De Sol a Sol
2 De frente pro futuro
Notas iniciais
Segundo capítulo pra vocês! Espero que gostem :3
E ali estava eu, no aeroporto, esperando meu voo de fulga. Falsifiquei as assinaturas dos meus pais e tudo mais que pudesse me impedir de sair de lá. No momento, eu não tinha um motivo tão concreto pra fugir. Talvez fosse raiva, pelo que tinha acontecido na noite passada. Eu não queria as pessoas invadindo minha vida por tudo. Eu queria ser independente. De fato, fui. Sou. Até demais.
Entrei no avião e esbarrei com uma criança que por acaso, iria se sentar do lado do meu assento, junto com uma moça que parecia ser sua mãe. Ainda lembro como se fosse ontem de me impressionar com o tom da cor dos cabelos da criança que era uma menina chamada Zoe e tinha aparentemente 4 anos. Sua mãe se chamava Elise e passou boa parte da viagem calada, sem reação nenhuma no rosto. Cheguei a pensar que estava até morta, mas de vez em quando ela respirava ofegante. Durante aquela viagem, pensei bastante em algo que fizesse eu não me arrepender de estar saindo do país escondida. Eu não carregava boas lembranças da noite passada. A noite em que descobri o passado dos meus pais, e tive vontade de nunca mais olhar na cara deles. Tudo começou quando eu resolvi perguntar para minha mãe Anna, como ela tinha conhecido meu pai, Eduardo. Ela respondeu de um jeito grosseiro como todas as vezes que eu perguntava sobre passado. Ela escondia o passado de mim. E agora eu escondo o meu futuro dela. Tudo muito justo.Sempre fui um pouco rebelde, assumo, mas nunca tinha levado a sério o fato de fugir. Minha vó me daria força se tivesse viva. Minha vó me traz boas lembranças. Mas ela me deixou do jeito que eu esperava mesmo. Infelizmente ainda não descobriram o soro da imortalidade, o que fez a alma dela sumir desse mundo em um piscar de olhos. No piscar dos meus olhos, pra ser mais detalhista. Eu não deveria ter fechado os olhos, deveria ter continuado encarando o rosto dela, enquanto lutava contra aquela quantidade absurda de água nos pulmões devido ao afogamento. Ela morreu afogada, ninguém sabe como, mas costumava nadar num riacho que existia a uns quilômetros da nossa casa. Eu queria que ela estivesse aqui. Minha vó, meu anjinho, minha pérola, minha vida. Minha vida já não tava mais lá. As pessoas que estão de luto costumam dizer que uma parte delas morre também, mas naquele momento, eu estava mais viva do que nunca, e a dor da perca que latejava e gritava em todas as minhas partes não me deixou esquecer que eu continuava viva. Perdi minha vó afogada.Voltei ao avião. Eu tinha viajado nas minhas lembranças. Eu tinha mergulhado nas minhas memórias. Estávamos na metade do voo, quando a pequena Zoe começou a cutucar meu pulso, deixando claro que tinha se interessado por uma pulseira que ali estava. Olhei-a e sorri. Ela me olhou e virou rapidamente para ver se a mãe estava vendo. Não demorou muito para Elise perceber e achar que aquilo me incomodava. Pediu para Zoe parar e eu respondi com pressa "Não, não me incomoda. Eu sou completamente apaixonada por crianças. Inclusive, sua filha é muito simpática", ela agradeceu e começou a falar detalhes sobre a vida delas e que estavam indo embora para o Brasil atrás de vida melhor. Comentei sobre minha vida também, mas nada que fizesse ela pensar que eu era uma fugitiva, uma adolescente rebelde, uma louca. Fizemos amizade, e acabei cedendo minha pulseira para Zoe. Me pergunto as vezes, por onde anda Elise e Zoe. A garotinha dos cabelos espantosamente loiros e sua mãe claramente deprimida. Não perguntei em nenhum momento onde estava o pai da menina, pois não é impossível que ele tenha morrido afogado também.Quando pisei nessa terra brasileira, senti o sol e logo caiu a ficha. Eu tava num território desconhecido, sem casa, sem comida e esbarrando a cada segundo com pessoas claramente nativas do país, e consequentemente me olhavam como se eu fosse um E.T., o que me levou a suspeitar seriamente que minha expressão facial denunciava meu desespero. Mas não me arrependi. Eu tava livre. Ninguém me conhecia ali. E eu não conhecia ninguém.E foi ali que começou, foi ali que dei de cara com o mundo. A vida de todo mundo para em algum momento. A minha, parou naquele. Mas uma coisa que eu não tinha me tocado, é que a vida não para.
Notas finais
Uffa acabei espero sinceramente que gostem, e agradeço por estarem lendo minha história, tendo tantas opções.
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