De Volta a Mystic Falls

13 Capítulo 13 - Fantasmas


Notas iniciais
Bem, people, o capítulo se chama fantasmas, mas não se preocupem, não é o que parece ser. Na verdade é mais uma metáfora sobre os fantasmas do passado que todo mundo carrega do que fantasmas mesmo.Fiquei meio insegura em relação a este capítulo, mas acho que no fim ficou legal.PS: Agradeço a menina Juje Winchester por recomendar esta fic, adorei o que tu escreveu e sim, eu sou uma viciada na palavra instigante kkkkkkkkkkPS2: Agradeço também a Kamila Winchester que também recomendou esta história maluca kkkkkkkkkkk e também a todo mundo que tá acompanhando, favoritando e gostando! Simbora, hunters!

Bonnie observou Dean se recuperando do susto por ter visto ela ali, parada, atrás da porta da geladeira e brincou:

– Qual o problema, Dean? Até parece que viu um fantasma.

Dean apenas a encarou sem graça, mas não disse nada. Realmente havia se assustado. Ele achava que só o Cas era especialista em dar este tipo de susto, mas pelo visto estava enganado. Então Bonnie parou de sorrir e se desculpou:

– Me desculpe... Eu não queria assustá-lo. Sinto muito.

– Tudo bem, bruxinha. Não é sua culpa, eu que estava distraído. — tranquilizou ele enquanto se abaixava para limpar a bagunça.

Bonnie ficou em silêncio e Dean jogou fora o pedaço de torta e o suco que haviam caído no chão. Em seguida abriu a geladeira de novo e pegou o último pedaço de torta. Não entendia como aquilo acabava tão rápido. Em seguida, sentou à mesa e Bonnie fez o mesmo ficando ao seu lado. Ele começou a comer a torta em silêncio até que ela puxou assunto:

– Eu só apareci de repente porque você deve ter pensado em mim de repente. Desculpe pelo susto, Dean.

– Está tudo bem, Bonnie. Acho que está ficando cada vez mais difícil não pensar em você. Às vezes, eu nem percebo que eu pensei. Como agora. — confessou o caçador.

Ao ouvir isso, Bonnie deu um leve sorriso e segurou a mão de Dean. Ele parou de comer a torta quando sentiu o toque dela contra a sua pele. Aquilo era tão estranho. Ainda mais para ele que era um caçador. Mas ao mesmo tempo, era tão bom, sentí-la. Ter Bonnie por perto. Mesmo que fosse daquela forma. Mesmo que aquilo fosse a coisa mais maluca que ele imaginou viver. Estar apaixonado por um fantasma. De uma bruxa! Se alguém tivesse lhe dito que ele viveria isso, com certeza Dean não acreditaria.

Sem perceber, ele retribuiu o gesto segurando a mão dela de volta.

– Posso te fazer uma pergunta? — arriscou ele.

– Claro. — assentiu ela.

– O que acontece quando o The Walking Dead Lázaro pensa em você? — quis saber Dean.

Bonnie o olhou um tanto incomodada. Não queria falar sobre Jeremy. Assim como não queria falar sobre Dean com o irmão de Elena. Aquilo era complicado demais e Bonnie não queria magoar nem um deles. Ela estava morta e, portanto, aquela discussão não tinha o menor fundamento.

– Dean...

Ele soltou a mão de Bonnie e indagou:

– E o que acontece se nós dois pensamos em você ao mesmo tempo?

– Bem... Digamos que eu tenho que escolher. — respondeu ela hesitante.

– E quem você escolhe? — quis saber Dean.

– Eu estou aqui, não estou? — insinuou ela segurando a mão dele novamente.

– Mas você aparece para ele também, não é? — perguntou Dean — Quando eu consigo parar de pensar em você por cinco minutos?

– Dean, não faça isso... Eu disse que não quero que vocês briguem por minha causa. Eu estou morta. Meus sentimentos são irrelevantes. — expôs ela.

– Por falar nisso, por que você o trouxe de volta à vida mesmo? Eu sei que é cruel perguntar isso, mas eu preciso saber o motivo, Bonnie. — quis saber o Winchester.

– Eu já falei, Dean. Jeremy não merecia morrer daquele jeito. Não era justo com ele, com Elena... Foi a morte dele que levou Elena a desligar a humanidade, lembra? E eu também me culpava pelo que aconteceu com ele. Eu precisava fazer alguma coisa. — explicou a bruxa.

– Alguma coisa tipo trocar de lugar com ele ao lado de São Pedro? — deduziu Dean inconformado.

– Você já fez a mesma coisa pelo Sam. — lembrou Bonnie.

– O Sammy é meu irmão. Minha família. E eu sempre cuidei dele e sempre vou cuidar. É diferente. — esclareceu Dean — Mas por que você resolveu trocar de lugar com o Jeremy?

– Eu não sabia que eu ia morrer quando o trouxesse de volta, Dean. — respondeu ela.

– Mas você sabia que era arriscado, não sabia? — desconfiou ele.

– Dean...

– Responda a pergunta, Bonnie. Você sabia que era arriscado e resolveu correr o risco mesmo assim? — pressionou ele.

– Sim. — admitiu ela por fim.

– E por que você se arriscou desse jeito? — quis saber Dean ainda mais confuso.

– Porque... Porque Jeremy é importante para mim. — respondeu Bonnie com certa dificuldade — Assim como você.

Ao ouvir isso, Dean soltou a mão da bruxa novamente, levantou um tanto irritado e foi até a janela. Bonnie o seguiu sem saber o que fazer ou mesmo dizer.

Tinha sido difícil para Dean ouvir aquilo. Sabia o que significava. Ele estava disputando o amor de um fantasma com um zumbi. Ok, Jeremy não era exatamente um zumbi, mas era assim que ele via o irmão de Elena. Um zumbi intrometido. Ou melhor, um fantasma. Um fantasma do passado de Bonnie que havia voltado para confundir o coração da bruxa. Sim, porque por mais que tentasse negar, Dean sabia que Bonnie se sentia dividida entre os dois.

Ele percebeu que ela havia se aproximado e intimou:

– O que você sente por mim?

– Como eu disse, meus sentimentos são irrelevantes. Eu estou morta, Dean, e portanto, independente do que eu sinta ou do que eu queira, eu não vou poder ficar com nem um dos dois. — argumentou ela.

– Se você deu um jeito de trazer o Jeremy de volta, deve haver um jeito de fazer o mesmo por você. — contrapôs Dean.

– Mas eu não quero que ninguém se arrisque por mim, Dean. — esclareceu Bonnie preocupada que ele estivesse pensando em dar um jeito naquela situação — Eu não quero que alguém morra por mim. Para me salvar.

– Ok, mas se houvesse um jeito de te trazer de volta e você pudesse escolher de acordo com o que você sente e quer... Quem seria o felizardo? — insistiu Dean.

– Por favor...

– Bonnie, eu vou perguntar mais uma vez. — anunciou ele enquanto a segurava nos ombros — É uma pergunta bem simples, então por favor, faça um esforço. O que você sente por mim?

Os dois se olharam profundamente e Dean se arrependeu um pouco por ter pressionado Bonnie. Não tinha certeza se estava preparado para ouvir a resposta. Mas ao mesmo tempo precisava saber. Aquela dúvida constante estava o matando aos poucos. Ia acabar enlouquecendo.

Ele ainda pensava nisso, quando a bruxa deu um leve sorriso e tocou o seu rosto antes de confessar:

– Eu te amo, Dean.

– Mesmo? — quis confirmar ele enquanto sentia um alívio por dentro.

Mais que alívio. Sentia-se feliz por ouvir aquelas palavras. Depois de Lisa, Dean nunca mais havia se interessado por ninguém de verdade. A vida que ele levava não permitia isso. Por isso ele havia se fechado completamente para este tipo de relação. No máximo tinha um ou outro caso por aí, afinal ele não era de ferro, mas não teve sério com ninguém desde que pediu para Castiel apagar a memória de Lisa há alguns anos. Mas Bonnie era diferente. Ela conhecia o sobrenatural, fazia parte do sobrenatural. E ela estava ali na frente dele. E ela aceitava Dean do jeito que ele era. Como o caçador que era e com todas as complicações que aquilo envolvia. Droga... Não conseguia se confirmar por ela ter morrido.

– Mesmo. — confirmou ela e como Dean ainda não parecia totalmente convencido, acrescentou — Eu me apaixonei por você quando canalizei a sua energia para encontrar a Mia, lembra? E naquele momento eu senti como você é lindo, Dean. Não só por fora, mas principalmente por dentro. Você é um grande homem, Dean Winchester. Qualquer mulher se apaixonaria por você. Comigo não foi diferente.

– E o que você sente pelo Jeremy? — indagou ele depois de um tempo apreciando o que Bonnie havia dito.

– Por que isso importa? O que eu sinto por ele só é importante para ele. — esquivou-se ela.

– Então você sente alguma coisa. — deduziu Dean confuso enquanto a dúvida renascia dentro dele.

– Por favor, não faça isso... — pediu ela.

– Bonnie, o que você sente pelo Jeremy? — perguntou Dean novamente.

A bruxa pensou um pouco e então tentou explicar com cuidado para não magoá-lo:

– Eu amei o Jeremy. Eu o amava quando ele morreu e ainda o amava quando você veio para Mystic Falls. Ele faz parte da minha história, Dean. Ele continua sendo importante para mim. E...

– E? — quis saber Dean.

– E agora ele está vivo e eu estou morta. E você está de volta e é tudo tão complicado, mas... — tentou explicar ela.

– Mas? — insistiu Dean.

Bonnie o olhou com pesar e confessou por fim:

– Mas às vezes, eu sinto saudade do que eu sentia por ele. Da pessoa que eu era quando estava com ele. Desculpe, Dean... Eu não devia estar dizendo essas coisas para você.

– Não... Não precisa se desculpar, Bonnie. Eu agradeço por você ser honesta comigo. — tranquilizou ele depois de alguns instantes digerindo aquilo. No fundo não havia gostado de ouvir aquela confidsaoe e se afastou de novo da bruxa — Mas talvez você esteja enganada.

– Como assim? — não entendeu a bruxa.

– Talvez você ainda ame o Jeremy e sinta saudade do que sentiu por mim. — explicou Dean.

– Não... Não, Dean... — discordou Bonnie se reaproximando dele.

– Você está confusa, Bonnie, mas pense. Se Jeremy não tivesse morrido, talvez você nunca tivesse se apaixonado por mim. — argumentou o caçador.

– Ou talvez eu tivesse. — sugeriu ela.

– Parece que a gente nunca vai saber. E então Jeremy sempre terá uma vantagem sobre mim. Vocês tiveram uma história, Bonnie. Bem mais longa e importante do que a nossa. Vocês tem quase a mesma idade, compartilhavam os mesmos sonhos... Não negue isso. — disse Dean com pesar antes de sentar em uma das camas.

Bonnie sentou ao seu lado e falou após alguns instantes em silêncio:

– Dean... Eu não sei o que fazer. Por favor, diga alguma coisa. Qualquer coisa. O que você quer que eu faça? Por favor, me diga o que eu devo fazer? Eu não quero te magoar... Mas eu também não quero magoar o Jeremy...

Dean a olhou com uma expressão triste. Devia saber que a sua relação com Bonnie não tinha futuro. Primeiro porque ela estava morta, segundo porque ela queria continuar morta, terceiro porque ela ainda sentia alguma coisa por Jeremy e quarto porque ela não sabia o que fazer a respeito.

– Quando eu e ele pensarmos em você ao mesmo tempo, não apareça para mim. Apareça para ele. — orientou Dean.

Bonnie pensou um pouco e perguntou:

– Tem certeza que é isso mesmo que você quer?

– Não. Nem de longe é o que eu quero, Bonnie. Mas eu preciso saber o que você realmente quer. Eu preciso que você sinta a minha falta quando estiver com ele... Mas se por acaso você não sentir, pelo menos eu terei uma resposta. — disse ele.

Os dois se olharam por algum tempo sem dizer mais nada, até que Bonnie teve uma sensação que já havia tido antes e pela sua expressão, Dean deduziu do que se tratava. O The Walking Dead Lázaro estava pensando nela. A vontade que Dean tinha era de pedir que Bonnie esquecesse o que ele havia dito há poucos minutos. Que ela ficasse ali. Com ele. Só com ele. Mas por mais que quisesse dizer isso, as palavras que saíram foram:

– Vá, Bonnie.

Em seguida, ele desviou o olhar por alguns instantes e quando olhou para o lado novamente, Bonnie não estava mais com ele. Ficou pensando em tudo aquilo por algum tempo e depois olhou para a cama vazia do irmão e resmungou:

– Sammy, seu pilantra, fazendo um check up de novo, é?

Perto dali, na casa de Meredith, Sam dormia abraçado com a médica em uma espaçosa e confortável cama. Quando os dois acordaram, Meredith sorriu, se aconchegou melhor no peito de Sam e permaneceu em silêncio.

– No que você está pensando, doutora? — quis saber ele.

Meredith pensou um pouco antes de responder:

– Eu estou pensando que quando tudo isso acabar, você irá embora de novo. E eu já sinto a sua falta, Sam.

Ele a abraçou mais forte ao ouvir isso e continuou a conversa:

– A Mia disse uma vez que o importante não é quanto tempo passamos juntos, mas sim que cada instante valha a pena.

– Mia é uma vampira. Ela tem todo o tempo do mundo. É fácil dizer isso quando se tem a eternidade pela frente. — contrapôs a médica.

– O problema é que quando ela disse isso, pro Cas, aliás, ela ainda nem sonhava que um dia viraria uma vampira. — esclareceu Sam e depois de algum tempo, continuou — Eu não sei quanto tempo eu vou ficar, mas eu quero que cada instante que eu passe com você valha a pena, Meredith. Você sabe que se eu pudesse escolher, eu ficaria com você. Mas...

– Mas o mundo precisa de manutenção. E isso significa que o mundo precisa dos Winchesters. O que significa que você irá embora quando a situação do Silas for resolvida. Eu entendo, Sam. É por isso que eu estava pensando numa coisa. — insinuou ela.

– Que coisa? — interessou-se Sam.

Meredith sorriu e sentou na cama antes de contar:

– Eu estava pensando que quando você for embora de Mystic Falls... Talvez eu possa ir junto.

Sam a olhou surpreso e sentou na cama antes de indagar:

– O quê?

– Por que a surpresa, Sam? Você não quer que eu vá com você? — estranhou ela.

– Não se trata de querer, Meredith. Se trata de... Não te condenar a uma vida assim. — tentou explicar o Winchester.

– Assim como? — quis entender a médica.

– Assim como a minha. Ou como a vida do Dean. Uma vida cercada por coisas sobrenaturais... Inimigos... Sofrimento... Sacrifícios. Eu não quero isso pra você. — esclareceu Sam.

– Você não acha que cabe à mim fazer esta escolha? — indagou Meredith e após observar Sam, deduziu um tanto magoada — A não ser que você não queira que eu vá com você.

Sam segurou as mãos dela entre as suas antes de responder:

– Tudo o que eu mais quero é ficar com você, Meredith. Mas... Eu não posso colocar a sua vida em perigo. E se você vier comigo, é isso que vai acontecer.

– Você está esquecendo de uma coisa, Sam Winchester. — insinuou ela enquanto levantava da cama e puxava Sam pela mão.

Ele a seguiu até que Meredith abriu o guarda-roupa e revelou um fundo falso. Dentro dele ela guardava uma série de armas contra vampiros.

– Eu também sou uma caçadora. — ressaltou ela — Não como você e o seu irmão, claro, mas eu também cresci, de certa forma, nesta vida, sabendo da existência de algumas coisas e eu garanto que eu sei lidar muito bem com o sobrenatural.

Para surpresa de Meredith, Sam não disse nada, o que fez com que ela pensasse que talvez ele não estivesse convencido de que ela poderia mesmo lidar com qualquer coisa e por isso não dizia nada para não magoá-la. Mas a verdade é que Sam estava pensando no seu histórico de relacionamentos amorosos. Todos desastrosos.

No fundo, ele ainda não tinha parado para pensar na sua relação com Meredith. A verdade é que ele estava vivendo um sonho e sabia que em algum momento teria que acordar. E ir embora com o seu irmão. Não podia levar Meredith com ele. Tinha medo que ela tivesse o mesmo destino de Jessica, morta por um dos seus inimigos há anos, mas que ainda era uma nítida e dolorosa lembrança para ele. Jamais se perdoaria se isso acontecesse com a médica também.

O sensato então seria se afastar dela, mas também não tinha se preparado para isso. Depois de Amelia, Meredith era a primeira mulher por quem ele realmente havia se interessado. Mais do que isso. Estava apaixonado por ela. No entanto, não sabia por quanto poderia viver aquele sentimento já que o trabalho sempre falava mais alto. E por mais que quisesse ter uma vida normal, Sam estava consciente de que nunca teria isso.

O mundo precisava dele e do seu irmão e, portanto, não havia espaço para um romance no meio disso tudo.

A vida de caçador era solitária e embora tivesse tentado inúmeras vezes ter alguém especial em sua vida, tudo que Sam conseguiu foi se envolver com as pessoas erradas, como Ruby, ou magoar outras pessoas, como Amelia. Ou ainda pior... Carregar a culpa pelas mortes de Jessica e Madison. Todas elas eram fantasmas em sua vida. Por mais que tivesse seguido em frente, nunca se esqueceria daquelas experiências mal sucedidas de ter alguém ao seu lado.

E por mais que Meredith o fizesse se esquecer do seu passado e que ela afirmasse que sabia lidar com o sobrenatural e quisesse ir embora com ele, Sam sabia que não tinha muito a lhe oferecer. E que mais cedo ou mais tarde acabaria machucando-a também. Por isso não concordava com a ideia de Meredith de ir embora com ele. Ela tinha uma vida em Mystic Falls e ele não podia tirar isso dela.

Pensando em tudo isso, Sam voltou e sentou na cama. Meredith sentou ao seu lado e como se tivesse lido os seus pensamentos continuou:

– Você nunca fala do seu passado, Sam. Ou do seu futuro.

– Como assim? — não entendeu ele.

– Eu não quero ser invasiva, Sam, mas é que, às vezes, é como se eu te conhecesse melhor do que ninguém e em outras vezes, eu percebo que eu não te conheço tão bem quanto eu gostaria. Como se você não deixasse eu me aproximar totalmente. — disse a médica.

– Se eu faço isso é para te proteger, Meredith. E também porque... Eu não tenho certeza se você iria gostar da pessoa que eu sou realmente. — respondeu ele lembrando dos erros do passado.

– Eu já gosto, Sam. Este é o ponto. Eu sei que ninguém é perfeito, mas o que quer que você tenha feito no passado, ficou no passado e eu vou entender. E não se preocupe tanto comigo, você não precisa me proteger. Eu tive uma vida relativamente normal, me formei, me tornei médica, mas eu sei que o sobrenatural existe. E eu sei me defender muito bem. — assegurou ela.

Sam pensou um pouco e tentou explicar como se sentia em relação a tudo aquilo:

– Eu tentei ter uma vida normal algumas vezes, mas não deu muito certo. Então eu resolvi que o melhor era viver um dia após o outro, um trabalho após o outro, sem fazer planos pro futuro. Porque nesta vida que eu levo, a única coisa que eu tenho é o hoje e, honestamente, não dá para se fazer muitos planos quando só se tem o hoje. E sobre o passado... Bem, digamos que eu não me orgulho muito dele e das escolhas que eu fiz. Por isso eu prefiro não falar sobre isso. Especialmente com você, Meredith. Eu não quero te decepcionar.

A médica o olhou por algum tempo e então segurou a mão dele antes de pedir:

– Então não me decepcione.

– Meredith, eu... — tentou dizer ele.

– Olha, eu entendo que a sua vida está bem longe de ser fácil, mas em algum momento você precisa se perguntar se isto está valendo a pena, Sam. — interrompeu ela — Viver desta forma. Sozinho. Em algum momento você vai ter que compartilhar a sua vida com alguém. Ou você quer mesmo passar o resto da sua vida sozinho?

– É engraçado, mas a verdade é que há muito tempo eu não penso no que eu realmente quero. — confessou Sam.

– Eu acho que você devia começar a pensar. — aconselhou ela — Porque eu quero muito ser essa pessoa, Sam. E... Eu posso estar sendo pretensiosa, mas eu sinto que você quer o mesmo. Eu sinto que nós temos algo especial e seria uma pena desperdiçar isso, você não acha?

Meredith esperou que Sam dissesse alguma coisa, mas o caçador permaneceu em silêncio. Ele pensava em como queria ficar com a médica, mas ao mesmo tempo em como aquilo tudo era complicado.

Depois de tantos anos naquele negócio da família ao lado de Dean e de inúmeras tentativas mal sucedidas de ter uma vida normal, ele se sentia completamente perdido. Como se o que ele quisesse não importasse mais, como se ele tivesse se conformado com a solidão que aquela vida impunha. E agora Meredith surgia com aquela proposta e por mais que o seu coração dissesse para aceitar, a razão mandava ele tomar cuidado.

– Eu preciso ir pro hospital. — anunciou a médica se levantando e sem esperança de que Sam dissesse o que ela queria ouvir.

Sam a observou ir até o banheiro e fechar a porta. Ela ficou apoiada na pia por algum tempo, mas não conseguiu encarar o próprio reflexo no espelho. Sentia-se tão estúpida por ter feito aquela proposta. O silêncio de Sam era uma resposta. Significava não. Ele não queria compartilhar aquela vida com ela. Meredith entendia os motivos dele, mas ao mesmo tempo não conseguia abrir mão do que sentia e simplesmente deixá-lo ir embora quando aquilo tudo acabasse.

Ficou pensando em tudo isso e em como encararia Sam quando tivesse que sair daquele banheiro. Entrou no chuveiro.

Algum tempo depois o desligou e vestiu o roupão. Ficou alguns instantes ouvindo detrás da porta, mas o quarto estava completamente silencioso. Estranhou e abriu a porta devagar. E se deparou com o quarto vazio.

Minutos antes, Sam havia deixado o lugar. Também não conseguia encarar Meredith e o que estava sentindo. Parecia tão egoísta gostar de alguém. Era como se ele, como o caçador que era, não pudesse amar ou ser amado. Além disso, percebeu que Meredith ficou magoada pelo seu silêncio. Ela achou que ele não gostava dela, mas a verdade é que preferiu ficar em silêncio porque gostava demais dela.

Mas ele precisava se afastar um pouco. Precisava colocar a cabeça em ordem, embora o seu coração soubesse exatamente o que queria. Ele queria Meredith. Mas haviam complicações e nenhum dos dois podiam ignorar isso. Talvez fosse melhor dar um tempo para Meredith pensar também. Por isso, enquanto ela tomava banho, Sam se vestiu e foi embora.

Enquanto isso, Jeremy estava em um dos quartos da casa de Tyler. Desde que ganhou uma segunda chance, o irmão de Elena estava hospedado na casa do híbrido. Elena e Damon ainda estavam tentando convencê-lo a morar com eles, mas Jeremy ainda estava pensando na proposta. Além disso, precisava de um tempo para se acostumar com tudo aquilo e era mais fácil conseguir esse tempo morando na casa de Tyler do que na casa de Damon, que estava em constante lua de mel com Elena. Além disso, Mia também estava morando lá. E apesar de gostar muito daquela maluca, Mia não era uma viciada só em sangue, mas também em cafeína. E ela ficava elétrica por causa disso a maior parte do tempo e não conseguia ficar um minuto sequer em silêncio.

Ou seja, não era o lugar mais indicado naquele momento em que ele queria ficar mais sozinho, tentando entender essa nova chance que a vida lhe deu. Essa nova chance que Bonnie lhe deu ao se sacrificar por ele.

Além disso, Jeremy sentia falta da sua antiga vida e da sua antiga casa. Da casa onde viveu com seus pais, sua irmã, Jenna, Alaric... Daria qualquer coisa para voltar a viver lá. Como antes. E com todas aquelas pessoas. Com sua família. Mas agora tudo aquilo era um monte de cinzas e ruínas.

Ele não conseguia imaginar a dor que Elena deve ter sentido quando se viu sozinha naquela casa com o corpo dele no sofá. E entendia porque ela colocou fogo em tudo e até mesmo porque desligou a humanidade. Elena estava completamente perdida e sozinha. Por mais que ainda tivesse seus amigos, Stefan e Damon, a sua família havia sido destruída e a dor era imensurável e desesperadora.

E por falar em dor, a morte de Bonnie ainda era algo que o machucava profundamente. Jeremy não conseguia se acostumar com aquilo. Ainda mais com aquele Winchester se intrometendo entre os dois. A situação já era complicada demais e ainda por cima Dean também estava apaixonado por ela. Aquilo o deixava cada vez mais maluco e com raiva porque apesar de Bonnie estar morta, era Dean que era o fantasma naquela história. Um fantasma entre eles que ainda mexia com a bruxa. Dean havia sido importante para Bonnie quando ele não estava ao seu lado. E agora havia voltado e tudo ficou mais complicado.

Jeremy pensava em tudo isso enquanto estava deitado na cama, encostado na cabeceira, folheando um dos seus antigos cadernos de desenhos. Era estranho ver aqueles desenhos e lembrar da pessoa que ele era antigamente. De como as coisas eram simples e de como se complicaram quando os seus pais morreram naquele acidente de carro. Tudo mudou depois daquele dia. Toda aquela história de vampiros, bruxas, lobisomens, híbridos, cura... Tudo aquilo se desencadeou depois daquele acidente. E todas as coisas que ele viveu desde aquele dia, todos os erros e algumas atitudes imaturas que cometeu, tudo aquilo fazia parte da sua história e do caminho que o levou até ela.

Sentia tanta falta de Bonnie. E agora até ela fazia parte daquelas cinzas e ruínas do passado. Mas ao mesmo tempo, permanecia viva dentro dele com aquele sentimento forte que tinha por ela. Que sempre teria.

– Eu gosto deste. — opinou Bonnie olhando um dos desenhos de Jeremy.

Ele olhou para o lado surpreso e viu Bonnie na cama, encostada na cabeceira, como ele. Com ele. Sorriu e fechou o caderno imediatamente.

– Bonnie... — murmurou ele a abraçando.

Não importava se Bonnie não conseguia sentí-lo, estava tão feliz por vê-la, por tê-la por perto, mesmo que naquela situação. Desde que Dean voltou para Mystic Falls as coisas ficaram tão estranhas entre os dois. Bonnie não era mais a mesma. Estava distante desde então. Mas nada disso importava naquele momento porque ela estava ali. Com ele. Apenas com ele.

A bruxa fechou os olhos enquanto tentava entender o que estava sentindo. Era tão bom estar com Jeremy. Sentia saudade da época em que namoraram. Mas as coisas haviam mudado tanto desde que eles terminaram e desde que se envolveram na busca pela cura do vampirismo. E então, ele morreu. E Bonnie sentiu que uma parte dela havia morrido junto com ele. Até que surgiu Dean Winchester. Com seu ódio patológico por bruxas, mas que acabou conquistando-a sem que ela percebesse. Dean era aquele tipo de paixão arrebatadora. Que surge como quem não quer nada, mas que rapidamente te domina e tira os seus pés do chão. Para em seguida ir embora, como Dean foi naquela época. Mas agora ele havia voltado e com ele todo aquele turbilhão de emoções havia renascido dentro de Bonnie. O problema é que agora Jeremy também estava de volta. E ela sentia-se péssima com aquela situação, mas sabia que Dean estava certo. Ela estava dividida. Gostava dos dois, mas de formas diferentes. E não sabia o que fazer para consertar as coisas. Afinal de contas, para complicar ainda mais as coisas, ela estava morta.

Depois do banho, Dean se vestiu e resolveu ir até o Mystic Grill comprar mais torta. Ainda estava morrendo de fome. Pegou a chave do Impala sobre a pequena mesa que ficava próxima a janela, mas antes que pudesse sair do hotel, deu de cara com o fantasma de Bonnie parado na porta do quarto e parou confuso.

– Bonnie... O que você está fazendo aqui? — indagou ele ainda surpreso — Você não devia estar com aquele projeto teen de caçador?

– Eu não consigo, Dean. — confessou ela o olhando carinhosamente e em seguida explicou — Eu fui até lá, como você me pediu, mas eu não consegui ficar. Eu senti sua falta... É de você que eu gosto, Dean. E é com você que eu quero ficar.

Dean recebeu aquelas palavras com surpresa, mas também com alegria. Sentiu-se realmente feliz por ouvir aquilo, embora achasse estranho que Bonnie tivesse sentido a sua falta tão rápido. De qualquer forma, se ela estava dizendo que não conseguia ficar ao lado de Jeremy porque era dele que ela gostava, ele não podia reclamar, certo? Afinal, era exatamente o que queria ouvir. Então Dean sorriu satisfeito e Bonnie perguntou:

– Então... Você vai me deixar parada aqui na porta ou vai me convidar para entrar?

Perto dali na casa de Tyler, Jeremy e a verdadeira Bonnie ainda estavam abraçados. O silêncio da bruxa estava começando a deixá-lo preocupado. Mas a verdade é que Bonnie ainda não conseguia encará-lo. Sentia-se péssima com tudo aquilo e só queria ficar assim, em silêncio, tentando entender o que estava sentindo e o que faria em relação a Dean e a Jeremy.

– Está tudo bem? — quis saber o irmão de Elena.

– Sim. Tudo está perfeito. Tudo vai ficar bem, Jer. — respondeu ela finalmente o olhando.

Jeremy sorriu e a abraçou mais uma vez.

Notas finais
Se a verdadeira Bonnie está com o Jeremy, quem bateu na porta da humilde residência de Dean Winchester? Sim, exatamente quem vocês estão pensando...Bem, este capítulo não teve Mia e Castiel, mas no próximo teremos um momento muito fofis,engraçado, revoltante e eletrizante entre os dois (oi?), além é claro de descobrirmos o que Dean vai fazer diante da Bonnie Fake.Previsão de publicação do próximo capítulo: quinta-feira. Não me odeiem, pleaseeeeeeeeeeeeee!