Estava tudo escuro. Aroldo se sentia calmo no momento que permanecia com os olhos fechados. A primeira coisa que fez no instante que percebeu acordar mentalmente fora respirar. Porém o ar que respirava era mais leve que o normal. Não tinha mais dificuldades para isso, se sentia limpo por dentro, sem dores ou qualquer tipo de incomodo que sempre teve devido a bebida e cigarros.

Aquilo era bom, era puro. Antes mesmo de abrir os olhos, decidiu vasculhar o local com o toque. Passou a mão por onde seu corpo apoiava-se, sentiu que era amplo e duro. Parecia estar deitado numa mesa lisa, ou num chão de madeira. Arriscou então abrir os olhos.

Abriu-os calmamente e aos poucos viu que a claridade invadir seu globo ocular. Após recuperar a visão normalmente, viu ele que era tudo escuro. Uma escuridão imensa, apenas onde estava era claro. Como se ele fosse uma lanterna naquele apagão. Caminhou um pouco para ver se sua teoria era mesmo verdade. E sim, era. Caminhava e a luz ia lhe seguindo. Via que o chão era marrom e liso, olhou para o pé a mostra. estava descalço.

Agora via que estava sem roupa, completamente nu. Voltou a atenção ao local. Onde estava afinal? Morreu e foi para o céu? Não. Aquilo não parecia o céu.

–Quem é você? ─ uma voz rouca e fina lhe alertará. Assustou-se e olhou para trás. Não via ninguém, afinal estava escuro. ─ Aproxime-se. ─ Aroldo se aproximou e a frente aos poucos a luz que seguia a si, iluminou a imagem de um alguém. Uma mulher talvez com vestido branco. Teve sua opinião equivocada quando notou o corpo de quadril amplo. era um homem com um vestido feminino. Um vestido arrastando até o chão. O rosto era um mistério, era coberto com um véu de noiva, porem sabia ele que era um homem; pelos nos braços fortes e voz aguda e cabelos curtos. ─ responda-me, criatura!

–McJones, Aroldo McJones Philiph III! ─ respondeu amedrontado,e assim tampando-se com as mãos.

–Sim, sim. Esperava por você.

–Por mim? ─ falou pensativo, ─ quem é você?

–Você não vai precisar saber quem sou eu. ─ o provável homem andou por volta de Aroldo. O mesmo ainda se tampando sequia a criatura com os olhos. ─ O que tem sobre os panos, não é real. Não queras ver a verdadeira aparência do Mensageiro.

–Mensageiro? Mensageiro do que? ─ perguntou em tamanha vergonha por sua nudez.

O homem olhou olhou para seu membro tampado pela mão, voltou a olhar ao rosto de Aroldo e resmungou:

–Não precisa se tampar homem. És homem como qualquer um que já passou por aqui. ─ Deu assim um safanão no braço de Aroldo para que tirasse a mão dali. Ele obedeceu, mas ainda não se sentiu confortável. ─ Mensageiro. Pode me chamar assim. Vim mandar uma mensagem que poderá mudar-te por completo.

–E qual seria?

–Voltará para a terra.

–Como? ─ arregalou os olhos.

–Você escultou. Deus lhe deu uma chance. Morreu sem proposito, sem respostas. Sem concluir o seu destino.

–Não ceio em destinos, mensageiro.

–Pois devia. O teu ainda não fora cumprido, e se foi, não é o suficiente para Subir ao céu, ou descer para você sabe onde.

–Não quero voltar. Lá eu sofri muito, não quero continuar sofrendo. ─ abaixou a cabeça e voltou lembrar de sua vida.

–Sofreu por que quis. Muitos clamam a deus por vitória e benção, porem desistem de faze-lo quando não acontece. O ser humano é teimoso e inútil como você foi. Mas, por quis. Por que foi fraco e abatido. Vocês escolhem teus destinos e você eixou o teu apodrecer. ─ brigou o Mensageiro.

–Você não entende. É duro ser humano.

–Quer trocar? ─ deduziu o Mensageiro. Aroldo olhou para a criatura a sua frente deu como desentendido. ─ Não sei como existi. Não como, não fumo, não durmo, não brinco, bebo, tomo banho ou faço qualquer coisa que vocês fazem. Passei a eternidade tentando convencer inúteis como vocês a darem valor a algo que eu nunca nem experimentei. E ainda vem me dizer que é duro ser humano? Hilário.

–Você é a morte? ─ perguntou insano.

–Não sou morte nem vida, você não está morto para eu ser esta tal Morte.

–Por que está tão escuro? ─ Aroldo perguntou olhando em volta.

–Está é tua consciência. Teu corpo, sua vida. ─ o mensageiro dizia apontando para o seu redor, ─ Veja, está vazio e escuro. Nenhum vestígio de bondade ou mau, nenhum vestígio de felicidade ou tristeza. Não há nada!

–E se eu não quiser voltar a terra?

–Ficará aqui, solitário como eu, até decidir voltar a terra novamente. O contrario, passará a eternidade aqui, na sua consciência. ─ os dois silenciaram e depois de muito pensar ele continuou. ─ Se cumprir sua meta, voltará aqui e você verá que este lugar está diferente, com tudo o que terá feito na vida. Seja o bem ou o mal que terá feito, será julgado dormir o eterno sono profundo e calmo para o juízo final. Ou viverá acordado no submundo, sofrendo com todo o teu pecado.

Aroldo pensou por longos minutos. até que viver por ali não era má ideia. Sempre viveu solitário, por que não? Mas, sabia que um dia teria que morrer, já ali, ele viverá para sempre.

–O que terei que fazer? Qual a minha meta?─ perguntou.

–Aceite e verá. ─ o Mensageiro estendeu a mão para o aperto. Aroldo encarou amão e por fim apertou. No mesmo instante a luz que restava apagou e a sua mão com junta a do Menságeiro iluminou-se, um vento gelado e pesado dominou o escuro e o Mensageiro começou a falar em eco:

–O nome dela será Alice. Alice com teu sobrenome. Cuide dela e terá sua recompensa.

Desapareceu e Aroldo desmaiou.

Continua

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.