De Repente Narutadas
6 É apenas o início: o treinamento começa!
Notas iniciais
No dia seguinte, todos foram se encontrar no campo de treinamento número cinco, assim como Yuha ordenara. Kyaroru estava bem acordada por sempre beber café com leite de manhã – e algumas tigelas de ramen – com Bisteca repousando em seu colo, Naori estava com pequenas olheiras embaixo dos olhos, um pouco cansada, e Hitsu praticamente tinha virado um sonâmbulo, quase esbarrando em todas as árvores em volta no campo.
-Ei, não dormiu, Hitsu? – Kyaroru perguntou ao vê-lo naquele estado.
-M-mas é claro! – Hitsu respondeu.
Assim que soltou aquelas palavras, o menino bocejou muito alto e com o máximo de preguiça que o leitor consiga imaginar. Aquilo fez Kyaroru e Naori rirem, tentando ser discretas, mas não deu certo; Hitsu percebeu e fingiu que estava acordado, acelerando o passo na frente delas.
-Estou bem acordado. – ele disse virando-se para elas.
Assim que se virou para frente novamente, Hitsu acabou batendo de cara com uma árvore. Quando foi reclamar da dor, quase caiu no chão de tanto sono. As duas meninas riram histericamente num primeiro momento, mas logo foram ajudar o companheiro. Hitsu afirmou que estava bem e que poderia seguir sozinho, só que Kyaroru e Naori o seguraram e o ajudaram a andar até chegarem ao seu destino, e o deixaram sentado no chão, cochilando. Esperaram alguns minutos, até que Yuha chegou ali lendo o manual de Kakashi, de novo.
-Bom dia crianças. – Yuha disse ao chegar perto.
-Bom dia. – Naori e Kyaroru disseram, sendo que a primeira já estava bem mais acordada; já acordada, também, Bisteca latiu e abanou o rabinho, animada.
-Bom... Dia. – Hitsu disse, acordando de repente e se espreguiçando.
-Para eu conhecer melhor vocês, vou fazer umas avaliações individuais das suas técnicas, começando pela Kyaroru. Pode deixar a Bisteca descansando, ok? – Yuha começou a falar para ir direto ao ponto.
-Ok. – Kyaroru respondeu, deixando sua cadelinha ao lado dos amigos e tomando a linha de frente ao se aproximar da professora.
-Enquanto você me mostra o que consegue, Naori e Hitsu, – Yuha falava, chamando a atenção dos outros dois – vocês podem conversar se quiserem, ou meditarem nesse intervalo de tempo.
-Hai. – eles responderam.
-Venha, Kyaroru. – Yuha disse, se afastando um pouco dali para que os outros não se machucassem eventualmente – Mostre-me os ninjutsus que você sabe fazer.
Seguindo as ordens de sua professora, Kyaroru se concentrou ao máximo e se lembrou da execução dos seus melhores ninjutsus. Fez um Katon: Goukakyuu No Jutsu (Elemento Fogo: Técnica da Grande Bola de Fogo), um Katon: Ryuuka no Jutsu (Estilo Fogo: Técnica Dragão de Fogo) e um Katon: Housenka no Jutsu (Estilo Fogo: Técnica das Flores de Fênix) com perfeição e sem dificuldades. Nesse intervalo de tempo, Yuha preenchia com algumas anotações as últimas páginas – em branco – do livro que segurava.
-Muito bom! – dizia Yuha admirada com a habilidade da aluna – E essa espada aí? – a kunoichi apontou para a espada nas costas de Kyaroru.
-Ah, eu ainda vou aprender a lutar com ela com o meu irmão mais velho. – Kyaroru respondeu.
-Hum, entendi. Muito bem! Agora – Yuha virou-se para os outros alunos, que estavam meditando –, venha você, Naori.
A Hyuuga foi ao lado da professora, enquanto a Inuzuka sentou-se ao lado de Hitsu, que parou de meditar imediatamente para conversar com ela, e Bisteca ficou sentada ao lado de sua dona. Já sabendo que teria uma Hyuuga como aluna, Yuha levou ao campo um boneco de treinamento especial que tinha em casa para avaliar as habilidades do Byakugan de Naori. A menina executou todos os ataques que sabia fazer, também muito bem executados, enquanto Yuha anotava todas as observações necessárias.
Enquanto isso, os dois genins sentados um pouco longe da professora e da Hyuuga começaram a conversar.
-Hitsu, por que gostou de mim? – Kyaroru perguntou literalmente do nada, curiosa.
-Porque você é diferente. – Hitsu respondeu com naturalidade e da maneira mais carinhosa que pôde, deixando um pouco sua pose de galã de lado – As outras garotas me socam ou dão chance muito fácil; você é difícil sem me deixar ferido fisicamente.
-Hum...Você gosta das complicadas?
-É; adoro um joginho se ele for difícil. – o menino logo voltou à sua pose de galã, deixando sua voz mais galanteadora possível – E você me chamou mais atenção do que qualquer outra que daria um bom joginho.
-Você pretende tentar me conquistar? – Kyaroru perguntou tentando provocá-lo.
-O desafio que eu me fiz foi te conquistar até o festival. – Hitsu respondeu.
-Huh. Será que você consegue? – Kyaroru sorriu de canto com um ar desafiador para o novo companheiro.
Confiante em suas habilidades de conquista, Hitsu respondeu sem medo:
-Sim; você não tirou a rosa que eu te dei do cabelo. – ele passou a mão na rosa azul no cabelo de Kyaroru e percebeu que havia outra ali – Mas e essa branca? – perguntou curioso.
-A branca? Ah, eu ganhei de um amigo. – Kyaroru respondeu em um tom apaixonado, servindo como uma indireta para que Hitsu não ficasse tão confiante como estava.
Obviamente aquela rosa branca o deixou um tanto perturbado. Que amigo era aquele? Será que era só um amigo mesmo? A Kyaroru gostava desse ‘amigo’? Mesmo com essas perguntas em mente, Hitsu não desistiu de sua confiança e a manteve dentro de si, visando fazer o seu melhor para conquistar a Inuzuka.
-Hitsu, agora é você. – Yuha disse, cortando uma possível continuação da conversa entre aqueles dois.
Kyaroru olhou para Hitsu com um sorriso desafiador enquanto ele se levantava para mostrar suas habilidades para a professora, enquanto Naori voltava a se sentar feliz por ter sido elogiada por Yuha. A Hyuuga percebeu o sorriso e a troca de olhares entre aqueles dois, e perguntou curiosa à Kyaroru:
-Que sorriso foi aquele para o Hitsu?
-Desafio. – Kyaroru respondeu enquanto acariciava Bisteca em seu colo.
-Hum... Posso saber qual? – Naori perguntou desconfiada e curiosa.
-Ele disse que consegue me conquistar até o festival. – Kyaroru respondeu de forma irônica, mas curiosa para saber se daria certo.
-Duvido. – Naori comentou em um tom que era para Hitsu desistir daquela ideia.
Enquanto isso, Yuha estava observando as habilidades de Hitsu, que fazia alguns ninjutsus incríveis do Fuuton (Elemento Vento), o que a deixou surpresa em ver alguém de Konoha possuir tal habilidade.
-Incrível, Hitsu. – ela disse após anotar algo no livro – Meus parabéns!
-Obrigado, Yuha-sensei. – Hitsu respondeu orgulhoso.
Antes que ele pudesse voltar ao lado das meninas, Yuha se lembrou de um detalhe que deveria perguntar ao menino, estranhando o fato de que ele deixou de fazer algo.
-Espere, Hitsu. Tenho uma pergunta à você. – falou a professora – É sobre a Kekkei Genkai da sua família da Vila Oculta da Neve.
-C-como sabe?! – Hitsu perguntou surpreso.
Assim que o menino fez aquela pergunta, Yuha resolveu abrir o livro novamente e pegar sua caneta de volta; ela pressentia de que ele falaria algo de importante para se tomar nota.
-Antes de ontem, eu não sabia quem eram meus alunos. Mas, assim que soube, falei com o Iruka sobre você e vi seu histórico na Academia, para lhe conhecer melhor, já que eu já conhecia as meninas um pouco mais. – Yuha começou a explicar – E, pelo o que eu li e ouvi, você tem uma Kekkei Genkai para controlar o Hyouton, Elemento Gelo, não é?
Hitsu ficou, em partes, surpreso com as palavras da professora; não esperava que ela soubesse tanto dele, principalmente depois do dia anterior àquele, em que Yuha mostrou não saber quem seriam seus alunos. Mas o que ele queria? Apesar de tudo, a kunoichi era uma jounin; saber de informações como aquelas era o mínimo que ela deveria ter em mente para concertar seus dois erros anteriores: não saber quem eram seus alunos e errar a sala na Academia.
O menino logo começou a corar; parecia envergonhado. Por alguns instantes, quis responder, mas hesitou em soltar as palavras, e acabou engolindo a seco algumas vezes. Yuha apenas esperava por alguma palavra dele, tentando não ter, sob hipótese alguma, uma expressão séria em seu rosto; tentou ser o mais amável possível. Porém, Hitsu não tinha escolha; ele ficou feliz em ter Yuha como professora por algum motivo, o qual ele deveria contar a ela.
-B-bem, é, Yuha-sensei. O-o problema é que... – Hitsu respirou fundo – Eu não sei dominar a água muito bem. – ele estava envergonhado; não era algo muito bom de se admitir.
-Mesmo com uma Kekkei Genkai? – Yuha perguntou curiosa e sem poder acreditar naquilo; parecia ser impossível.
-Bem, eu ainda não consigo controlar a Kekkei Genkai direito; sou o único da família com esse problema. – ele tentou responder sem enrolar – Por isso fiquei um ano fora de Konoha; fui à vila da minha família para aperfeiçoar as minhas técnicas de ar e melhorar de água para controlar o gelo, e tentar “despertar” minha Kekkei Genkai. A primeira deu certo, mas a segunda...
-Nem tanto, não é? – Yuha completou a frase, fechando o livro novamente para que Hitsu não se sentisse tão pressionado.
-Sim. Mas meus pais ficaram felizes quando souberam que você seria minha professora, e eu também. – Yuha estranhou um pouco aquelas palavras, já que ela não via nada de especial em si mesma que fizesse com que outra pessoa dissesse aquilo sobre ela – Yuha-sensei é a melhor quando se fala em técnicas de água em Konoha.
-H-hein? – ela perguntou assustada.
Parecia até uma brincadeira de mau gosto para Yuha. “Eu?! A melhor em alguma coisa?! Ah, ele só pode estar de gozação com a minha cara!”, era o que ela pensava. Sabe, leitor, auto estima é algo muito bom e que deve ser bem cuidado, só que é uma pena que Yuha não tinha isso. Fazer o que, não é?
-Quando eu soube que você seria minha professora, fiquei feliz, pois achei que você iria me ajudar a controlar melhor a água, Yuha-sensei. – Hitsu completou.
-Ah, m-mas é claro, Hitsu! No que eu puder ajudar, é só me avisar, ok? – Yuha falou tentando esconder sua insegurança para que o menino ficasse feliz e perdesse a vergonha; ainda bem que deu certo.
-Obrigado, Yuha-sensei! – Hitsu exclamou, abraçando Yuha como forma de agradecimento.
Tanto Kyaroru como Naori estranharam o feito do menino. Mesmo tendo uma personalidade diferente da personalidade do personagem do outro anime, era estranho vê-lo fazendo aquilo. Bem, era algo que elas teriam que se acostumar. Logo, Hitsu voltou e se sentou ao lado de Kyaroru, enquanto Yuha anotou mais alguns detalhes no seu livro rapidamente, e voltou a guardá-lo. Sim, leitor, ela guardava e ‘desguardava’ aquele bendito livro toda hora MESMO.
-Bem, acabamos a primeira parte, pessoal. – Yuha começou a dizer, deixando os alunos um pouco tranqüilos.
Porém, a tranqüilidade de Naori passou quando ela repetiu em sua cabeça a frase de Yuha: “...acabamos a primeira parte, pessoal... Primeira parte... Primeira...”.
-Hum... Sensei, se essa foi a primeira parte – Naori começou a dizer, chamando a atenção dos outros dois –, qual é a segunda?
Tirando a tranqüilidade dos outros, Yuha sorriu de uma maneira suspeita. Logo veio à cabeça de Kyaroru o fato de que talvez ela fizesse uma pressão psicológica neles, assim como Kakashi fizera com seus alunos. A Inuzuka resolveu se acalmar e não tirar conclusões precipitadas.
-Bem, vocês não acharam que essa avaliação seria para aprová-los, não é? – Yuha disse – Foi apenas para ver se vocês poderiam fazer a verdadeira avaliação.
-Que seria...? – Kyaroru perguntou, já deduzindo que Yuha diria “treinamento de sobrevivência”.
-A verdadeira avaliação é... – Yuha disse, deixando Hitsu e Naori apreensivos, curiosos e um tanto nervosos – Na verdade... – Kyaroru estava tranqüila, já que estava prevendo o que Yuha iria dizer – Uma caça ao tesouro. – a jounin acabou sorrindo ao terminar de dizer aquilo.
-Uma caça ao tesouro?! – exclamaram os três surpresos.
-Perdão, Yuha-sensei, mas isso não é algo para quem tem... Sei lá... Uns oito anos de idade ou menos? – Kyaroru perguntou.
-Bem, a brincadeira de “caça ao tesouro” é feita para crianças de oito anos ou menos, mas o que vocês vão fazer não. – Yuha respondeu – Eu nomeei assim para ficar em um tom mais descontraído, mas o que vocês estão prestes a fazer deve ser encarado como uma missão.
-De que rank seria, Yuha-sensei? – Naori perguntou.
-Hum... – Yuha estava pensando – Acho melhor eu deixar isso como um mistério; vocês verão.
-E como vai funcionar? – Hitsu perguntou.
-É o seguinte: dentro dessa mata atrás do campo de treinamento, eu escondi algo muito importante, que será o tesouro de vocês. A missão é achar esse tesouro e trazê-lo para cá a salvo e em segurança. – Yuha explicava – E, além disso, vocês terão um mapa, incompleto, sobre o local onde ele pode estar. Vocês decidirão quem será o líder, não eu. Eu serei a inimiga de vocês; minha missão é impedi-los de achar o tesouro. Então...
-Temos que querer matá-la, certo? – Hitsu disse rapidamente.
-Isso mesmo, Hitsu. – Yuha comentou com um leve sorriso de aprovação – Alguma outra dúvida?
-Não. – eles responderam.
-Certo. – Yuha disse – Ah, tem mais um detalhe. Quero que vocês conheçam uma amiga minha.
Ao dizer aquelas palavras, Yuha pegou uma kunai e fez um corte no polegar e, em seguida, selos e disse em um tom alto de voz:
-Kuchiyose no Jutsu!
De acordo com o que ela se lembrara na noite anterior, esse jutsu iria invocar uma antiga companheira da kunoichi no mundo de Naruto. O jutsu foi tão bem executado que Yuha se surpreendeu; não foi nada mal para alguém que o executou pela “primeira vez” tendo como base apenas uma memória e nenhuma prática.
Logo, apareceu entre a fumaça branca uma figura grande, forte e confiante na frente de Yuha. Antes que os alunos pudessem parar para pensar, viram uma ave com penas acinzentadas, de sessenta centímetros de altura pesando sete quilos, com garras de seis centímetros – com força suficiente para quebrar um crânio humano de um adulto – e que possuía um bico cinza-escuro curvado para baixo.
-Apresento à vocês minha amiga voadora Yumiko – dizia Yuha enquanto os alunos ficavam de boca aberta por causa do tamanho daquela ave pousada no chão e fitando-os na frente da professora –, ela é uma harpia e vai supervisionar a missão de hoje de lá de cima – a kunoichi apontou para cima com a mão direita – para me ajudar na avaliação final.
-E-essa ave vai lhe ajudar a decidir quem vai passar? – Hitsu perguntou encarando a ave.
-Não, farei isso sozinha. Mas ela vai me ajudar na hora de eu saber quais são suas qualidades e defeitos durante uma missão, para que eu tenha dois pontos de vista e seja mais precisa no treinamento de vocês. – Yuha respondeu calmamente – Diga olá, Yumiko.
-Olá à todos. – disse Yumiko com sua voz fina e potente, com um tom imponente, de alguém que pertencesse à nobreza.
-Ela fala?! – os alunos perguntaram.
-Também ficaria surpresa se eu fosse vocês. – Yumiko falou seriamente ainda com aquela pose forte e um tanto dominante – Bem, como a possibilidade de vocês sofrerem um acidente com essa cidadã aqui é grande – disse olhando para Yuha, na tentativa de irritá-la –, ela não pôde evitar em me chamar para dar uma ‘asinha’. – ela deu uma piscadela para os alunos, que reviraram os olhos por causa do trocadilho.
-Ela não é um amor? – comentou Yuha ironicamente – Bem, pode começar a fazer o seu trabalho, Yumiko, enquanto eu faço o meu aqui.
-Certo. – a harpia cinza respondeu, e logo tomou impulso e saiu voando com velocidade, habilidade e grandeza.
Depois, a kunoichi virou de costas para os alunos e colocou em cima de uma espécie de pedra bem grande um relógio preto, já que a caça ao tesouro teria um horário limite.
-Vocês têm até às dez horas para completar a missão. Agora são quase sete, creio que é tempo mais do que suficiente. – Yuha disse, ajeitando o relógio.
-Certo! Vamos arrasar, não é Bisteca? – exclamou Kyaroru, se levantando, porém, Bisteca não estava ali ao seu lado, sumiu sem que a menina percebesse – Bisteca? Bisteca?! Bisteca!
-Pra onde ela foi?! – perguntou Naori, procurando a cadelinha.
Logo veio uma ideia à cabeça de Kyaroru que a deixou furiosa, fazendo com que sacasse uma kunai e lançasse contra Yuha, exatamente depois que ela acionou o relógio. Porém, a kunai acertou a pedra atrás de Yuha, que desaparecera antes de ser atingida.
-CADÊ A BISTECA, YUHA-SENSEI?! – Kyaroru exclamou.
-Siga sua intuição, Kyaroru. – a voz de Yuha ecoou no local, vindo de um lugar em que os alunos não sabiam onde; a professora tinha sumido. Estaria escondida entre as árvores, talvez?
Irritada e começando a respirar fundo de raiva, Kyaroru gritou o nome de Bisteca na tentativa de ouvir algum ruído, por menor que fosse. Nada. Começou a farejar o cheiro de Bisteca, porém, ela não tinha mais faro.
-O QUE VOCÊ FEZ, YUHA-SENSEI?! – exclamou olhando para o alto – SE VOCÊ MACHUCAR A BISTECA, EU JURO QUE... – ela foi interrompida por Hitsu, que fez um gesto com mão para que ela ficasse quieta.
O garoto observou à sua volta e, em sua expressão, mostrava que tinha percebido que algo estava errado ali. Naori fez o mesmo, mas pensava que ele estava procurando Yuha, mas não estava.
-Meninas... – Hitsu disse, chamando a atenção delas – Isso não é real! É um genjutsu!
-O quê?! – elas exclamaram olhando uma para a outra.
Todos fecharam os olhos e se concentraram para se libertarem do genjutsu, sendo que Kyaroru e Naori estavam retomando suas memórias para saberem como fazer.
-Libertar! – os três gritaram simultaneamente apos fazerem o selo do jutsu.
Nada ocorreu, eles continuavam ali, dentro do genjutsu. As garotas começaram a ficar preocupadas e forçavam cada vez mais suas memórias para saberem como executar aquilo com mais força, enquanto Hitsu se concentrava em suas habilidades para sair dali também. Em instantes, gritaram “Libertar!” simultaneamente mais uma vez. Daí, deu certo.
Assim, a imagem do ambiente à volta deles começou a ficar vermelha e a se distorcer abstratamente, e, em instantes, voltou à sua coloração e aspectos normais. Com isso, acabaram ouvindo um latido agudo; era Bisteca tentando chamar atenção de Kyaroru que, até aquele momento, estava imóvel por causa do genjutsu, assim como os outros.
-Bisteca! – Kyaroru exclamou e pegou a cadelinha no seu colo.
-Muito bem, Hitsu. – disse Yuha, sentada em um galho da cerejeira atrás deles, anotando algo no livro e terminando de comer uma maçã tranquilamente – Percebeu que era um genjutsu rapidamente. – deixou a parte da maçã que não iria comer ali para jogar no lixo mais tarde, guardou o livro e logo pulou para o chão.
-Obrigado, Yuha-sensei. – Hitsu disse – Só que... Pensei que ele fosse mais forte quando não saímos na primeira tentativa.
-Meu objetivo não era deixá-los presos por lá para sempre, só tempo suficiente. – Yuha se explicava – Da próxima vez, será bem pior e mais difícil de sair.
“ ‘Só tempo suficiente?’ ” – Naori pensou na frase da professora – “Como assim?”
-Ah... Y-yuha-sensei... – disse Kyaroru meio constrangida – Desculpa pelo escândalo.
Yuha fitou a aluna seriamente e disse:
-Eu desculpo, mas depois vamos ter que conversar sobre isso. Agora, é melhor vocês irem, porque já são nove horas.
Os três alunos se viraram para o relógio e se assustaram. Como aquilo era possível? Seria outro genjutsu?
-Libertar! – exclamaram Kyaroru e Naori fazendo o selo com as mãos, mas de nada adiantou.
-Isso não é mais genjutsu, é vida real. Aquele era um genjutsu especial, cujos instantes podem ser iguais à horas aqui; isso é apenas uma ideia básica para vocês entenderem o que houve. – Yuha falou e logo sumiu dali – Agora, é melhor se apressarem. – gritou entre as árvores.
Ao dizer aquelas palavras, os alunos olharam um para o outro em desespero, sendo Hitsu o mais calmo. O garoto respirou fundo para se acalmar e tomou uma postura mais séria, e falou em bom tom:
-Vamos lá. – e se dirigiu à pedra para pegar o mapa que estava por lá.
-Er... Não tínhamos que escolher um líder? – Kyaroru sussurrou à Naori.
-Acho que é melhor ele ser, tem mais experiência do que nós. – a Hyuuga comentou com certeza.
-Concordo. – disse Kyaroru simultaneamente ao latido baixinho de Bisteca.
Hitsu voltou ao lado das companheiras, se abaixou, ergueu a mão e as chamou para se abaixarem.
-Vamos ver isso daqui rapidamente. – ele falou observando cada detalhe do mapa.
-Onde nós estamos? – perguntou Kyaroru.
Enquanto as meninas procuravam por alguma indicação no mapa, Hitsu ergueu a cabeça e viu a árvore de cerejeira à sua frente, cheia de flores que iria parecer um pontinho rosa se estivesse naquele mapa. E estava; ele logo achou.
-Aqui. – Hitsu respondeu à pergunta de Kyaroru apontando para o pontinho rosa – Olha a cerejeira.
-Onde deve estar esse tal de tesouro? – perguntou Naori.
-Não sei, Naori. – Hitsu respondeu se levantando e olhando o mapa; Naori e Kyaroru fizeram o mesmo.
-O que eu não entendi é por que a Yuha-sensei deu uma missão assim. – Kyaroru comentou um tanto impaciente e irritada, pegando Bisteca no colo e olhando para os lados.
-Ela quer nos testar. – respondeu Naori virando-se para a amiga.
-Não, é mais do que isso. – Hitsu disse, ainda observando o mapa, chamando a atenção das garotas – Esse é uma missão que ocorre na vida real, em época de guerra.
-Mas não estamos numa guerra! – Kyaroru exclamou ainda mais impaciente.
-Ainda assim ela pode ser usada quando se está perseguindo uma facção criminosa também. – Hitsu dizia – Já ouvi numa história de que a Yuha-sensei passou por uma missão dessas assim que entrou na ANBU, e se saiu tão bem que se tornou co-capitã de seu grupo imediatamente.
-Hein?
-Na história, o time dela havia capturado uma pessoa que tinha conexões com a facção que eles estavam perseguindo. – Hitsu explicou – No meio da captura, parte do mapa que o ninja capturado tinha foi queimado, e o time descobriu através de genjutsus que havia um esconderijo de riquezas da facção e de seus integrantes, mas nem o ninja capturado sabia a localização exata. Depois de dias, eles encontraram o local com dois dos integrantes.
-Mas não temos dias, e sim menos de uma hora! – exclamou Kyaroru.
-E você sabe como eles acharam o local? – Naori perguntou.
-Não; essa parte é totalmente sigilosa. – Hitsu respondeu um tanto cabisbaixo.
Todos ficaram meio cabisbaixos; não faziam ideia de como iriam encontrar o “tesouro”, sendo que eles nem sabiam o que era. Mesmo sem uma boa saída, Kyaroru tirou sua bandana do pescoço, onde usava, e a prendeu firme na testa determinadamente.
-Sabendo como ou não, vamos achar esse tesouro! – a Inuzuka exclamou – Certo, Bisteca? – a cadelinha latiu de volta com a mesma determinação da dona.
Hitsu e Naori sorriram para a colega, contentes com a força de vontade dela. Ao pensar na palavra “tesouro”, a Hyuuga se lembrou do que Yuha disse ao explicar a missão e comentou:
-Hum... Tesouro... A Yuha-sensei disse que é algo importante para nós. – ficou alguns instantes quieta – O que é importante para vocês?
-Hum... Meu bem-estar. – Kyaroru respondeu.
-Namorar a Kyaroru. – Hitsu disse.
Cá entre nós, leitor, aquilo era hora de ele fazer uma cantada para a Kyaroru?!
-Não! Algo que possa ser roubado. Algo material. – Naori explicou.
Os outros dois ficaram pensativos e refletiram sobre o que Naori dissera. O que era importante para eles que poderia ser roubado?
-Hum... – respondeu Kyaroru – Acho que meu ramen.
-As rosas azuis que cultivo no quintal dos fundos. – Hitsu respondeu e, como se um flash passasse por sua cabeça, teve uma ideia – Se for isso que a sensei pegou, Bisteca pode farejar! A Kyaroru ainda tem aquela rosa que eu dei.
-Certo! – Kyaroru exclamou – Bisteca, procure cheiro de ramen e dessa flor aqui. – logo se abaixou para a cadelinha cheirar a rosa.
Rapidamente Bisteca latiu, como se quisesse dizer que entendeu o recado, e saiu farejando. Kyaroru ia logo atrás dela, rastreando o cheiro de ramen. Assim que saíram andando, Hitsu teve a ideia de pedir que Naori usasse seu Byakugan, mas resolveu deixar isso caso houvesse algum imprevisto. Ao começarem a andar, Hitsu olhou para o alto e viu Yumiko passando por ali rapidamente.
Notas finais
Aqui é a GY-chan de novo! ^O^
Desculpa não ter postado ontem; fiz simulado e cheguei morta em casa...
Enfim, espero que vocês gostem do capítulo! :D
E uma observação sobre a Yumiko: harpias EXISTEM, ok?? Sempre que se fala em "harpia", as pessoas já imaginam aquele ser mitológico; mas a Yumiko é baseada em uma ave que REALMENTE existe, só para deixar bem claro. ^^
Ah, é uma ave brasileira, diga-se de passagem, e também é conhecida como "gavião-real". Vocês podem procurar mais sobre ela no You Tube, tem muitos vídeos legais sobre isso lá. ^^
Bom, apoio a Carol no comentário dela no capítulo anterior; também peço para que todos orem pelos japoneses! Não importa de qual religião vocês sejam, ou mesmo que não tenham; pelo menos orar pelo bem estar deles já é alguma coisa.
BeijãO!~*
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