De Quatro a Oito
32 Capítulo 32: A dupla ideal
Notas iniciais
Gaara estava sentado na cama da clínica de reabilitação olhando atentamente na direção da porta. Sabia que ela não voltaria mais por hoje, mas sempre a esperava, mesmo que inconscientemente. Já não suportava mais aquelas malditas intravenosas lhe prendendo a aquela cama. Elas lhe davam um ar repugnante de impotência, de fraqueza. Queria poder realizar seus mais breves desejos e arrancá-las de seus braços. Também já não agüentava aquele quarto completamente branco, morto. Olhou momentaneamente para onde Temari adormecia no pequeno sofá de couro no canto do quarto. Tentava ao máximo dar-se bem com ela, afinal, ela não sairia dali tão cedo. E se tentasse criar qualquer conflito, se pisasse em falso, todos ficariam contra si. Iriam dizer que estava em crise outra vez, e lhe espetariam com aquelas intravenosas paralisantes de novo. Não podia ter esse luxo. Não podia permitir que os imbecis médicos daquele lugar arrumassem algum pretexto para progredir sua estadia. Precisava desligar-se da droga, da dor de estômago infernal. Tinha de esforçar-se, por ela.
Fechou os olhos rapidamente para acalmar-se. Aquele local já estava irritando-o profundamente novamente. Mesmo nos momentos em que estava sedado, sabia que o local irritava-lhe.
Inoichi arrastava Ino furiosamente pelos corredores da clínica. Sabia que iria ser doloroso para a filha, mas não iria concordar com uma situação tão absurda como o fato dela estar namorando um drogado. Jamais iria permitir algo assim.
_ Papai, por favor!!! Me solta!!! Pai!!! Eu amo o Gaara!!! – implorou Ino tentando desvencilhar-se do pai.
_ Ama?! Ino você não idade para amar!!! Esse garoto metido a grunge deve ter te enfeitiçado de alguma forma!!! Agora me admira você, que sempre teve juízo a cima de tudo, deixar-se levar por um drogado sem rumo!!!! – repreendeu Inoichi. Estava possesso. Não havia nada que o faria mudar de idéia em relação a aquele rapaz, nada!
_ Pai!!!! Você tem acreditar em mim!!! Ele está se recuperando, ele está aqui para isso!!! – insistiu Ino esforçando seus pés para manter-se parada no lugar onde estava e não seguir em frente. O quarto de Gaara estava logo no final do corredor.
_ Você acha mesmo que ele vai conseguir?!?! Ino francamente!!! Acorda minha filha, uma vez drogado sempre drogado!!! Não quero um pai drogado para os meus netos!!! – argumentou Inoichi.
_ Netos?! Pai em século acha que estamos?!?! Quantos anos acha que nós temos?! Tanto eu quanto ele ainda estamos no colegial, não pensamos nisso ainda!!!! Não vamos nos casar, só estamos namorando!!! – indignou-se Ino.
_ Nunca me meti nos seus namoros Ino, sabe disso! Mas um drogado é demais até para mim!!! – finalizou Inoichi puxando Ino pela mão esquerda e invadindo o quarto de Gaara.
_ O que é isso?!?! – assustou-se Temari pondo-se de pé diante do escândalo.
_ Ino...? – manifestou-se Gaara confuso com a gritaria.
_ Meu nome é Inoichi Yamanaka, meu jovem!!! Sou o PAI da Ino!!! E vim até para lhe dar um aviso: Fique longe da minha filha, estamos entendidos?!?! – saudou Inoichi.
_ Pai!!!! – disse Ino olhando diretamente para Gaara, certamente seu pai acabaria prejudicando o estado dele ainda mais.
_ Hey!!! Será que não podemos resolver isso através de uma conversa civilizada, senhor Yamanaka?! Estamos em uma unidade médica, o senhor pode ser expulso daqui!!! – pronunciou-se Temari na tentativa de conciliar a situação.
_ Não vou precisar de conversa alguma, já disse o que eu pretendia dizer!!! Agora espero que você cumpra meu aviso, garoto!!! Ou vai descobrir da pior maneira do que um pai é capaz de fazer por sua filha!!! – ameaçou Inoichi.
Gaara não sabia o que fazer, dizer e até como reagir. Sabia que não era o tipo de namorado que todo pai sonhava para sua filha, e exatamente por ter a consciência de que Inoichi estava correto, que não faria nada. Acataria a “proposta” feita por ele. Sabia o quanto iria sofrer deste momento em diante, mas ele estava certo. Talvez se estivesse em seu lugar poderia ter feito o mesmo. Só estava trazendo conflitos a vida de Ino. Ela havia perdido várias tarefas do colégio, estava desentendendo-se com seu pai, e tudo, em prol dele. Era o mínimo que poderia fazer... Ficar calado perante o senhor Yamanaka.
_ Pai, para com isso!!!! Você não pode julgar o Gaara assim!!! – debateu-se Ino.
_ Senhor Yamanaka, eu lhe peço!!! Por favor, vamos conversar!!! Tente se acalmar!! Olha, tenho certeza que meu irmão ama sua filha!!!! Ele nunca faria mal algum a ela!!! Ele está esforçando-se para sair daqui por causa dela!!! – insistiu Temari.
Não poderia deixar Gaara perder sua última fonte de forças. Estava determinada a ajudá-lo. Entretanto, não sabia até onde ele poderia ir sem Ino.
_ Então diga alguma coisa, rapaz!!! Quero ouvir o que tem a dizer!!! – confrontou Inoichi.
_ O que quer que eu diga, senhor Yamanaka? ... Que estou completamente apaixonado por sua filha? ... Que estou dando literalmente meu sangue para sair daqui? Acho que isso é meio óbvio, não? Mas o que eu posso fazer? Simplesmente não posso lhe implorar para que autorize nosso namoro sabendo que não irá autorizar. Eu lhe entendo. Portanto, não posso me voltar contra o senhor. Você é o pai da Ino, é mais importante para ela do que eu. – constatou Gaara.
Inoichi olhou surpreso para Gaara. Pelo menos era um rapaz de caráter, e por mais que detestasse ter de admitir a si mesmo, amava tanto Ino que estava abrindo mão dela para que não brigasse com seus familiares. Não esperava essa atitude vindo de um garoto totalmente desleixado, de aparência grunge, revoltado. Um rapaz com duas intravenosas ligadas aos seus braços, dando-lhe um ar de decadência. Ele amava sua filha. Estava mais do que claro. Mas nada diminuía o fato de ser um garoto envolvido com drogas, deitado em uma cama de uma clínica de reabilitação para dependentes químicos. Enquanto não o visse fora daquele lugar, não deixaria Ino aproximar-se dele.
_ É um garoto de caráter... Posso reconsiderar minha decisão. Mas somente pensarei nisso quando estiver sóbrio, fora daqui. Até lá, Ino não voltará mais aqui. – decretou Inoichi.
_ Pai!!! Como assim?!?! – falou Ino.
_ Aceite, Ino. Vai ser melhor assim. – afirmou Gaara com um tom de voz tão baixo que era perceptível sua agonia.
Inoichi olhou pela última vez na direção de Gaara e saiu da clínica sob os protestos desesperados de Ino. Colocou-a no banco de trás do carro e levou-a de volta a mansão. Gaara permaneceu sentado na cama em choque, e recebeu um abraço da irmã, que lhe disse que ele conseguiria se recuperar a tempo.
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Na república, Hinata e Naruto não conseguiam reprimir a felicidade. A Hyuuga tinha quase certeza que seu pai não iria atrás dela outra vez, pois Neji completaria dezoito anos na próxima semana e seu desempenho no colégio estava tão avançado que seu pai não teria coragem de tirá-la de lá no meio do segundo semestre. Ele toleraria Naruto durante esse período, estava certa, mas não desistiria tão facilmente. A menos que prosseguisse no rítimo escolar que estava.
Todos estavam sentados nas poltronas da sala, Sakura e Sasuke ainda estavam sendo colocados a par de tudo que ocorreu na residência dos Hyuuga. O Uchiha ainda não conseguia crer na bagunça que Naruto havia feito no meio do jantar organizado pelo pai de Hinata. Somente Naruto para transformar um jantar fino em uma rebelião adolescente. O Uzumaki contava tudo animadamente, inclusive sobre o fato de seu pai ser alguém importante, mas segundo ele, isso não lhe interessava, seu padrinho havia o criado. Não iria em busca de seu passado agora, tudo que lhe prendia a atenção resumia-se em Hinata, lamén, e Hinata de novo.
_ Fala sério, Naruto!!! Você deve ter quase enfartado o tio do Neji!!! – manifestou-se Sakura.
_ O rinoceronte ficou uma fera!!! – zombou Naruto.
_ Rinoceronte?! Naruto-kun! – repreendeu Hinata.
Naruto apenas sorriu de canto. Sasuke e Sakura começaram a rir. Mas nada conseguia desfazer o clima mórbido que rondava Tenten e Neji. O Hyuuga por sua vez, mal a encarava, ainda lembrando-se do beijo entre Kiba e ela. Não conseguia acreditar que ela o havia esquecido tão repentinamente. Tenten ainda não havia esquecido todas as grosserias e a imaturidade com que Neji lidou ao saber que ela era filha de um aliado e possível suspeito da morte de seu pai. Todas as palavras proferidas por ele rondavam sua mente desde o instante em que ele as jogou sob si. Levantou-se do sofá e subiu as escadas em direção ao quarto que no momento dividia com Hinata.
Neji somente a olhou subindo as escadas. Não havia escândalo cometido por Naruto que desmanchasse sua feição séria.
O telefone tocou. Sakura correu para atendê-lo, e para sua surpresa, era para ela. Seus pais estavam no telefone querendo informá-la de algo. Mas estava com tanta saudade deles que inicialmente não os deixou falar uma mísera palavra. Porém, quando seus pais finalmente lhe deram a noticia que pretendiam, ela se calou. Seu pai havia sido demitido, e pior, injustamente. Em função de um velho conhecido de Sasuke: Seu irmão Itachi. Que ela tolamente havia acreditado ser alguém bom no final das contas. Abalada, a Haruno colocou o telefone no gancho novamente e subiu as escadas para seu quarto com Sasuke. Por enquanto, tudo que queria era ficar sozinha e refletir em uma maneira de ajudar os pais, pois se contasse tudo a Sasuke, ele mataria o irmão.
O Uchiha estranhou a maneira com que a rosada subiu as escadas. Com uma expressão pensativa. Sakura raramente ficava deste modo. Algo sério havia ocorrido com sua família, já que o telefonema só poderia ser para ela. Mas resolveu não intrometer-se logo de cara, talvez algum parente tinha morrido ou algo semelhante e ela queria ficar sozinha. Não seria legal de sua parte incomodá-la.
Então encaminhou-se para cozinha junto de Naruto e Hinata, que estavam eufóricos até para prepararem o jantar. Neji subiu para seu quarto, sentou-se em sua cama e colocou as mãos sobre seu cabelo liso. Não estava agüentando mais persistir daquela forma com Tenten.
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Hinata e Naruto conversavam sobre o futuro na cozinha enquanto o loiro devorava sua tigela de lamén. Sasuke havia ido tomar banho e enfim estavam a sós.
_ Naruto-kun... não vai procurar saber mais a respeito da sua família? – interrogou Hinata.
_ Não agora, Hinata. Quero continuar minha vida dessa maneira... No colégio, aqui na república com meus amigos, com você... quero que tudo fique assim, como está. Ou pelo menos até o ano que vem não é? Afinal, ano que vem estaremos no terceiro ano!!! E depois na faculdade!!! Sabe que eu não consigo me imaginar na faculdade? – revelou Naruto.
_ Porque não? – perguntou Hinata.
_ Deve ser uma chatice ter que estudar porque é aquilo que você vai fazer na sua vida e não poder colocar a culpa nos professores! Porque lá, tudo vai depender do seu desempenho né? Você não vai ter que passar de ano porque é obrigado, e sim porque é mais do que obrigado, você TEM que passar de ano para garantir seu diploma! – argumentou Naruto.
_ Pensando assim... até que tem razão. – concordou Hinata sorrindo.
_ Hina... sabe uma coisa que eu acabei de notar? Essa casa fica tão vazia sem o Gaara, mesmo que ele só ficasse naquele quarto, ele faz falta! E por falar nisso, cadê a Ino? – perguntou Naruto.
_ A Sakura me disse que ela está lá no quarto dele. Parece que o pai dela esteve aqui e que ele descobriu que o Gaara está internado. – contou Hinata.
_ Sério?!?! – questionou Naruto.
_ Segundo a Sakura, ele esteve aqui e saiu puxando ela para ir até lá na clínica para mandar o Gaara se afastar dela. – completou Hinata.
_ Ai minha nossa, Hina... esse cara quer acabar com o Gaara, só pode! Sem a Ino ele pira de vez! – preocupou-se Naruto.
_ Agora que todo mundo já sabe a gente poderia ir até lá amanhã, fazer uma visita e aproveitar para dar uma força para ele, se a Ino quiser ir também acho uma boa, mas provavelmente o pai dela deve ter proibido ela de ver ele, deve ter falado com o Kakashi sei lá... – supôs Hinata.
_ Boa idéia. Vou falar com o Sasuke depois. – afirmou o loiro.
_ Naruto-kun... estou preocupada com o meu primo. – disse Hinata.
_ Por causa do rompimento dele com a Ten? É, eu notei a cara dos dois. Acho que o Neji foi muito precipitado, que absurdo terminar com a menina porque o pai dela é isso ou aquilo!!! Ela é ela, o pai dela é o pai dela!! Não tem nada a ver, Hina!! – opinou Naruto.
_ Concordo. Mas a morte do meu tio é um assunto muito delicado para o Neji, Naruto. Não convivi e nem convivo muito com ele, mas dá para perceber, ele é meu primo e eu acho que deveria me aproximar mais dele sabe? Depois do meu pai ele é o único parente que eu tenho. – expressou-se Hinata.
_ Eu acho que o ideal seria colocar esses dois numa caixa e colar muito bem a tampa, para ver se eles se resolvem! – ironizou Naruto.
_ É isso, Naruto-kun!!!! – exclamou Hinata acabando de ter uma ideia.
_ Vamos prender eles numa caixa?! Hina, eu estava brincando!!! Eles vão ficar sufocados lá dentro!!! – corrigiu-se Naruto.
_ Não, necessariamente em uma caixa, Naruto! Vamos arrumar um jeito de trancá-los no quarto que você divide com o meu primo!!! Ai não vai ter outro jeito se não eles conversarem!!! – explicou Hinata.
_ Ah, saquei! Boa idéia!!! – elogiou Naruto.
_ Ai Naruto-kun você é um gênio!!! – falou Hinata beijando-o levemente.
_ Só agora que percebeu isso? – zombou Naruto.
Ambos sorriram e terminaram de tomar o refrigerante que ainda restava em seus copos. Formavam uma dupla perfeita. Um casal perfeito na mente de Hinata. E amanhã essa dupla teria um longo dia, afinal, enfrentar mais uma semana de aula e deveres de casa não era nenhum pouco empolgante.
Notas finais
O que acham que Sasuke será capaz de fazer quando descobrir que o irmão foi a causa da demissão do pai da Sakura?
Bem, espero que tenham gostado!!!
Beijos!!! Até a próxima!!
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