De Repente Narutadas
3 Lembranças: o passado da garota Inuzuka
Notas iniciais
Sem perceberem, o dia seguinte chegara rapidamente. Já tinha amanhecido; Kyaroru já estava acordada e dando banho na Bisteca, Yuha andava pelas ruas de Konoha para organizar sua mente, enquanto Naori permanecia na cama, dormindo.
-Naori, acorda! – dizia Neji enquanto a balançava na tentativa de acordá-la.
Nada acontecia; a garota continuava em um sono profundo. Provavelmente ela estava sonhando com o Sasuke.
-NAORI! ACORDA! – Neji gritou perto do ouvido de Naori.
Com aquele grito repentino, a garota acordou assustada e levantou os braços violentamente. Qual foi o resultado disso? O Neji foi atingido e caiu no chão por causa da força de sua irmã.
-O que foi?! Quem morreu?! – perguntou Naori assustada ao ficar sentada na cama.
Vendo que não havia ninguém na sua frente, ela olhou para o lado e viu Neji estendido no chão.
-Como foi parar aí no chão? – ela perguntou.
-Ai! – respondeu Neji – Ninguém morreu e você me socou, por isso estou aqui. Tem idéia de quanto seu soco dói?! – Neji acariciando o lugar que Naori atingira.
-Então por que me acordou se não tinha nada de importante acontecendo? – perguntou Naori incrédula – Ah, eu vou voltar a dormir! – ela se virou na cama e se preparou para voltar a dormir.
-Naori.
-Fale. – disse ela com uma voz sonolenta.
-Já está muito tarde. Que horas você vai acordar, hein?
-Quando der na telha. – agora ela dizia com uma voz de morta.
-Não me faça obrigar você a levantar. – alertou Neji.
-Ok. Já to acordando. – concordou Naori, começando a se levantar.
Era mais fácil concordar com o Neji do que discutir com ele; seria uma perda de tempo, saliva e paciência.
-Vai tomar café da manhã. Tenho que encontrar a Tenten. – comentou seu irmão.
-Uh! Sua namorada? – comentou Naori em tom de voz eu parecia caçoar do irmão.
-Claro que não. Nós vamos treinar. – respondeu Neji fazendo aquela cara dele de “por Kami-sama”, revirando os olhos.
-Ok. Vai logo, se não você se atrasa.
-Até mais.
Nisso, Neji saiu para se encontrar com a Tenten, ou, como a Naori pensava: a namorada de seu irmão, sua cunhadinha. Ao levantar-se da cama, a Hyuuga quase caiu ao tropeçar num buraco, que era onde Neji estava depois de ser atingido por ela. Obviamente, ela ficou assustada com aquilo e surpresa pela tamanha força que tinha. Porém, logo garota vestiu sua roupa, incluindo a bandana, que fazia o papel de tiara no meio de seus lisos cabelos castanhos presos em duas tranças laterais. Ao ficar pronta, decidiu ver Kyaroru para conversarem, como de costume.
-Kyaroru, se tinha que ver a cara dele de “por Kami-sama”! – comentou Naori entre seus risos.
-Eu imagino. – falou Kyaroru, rindo tanto quanto sua amiga.
A Inuzuka estava arrumando sua cama naquela hora, pois se esquecera de fazer isso antes de banhar a Bisteca. Logo terminou de arrumá-la. De repente, a campainha tocou, e Kyaroru foi atender, pensando que poderia ser Yuha. Ao abrir a porta, viu a figura de um rapaz de cabelos loiros vestido de ANBU com uma máscara.
-Já faz um tempo, hein? – disse o ANBU tirando a máscara – Maninha.
-Oni-san! – exclamou Kyaroru com um sorriso de orelha a orelha, e logo o abraçou carinhosamente.
-Soube que virou gennin. – ele disse sorrindo e passando a mãos nos cabelos castanho-avermelhados da irmã.
-É. Eu fui melhor do que eu achava. – respondeu Kyaroru.
-Sabia que antes de o pai sumir por uns tempos, ele disse pra eu entregar uma coisa pra você quando você se tornasse gennin?
-O que, Philip-Ni-san?
-Bom... Ele pediu para eu lhe dar essa espada. – o loiro tirou o objeto de suas costas com a bainha – E eu vou lhe treinar quando eu puder. – e sorriu ao finalizar sua fala.
Kyaroru pegou a espada – que tinha detalhes em azul e prata ao longo do material negro – com todo o cuidado e carinho que tinha guardado em si e mais um pouco. O fato de que aquilo veio de seu pai a tornava a garota mais feliz do mundo. Ela olhou com os olhos brilhando e com um grande sorriso no rosto para o objeto e logo se lembrou da imagem do pai, fazendo aquele belo e cintilante sorriso sumir e seus olhos alegres ficarem tristes e abatidos.
-Então... Você tem recebido notícias do pai? – ela perguntou, aumentando gradativamente a tristeza em seus olhos a cada palavra que soltou daquela frase.
Philip abaixou a cabeça e respirou fundo, afinal, seria difícil para Kyaroru ouvir as palavras que iriam sair da boca de seu irmão. Por mais que não quisesse magoá-la, Philip tinha que responder a pergunta de sua caçula.
-Já faz um tempo que eu não tenho nenhuma noticia dele. – respondeu Philip.
A primeira reação de Kyaroru foi abaixar a cabeça. Sem conseguir conter suas lágrimas, a garota pulou pela janela e saiu correndo sem rumo, deixando que seus pés a guiasse para algum lugar, qualquer lugar que poderia fazer sua tristeza sumir.
-Kyaroru... – comentou Naori.
A Hyuuga deu um passo à diante para seguir a amiga, mas foi impedida por Philip, que falou:
-Tudo bem. A Kyaroru precisa de um tempo sozinha; ela vai ficar bem.
Com isso, Philip pulou pela janela e chamou seu cão, Scot. O loiro montou no animal, que era enorme, e saiu rapidamente dali. Embora a imagem de sua irmã triste não saísse de sua cabeça, ele deveria deletá-la, afinal, tinha que cumprir mais uma missão designada a ele.
Depois de tanto correr desesperadamente, na tentativa de afastar a tristeza, Kyaroru parou quando chegou a um pequeno campinho. Ao ver uma cerejeira por perto, ela decidiu se sentar de baixo da árvore e se acalmar. Fechou os olhos para relaxar, e acabou se lembrando de alguns fatos de seu passado em Konoha:
Kyaroru estava em seu quarto, sentada perto de sua janela e observando a vista que tinha de Konoha, pensando em como seriam as aulas na academia ninja. Ela iria ter sua primeira aula naquele dia, aproximando-a de seu sonho de ser uma grande e habilidosa espadachim. Seu irmão foi se aproximando dela, e disse:
-Kyaroru, venha cá. Eu quero lhe dar uma coisa.
Kyaroru se virou e se aproximou de seu irmão, que estava com Scot na cabeça e segurando uma cesta com as duas mãos. Curiosa, ela perguntou:
-O que foi oni-san?
Philip abriu um sorriso e olhou para a cesta, fazendo com que Kyaroru ficasse mais curiosa ainda. Para acabar logo com o suspense, ele voltou a olhar para a irmã, e disse enquanto estendia a cesta para que Kyaroru a pegasse:
-Esse é um presente para você. – Kyaroru pegou a cesta, agora ansiosa para saber o que era – Você não pode ficar sem um a partir de hoje, já que uma Inuzuka.
A menina tirou cuidadosamente o pano que cobria a cesta e abriu um sorriso de orelha a orelha, que se destacava em seu rosto. Lá dentro estava um chihuahua de pele bege, que latiu docemente, colocando a língua para fora e abanando o rabinho, mostrando que estava feliz.
-Que fofinho! – comentou Kyaroru ao ver o animal.
-Você quer dizer fofinha. – disse Philip, rindo — É uma fêmea, e o nome dela é Bisteca. Agora você vai cuidar dela. – e logo sorriu.
A menina pousou a cesta em sua cama e tirou Bisteca de lá cuidadosamente, abraçando-a com todo o carinho possível. Além de Kyaroru e Philip, Scot também estava feliz, não parando de abanar o rabo.
-Philip! O seu professor está lhe chamando pra uma missão Rank B! – gritou o pai dos irmãos, entrando no quarto de Kyaroru.
Seu pai era um homem de estatura alta, um pouco forte, loiro e de olhos azuis, como Philip. Pode-se dizer que o garoto herdou a aparência do pai, retirando a barba estilo fim de tarde que este tinha: curta e escura.
-Eu já vou. – respondeu Philip para o pai, e logo se virou para a irmã – Quando eu voltar, treino com você, ok? – ele sorriu, dando um cafuné na cabeça de Kyaroru.
A reação da garota foi soltar um gemido e desviar a cabeça da mão do irmão, pois ela não gostava que mexessem em seu cabelo; nunca gostou. Ela deu uma curta risada para Philip, que colocou Scot em cima de seus cabelos loiros e saiu rapidamente, pulando pela janela, enquanto Kyaroru o observava com Bisteca no colo.
-Daqui a algum tempo vai ser você indo para missões. – comentou seu pai, aproximando-se dela e pousando a mão em seu ombro – Tomara que ele lhe treine bem.
-Huh. Mas ele só vai me treinar uma vez na vida. – comentou Kyaroru, acariciando Bisteca.
-Não. Eu tenho uns planos para vocês. – respondeu seu pai vagamente, tirando a mão do ombro da filha e se virando para sair do quarto dela.
-Como assim? – perguntou a menina, virando-se e parando de acariciar a cadelinha, que começou a ficar inquieta, querendo mais carícias.
-Outro dia, quando vocês estiverem maiores, eu vou explicar. Agora vai, eu não quero que você se atrase pra o primeiro dia na Academia. – ele respondeu sorrindo e virando-se para a filha, já na porta do quarto.
Após uma sessão de contorcionismo nos braços de Kyaroru, Bisteca parou e começou a latir finamente, fazendo com que a menina voltasse a acariciá-la.
-P-por que você não pode ir junto? – perguntou Kyaroru um pouco decepcionada.
Seu pai apenas respirou fundo e respondeu, tentando ser o mais calmo e tranqüilo possível:
-Eu tenho muita coisa para fazer. Não vai dar para ir hoje.
-Tudo bem então. – concordou Kyaroru, ainda decepcionada, mas tentou esconder isso do pai, para que ele não se preocupasse com ela.
A menina já foi colocando Bisteca na cesta e pegando uma pequena mochila para ir à Academia, quando seu pai disse que era para ela levar sua nova amiga. Sorrindo, a menina pegou a cadelinha e a colocou em cima de seu ombro direito. Pelo caminho, Kyaroru percebeu que carregar Bisteca ali não era uma boa idéia, então a segurou no colo cuidadosamente, com a cabeça do animal virada para a frente, e seguiu seu caminho.
Os dias foram passando e aquela rotina não mudava: seu pai estava sempre ocupado, seu irmão coberto de missões até a alma e sua tarde sempre programada para treinar um pouco com Bisteca. No final daquela semana, Kyaroru foi surpreendida quando uma menina se aproximou para falar com ela, enquanto dava ração para Bisteca.
-Olá... Tudo bem, Kyaroru? – perguntou uma menina de cabelos castanhos médios, com duas tranças laterais amigavelmente.
-Como sabe meu nome? – perguntou Kyaroru virando-se para a menina e se deparando com dois românticos e puros olhos perolados.
-Ah, eu perguntei ao Kiba, seu primo. Eu sou Hyuuga Naori, mas pode me chamar só de Naori. – dizia Naori sorrindo.
-Olá Naori. Essa aqui é a Bisteca. – disse Kyaroru.
A cadelinha latiu e abanou o rabinho para Naori.
-Que fofa. – comentou a Hyuuga aproximando uma de suas mãos para acariciar o animalzinho.
Bisteca fez o mesmo de antes e se aproximou da mão de Naori sem hesitar; ela tinha o pressentimento de que podia confiar naquela doce Hyuuga, como se já fosse uma conhecida de muitos e muitos anos. De repente, a cadelinha lambeu a mão da menina, que riu junto de Kyaroru.
-Acho que ela gostou de você. – comentou Kyaroru sorrindo.
-É. – concordou Naori, também sorrindo – Posso pegá-la no colo?
-Mas é claro!
Kyaroru pegou Bisteca e logo entregou à Naori. Ela sentiu o mesmo que sua cadelinha sobre Naori, tendo, também, o pressentimento de que uma grande amizade iria nascer dali. Com a Hyuuga não foi diferente. Após algum tempo acariciando Bisteca e fazendo cócegas nela, Naori arriscou-se em dizer, já que, de algum modo, sabia que podia confiar em Kyaroru:
-Kyaroru... Bem... O-o que você acha do Sasuke?
-Do Sasuke? – respondeu Kyaroru pensativa – Hum... Bonitinho, mas muito concorrido, sabe? E, além disso, ele não faz o meu tipo.
-Hum... E quem faz o seu tipo, hein? – perguntou Naori curiosa.
-Só conto se você prometer não contar a ninguém. É segredo.
-Você tem a minha palavra. – respondeu Naori com a mão direita no peito, enquanto segurava Bisteca com a esquerda.
Kyaroru se aproximou do ouvido de Naori e contou-lhe seu segredo com muito cuidado para que ninguém ouvisse. Sem que elas percebessem, Bisteca aproximou seu ouvido à boca de Kyaroru para saber o que estava acontecendo.
-Não acredito! – exclamou Naori baixinho, surpresa.
Surpreendentemente, Bisteca latiu para a dona e parecia surpresa também. Aquilo fez as duas meninas rirem, sendo aquela uma das primeiras boas risadas que elas teriam juntas.
No final daquele dia, Kyaroru estava voltando para casa com Bisteca no colo; nada de anormal. Porém, ela sentiu uma sensação estranha ao chegar no portão de sua casa, que ficava no bairro do clã Inuzuka. Ela passou pelo portão de nível baixo, abriu a porta que dava para o vestíbulo, onde deixou seus sapatos. Andou um pouco pelo corredor e entrou na sala de visitas, primeira porta à esquerda. Ao entrar lá, viu seu irmão sentado à mesa com Scot a seu lado, sendo acariciado.
-Oni-san? – perguntou Kyaroru ao vê-lo ali, um tanto triste.
-Ah, Kyaroru. Oi. – disse Philip.
-O-o que aconteceu? – perguntou a menina, com medo de que a resposta fosse algo ruim – C-cadê o papai?
Era bem provável que sairia algo nada bom da boca de Philip, já que ele estava um tanto apreensivo, triste, melancólico e sério. Ele respirou fundo para manter a calma e respondeu:
-Bem, papai teve que sumir por um tempo, maninha, e ele me pediu para cuidar de você. Mas... – respirou fundo novamente – Você sabe que não fico e nem posso ficar muito tempo em casa, não é?
-Sei. – respondeu a irmã – Você sempre tem muitas missões.
-E tenho outra notícia para lhe dar.
-Qual?
-Eu sei que você sabe se virar sozinha, mesmo sendo apenas uma criança, então nós vamos nos mudar. – disse Philip seriamente.
-Mudar? Pra onde?
-Encontrei um apartamento não muito longe da Academia. É confortável e tem espaço suficiente para que você e a Bisteca se sintam confortáveis enquanto eu estiver fora. – explicava ele – Mas quando eu estiver aqui na vila, ficaremos aqui, ok?
-Ah, e-está bem, Philip-ni-san. – concordou Kyaroru, surpresa e um pouco triste com a novidade.
Por ser uma novidade, é óbvio que Kyaroru estaria surpresa, e sua tristeza a atacou naquela momento porque seu pai sumira, sem data para voltar, e ela se mudaria do lugar onde nasceu, fez amigos, teve a Bisteca e treinava sua luta com a espada. Seria difícil deixar aquilo para trás, embora suas lembranças não fossem de vários anos.
No sábado, Philip foi acertar a documentação e o pagamento do apartamento com seu proprietário. O local já tinha os móveis necessários, simples, mas bons o suficiente para Kyaroru e Bisteca, que não precisavam – e nem queriam – algo muito sofisticado ou caro. Mal a menina sabia que a pessoa que ela gostava seria sua vizinha, morando no apartamento acima do dela.
Era quarta-feira da semana seguinte, e Kyaroru ficava o tempo todo com Naori, e Bisteca, obviamente. Foi incrível como ambas se tornaram boas amigas em tão pouco tempo. Mais fácil do que saber atingir um alvo com uma shuriken depois de saber usar muito bem uma kunai. Durante o intervalo, as duas estavam falando de assuntos diversos, até que Iruka chegou perto delas e disse:
-Inuzuka Kyaroru. Recado pra você.
Kyaroru deixou Bisteca no colo de Naori e seguiu o professor para ver o que era. Chegando à porta, ela viu Philip com Scot na cabeça, encarando-a normalmente
-Kyaroru, eu vou pra uma missão. Você sabe como fazer ramen não é? – perguntou o irmão mais velho quando Iruka se distanciou deles.
-Sei. – respondeu a menina.
-Então, eu preparei um estoque de ramen pra você no armário da cozinha, ok?
-Ok.
-Até mais, maninha. – despediu-se Philip, saindo dali rapidamente.
Kyaroru logo voltou para perto de sua amiga e de Bisteca, sorrindo levemente.
-Quem era aquele? – Naori perguntou, dando Bisteca para a amiga.
-Meu Oni-san. – respondeu Kyaroru pegando sua cadelinha no colo e sentando-se.
-Ah... Ele é gennin?
-Com 12 anos ele já é um chunnin e um bom espadachim. – ela respondeu enquanto acariciava Bisteca.
-Ei, você mora no apartamento no andar de baixo do meu não é? – perguntou Naruto, aproximando-se delas de repente.
-Sim. – respondeu Kyaroru.
A menina Inuzuka corou e ficou vermelha como uma pimenta, se é que não estava pior. Aquilo fez Naori rir baixinho, pois achara engraçado e fofo. Envergonhada, Kyaroru abaixou a cabeça para olhar Bisteca e logo se acalmou, voltando ao seu normal.
-Vamos pra casa juntos hoje então? – perguntou Naruto.
-O-ok. – respondeu Kyaroru envergonhada e ainda olhando para Bisteca, evitando que ela corasse de novo.
Todos esses acontecimentos do passado de Kyaroru como uma Inuzuka vieram à sua mente como rápidos e emocionantes flashbacks, como se fosse o trailer de um filme que contasse sua história ali.
-Ei, no que está pensando? – perguntou Naruto ao se aproximar de Kyaroru de repente.
-Hã? Naruto? – perguntou Kyaroru, surpresa ao vê-lo ali.
Naruto logo se sentou ao lado de Kyaroru e retornou a perguntar, olhando para ela:
-No que estava pensando?
-Eu... Estava pensando no passado que eu tive aqui. – respondeu Kyaroru, repassando as imagens de flashback em sua mente.
-Hã? Como assim? – perguntou o loiro, estranhando o comentário da Inuzuka.
“‘Passado que eu tive aqui?’ Como assim?” – ele pensou.
-N-nada. Você não entenderia. – disse a menina, querendo cortar a conversa ali mesmo.
-Em que parte do seu passado você estava pensando? – perguntou o garoto, insistindo em uma continuação para aquela conversa.
-Bem... No dia que eu ganhei a Bisteca, quando meu pai sumiu e conheci a Naori, e... – Kyaroru corou levemente antes de completar a frase – Falei com você pela primeira vez.
Como resposta, Naruto sorriu levemente à amiga, que continuou levemente corada, se controlando para não piorar.
Enquanto isso, Naori estava caminhando tranquilamente, admirando a paisagem de Konoha, que não era mais em uma mera tela de computador ou televisão, e sim ao vivo. De repente, ela viu Sasuke sentado em frente à uma lagoa, viajando em seus pensamentos. Sem que ele percebesse, ela subiu em uma árvore ali perto para observá-lo atentamente. Traduzindo: ela queria admirá-lo ali até não agüentar mais – se é que seria possível Naori se enjoar de olhar Sasuke.
-Ele é tão lindo... – comentava Naori baixinho para si mesma, babando pelo garoto.
Para ajudar Naori a babar ainda mais, naquela hora, o Sol saiu de trás de uma nuvem. Seus raios fortes e radiantes bateram na água e pararam no rosto de Sasuke, formando uma imagem que mais parecia um quadro, uma obra de arte para Naori. Vidrada com aquela cena, inconscientemente, a garota inclinou-se aos poucos para frente, até que caiu e saiu rolando, batendo em Sasuke. Resultado? Os dois pararam na água.
-Naori! O que aconteceu?! – perguntou Sasuke todo nervosinho ao colocar a cabeça na superfície, nadando a famosa “bicicletinha”.
-Socorro! Não sei nadar! – gritou Naori no pequeno tempo que conseguiu colocar a cabeça para fora d’água.
Ao contrario do que a garota pensava, a lagoa era mais funda do que parecia. Um local ótimo para quem não sabe nadar se afogar. Ela ficou se debatendo na água em vão, tentando ficar com a cabeça acima do nível da lagoa para poder respirar. É nessas horas que seria bom existir um jutsu que fizesse o ninja respirar na água.
-Kami-sama! Aguente aí, Naori! – exclamou Sasuke, mergulhando na direção da garota para salvá-la.
Naori já estava totalmente submergida, fazendo com que Sasuke fosse mais rápido. Com grande agilidade, ele a pegou e levou até a beira da lagoa, já em terra firme. Deixou a garota deitada ao seu lado e logo se sentou, respirando fundo. Em seguida, perguntou:
-Naori, você está bem?
-Sim – ela começou a responder, recuperando o fôlego –, graças a você que me salvou.
Mesmo antes de ter toda sua respiração de volta ao normal, Naori se levantou e abraçou Sasuke com toda sinceridade, carinho e gratidão que tinha dentro de si. Surpreendentemente, Sasuke corou levemente e seu ego subiu às alturas, podendo criar um caminho até Júpiter se fosse algo material e não um sentimento. Quando ele iria responder àquele abraço, surgiu uma voz bem familiar para Naori, interrompendo aquele momento que parecia mais irreal do que qualquer outro:
-O que você está fazendo com a minha irmã?! – era Neji.
O irmão da Hyuuga tinha duas veias saltando na testa de tanto ciúme de sua caçula, e estava se controlando para não pular em cima do Uchiha e socá-lo até a morte.
-Quem é você? – perguntou Sasuke ao olhar Neji de cima a baixo enquanto ele se aproximava dos dois de forma imponente e de punhos apertados.
-Não importa! Naori! Vamos pra casa! – exclamou Neji muito nervoso e ciumento, puxando a irmã pelo braço e sem pedir licença.
Era isso que acontecia quando Neji tinha um de seus freqüentes ataques de ciúme com a irmã: ficava nervoso, estressado e se continha para não sair batendo em todo mundo. Não era fácil tê-lo como irmão, principalmente por ele ser mais velho e mais habilidoso. Ao ser levantada contra a própria vontade e arrastada, Naori se virou e disse sorrindo:
-Até mais, Sasuke.
O garoto respondeu com um aceno e um leve sorriso, o que não seria algo muito comum normalmente. Isso deixou Naori feliz, mas ao ver seu braço laçado à mão de Neji fez com que um sentimento de vingança surgisse em seu peito e pensou:
“Eu me vingo algum dia, Neji.” – e encarava seu irmão firmemente – “Pode esperar.”
Neji começou a arrastar Naori para casa, e, pelo caminho, apontava todos os possíveis defeitos de Sasuke, jurando que iria mantê-lo longe de sua pobre e pura irmã. A garota apenas concordava com a cabeça, pois estava completamente ocupada lembrando-se de seu passado. Lembrou-se de algumas discussões com Kyaroru, sempre questionando se Naruto era melhor que Sasuke, e vice-versa. A amiga Inuzuka sempre alegava que o loiro tinha coração, algo que faltava no menino de orbes negros. Naquela hora, ela concluiu que sua amiga estava errada.
Notas finais
Aqui é a GY-chan de novo! ^^v
E aí, o que acharam do capítulo? Está ficando cada vez mais revelador, não é?
Antes que alguém tenha dúvida ou pergunte: a parte em itálico é a memória da Kyaroru, ok? Usamos itálico para representar pensamentos e memórias. Qualquer dúvida, podem perguntar!
Não se esqueçam de comentar! ;D
BeijãO!~*
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