Era manhã de Natal, a neve caía lá fora. Meus olhos estavam vermelhos e inchados. Ou você chora ou você dorme... Eu chorei...

Levantei tarde e, ainda de pijama, fui arrumar nossa árvore... Não! A minha árvore de Natal! Era a primeira vez que fazia isso sem guerra de enfeites, sem abraços, sem danças, sem brinde de chocolate quente, sem a voz dele cantando para mim.

–Por que eu ainda insisto em comemorar essa data e fingir que está tudo bem? Poderia voltar para minha cama e me aconchegar em meu edredom pelo resto do dia...

Mas meus pensamentos iam me levar até ele... Minhas lembranças me levariam desde o dia em que o conheci naquela lojinha de conveniências, passando pelo dia que ele me pediu de namoro na praia, depois pelo dia do nosso casamento e terminando com as cenas de ontem... A briga, as duras palavras, ele fazendo as malas e partindo. Eu confesso que disse coisas que não devia, mas ele também fez isso. Por que fomos tão idiotas?

Ainda podia sentir seu perfume no ar, aquele que comprei em seu aniversário. Ainda podia ouvir a sua voz, como quando ele me acordava pela manhã com jeitinho; apenas para dizer “bom dia, amor...”. Ainda podia ver seus olhos brilhando, me observando após cada noite de amor. Ainda podia sentir sua pele como quando tomávamos longos banhos juntos...

–O que eu estou fazendo? Ainda estou pensando nele? Devia ocupar minha mente sendo criativa com essa droga de árvore! – Pendurei um enfeite de má vontade – Já sei! Vou ouvir música, mas música pesada! Um rock nada meloso! Nada de dor de cotovelo!

Fui até minha estante de CDs e cacei a coisa mais barulhenta e anti-romântica pra colocar no meu som. Depois corri até a cozinha preparar algo pra almoçar, ou apenas engolir, pois não tinha fome alguma.

O dia foi uma tortura. Malditos minutos que mais pareciam horas! Passei todo o tempo arrumando a casa, lavando a louça; qualquer coisa para me distrair. Saí de casa para recolher a lenha que ele havia cortado no dia anterior. Que frio! Quanta neve! Acendi a lareira e fui ler um livro de suspense. Incrível como os livros me faziam sair da realidade.

Quando estava anoitecendo fui para a cozinha preparar minha ceia. Mesmo sozinha eu queria fazer o meu Natal com tudo que tinha direito. O baixo astral não ia me impedir de comemorar essa data. A música alta ainda rolava quando fui para o banho. Cantava junto com a banda o mais alto que podia, mais alto que meus pensamentos. Só saí do banheiro quando meus dedos estavam todos enrugados. Procurei uma roupa quente em confortável, penteei meus cabelos, me perfumei e pensei no que mais poderia fazer além de comer minha ceia. Mas minhas idéias estavam esgotadas. Que tédio...

– Que barulho é esse? – Ouvi som de motor de carroI – Visita! Eu precisava mesmo disso! Nada melhor pra mandar meus pensamentos para longe daqui.

Corri ansiosa até a porta da frente, só aguardando a campainha tocar.

“Ding dong”... Noite de Natal, só poderia ser a Aline, ela sempre me fazia visitas surpresas. Abri um largo sorriso e abri a porta.

– O quê? – Meu sorriso sumiu num piscar de olhos.

Eu devia fechar a porta na cara dessa pessoa. Mas não conseguia. Não tinha de onde tirar forças para isso.

– Taemin Lee Taemin? O que está fazendo aqui? – Tentei manter a voz firme.

– Precisamos conversar... – Ele tirou seu chapéu e jogou o cabelo bagunçado para trás.

– Já não conversamos ontem? – Cruzei meus braços com indiferença. O que ele queria? Uma recepção calorosa.

– Você chama aquilo de conversa? Por favor, me deixe entrar... – Ele deu um passo à frente. Como ele se atreveu a voltar depois da noite passada?

– Entre... – Dei passagem para ele sem olhar em seu rosto.

Lá estava ele outra vez... Em nossa sala. Próximo a nossa árvore. Por que ele tinha que ser tão lindo? Por que eu o amava tanto?

– Eu senti a sua falta... – Essas palavras dele... E sua expressão de tristeza e arrependimento... Como gostaria de poder dizer o mesmo, mas não queria dar o braço a torcer. Continuei calada, só ouvindo – Eu não devia ter dito as coisas que disse ontem. Eu nunca tive a intenção de machucá-la. Mas eu perdi a cabeça... Fomos infantis. Não tínhamos motivos para a briga de ontem chegar aonde chegou. Eu não quero que acabemos assim.

Eu podia ver a sinceridade em suas palavras... Sim, ele ainda me amava, isso estava em seus olhos. Eu estava prestes a ceder... Devia perdoá-lo por ontem? Ele se aproximou e pegou minhas mãos.

– Você acha que vale a pena 20 minutos de briga destruir todos esses anos em que estivemos juntos?

– E você sabe a dor que me causou quando saiu de casa? E se brigarmos novamente? Vai fazer o mesmo? Sair de casa e me largar como se nosso amor não tivesse significado nenhum? É assim que você resolve os problemas? – Eu enfim desabafei quase aos gritos.

– Eu quis voltar no mesmo instante em que saí. Por isso eu voltei! Chiyko, eu não consigo viver sem você... E eu sei que você sofre com minha ausência tanto quanto eu sofro com a sua.

Ele segurou meu rosto com suas mãos, e seus olhos marejados fixavam os meus.

– Se eu estiver mentindo, olhe nos meus olhos e me diga que não me ama mais... Diga isso Romana! E eu prometo que vou embora e nunca mais te perturbar.

Eu não pude dizer. Eu o amava de corpo e alma. Enquanto ele me encarava, pude senti minhas lágrimas descerem.

– Você me perdoa? – Sua cabeça encostou na minha e suas mãos se entrelaçavam pelos meus cabelos. Fechei meus olhos e fiz o filme de nossas vidas juntos. Todos os momentos que passamos. As alegrias e tristezas que dividimos.

– Me perdoa? Por favor... – Ele sussurrou. Sua mão acariciava meu rosto. Então abri meus olhos e finalmente o encarei...

– Eu te perdôo, Taemin ... – Eu disse segurando-o pelo casaco frio e molhado pela neve. Minhas palavras mal saíram e ele já estava me beijando, tão intensamente que me tirava o fôlego.

– Faz amor comigo – Ele me disse com paixão nos olhos – Me ama essa noite como nunca me amou antes...

Então nos ajoelhamos no imenso tapete da sala, em frente à lareira, ainda nos beijando. Ele tirava minha roupa apressadamente enquanto seus beijos desciam pelo meu pescoço. Tirei sua camisa e me joguei em seus braços, sentindo novamente sua pele quente tocar a minha. Em poucos minutos estávamos da mesma forma como viemos a mundo. Seus beijos percorriam cada parte do meu corpo até encontrar meus lábios novamente. Minhas mãos exploravam as costas dele e minhas unhas o arranhavam causando-lhe gemidos. Nossos corpos colados, num encaixe perfeito. Dançávamos em nosso próprio ritmo, a nossa própria dança do amor e do prazer. Arrepios, mordidas, respiração ofegante... Trocávamos carícias como dois adolescentes apaixonados, descobrindo um ao outro. E ali estávamos nós... Amando-nos... E juntos éramos um. Ele me completava e eu a ele. Sim... Era meu Taemin de volta. Depois de nossa noite de amor, ele me deitou em seu peito e pude sentir seu coração, aquele coração que pulsava por mim. Ele me beijou no alto da cabeça, suas mãos afagaram meu rosto e me olhava com um olhar que eu sabia o que dizia...

– Eu te amo minha Chiyko...

– Também te amo... – Aproximei-me e selei seus lábios com um beijo – Meu Taemin...

Notas finais
Gostaram?
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