De Repente Rainha
1 I: Apenas Lembranças (1)
Notas iniciais
[Pov de Aracelly]
"- Até que enfim. Divertiu-se? — Ricardo, meu irmão, perguntou com malícia.
– Não sou suas amiguinhas para me divertir como pensa. — Respondi saindo da sala de estar indo para o quarto.
– Aham! Sei.
Eu preferia não ter escutado essa gracinha mais uma vez. Ele é o mais velho, mas continua sendo infantil.
– Isso é hora? Pelo menos conseguiu emprego? — Minha mãe me interrogava no corredor do segundo andar da casa.
Estava pouco me importando para ela e essa família que o destino havia me arrumado. Minha cabeça pensava em milhões de coisas ao mesmo tempo. Não tinha espaço para discussão.
– Me deixem em paz, caramba. — Gritei, ja trancada no meu quarto e ela parou de tagarelar do outro lado. — Que vida cruel."
– Se eu soubesse que ia ser assim... — Chorei ao me lembrar desse dia, e muito.
Não sei nem há quanto tempo estou nesse estado: Sentada, com meus longos cabelos soltos e meus olhos verdes, agora rodeados pela vermelhidão de tanto choro, abraçando minhas pernas, em cima dessa enorme cama... De repente alguém bate a porta.
– Entre! — Permito, enquanto me apresso para enxugar minhas lágrimas.
– Senhorita Aracelly, está sendo chamada para aula de ação. — Minha serva avisa — vou preparar seu banho e vestido.
– Grata, Mara. Poderia ser uma calça?
– O que desejar, Senhorita. Com sua licença. — Mara me reverencia e se retira.
Começo mais um dia nesse palácio. Meu sexto dia no Palacio de Queluz.
Todo o alvoroço causado pelo status do novo Rei de Portugal ocasionou numa epidemia de presidentes evoluindo seu título para Rei. É incrível como o poder influencia e cega uma a milhares de pessoas desta maneira.
"- Em pouco tempo, percebo que tenho sido um ótimo exemplo para presidentes e governantes de vários países. Digo que uniremos forças. Por isso, o Brasil será novamente um domínio português. Duas Jovens brasileiras serão as futuras princesas de Portugal e eu serei o Imperador do Brasil. O atual presidente não se opôs — o rei anunciava contente na televisão. Também ninguém em sã consciência iria se opor sob ameaça.
– O quê?! — Exclamei, jogando fora todo o pedaço do sanduíche que havia em minha boca."
Não acreditei que Gregório estava falando sério, muito menos que seria uma das escolhidas para isso, menos ainda que seria da maneira mais misteriosa e estranha.
– Pronto! Me acompanhe, Senhorita. — Mara me guia até meu banheiro.
Entrei na luxuosa banheira para um banho. Procurei não chorar, lembrando da saudade que tenho de casa, apesar de todos nossos conflitos. Assim que terminei, Mara me ajudou no processo de me vestir, maquiar e pentear.
Ela é um amor de pessoa. Não sei da sua história, proibida de trocar muitas palavras comigo. O clima nesse palacio não é como em conto de fadas.
Nesses primeiros dias ela cuidou tão bem de mim. E à caminho do jardim para mais uma aula, continuava a me acompanhar. Porém, seu comportamento formal e exagerado me incomoda. Então, resolvi acabar com isso.
– Sabe que comigo é diferente. Por favor, não faça sentir-me mais estranha com esse seu comportamento formal — sussurei, já que em todo lugar há um guarda nos vigiando.
– Não quero que seja deste modo, Senhorita. Estou apenas cumprindo meu papel. Papel que o rei designou-me. — Respondeu de cabeça baixa enquanto continuamos o percurso.
– Seu papel é me servir, me agradar, certo? — ela assente — Ainda olhando para o chão, Mara? Parece que seu simples sapato é mais interessantes que olhar em meus olhos. Então, quero que pare de fazê-lo. — ela congela e me encara.
– Mas, Senhorita, é ordem do rei. Eu não po..
– Cale-se. — Interrompi — Sua Majestade incubiu-a de me agradar. E estará me agradando se parar de comportar-se como uma máquina.
– Como quiseres, Senhorita Aracelly. — Diz me olhando.
– Melhor assim. Vamos.
♦♦♦
[Pov de Isabel]
" Em meio a praça, pulei em seus braços e o abracei.
– Claro que aceito, meu amor.
– Feliz sou por tê-la ao meu lado. — Hernán disse sorrindo — Casados? Imagina?
– Nossos filhos... Você e eu... em nossa casa...
– É um sonho, Futura Senhora Guitierrez?
– Não. É nossa realidade. — Sorri de volta."
Tudo terminou sem antes ter começado. Tudo por culpa dele: Arturo de la Fuente.
– Senhorita Isabel, todos estão presentes na sala, esperando-te para decidir os detalhes do casamento.
Casamento. Essa palavra sairia perfeita para mim, caso fosse Hernan meu marido.
– Não tenho escolha, certo?
– Sinto dizer que não.
Desci . Era meu destino talvez. Tentei fugir de tantas maneiras, arrisquei a vida de Hernán nisso. E minha consequência quase foi sua morte.
" — Tente mais uma vez... Só mais uma vez, mas esteja ciente das consequências. Ele morre, não duvide.
– Você é mais forte agora, então aceito. — disse olhando para o chão.
Ele se aproxima, segura meu queixo, me forçando a olhar em seus olhos e logo sussurra:
– Serei sempre, querida.
– Suas ameaças não me assustam. — Retruquei com raiva.
– Mas, deveria. É um conselho. — Me deu um beijo e saiu para mais uma reunião."
– Senhorita Isabel Puebla! Aqui está ela. — Um homem, muito animado para meu gosto, anuncia. — Futura Senhora de la Fuente. Que luxo! Mil prazeres em conhecer-te, Rainha da Espanha.
– Controle-se, por favor, e não seja bajulador, pois perde seu tempo. Ainda não casei com Sua Majestade. Então, trata-me apenas pelo meu nome.
– Claro! Por onde deseja começar? Estamos todos a sua disposição.
Vestido, buquê, decoração do salão, lista de convidados, convite, lua de mel... e etc. A maioria escolhi com indicação da equipe. Estou nem um pouco animada para esse casamento forçado.
♦♦♦
[Pov de Aline]
Para qualquer menina seria um sonho casar-se com um dos princípes. Para mim não é. Porque sonho com meu principe encantado. Pode parecer infantil.... talvez muito infantil. Mas, é pecado querer casar com o grande amor da sua vida? Eu não acho.
Imagino que seja horrível ter que abandonar sua alma gêmea, largar sua felicidade por causa de outra pessoa.
Nunca passei por isso. Mas, estou tendo que largar minha opinião, minha decisão, para qualquer rumo da minha vida. Caso um dos príncipes me tome por sua mulher, perderei minha vida para viver como ele quiser. Isso é injusto.
– Olá! Posso me sentar aqui? Claro que se não for te atrapalhar. — uma das escolhidas pergunta.
– Pode. À vontade.
– Sinceramente, só posso conversar com minha criada, mas ela está meio alienada com essa história toda. — Eu ri com seu comentário.
– Verdade. No meu caso, não confio muito na minha. Sinceramente, não posso confiar em ninguém. Queria estar com minha família agora.
– Eu também. — Suspira — Sabe o que exatamente é essa aula de ação?
– Ouvi algumas meninas dizerem que será aula com arco e flecha. — Digo e ela se espanta.
– Sério? Estou ferrada!
– Somos duas! — Rimos enquanto vemos os tecnicos prepararem o jardim.
– Me chamo Aracelly. — Ela diz após um tempo em silêncio.
– Aline. Prazer. — Sorrimos.
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