? – Ele foi direto.
– Tudo em Jacksonville me lembra Sam, achei melhor voltar para a casa, onde posso contar com minha família. – Pela expressão de choque dele, estava claro que Paul não esperava tanta honestidade.
Quando voltei para a minha casa encontrei Seth dormindo em um colchão, que ele colocara no chão, ao lado de Noah e tal imagem fez com que as lagrimas presas em meus olhos escorressem por meu rosto. Fiquei algum tempo os observando antes de subir silenciosamente as escadas para meu quarto, que ainda tinha a mesma cama e o mesmo armário de madeira, a única diferença é que agora havia também um berço dobrável montado aos pés da cama.
Após tomar uma ducha relaxante, vestir uma camisola azul marinho feita de cetim e fechar a janela do dormitório deitei em baixo das cobertas, pelo menos, três.
Já faziam duas semanas que eu estava de volta à La Push, porém, como me transformei pela primeira vez em uma cidade ensolarada do Estado do Sol, o pelo da minha loba ainda não era o bastante para me manter aquecida, nessa cidade onde até o verão é frio.
Esse é um dos momentos nos quais mais sinto falta do meu esposo, digo, falecido esposo, adoraria ter seu corpo ao meu lado na cama para me aquecer, ou melhor, adoraria que ele me acesse em seus braços.
Já se passaram duas semanas da minha chegada, ou melhor, minha volta à Forks e finalmente consegui convencer meu filhote de que ir à creche na cidade não seria ruim e hoje eu o levei lá pela primeira vez.
É, claro, que como essa cidade consegue ser menor que um ovo a notícia do meu regresso se espalhou rapidamente e assim que parei a velha caminhonete verde, que peguei emprestada com Rachel e Paul, junto ao meio fio em frente à escola tive que ouvir pessoas dizendo que sentiam muito pela morte do marido, pessoas dizendo que pena a garota teve filho novinha, não vai dar conta, mas foi apenas quando ouvi alguém dizer que eu deveria arrumar um homem para ser a imagem paterna para o meu menino que eu necessitei de cada fiapo de controle que possuo para não ferir quem quer que tenha dito isso.
Agachei a fim de ficar na altura de Noah, beijei-lhe o rosto e o mandei para dentro da escola com um sorriso, me alegrei por ele ter sorrido de volta antes de sumir da minha vista.
No caminho de volta para a reserva a caminhonete parou. E a chuva estava cada vez mais forte. Até tentei ligar para um reboque, mas quem foi que disse que tem sinal de celular nesse fim de mundo?
Passei para o banco do carona, liguei o rádio e o sintonizei em uma estação qualquer, não sei porque milagre ele funcionou, reclinei o assento, apoiei a cabeça no encosto e fechei os olhos, pois tudo o que eu poderia fazer agora era esperar, ou a chuva parar, e aí ir atrás de ajuda ou alguém passar por ali e resolver parar para me ajudar.
O som de batidas no vidro do carro fez com que eu despertasse sobressaltada.
Cocei os meus olhos com as costas de minhas mãos para espantar quaisquer resquícios de sono antes de me virar para encarar a pessoa que estava batendo no vidro.
Assim pus meus olhos neles eu soube que meu mundo jamais seria o mesmo, pois ele é a minha impressão.
Droga!
Eu acabei de ficar viúva, por que eu precisava de uma impressão justo agora que minha vida deu um giro de trezentos e sessenta graus?
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