De Vez Em Quando

1 Capitulo 1 - Memórias e Fantasmas


A noite estava estrelada na charmosa cidade de Evergreen, a lua se pendurava no céu iluminando a vegetação e toda a região rochosa do local, já era bem tarde da noite para que alguém pudesse reparar em tais coisas.

Mas o homem que caminhava olhando para o céu não parecia se importar em ser o único ali, era mais uma daquelas noites a onde as lembranças e os pesadelos, não o deixavam dormir, onde o peso das memorias era maior do que a solidão que sentia toda vez que tinha que ir para casa.

O que era estranho, pois Heitor era psicólogo ele mais que ninguém deveria saber lidar com essas coisas, afinal ele trabalhava ajudando pessoas com seus traumas é transtornos , era com ele que essas pessoas com pensamentos conturbados procuravam solução.

Nós últimos dias o rapaz se pegou pensando, se o mesmo não era uma fraude, ou qualquer coisa parecida, nesses mesmos dias ,ele se pegou amarrando uma corda em uma arvore , só parou por que viu um garoto lhe observar assustado.

Era um tempo sombrio para Heitor, afinal seis meses antes, ele havia perdido seu filho Max, para a depressão, o menino sempre fora alegre, sorridente cheio de vida é sonhos, em uma tarde qualquer, seu celular toca, era um dos vizinhos avisando que ouviram disparos vindo da casa de Heitor.

Ele só se recorda de ter pegado o carro, é depois disso a vida entrou no modo automático , Max estava deitado sobre a grama, havia uma arma em sua mão, é ao lado do garoto um envelope branco.

Heitor se ajoelhou é ali chorou sobre o corpo do filho, é naquelas lagrimas haviam lembranças da mãe de Max que falecerá de câncer 1 ano e meio antes, havia lembranças do nascimento do menino, dos primeiros passos, das primeiras palavras, da primeira vez indo a escola, de uma vida que o mesmo não iria viver.

Era estranho pensar que a vida de alguém poderia mudar tanto em apenas dois anos, a primeira mudança foi com a partida de Agnes, esposa de Heitor, algum tempo ela havia descoberto que estava com câncer de mama já em um estado um tanto avançado os médicos tentaram de tudo, mas nada conseguiram fazer , foi uma luta de um ano é meio, até que Agnes partiu, deixando Heitor é Max, que na época tinha 13 anos.

Depois Heitor usou o trabalho como desculpa para não lidar com o luto, é com isso acabou se afastando do filho, que por sua vez, se sentiu que havia perdido seu pai, os dois mal se viam nos meses que se seguiram sem a mãe de Max, com o tempo as coisas foram se encaixando e pai é filho tentavam seguir em frente.

Heitor não reparou na mudança de comportamento do filho, é esse era uma das coisas pelas coisas ele se culpava, mesmo que na carta deixada por Max, dissesse o contrario ele não poderia deixar de pensar que tudo aquilo que aconteceu poderia ter sido evitado, com mais presença paterna é atenção.

Vagando em pensamentos Heitor suspirou fundo, olhou novamente para o céu que agora estava mais claro, pois o amanhecer estava começando, é foi para a casa, vazia é cheia de memorias é fantasmas, ele abriu a porta da sala, onde havia fotos da família que um dia teve, foi em direção ao corredor, passou pela porta do quarto de Max que estava fechada desde o dia que ele partiu, é por fim chegou ao seu quarto, se jogou na cama de casal, fechou os olhos, é chorou até adormecer.