De Quatro a Oito
16 Capítulo 16: Mentindo para si mesmo
Notas iniciais
Neji abriu a torneira do chuveiro deixando a água gélida cair sobre seu corpo. Não aguentava mais. Não estava suportando ver que sua vida havia dado uma volta de 360 graus. Já não se reconhecia. Seu controle, postura e racionalidade pareciam ter se perdido em um buraco negro que suga tudo a sua volta. Tudo por causa dela. Jamais imaginou que garota alguma fosse fazê-lo tranformar-se dessa maneira. Não sabia como agir na sua frente, não dormia uma noite inteira a dias e suas ações já não o obedeciam. Até agora somente agia por impulso. Impulso de seu corpo que aparentava queimar-se quando ela se aproximava. Estava cada vez mais perdido. Sabia que sentia uma espécie de desejo muito forte por ela, mas amor? Em tão pouco tempo? Ele amando? Só podia ser mentira ou algum delírio que lhe passava pela cabeça enquanto as gotas de água inundavam seu cabelo escorrido em suas costas. De qualquer maneira, a denominação do que sentia não lhe importava. Nunca haveria reciprocidade por parte dela. Também, uma garota tão altiva e sensível como ela jamais se interessaria por um garoto frio, racional e preso ao passado como ele. Estava condenado. Não podia falar nada a ela porque nem mesmo sabia o que estava sentindo e com certeza tomaria um belíssimo fora. O primeiro em sua vida. Mas que certamente lhe causaria sequelas irreparáveis. E fruto de mais uma de suas ações por impulso, havia chamado-a para ir até a casa que fez toda questão de prometer nunca mais pisar. " Parabéns, Neji!! Depois de tê-la beijado bêbado ainda vai levá-la até aquele inferno em formato de casa!! Ela vai gostar tanto de conhecer seu querido avô e ver cara a cara seu passado de menino criado para nunca expor seus sentimentos! " ironizou o Hyuuga em pensamento.
_ Aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhh!!!!!! — berrou Tenten que havia entrado no banheiro de repente. Após ver Neji completamente despido no chuveiro por um breve momento, ela fechou os olhos correndo e saiu apressada do banheiro batendo a porta.
" AAAAA que praga diabólica!!!!!! Deixou a porta destrancada, Neji!!!!! Só faltava mais essa para receber um título de incompente!! E agora como vai encarar ela depois disso?!?! " pensou o Hyuuga socando o azulejo do banheiro.
Gaara e Sai ainda permaneciam paralisados no quarto, enquanto Ino aguardava que o colega de classe se retirasse da mansão.
_ Ele é o que seu?! — perguntou Sai incrédulo.
_ Não lhe interessa, Sai. Mas irei falar novamente já que você não teve a capacidade de entender: Ele é meu namorado! — afirmou a loira.
_ Ino, você tem noção do que está dizendo? É do Gaara que você está falando, todo mundo diz que ele é louco, drogado e pelo que eu estou vendo, só pode ter alguma doença! Porque ninguém vomita sangue do nada! — argumentou Sai aproximando-se da Yamanaka.
_ Não é da sua conta o que ele tem ou não tem. Sai, eu não quero ser grossa, mas vai embora! Já terminamos o trabalho! — avisou Ino apontando para a porta do quarto.
_ Tudo bem. Se é o que quer eu farei. Só lhe digo uma coisa Ino: Uma garota tão repleta de qualidades como você não deveria estar dando bola para um ser como ele, para esse louco grunge ai!!! — irritou-se Sai indo embora do quarto e consequentemente da mansão.
Apesar de ouvir tudo o que Sai havia dito, Gaara não conseguia pronunciar uma palavra.
_ Você está vomitando? Porque não me disse que a dor no estômago voltou? — questionou Ino indo até o ruivo.
_ Você tem certeza do que disse? — perguntou o Sabaku olhando-se no espelho da suíte.
_ Bom, na hora inventei o que me deu na cabeça para tirar o Sai daqui. Mas tenho certeza sim do que disse. — falou a loira.
_ Vai mesmo namorar, comigo?! Ino eu sou... — iniciou Gaara, mas foi interrompido pela Yamanaka.
_ Para com isso, Gaara. Já sei o que vai falar. Mas eu não ligo para nada disso. Gosto de você e não tem nada que me faça mudar de ideia. Agora você vai deitar um pouco e tentar dormir para ver se essa náusea passa. — pediu ela caminhando na companhia dele em direção a sua cama.
Neji saiu do banheiro devidamente vestido após alguns minutos. Respirou fundo e olhou para Tenten, que estava sentada em sua cama um pouco corada.
_ Ah... desculpe-me Tenten. Deveria ter trancado a porta. — disse o Hyuuga constrangido.
_ Não... eu é que deveria ter prestado atenção no barulho do chuveiro. — manifestou-se a Mitsashi envergonhada.
O restante da noite passou muito lentamente para dois. Não disseram mais nada até cada um ir se deitar. Neji repreendia a si mesmo por cada burrice que havia cometido em um único dia. Por um ano então, sabe-se lá o que mais ele poderia fazer. E ainda tinha a maldita visita a casa de seu avô. Sabia que apesar de tudo deveria ir vê-lo. Mas lhe faltava coragem suficiente para isso. E teria de deixar de lado seu repugnante orgulho. Taí algo que tinha que ser deteriorar como sua racionalidade, postura e controle. Seu orgulho. Um dos cavaleiros medievais que lhe impedia de demostrar a uma garota que talvez a amasse, que o que sentia era sério e não uma mísera tesão qualquer.
Sakura e Sasuke continuavam naquele clima intragável no quarto. Ambos já estavam deitados, porém não haviam se falado muito durante o dia.
Sasuke não sabia o que fazer. O sono parecia recusar-se a ajudá-lo naquele momento. Apagou. Mas Sakura adentrou seus sonhos, o que não fazia a mínima diferença. Não conseguia esquecê-la por um milésimo de segundo. A forma como ela falava a respeito de sua richa com Itachi, queria ajudá-lo. Estava ali para o que precisasse. E em troca recebia inúmeras patadas dele. Tudo porque simplismente não admitia que ela o fazia repensar em suas decisões, porque a originalidade dela lhe encantava, porque ela não estava aos seus pés como as garotas da escola, porque ela estava o mudando. E definitivamente Sasuke tentaria aceitar essa mudança. No decorrer do dia cada olhar sem expressão que ela o lançava lhe feria. Não sabia o real motivo. Mas nunca havia sentido-se assim. E ele era Sasuke Uchiha. Amanhã iria fazer a coisa mais difícil de toda sua vida: Pedir desculpas. Mas faria isso. Faria para descobrir o que ela havia feito com ele.
Naruto e Hinata faziam uma maratona de leitura. Iriam ler vários livros até as cinco das madrugada. Uma proposta feita pela Hyuuga para incentivar o loiro a ler mais. E como o Uzumaki achava divertido ir dormir muito tarde, Hinata resolveu unir ambas as coisas. Apesar do ocorrido do beijo, ela estava disposta a auxiliá-lo no colégio.
Naruto ouvia cada livro lido por ela em voz alta com extrema atenção. Depois de tê-la beijado sem permissão, a Hyuuga não fez nada e ainda o ajudava. Só conseguia admirá-la e admirá-la a cada dia. Ela era tão inteligente e caprichosa, ao contrário dele. E mesmo assim se disponibilizava a gastar sua noite lendo vários livros para um avoado como ele.
Hinata estava lendo um livro de romance quando uma parte prendeu Naruto ao que ela lia:
" Ele decidiu. Decidiu que daqui em diante iria correr atrás do que tanto buscava. E não mediria esforços para isso. Por ela. Por ele mesmo. Mas sobretudo por ela. Iria provar sua capacidade. Iria provar que era digno de uma moça tão singela e única quanto ela... "
Uma chama de entusiasmo brotou em Naruto. Que fez questão de ler todos os livros seguintes. Hinata apenas ouvia se deliciando no tímbre da voz do loiro. Ele iria se dedicar. Por ela. Por Hinata.
O dia amanheceu cinza. Uma neblina invisível percorria junto ao vento. Neji e Tenten estavam a caminho da casa do avô do Hyuuga. Não conversaram muito no decorrer do percurso, e quando estavam a metros de seu destino, Neji foi atravessar a rua. Um carro que passava no momento iria atingí-lo em cheio, andando destraído como estava, entretanto a Mitsashi o empurrou, o livrando do veículo. Porém o carro acabou acertando-a.
_ Tenten!!!!!!!!!!!!!! — berrou Neji.
Na mansão, Sakura já estava na cozinha tomando sua xícara de chá matinal. Sasuke entrou na cozinha.
_ Sakura... ahn... me deculpa por ontem. — disse o Uchiha.
A Haruno quase esgasgou-se com o chá. O que? Ele estava pedindo desculpas?
_ O que foi que você bebeu, Uchiha? — brincou a rosada.
_ Nada. Estou falando sério. — explicou Sasuke.
_ Não posso acreditar! — falou ela.
_ Faça como preferir, acredite ou não. — alfinetou Sasuke.
_ Tudo bem, não vou fazer mais o senhor supremo Uchiha gastar sua preciosa saliva com um pedido de desculpas. Vamos ao que interessa, iremos fazer o trabalho de literatura juntos, né? — questionou Sakura.
_ Vai ter que ser. O Naruto vai fazer com a Hinata. Então tanto eu como você estamos sem parceiros para o trabalho. — argumentou Sasuke.
_ Fechado. Então eu estava pensando em fazer uma colagem especial com umas figuras para enriquecer nosso trabalho e... — contava Sakura quando o telefone da sala tocou.
_ Alô? — disse a Haruno atendendo o telefonema.
_ Eu gostaria de falar com Hinata Hyuuga. É Hiashi Hyuuga, pai dela.
Notas finais
Bejios!!! Até a próxima!!
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