Notas iniciais
oláá amiguinhos maliciosos que já esperam um capítulo cheio de impurezas. Não dou spoiler, então se querem matar sua curiosidade, leiam o belo capítulo, indiquem o belo capítulo e a bela fanfic, COMENTEM o belo capitulo, etc etc. obrigada pela atenção.

A ilusão de que iriamos fazer o trabalho na minha casa, com a presença de Zi – minha empregada, mas ela trabalhava para os meus pais há tanto tempo que o termo “empregada” não era o apropriado -, foi totalmente por agua abaixo quando Marcos Oliveira entregou um papel arrancado de seu caderno com as letras mais feias e bonitas que eu já vi.

– Apareça por lá as três – ele disse, com um sorriso largo. Depois piscou para mim, botou os óculos escuros e foi andando para perto dos seus amigos, que sumiram quando viraram a esquina da rua.

– Vocês já vão fazer o trabalho? – Melissa perguntou, parando do meu lado e observando o papel.

– Hm... Er... Acho que sim – maldita gagueira.

– Pelo menos eu não sou o único sofrendo com o meu par – Caio resmungou, dando um sorrisinho falso para a Carol Neverro, a garota mais nojenta e irritante de todo o Universo.

– Ah, para de reclamar Caio, eu estou com a Borges – Laura surgiu, segurando um espelho enquanto retocava o rímel.

– Achei legal você cair com ela – falei – Assim vocês podem parar com esse mal entendido entre as duas. Eu gosto da Julia, ela é meiguinha.

– Mal entendido? – Laura apontou o rímel para mim, como se fosse um objeto letal – Ela fez aquilo de propósito!

Mais ou menos um ano e meio atrás, Laura estava namorando com nada menos nada mais que Marcos Oliveira. Sim, sim. Ela fora a primeira e a última namorada séria dele, e realmente parecia que os dois se gostavam de verdade. Como eu estava na época em que estava de rolo com o Caio, eu apoiava totalmente o namoro dos dois, já que o Marcos ficava menos irritante com ela. Mas, numa festa em que não podemos ir pois estávamos em Teresópolis, Marcos abusou da bebida alcoólica e digamos que... Ficou com a Julia. Só ficou, nada mais. Porém, traição é traição.

– Isso já faz mais de...

Laura virou o rosto e foi andando mais rápido, para alcançar João, dando assunto como encerrado.

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Olhei para o relógio novamente. Três e dois. Eu iria de bicicleta, mas não sabia que rua era aquela que ele morava na Tijuca, e eu não ia querer chegar toda suada e fedida na casa de Marcos Oliveira.

Peguei um taxi e quinze minutos depois lá estava eu, encarando um dos prédios luxuosos da Tijuca. Quando me apresentei para o porteiro, ele apenas concordou com a cabeça e apontou para onde ficava o elevador. Quando cheguei no andar – que pelo visto era um apartamento por andar – a porta já estava aberta.

– Licença – disse, ficando quase sem fala. Era o apartamento mais chique e simples ao mesmo tempo. A combinação era perfeitamente equilibrada, com tons escuros, claros, coloridos... Tudo em perfeita harmonia.

– Minha mãe que decorou – ouvi a voz de Marcos.

Ai, nossa senhora da bicicletinha. Ele estava vestindo uma bermuda jeans e uma blusa preta, que realçava seu corpo de deus. Ele caminhou até a porta, e a trancou. Aquele movimento fez meu coração acelerar.

– Então, Gabriela – ele disse – Quer fazer o trabalho aqui ou no meu quarto?

– Hm.. Er... – respire fundo, você nunca foi de gaguejar – Aqui está bom.

Marcos sorriu suavemente.

– Como a madame deseja, só irei buscar o computador.

Dois minutos depois já estávamos agachados na mesa de centro, ele pesquisando, eu copiando para o papel. Trocávamos apenas as palavras necessárias sobre as dúvidas do que fazer, e toda vez que ele aproximava o rosto perto do meu para ler o que eu estava fazendo, era mais uma luta contra a gaguice.

Meia hora depois, Marcos sentou-se no sofá e balançou a mão.

– Vamos fazer uma pausa. – ele disse – minha mão já está doendo.

– Você só começou a escrever a quinze minutos atrás!

– Eu sei, mas a minha letra não é naturalmente bonita. Eu tenho que me esforçar para deixá-la não muito feia perto da sua.

– Minha letra não é bonita, cara.

Ele revirou os olhos.

– Simplesmente odeio quando garotas falam que suas letras são feias. As meninas já nascem com o dom de ter letras bonitas.

– Então eu sou um menino, só pode.

– Não creio que você seja um garoto, Gabriela. – o sorriso dele era mais do que malicioso. Então, por apenas um rápido segundo, Marcos olhou para aquele lugarzinho abaixo do meu pescoço, e depois voltou a olhar para mim.

Prazer, meu nome é Gabriela Viera, mas você pode me chamar de Pimentão Vermelho. Acho que Pimentão Vermelho se enquadra muito mais para mim do que Gabriela Viera, então quando você me conhecer me chame de Sra. Vermelho.

– Existe uma coisa chamada silicone – me levantei, sentando do outro lado do dele, para me apoiar no braço do sofá.

– Se isso aí for silicone, eu ficarei bastante decepcionado – Ele não desviava aqueles olhos azuis brilhantes dos meus olhos castanhos envergonhados, mas parecia se controlar para não dar outra espiadinha.

– Bom, eu não me chamo Carolina Neverro – respondi.

– Aquilo é puro silicone – nossas risadas preencheram o ambiente.

E por um momento, pintou um clima muito grande. Tão grande que os olhos dele desviaram para os meus lábios, e os lábios dele abriram um pouco, como se ansiassem tocar nos meus. Mas estávamos longe demais um do outro, e teríamos que nos mexer demais para conseguirmos realmente nos beijar, e isso acabaria totalmente com o clima.

– Vamos voltar ao trabalho – falei.

– Você acredita em vida após a morte, Gabriela? – Marcos perguntou, algum tempo depois, quando estávamos quase finalizando o trabalho.

– Acredito.

– Acredita por que simplesmente acredita, ou porque tem medo de viver uma vida idiota para depois morrer e não chegar em lugar nenhum?

Parei de escrever por um momento, pensando no que responder. Depois, voltei a escrever.

– Eu sou uma pessoa medrosa – disse, por fim.

– Então...

– Eu acredito sim em Deus. Acredito que tenhamos uma alma e que quando esses corpos não forem mais tão fortes para abrigar algo tão poderoso, iremos morrer, nossa alma irá para um determinado lugar dependendo de o quão bom ela é, pagaremos por nossos pecados, e depois iremos reencarnar. É nisso que eu acredito.

Marcos ficou em silêncio, olhando distraído para a tela do computador. Depois ele virou para mim e sorriu. Não era um sorriso malicioso, nem sedutor, como todos os outros que ele sorria para mim. Era um sorriso sincero e alegre, quando uma criança ganha um doce que não esperava.

E eu sorri de volta, sem entender o porquê daquela pergunta, e muito menos o porquê daquele sorriso tão verdadeiro. E nem tive tempo de perguntar, porque aquele clima pintou de novo. E estávamos próximos o bastante para nossos lábios se encontrarem sem nenhuma movimentação estranha.

E como eu imaginava, implorava e desejava, ele se aproximou de mim, levou as mãos para a minha bochecha e minha nuca, e nossos lábios se encontraram.

Sim, sim. Eles se encaixavam perfeitamente como todos os contos de fadas e livros diziam nos primeiros beijos dos principais. Se encaixavam tão perfeitamente e moviam-se na mais perfeita sincronia. Até suas mãos descerem para a minha cintura, me puxando para mais perto dele. O beijo se tornou voraz e desesperado, como se estivéssemos a ponto de morrer e nosso último pedido fosse beijar. Beijar, e beijar muito mesmo.

Minhas mãos agarraram o pescoço dele, e acabaram arranhando de leve a pele bronzeada que não estava coberta pela camisa. Marcos aceitou aquilo como uma provocação, passando a mão desde as minhas costas até minha barriga. Eu sabia que ele ia puxar minha camisa. Eu sabia, e eu desejava.

“Tenho que fazer um discurso de o quanto ele é ridículo e só vai acabar com seus sentimentos, destruir sua felicidade, pegar sua virgindade etc etc etc?”

Me afastei dele, ofegante.

– Desculpe – ele disse, olhando para mim. Os lábios entreabertos, procurando por um ar que fora roubado. Aqueles lábios perfeitos e vermelhos que estavam a poucos segundos colados aos meus, aquela língua batalhando contra a minha...

– Não. Quer dizer... Hm... Desculpe-me.

– Não, Gabriela. Desculpe-me. Não deveria ter feito isso.

– Não me arrependo de nada – acabei soltando. Não consegui encarar Marcos, mas pude ver que ele estava sorrindo.

– Vamos, senhorita Viera. Estamos enrolando muito com esse trabalho. Vamos acabar logo com isso.

Concordei com a cabeça.

– Depois podemos ver um filme. Ou eu posso te levar em casa.

Olhei para ele. Aqueles olhos azuis encantadores estavam brilhando de tanta maliciosidade, e eu não conseguia ficar menos corada. Eu queria, queria mesmo Marcos Oliveira. Queria tanto que quase ignorava o fato de que eu ainda era virgem.

Mas convenhamos, como eu já disse há muito tempo, Marcos não era o tipo de cara que você gostaria de lembrar daqui a alguns anos que o babaca que tirou sua virgindade foi o mesmo que despedaçou seu coração.

Notas finais
comentarios? lindas reviews para essa linda escritora que está numa depressão pós-término de Quem é Você, Alasca?