De Quatro a Oito
19 Capítulo 19: Salve-me parte 3
Notas iniciais
Ino chegou na clínica rapidamente e correu até a recepção, a recepcionista não queria deixá-la ver Gaara. Disse-lhe que os seus familiares não autorizaram visitas. Espumando de raiva da atendente, a Yamanaka teve uma ideia.
_ Shikamaru!! — disse a loira empurrando o Nara para o final do corredor principal da clínica.
_ Que isso...! — falou Shikamaru confuso.
_ Vai lá e enrola ela para eu achar o quarto do Gaara! — pediu Ino.
Sem alternativas, Shikamaru caminhou em direção a mesa da recepcionista. Tirou um isqueiro do bolso e colocou fogo em um pedaço de papel que encontrou no chão e jogou-o na lixeira da atendente, saindo despercebido e sentando-se nas cadeiras de espera tranquilamente. A atendente quando notou a lixeira se queimando, gritou assustada indo ao final do outro corredor para pegar o extintor de incêndio. Foi a chance que Ino precisava. A loira correu até a mesa da recepcionista, pegou um adesivo de identificação e saiu apressada subindo as escadas para o segundo andar da clínica, onde localizavam-se os quartos segundo a própria atendente.
Ao dobrar o quarto corredor em busca do quarto de Gaara, a Yamanaka viu Temari e Kankuro sentados em um grande banco. A Sabaku estava com as mãos sobre o rosto, aparentando chorar, e Kankuro estava ao celular com alguém.
" E agora?! O que eu faço?! Eles estão na frente do quarto do Gaara, como vou entrar?! " questionava a si mesma a loira já ficando aflita.
Kiba e Neji se entreolhavam um encarando o outro.
_ Taí algo que você deveria realmente ter feito, Hyuuga. Deixado aquele carro lhe atingir ao invés dela. — depejou Kiba declarando sua antipatia a Neji claramente.
_ Kiba!!! — repreendeu Tenten.
_ Só estou falando a verdade. — provoca o Inuzuka.
_ Já chega!!! Vai embora Kiba!!! Eu agradeço sua preocupação mas eu estou ótima!! Portanto pode ir!! — exclamou a Mitsashi.
_ Tudo bem, eu vou, mas te deixo somente um conselho: Nunca dependa desse aí, Tenten. Por ele, você poderia ter morrido. — finalizou Kiba saindo da mansão.
A primeira reação de Neji foi subir as escadas subitamente. Aquilo era humilhante. Se não estivesse tão destraído no momento do acidente nada teria acontecido. Estava se sentindo péssimo desde o ocorrido. Sua mente o declarava culpado pelo ocorrido. Havia colocado a vida daquela que vinha roubando-lhe seus pensamentos em risco. Quase a perdeu. Não sabia o que estava acontecendo consigo mais. Tinha acabado de agir como uma criança temendo os trovões de uma tempestade a noite ao fugir correndo da sala. Não se reconhecia. Por mais que fizesse algo errado, raramente sentia-se culpado. Seu orgulho e sua arrogância permanente impediam que a culpa o tomasse. Chegou em seu quarto e quando sentou-se no chão, a secretária eletrônica do telefone que havia no quarto informou uma mensagem de Hiashi:
" Seu avô acaba de falecer, Neji. Porque não veio visitá-lo antes?! Ele exigia lhe ver, mas agora é tarde. Só espero que não haja como o moleque que você sempre foi e venha ao menos no enterro. E ah!! Apartir de agora sua guarda está nas minhas mãos, e eu não serei tolerante como seu avô, Neji!!! Terá que obedecer as minhas ordens!! "
Neji sentiu seu sangue parar de fluir durante alguns segundos. Não era possível. Sua vida piorava a cada minuto. Não aguentou, colocou a cabeça sob os joelhos e chorou. Após anos derramava lágrimas.
Tenten entrou no quarto e espantou-se com o que viu.
Ino estava a aproximadamente meia hora aguardando uma oportunidade de ver Gaara. Quando pensava em desistir e voltar para casa, os irmãos do ruivo levantaram-se do banco e seguiram na direção da placa que indicava o percurso para a lanchonete. A loira finalmente caminhou até o quarto de Gaara e entrou.
Naruto estava preparando seu lamén da tarde. Os momentos em que esteve com Hinata lhe vinham a cabeça todo instante, e quando percebeu, o lamén estava praticamente irreparável.
_ Aaaahhh!!! Não acredito!!! — praguejou o Uzumaki.
_ Naruto-kun? O que houve? — perguntou Hinata que havia acabado de entrar na cozinha.
_ Queimei o lamén todo!!! Estava pensando na Hinata ai quando vi já... — disse Naruto um pouco alienado, mas em seguida não completou a frase ao notar o que havia dito.
A Hyuuga assumiu um tom rosado da cabeça aos pés.
_ E-Estava p-pensand-do em mim? — interrogou Hinata corada.
_ Foi só uma pensadinha rápida... nada de mais. — desconversou o loiro.
_ Então porque queimou o lamén? — questonou ela.
_ Por... que... Ah!! Você me pegou!!! Eu estava lembrando de quando você leu aquele livro para mim ontem!! — mentiu Naruto.
_ Ah, o livro é escelente mesmo. — concordou Hinata desapontando-se ao acreditar nas palavras do Uzumaki.
Sakura dançava em seu quarto escutando alguns cds no rádio de Sasuke, a Haruno sentia-se empolgada com as ondas sonoras emitidas pelo rádio e acabou pisando em um pequeno caderninho no chão. Curiosa, a rosada pegou o caderninho e o abriu. Havia desenhos de Sasuke, principalmente e algumas anotações detre os escritos havia algo sobre ela:
" Jamais revelarei a Sakura que sinto algo por ela. Não sei se suportarei levar um fora. Nunca levei, e o primeiro vindo justamente dela iria me sucumbir. Sakura parece me entender as vezes, é a única garota que não faz a mínima questão de desmanchar-se aos pés, é original, inteligente e gosta de artes. Tem um talento incomum para tudo relacionado a arte. E além disso, ainda entende de música. Mais que eu. Admiro sua cultura, mas seu conhecimento musical me fascina. Me excita. Nunca encontrei garota alguma que gostasse de música. De um bom e velho rock junto comigo. Que fosse totalmente única. Longe daquelas garotas do colégio que só se preocupam em ser cada vez mais parecidas umas com as outras. Sakura não deixa-se levar utopias. É realista, firme. Me surpreendi com suas palavras quando ela impediu o Naruto de ir atrás da Ino. Foi a única a pensar com sensatez na hora. A cada dia me vejo refém de um feitiço. Um feitiço que nunca me fez efeito antes. Mas que agora não há chances de me desvencilhar dele. Não irei conseguir. E não quero. É um feitiço embriagante, mas prazeroso."
Gaara olhava para o teto do quarto quando viu Ino entrar no cômodo. A Yamanaka olhou bem para o ruivo. Estava pálido. Os olhos avermelhados e o braço esquerdo amarrado a cama. Aparentava estar fraco. Ino aproximou-se do Sabaku e este dirigiu seu olhar a ela.
_ Não queria que me visse assim. Em um lugar como este. — pronunciou-se Gaara com a voz um pouco mais rouca que o normal.
_ Não me importa se você está numa clínica, embaixo da ponte, ou qualquer outro lugar. Só não vou suportar te ver desse jeito. — esclareceu a loira acariciando o cabelo de Gaara levemente, fazendo-o fechar os olhos para sentir mais o carinho.
_ Me ver parecendo um louco, um doente, não é? — deduziu o Sabaku.
_ Não, te ver derrotado dessa maneira. Entregando os pontos fácil. Sem ao menos tentar conversar com seus irmãos. — explicou Ino.
_ Não iria adiantar, eles nunca pararam para me ouvir, não vai ser agora que vão fazer isso. E com essa dor no estômago me consumindo, acho que vomitaria em cima deles se ficasse mais nervoso. — ironizou Gaara.
A loira se abaixou e uniu seus lábios aos de Gaara, em beijo saudosista, sofrido. O ruivo usou sua mão livre para tocar-lhe a face. A pele macia da Yamanaka o confortava. Sua presença o confortava. Apesar de não querer que ela o visse internado em uma clínica de reabilitação. As lágrimas já queimavam nos olhos de ambos. Os dois somente pararam de se beijar quando Temari entrou no quarto gritando:
_ O que está acontecendo aqui?!?!?!
Shikamaru, que havia acabado de encontrar o quarto onde Ino estava, ao ver a cena resolveu ajudá-la. Puxou Temari para fora do quarto. Foi a primeira ideia que lhe veio a cabeça.
_ O que é isso?! Me larga!!! — debateu-se a Sabaku conseguindo soltar-se quando já estavam no final da escadaria do segundo andar em direção ao estacionamento.
_ Pronto! Agora pode voltar, vai ter que subir doze lances de escadas. — debochou Shikamaru.
_ Quem é você?! Porque fez isso?! — perguntou Temari furiosa.
_ O motivo pelo qual fiz isso não lhe interessa. Mas me chamo Shikamaru Nara. E só mais algumas coisinhas: Você não está vendo que internar seu irmão foi pior?! Ele não está nada bem!! — atacou o Nara.
Shikamaru nunca foi de gastar sua preciosa energia em vão. Mas estava indignado com a aparência de Gaara. Também, o coitado tinha uma irmã que parecia apenas preocupar-se com ela mesma. É por isso que todas as noites agradecia que de mulher somente sua mãe em casa bastava. Jamais moraria junto com uma namorada. Iria o enlouquecer.
_ Escute aqui, Nara. O irmão é meu, eu sei o que é melhor para ele. E nem sei porque estou aqui dando satisfações da minha vida a um estranho!! — praguejou Temari começando a subir os lances de escadas seguida por Shikamaru.
_ Tecnicamente posso ser um estranho, mas sou amigo dos colegas de seu irmão. Somos todos vizinhos... — disse Shikamaru calmamente para irritar a Sabaku.
_ Escuta aqui seu preguiçoso, vagabundo, pegue sua amiga daqui e dê o fora!!! Meu irmão começa o tratamento amanhã, ele está com náuseas, precisa descansar!!! — ordenou Temari já ofegante próxima ao fim da escadaria.
_ Problemática... nervosinha... — disse Shikamaru para si mesmo.
Gaara e Ino se entreolhavam ainda assustados, quando Temari entrou no quarto e fechou a porta.
_ Saia daqui!!! — pediu Temari a Ino.
_ Temari por favor me escuta. Eu preciso conversar com você. — afirmou Ino.
_ Deixa isso para lá Ino, minha irmã só ouve quem ela quer, é melhor você voltar para casa. Não quero que fique aqui se sacrificando por mim. — manifestou-se Gaara devagar.
Temari escutou atentamente cada palavra do ruivo. Estava mais preocupado com a loira do que com si mesmo. Era como se soubesse que não aguentaria permanecer ali por muito tempo.
_ Tudo bem... Ino, né? — lembrou-se a Sabaku.
_ Sim. — disse a Yamanaka.
Tenten não estava acreditando no que via. Neji estava chorando. Estava deixando cair sua armadura de ferro e diamante. Estava vulnerável, como um cavaleiro sem munições em pleno combate árduo. A passos lentos, a Mitsashi se aproximou do Hyuuga e sentou-se ao seu lado.
_ O que houve? — questionou ela.
_ Meu avô faleceu, e agora meu tio é que tem minha guada. E além de tudo isso... eu queria me desculpar, se é que adianta, com você por ter lhe causado esse acidente. — falou Neji limpando as lágrimas de seu rosto.
_ Neji, não ligue para o que o Kiba disse. Eu não quero que se sinta culpado. Eu fiz aquilo porque... me importo... com você. E faria quantas vezes fosse necessário. — manifestou-se Tenten de forma sincera.
Notas finais
Beijos!!! Até a próxima, o capítulo seguinte terá hentai, então quem não gosta é melhor pular.
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