De Repente, Amor
1 CAPÍTULO 01
Notas iniciais
Saudações! Me chamo Diego, tenho dezessete anos e estou cursando o segundo ano do ensino médio de um colégio interno em Holanda. Bem, hoje é o dia de tirar foto na escola, o dia em que cinquenta por cento dos estudantes adoram e a outra parte odeia, eu faço parte da segunda parte. Mas querendo ou não, eu vou para a escola. E o melhor! Hoje é um daqueles dias em que eu acordo e nada dá certo, meu cabelo está rebelde e tem um vulcão no meio da minha testa... Mas fazer o que né?
Eu: Anotação mental... Não comer chocolate na noite anterior ao dia da foto.
???: Cala a boca! Eu quero dormir!
Este abominável brutamontes troglodita é meu colega de quarto, Zac. Eu mencionei que ele me obriga a fazer os trabalhos dele?
Onde eu estava com a cabeça quando insisti aos meus pais que me mandassem para esse inferno? Saí do meu quarto com a mochila nas costas e resmungando:
Eu: Melhor colégio do mundo... — reclamei – onde eu estava com a cabeça?
???: Em mim talvez.
Eu: De onde você apareceu criatura?
???: Estou aqui desde que você saiu do quarto...
Essa bela criatura que me acompanha até a sala de aula é a minha melhor amiga, Brenda. Pele branca, cabelos pretos, olhos castanhos avermelhado, um pouco baixinha. Essa é minha amiga.
Eu: Está calor, por que você está de casaco criatura?
Brenda: Para de me chamar de criatura! E você sabe que eu me sinto nua sem casaco.
Eu: Então porque você faz parte do time de natação da escola?
Brenda: Porque é no mesmo horário do time de polo aquático na piscina ao lado!
Eu: Ainda não entendi...
Ah é! Mencionei que faço parte do time de polo aquático da escola? Qual o problema? Nem todo nerd fica preso no quarto o dia inteiro!
Brenda: Você está livre hoje a tarde?
Eu: Acho que sim... O que pretende?
Brenda: Agente podia ir ao restaurante japonês na cidade...
Ela quer comprar roupas, eu sinto isso, os pais dela devem ter depositado o dinheiro na conta dela essa semana... E ela está atacando no meu ponto fraco: comida japonesa.
Eu: A mesada chegou né?
Brenda: Só porque eu quero levar meu melhor amigo para comer o tipo de comida favorita dele na cidade não quer dizer que... — ela notou meu olhar de desaprovação – Ok... Eu quero comprar uma coisinha na cidade também... — disse emburrada.
Eu: “Uma coisinha”? — perguntei desconfiado.
Brenda: Tá, abriram duas lojas de sapatos novas e elas estão e liquidação! Você precisa ir comigo!
Como negar um pedido desses para a carinha fofa que ela está fazendo agora?
Eu: Não.
Brenda: Eu pago três ramens pra você! — agora ela falou a minha língua.
Eu: Quatro ramens e eu vou!
Brenda: Ok, fechado! Agora vamos para a sala que a aula de história vai começar!
Aula de história, estamos no terceiro bimestre, como eu disse, eu sou nerd, o que resulta na recuperação de uma noite mau dormida com os roncos do Zac. Foram os melhores cinquenta minutos de sono da minha vida, a mesa estava tão boa, o ar condicionado fresquinho e...
Brenda: Di... Acorda... — sentia alguém me cutucando, era a Brenda – Di...
Eu: Só mais cinco minutinhos...
Brenda: Você disse a cinco minutinhos atrás quando a aula da biologia estava acabando!
Biologia? Mas essa é a última aula do dia! Será que...
Eu: Quanto tempo eu dormi?
Brenda: Digamos que durante todas as aulas, o recreio e os tempos vagos...
Eu: O QUÊ?
Brenda: Relaxa... — ela disse indiferente – Você já passou de ano mesmo...
Ela estava sentada em cima da mesa em que eu dormia a pouco tempo, de pernas cruzadas e lixando suas unhas. A cara de despreocupada dela me acalmou um pouco.
Eu: É melhor eu ir me arrumar e pegar umas coisas... Aí agente sai, ok?
Brenda: Farei o mesmo, no dormitório feminino é claro...
Eu: Onde mais seria Brenda?
Brenda: Esquece! Te vejo em dez minutos na entrada do colégio, não se atrase!
Eu: Ok né...
No caminho do meu quarto, eu estava repassando o que eu tinha feito durante o ano letivo e no que eu faria nessas férias.
Eu: Bom... Acho que passarei as férias no colégio mesmo...
Sim, passarei as férias no colégio, afinal, meus pais ocupados farão uma viajem a trabalho, bem... Fazer o que né? Pelo menos esse ano a Brenda não vai viajar com os pais também e vai me fazer companhia.
Eu: Tô entrando! — falei entrando no meu quarto para o caso de Zac estar fazendo alguma besteira. — Zac?
O quarto estava vazio, em cima da cama de Zac estava um bilhete dobrado escrito “para o nerd”. Nem entendi a indireta... Peguei o bilhete e li, ainda surpreso pelo Zac saber escrever e ler, no bilhete dizia:
“Didi, tive que sair com a Pâmela, ela disse algo sobre lojas novas, cuidado com a sua amiguinha gastadeira, ela também vai te arrastar pra cidade!”
Terminei de ler o bilhete rindo a pacas, eu o insulto, reclamo dele, mais esqueci de mencionar, ele é meu melhor amigo. Ah, fazer o que né? Ele livra a minha cara dos valentões do terceirão que tentam enfiar minha cara na privada e em troca, eu ajudo ele com as notas escolares e conta bancária... Sim, eu controlo o que sai e entra no cartão dela para garantir que ele não vai gastar tudo com videogames e doces banais ao invés de guardar um pouco para a emergência.
Eu: Não consegui fugir... Terei de ir para a cidade...
Não sei do que eu estou reclamando tanto... Afinal, eu acabo me divertindo indo fazer compras com a Brenda... Ela é divertida, inteligente, meiga, legal e bonita... Ei! Do que eu estou falando? Ela é minha melhor amiga! Meu celular está vibrando, deve ser mensagem... Acertei! Brenda:
“ Aonde você está? Já passaram quinze minutos! Agente marcou dez!”
Respondi a mensagem rapidamente:
“ Desculpa! Estou indo! Dois minutinhos!”
Logo ela respondeu:
“ Anda logo!”
Pus meu boné, peguei celular, carteira e um dinheiro para emergência que eu sempre separo da conta guardo. Tudo aqui, saí do quarto correndo e quase atropelei o zelador Ben.
Ben: Vai com calma Diego! Assim você se machuca!
Eu: Desculpa aê Ben! Tô meio com pressa!
Ele apenas riu de volta em quanto eu virava o corredor e ia em direção a saída. E lá estava Brenda, no portão do colégio me esperando irritada.
Eu: Desculpa pelo atraso! É que eu parei para...
Brenda: Tanto faz! Pelo menos você chegou né? Vamos?
Eu: Vamos!
Chegando na cidade, Brenda parecia uma criança em uma loja de brinquedos, seus olhos brilhavam e ela me puxava de um canto a outro nas imensas ruas e estreitos becos da cidade.
Eu: Vai com calma Brenda! Estamos a quase uma hora andando de loja em loja! Relaxa um pouco!
Brenda: Você está resmungando... É fome né?
Eu: Eu não tomei café da manhã hoje e você disse que me pagaria quatros ramens!
Brenda: Já entendi, onde você quer comer?
Eu: Onde mais seria?
Brenda: Itadakemasu Ramem... Onde mais seria né?
O melhor restaurante japonês de Holanda, pelo menos pra mim era... Lá, o dono e todos os funcionários me conheciam, de tanto comer lá dá nisso...
Eu: HOE! — cheguei gritando e cumprimentando a todos no restaurante – O de sempre por favor!
Garçom: O COMPLETO TRIPLO DO DIEGO! — ele berrou de onde estava mesmo para o cozinheiro – Vão querer quantos?
Brenda: Cinco! — ela olhou pra mim estranho – Um pra mim e quatro para o Di...
Garçom: SÃO QUATRO COMPLETOS TRIPLOS E UM TRIPLO SEM CENOURA!
É... A Brenda também era bem conhecida por lá... Em quanto preparavam nosso ramem, eu e Brenda batemos um papo meio esquisito.
Eu: Porque você está me olhando desse jeito?
Brenda: Que jeito? — ele mudou a expressão de lesada para a de surpresa – Como assim?
Eu: Você estava olhando pra mim que nem você olha para aqueles galãs de filme romântico!
Brenda: Eu? Apaixonada por você? Se toca né Di?
Eu: Eu não falei que você estava apaixonada Brenda...
O resto de Brenda ruborizou de repente, ela desviou o olhar do meu rosto assim como desviou o assunto.
Brenda: A comida está demorando né?
Eu: Só um pouco... Deve ser pela fome...
Brenda: Desculpa...
Eu: Pelo quê exatamente?
Brenda: Por te arrastar comigo pra cidade e fazer você entrar em um monte de lojas pra eu comprar coisas pra mim...
Eu: Ah é isso? — sorri pra ela – Pode compensar com um ramem a mais pra mim!
Brenda: Não exagera Diego!
Eu: Ok... Mas fica tranquila, eu gosto da sua companhia... Você é legal, meiga, divertida, inteligente... Melhor do que qualquer garota que eu conheça...
Brenda: Sério? — os olhos dela brilhavam e ela tinha o lindo sorriso que eu adorava estampado em seu rosto – É isso o que você pensa de mim?
Eu: Eu não penso, tenho certeza disso!
Brenda: Ai que fofo Di... — a maçã do meu rosto começou a queimar. Provavelmente eu estava rubro – Te adoro sabia?
Eu: Eu também te adoro...
De repente nossos olhos se encontraram, senti meu roso ficar mais vermelho, o de Brenda também estava, nossos rostos se aproximavam, eu queria saber que queimação era quela em meu peito, nossos olhos se fecharam, eu sentia a respiração dela alcançar meu rosto, ela estava próxima de mim, bem próxima.
Zac: Sabia que encontraria vocês dois aqui!
Zac apareceu de repente fazendo com que eu e Brenda nos separássemos rapidamente e nossos rostos ficassem mais vermelhos, mais de vergonha. Vergonha... Vergonha de quê?
Pâmela: “Môzinho”, acho que estamos atrapalhando alguma coisa...
Pâmela era a namorada de Zac, muito patricinha, mas bem divertida, também uma ótima amiga.
Brenda: Atrapalhando nada não! — ele se apressou em dizer com o rosto vermelho ainda – Só estamos esperando nosso ramem...
Zac: Oba! Ramem! Também quero! UM COMPLETO TRIPLO DO ZAC GARÇOM!
Bem... Eu e meus amigos éramos todos conhecidos no restaurante, afinal, agente praticamente comia lá todo o final de semana, sendo que hoje é sexta-feira.
Pâmela: Não quero estragar nada, mais teremos de comer rápido, daqui a pouco é a hora da foto!
Eu: Me recuso! — disse irritado – olha esse vulcão na minha testa!
Zac: Espreme isso que melhora cara!
Pâmela: Nem pensar! Vai ficar marcado e nojento!
Brenda: Deixa que eu dou um jeito nisso!
Brenda pegou um estojo de maquiagem dentro da sua bolsa e aplicou sobre a tinta na minha testa um pó esquisito que se assemelhava a cor da minha pele.
Brenda: Pronto!
Zac e Pâmela: Uau!
Pâmela: Você precisa me ensinar esses truques amiga!
Zac: Cara, sua amiga é dez!
Eu: Eu sei disso cara, por isso que ela é minha!
Brenda: Eu sou sua? — ela me olhou ruborizada e sorrindo de canto de rosto.
Eu: Er... — fiquei sem jeito, não sei porque...
Pâmela: Ê climão...
Garçom: Quatro ramens triplos completos do Diego, um sem cenoura para a Brenda e um triplo completo para o Zac na mesa!
Zac: Então... Itadakemasu!
Ele pegou os palitinhos e começou a devorar seu ramem, nisso, eu já estava no meu segundo pote de ramem. Sim, eu como muito e como rápido. Brenda estava comendo o dela calmamente.
Aproximadamente vinte minutos depois, já havíamos pedido a conta e estávamos rumo ao colégio.
Brenda: Vou usar essas roupas na foto de hoje, preciso sair perfeita!
Eu: Você já é! — como isso sai da minha mente para a minha boca tão rápido?
Pâmela: Eu também vou usar minhas roupas novinhas! — ela disse apertando o braço de Zac toda emocionada. — E vocês dois, tratem de ficar um brinco!
Eu: Pra vocês usarem a gente?
Brenda: Te usaria pra sempre tá seu moço? As lojas sempre tem roupas novas!
Começamos a rir, chegamos ao colégio e fomos para nossos respectivos dormitórios nos arrumar.
No quarto, Zac puxava conversa comigo.
Zac: Diego, você e a Brenda são afim um do outro né?
Eu: O quê? — me surpreendi – Tá louco cara? Ela minha amiga! Só isso!
Zac: Cara, dá pra ver que vocês são ligadões um no outro! Não precisa esconder...
Eu: Cara, eu já falei, somos só amigos, relaxa! Eu não estou afim da Brenda!
Zac: Será? — logo após ele entrou no banheiro para tomar banho.
Eu: Será? — eu me perguntei logo depois dele entrar no banheiro – O que será que eu estou sentindo por ela?
Fale com o autor