De Quatro a Oito
26 Capítulo 25: Colando um vaso de vidro
Notas iniciais
Bem, boa leitura!!!
Gaara virou-se e não acreditou no que estava vendo. Mesmo depois de tudo que havia dito, ela ainda perdia seu tempo com ele?
_ Larga, Gaara!!!!! A onde você arrumou isso?!?!?! — gritou Ino arrancando da mão do ruivo o revólver.
_ Não lhe interressa. Devolve-me. — pediu ele.
_ Não! Não vou devolver! Não posso deixar que desista de si mesmo assim! — disse a Yamanaka colocando a arma em sua bolsa de tom roxo médio que por sorte estava entreaberta.
_ Para, Ino!!!!! Não vê que a única solução que eu posso ter é a morte?!?! Estou cansado de toda essa merda que é a minha vida!!! Sou fraco!!! Não consigo ir longe!!! Eu nunca vou me ver livre dessas drogas, nunca vou me ver livre dessa dor de estômago maldita!!! E nunca vou me ver livre dos meus pesadelos!!!! E principalmente, não posso te carregar comigo nesse poço sem fundo, não vou te levar comigo apenas por capricho, por um sentimento que com certeza não vale a sua vida!!!! Você tem um lindo caminho pela frente!!! Não quero estragar ele!!!! Então deixa-me tentar me livrar de tudo isso, porque só morrendo para eu conseguir ter paz!!!!! — desabafou Gaara.
Ino se calou. Não aguentava ver toda aquela angústia nos olhos dele.
_ Me entrega!!!!! — gritou ele.
_ Não!!! Gaara... por favor... eu lhe imploro... não faz isso... — suplicou a loira abraçando-o.
O ruivo fechou os olhos. Como era possível que ela se preocupasse tanto com ele? Estava explícito para si que não a merecia. Então por quê? Porque ela não desistia dele?
_ Me solte. — falou ele decidido a fazer o que tinha em mente.
_ Gaara... por mim... eu não posso viver sem você. — insistiu Ino.
Tais palavras ecoavam na mente de Gaara. Ninguém havia dado importância a sua existência daquela maneira. Não podia decepcioná-la, mas ao mesmo tempo acreditava que sua trilha sem ele seria bem melhor.
_ Para com isso, vamos! Me solte! — ordenou ele.
Ino usou sua força e empurrou-os para a cama. De cima para ele, a loira ergueu um pouco a cabeça e o olhou nos olhos.
_ Gaara... fala comigo. Me conta o que te causa tanta angústia. Pode falar dos seus pesadelos, dos seus medos, de qualquer coisa. Eu prometo que não digo nadinha, que vou só te escutar... — propôs ela falando com uma voz baixa e séria enquanto acariciava o rosto e o cabelo ruivo dele.
Gaara apenas a olhava. Kankuro havia dito quando crianças que meninos não podiam contar o que sentiam para meninas. Que pesadelos eram para bebês. Mas tinha total confiança nela, talvez ela fosse entender o que diria.
_ Não vou contar tudo. Não consigo contar tudo. Mas eu sei que tudo em mim está errado. Não devo ser uma pessoa normal. Todo mundo no colégio diz isso, e por um lado acho que eles podem ter mesmo razão. Temari disse que minhas dores de estômago são uma irritação ou algo do tipo, mas não é possível... dói muito. Dói tanto que fico enjoado e chego a vomitar por horas. Aliás, eu não sei o que acontece comigo... qualquer coisa que me deixe triste ou sei lá, eu vomito. É como se eu sentisse tudo com uma intensidade estranha, mas ao mesmo tempo não sentisse nada. Porque eu desconheço muita coisa... antes de você, não tinha sentido atração por quase ninguém. Eu não consigo dormir direito. Tem vezes que eu acordo assustado. Tenho pesadelos terríveis. A dor começa de novo e para me livrar dela eu procurei as drogas. Mas hoje já não vivo mais... sem elas. Não consigo largá-las. Minha vida se tornou um buraco negro... cada dia suga uma parte de mim... — relatou o Sabaku com a face toda molhada em decorrer das lágrimas que caíam.
Ino as secava com os dedos cuidadosamente. Ele sofria muito e sabia disso, mas jamais imaginou que tudo isso o levaria a uma tentativa de suicídio.
Temari assistia a cena boquiaberta na sala de vídeo da clínica. Shikamaru havia prendido o responsável pela sala em um armário no corredor e a arrastou para lá. Não havia ao menos passado por sua cabeça que Gaara estava com um revólver e que tentaria por fim a própria vida. Era ausente demais. Não conhecia seu irmão como pensava. Não sabia nem se um dia o conheceu de verdade. Como tantas coisas o incomodavam e o aterrorizavam, e se quer pensou que as drogas fossem o menor dos problemas. Seu irmão estava com o emocional fraturado, por deveras destruído, resultado de anos de isolamento e outros problemas em família e no meio social.
_ Vou embora. Amanhã eu volto para conversar mesmo com ele. Nesse momento não tenho condições. — informou Temari saindo da sala de vídeo.
_ Hey, problemática!!! Não vai soltá-lo? — questionou Shikamaru.
_ Não, primeiro ele tem que conseguir largar as dorgas, é o essencial. — constatou a Sabaku.
O Nara a interrogou durante todo o percurso até o estacionamento, afinal, Ino não iria para casa tão cedo e precisava dormir no mínimo nove horas e meia para abrir os olhos de manhã, e ajudar Chouji a fazer compras para seu apartamento sem comprar o supermercado inteiro. Era nisso que dava ter como melhor amigo alguém com boca de furacão.
_ Não!!!! Agora não!!! — resmungou Temari percebendo que o tanque de gasolina de seu carro estava completamente vazio.
_ O que foi aí, problemática?! — perguntou Shikamaru que já estava entrando em seu carro.
_ A gasolina acabou! — disse Temari.
_ Posso te levar em casa, mas se preferir tem um posto a uns cinco quilômetros daqui! Vai fazer um baita exercíco se não aceitar minha carona! — ironizou o Nara.
Temari bufou. Teria que concordar. Não dava para caminhar por cinco quilômetros com fome do jeito que estava.
_ Okay seu preguiçoso!!! Mas se tentar qualquer coisa lhe dou uma surra, ouviu?! — avisou ela entrando no carro de Shikamaru.
_ Sim senhora, problemática. — brincou Shikamaru.
Ino deu um beijo carinhoso na bochecha de Gaara e sorriu com ternura.
_ Não acho besteira cada palavra que disse, sei o quanto você sofre com essas dores no estômago. Tamém faço ideia do tanto que deve ser difícil tentar largar essas porcarias, eu te entendo. E ah, seus irmãos são idiotas!! Só não conta para eles, tá? — falou a Yamanaka.
_ Tá. — disse o Sabaku.
_ Sabe que eu adorei esse lugar todo branquinho... — provocou ela colocando uma das mãos sobre a calça jeans de Gaara na região de seu membro.
_ Pode tirar essa mão daí porque eu não vou transar em uma clínica! Nem adianta desconversar porque eu sei que é nisso que sua cabeçinha está pensando. — afirmou o ruivo segurando a mão de Ino.
_ Porque não quer transar comigo? — perguntou a loira.
_ Em uma clínica de reabilitação Ino, fala sério! Não sou um cara muito traicional mas uma clínica é demais até para mim. — justificou ele.
_ Own... que bonitinho. É um ruivinho romântico. — zombou a Yamanaka.
_ Chega, Ino!!! Eu estou com problemas sérios, estava aqui tentando falar sobre isso e você vem com essa! Chega! Se levanta de cima de mim e dá o fora!!! Pelo visto não você não está nem um pouco preocupada comigo como eu tinha pensado antes, e por isso tive coragem para te contar coisas que eu não divido nem com meu travesseiro, mas já que é assim, então sai daqui! E me devolve a arma também. — irritou-se Gaara saindo da cama e permanecendo de pé.
_ Ai me desculpa, eu não fiz por mal. Eu só queria reatar nosso namoro com chave de ouro. — explicou a loira levantando-se da cama também.
_ Vamos reatar? — questionou Gaara.
_ Não vamos? Eu pensei que talvez você quisesse reatar, mas... se não quiser tudo bem... fico aqui só como amiga mesmo se preferir. — disse Ino cabisbaixa.
_ Não sei. — manifestou-se ele sentando-se na beirada da cama.
Ino sentou-se ao seu lado e disse:
_ Se quiser posso passar a noite aqui com você, não vai ter pesadelos, e prometo que não tentarei algo enquanto não sair daqui. E então?
_ Tudo bem... posso me deitar no seu colo? — perguntou Gaara.
_ Claro. — falou Ino.
Assim que o ruivo deitou a cabeça sob o colo da loira, ele revelou:
_ Em um submarino até que seria legal.
_ E em uma clínica não? — interrogou ela divertindo-se.
_ Não. — disse ele sorrindo de canto.
Sakura e Sasuke cansaram-se de tentar abrir a porta da dispensa, e sentaram-se no chão um de frente para o outro.
_ Sasuke... aproveitando que estamos apenas nós dois aqui... porque não me conta um pouquinho sobre sua relação com o Itachi? — perguntou a rosada.
_ Sakura... eu prefiro que você esqueça isso. Itachi já conquistou sua confiança e eu não quero que ache que estou mentindo. — justificou o Uchiha.
_ Itachi não conquistou minha confiança, Sasuke. Ele apenas me pareceu sincero. — explicou a Haruno.
_ Sakura... por favor. Eu não consigo falar sobre isso com você, okay? Não dá!!! Eu não quero que duvide de nada, não quero que participe das minhas brigas com ele... eu quero que não chegue a ver o Sasuke que eu me transformo quando brigo com ele. — contou Sasuke.
Sakura o obsservou atentamente. Era como se para ela, ele não conseguisse expor sua dor. Talvez não querendo aparentar fraqueza.
_ Sasuke... eu não vou lhe obrigar a nada, tudo bem? Mas quando quiser me contar sobre você é só me avisar. — disse ela.
Sasuke suspirou. Teria que cosiguir contar. Mas antes queria ao menos ter a certeza de que ela sentia o mesmo por ele. Então, agarrou-a pela cintura e beijou-a com volúpia, mas algo os interromperam. Era Hinata, vermelha da cabeça aos pés parada na porta da dispensa.
_ E-E-Eu... já v-vou... já vou indo. — pronunciou a Hyuuga saindo correndo.
Sakura olhou bem para Sasuke e ambos começaram a rir do constrangimento de Hinata. Mas havia um lado bom nisso, finalmente não estavam mais trancados na dispensa.
Naruto respirou fundo e tocou a campainha. A mansão Hyuuga. Estava na hora de enfrentar um verdadeiro dragão.
Neji já não aguentava mais o calor insuportável de seu quarto. Tudo ali aparentava não ter graça, não ter sentido sem ela. Estava passando mal. O calor sufocante estava lhe dando dores de cabeça. O Hyuuga optou por se levantar e sair da mansão. Já não aguentava ficar em casa nas tardes de domingo.
Andava pelas ruas com o cabelo solto. Não o lavava a três dias. Era como se ao mesmo tempo que não sentisse vontade alguma de levantar-se da cama, quisesse sumir de lá também. Neji dava cada passada na calçada do bairro desatento, até que por breve instante que retirou os olhos e as mãos dos bolsos da calça e acabou vendo algo que seus olhos perolados poderiam não ter visto.
Uma espada lentamente ia atravessando seu peito. Era Tenten. Beijando Kiba. Não conseguiu fazer outra coisa a não ser correr de volta para a mansão.
_ Me larga...!!! — ordenou a Mitsashi empurrando o Inuzuka.
_ Desculpe-me Ten, mas eu não aguentei lhe ver assim por causa daquele Hyuuga. — argumentou Kiba.
_ Eu não pedi sua ajuda e muito menos lhe dei permissão para me beijar, Kiba!!! Que isso!!! — indignou-se Tenten.
_ Perdoe-me Tenten, eu agi sem pensar. — disse Kiba seriamente.
_ Okay, mas se tentar algo de novo não me responsabilizo. — avisou ela.
Notas finais
Beijos!!! Até a próxima!!!
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