Notas iniciais
Boa leitura :)

Eu sempre estou pensando na minha vida. Todos deveriam pensar também. Como eu saberia que 11 anos depois eu estaria aqui, sentada no chão compartilhando minha história complicada com vocês e desenrolando o meu passado. Quando eu era criança, nunca imaginei esse futuro pra mim. Futuro inesperado. Necessário. Eu tava mesmo precisando disso. Boas, longas e memoráveis histórias pra contar pelo resto da minha vida. Sendo que ela não acabou ainda". -Marian pausou sua experiência de vida para olhar quem chegava atrás dela.

Foi nesse momento em que mais moradores de rua chegaram e sentaram na roda de conversa, a qual formavam todas as noites, compartilhavam suas histórias e esclareciam o cruel motivo pelo qual estavam nas ruas. Quando se mora na rua, um ajuda o outro. A humidade vem à tona, na maioria dos casos.

–Olá pessoal, a gente pode se juntar a vocês? -cumprimentaram os dois homens raquíticos que se juntaram à roda.

– Oi, como vão? Moram por aqui também? -perguntou Marian, sorrindo.

– Sim, inclusive, meu nome é Yannick, e esse é meu irmão mais velho Maison.

Todos do pequeno grupo cumprimentaram os dois novos integrantes, se apresentando. Marian, 28 anos. Collin, 15 anos. Apollo, 57 anos. Anne Lanie, 22 anos. Brianna, 34 anos. E agora, Yannick de 19 anos e Maison de 24.

–Quando se mora na rua, se passa a ser invisível. As pessoas comuns não fazem ideia do quanto isso é ruim. -disse Collin, puxando assunto.

–Prossiga com sua história, Marian. -retomou Yannick.

–Eu fugi de casa aos 17 anos, pessoal. Eu morava em Michigan e vim pra cá, Fortaleza. Nunca mais voltei para casa. Deixei meus pais, minha casa, minha cachorrinha e meu namorado. Perdi muita coisa, mas ganhei ainda mais vindo pra cá. Eu não tenho casa, nem meus pais, nem um namorado e nem minha cachorra aqui, mas eu carrego eles dentro de mim. Muita coisa aconteceu enquanto estive vagando pelo mundo. Nesses onze anos incríveis... e provavelmente, temos muitas noites pra compartilhar nossas histórias. Eu cheguei aqui desorientada, e não sabia o que fazer. Com uma mala e R$ 1.500 reais na mão, acabei entrando no primeiro hotel que vi e me instalei. Passei 4 dias ali, e fui idiota ao não ter pensado que aquilo tomaria todo o meu dinheiro. Recebi as contas e depois disso, fui tomando a atitude de vender meus pertences, depois meu celular, depois pedir dinheiro na rua, e aqui estou eu. Antes, eu reclamava por não ter um vestido vermelho pra ir pro baile de formatura, agora eu agradeço por ter uma manta, duas blusas e duas calças. E é só isso que tenho. As pessoas costumam querer mais, quando devem querer menos. Eu realmente não precisava de tantas roupas, nem de tantos sapatos, nem de acessórios caros. Eu era jovem e imatura, e se hoje eu ganhasse uma roupa, eu a doaria. Já tenho duas blusas e duas calças. Basta. Tem pessoas precisando mais que eu. Com certeza deve ter alguém que só tem um par de roupas. Quem sabe, eu saio por aí perguntando". -um curto silêncio prevaleceu no momento e Maison olhou as horas numa fachada digital de uma loja próxima. Já tava tarde, e decidiram se organizar pra dormir. E assim viviam dia após dia.

Notas finais
O que estão achando? Comentem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.