De Uma Luiza Para O Mundo

12 Solidão (titulo provisorio) - Prologo de Suicidio


Notas iniciais
Esse é o prologo de uma historia que futuramente eu irei escrever, assim que eu acabar os que eu comecei...
Espero que gostem!

Tinha um caminho...

Tinha um jardim de infância no meio do caminho.

Tinha um jardim de infância...

Tinha um jardim no meio do jardim de infância.

Tinha um jardim...

Tinha um caminho, um jardim de infância, um jardim e no meio de tudo isso tinha uma menina.

Tinha uma menina no meio do jardim.

Tinha uma menina no jardim de infância.

Tinha uma menina no meio do caminho.

Tinha uma menina...

Tinha...

Tinha um jardim.

Nesse jardim tinha uma flor...

Sim!

Tinha uma flor no meio do jardim.

Essa flor era Jasmim.

Jasmim era o seu nome.

Jasmim era a flor.

E tinha a felicidade...

Tinha a felicidade no meio de Jasmim.

No meio da flor...

Dentro da flor...

Dentro de Jasmim.

Mas também tinha a menina!

Também tinha uma menina no meio desse jardim!

Ah, sim!

Tinha sim!

Ainda tem!

Tinha uma menina no meio desse jardim,

Bem perto de Jasmim.

Jasmim, flor!

Tinha a flor e a menina.

No mesmo jardim.

No meio desse jardim.

Lembra que tinha uma menina no meio do jardim?

Ainda tem!

E dentro dessa menina tem uma coisa.

Uma coisa triste...

Dentro dessa menina tinha a solidão.

Tinha uma tal de solidão dentro dessa menina.

A menina estava agachada perto do jardim, ninguém entendia o porque dela se isolar do resto das crianças. Uma criança na flor de seus poucos anos deveria estar correndo pelo pátio, junto com as outras crianças cheias de energia.

Mas ela não.

Ela estava quieta, agachada peto do jardim.

E nesse jardim tinha uma flor entre tantas mil que olhava para a menina.

Olhava curiosa.

Porque a menina se isolava perto de seu canteiro? – pensava Jasmim.

Olhava e olhava a menina.

A menina sentou no chão e abraçou os joelhos, pegou um graveto seco e começou a riscar a terra, fazendo desenhos abstratos e aleatórios.

A flor foi esticando seu corpo até chegar perto suficiente da menina para ver seu rosto. Os olhos e a expressão, aparentemente sem emoções, mas que olhando bem no fundo dos olhos, podia-se ver uma tristeza diferente de todas as outras, jamais vista.

Jasmim olhava a menina com um olhar curioso.

O que será que deixou essa menininha tão triste? – perguntava-se ela.

Jasmim levou a folha a boca com um olhar de dó para a menina.

Preciso ajuda-lá! – pensou.

- Ola! – disse Jasmim com um sorriso amigável.

A menina, ao ouvir a voz da flor, parou de rabiscar no chão, olhou para ela, largou o graveto e tornou a agarrar os próprios joelhos fitando o chão.

- Você está bem? – perguntou Jasmim preocupada.

Ela acenou a cabeça negativamente.

- Tá com algum problema?

Ela acenou que sim.

- O que foi?

Ela deu de ombros como quem diz que não sabe.

- Quer que eu te ajude?

Deu de ombros novamente como quem diz: pode ser...

- Vou te fazer algumas perguntas, posso? – perguntou carinhosa.

- Pode. – disse a menina indiferente.

- Tudo bem. Vamos começar? Bem...

- Posso passar a pergunta? – interrompeu ainda fitando o chão como todas as outras vezes.

- Pode. Fique à vontade! – disse com mais um sorriso – Bem... Como é seu nome?

- Passo. — respondeu ela.

- Tudo bem eu não preciso saber o seu nome. – pegou o graveto que antes a menina brincava e marcou uma linha — Quantos anos você tem?

- Passo.

- Passou? Hã, tudo bem! Isso é irrelevante. – disse fazendo mais uma linha, ao lado da primeira — Quem são seus pais?

- Passo.

- De novo. – mais uma linha — Então, onde você mora?

- Passo.

- De novo? Então vamos tentar outra abordagem. O que você faz aqui, sentada, e não com as outras crianças?

- Passo.

- Você se sente bem aqui?

- Passo.

- Não gostaria de estar lá junto com as outras crianças?

- Passo.

- Estar sozinha te faz feliz?

- Passo.

- Algum motivo pra isso?

- Passo.

- O que você está sentindo?

- Passo.

- Poxa você já passou dez perguntas. – disse triste – No final não consegue responder nenhuma, né?

- Passo.

- Ficar aqui isolada, não te dá uma falca sensação de segurança?

- Passo.

- Mas isso é uma pergunta sem resposta, não parece?

- Passo.

- Ficar ai, parada, sozinha no seu cantinho perto da flores, vai fazer com que alguém note em você?

- Passo.

- Você percebe que alguém pode se interessar pelo que você sente e tentar te ajudar?

- Passo.

- Você já pensou em buscar a ajuda de alguém?

- Passo.

- Já parou pra pensar que se você for mais forte vai poder lidar com essas situações?

- Passo.

- E se você se abrisse com alguém, não se sentiria melhor?

- Passo.

- Apenas tentar iria te machucar tanto assim?

- Passo.

- Você tem medo de criar expectativa e se ferir, por isso se reclusa, não é?

- Passo.

- Por que você não tenta falar? – disse com um lagrima já quase escorrendo pelo rosto.

- Passo.

- Por que você está me ignorando? – a lágrima ameaçava cair pelas suas pétalas.

- Passo.

- Você não consegue nem olhar pra mim direito?

- Passo.

- Por que você é assim? – dizendo isso lagrimas transbordaram se seus olhos.

- Passo.

- Snif. Por que? Por que? Porque? Por que? – dizia debulhando-se em lagrimas — Por que...?

Ficou um silencio, alem do barulho de fora daquele meio, só se ouvia a flor fungando e chorando desesperadamente. Até que o silencio se quebrou.

- Passo. Passo. Passo. Passo... Passo.

- Você passou trinta vezes. – disse riscando a trigésima linha na terra — Trinta vezes você me ignorou, me recusou e me esnobou.

Mas essas palavras não a afetaram ela continuou como na primeira pergunta, parada, calada e fitando o chão com sua expressão vazia e sem sentimentos, e em seus olhos, Jasmim já não conseguia ver a tristeza, já não via sentimento algum.

- Você é má. Um ser malvado e perverso, sem coração! Custava mentir e ter um pouco de sensibilidade com que tentava te ajudar?

- Passo.

E chorando a flor Jasmim se despetalou em lagrimas, se desmanchou em tristeza e caiu despedaçada no chão.

A menina vendo essa cena pegou o graveto e riscou mais uma linha.

- Trinta e um.

Notas finais
Então?
O que acharam?
S ainda lembram de mim deixem reviews!!! Onegai!