De Quatro a Oito
10 Capítulo 10: Quem somos nós?
Notas iniciais
Naruto e Ino estavam ali a mais de uma hora, Gaara teve que ser sedado quando finalmente contaram que Kankuro seria avisado que ele estava no hospital. Naruto continuava sentado na poltrona do quarto, pensando no que diriam caso o irmão do ruivo descobrisse toda a verdade em relação ao envolvimento de Gaara com as drogas.
_ Naruto, vá para casa. Vai ser melhor se um de nós voltarmos. Todos devem estar preocupados com nossa demora e podem acabar chamando o Kakashi... pode ir, eu fico aqui. — propôs Ino olhando fixamente para o chão.
_ Você tem razão... eu vou voltar para a república para tentar não alarmar mais tudo isso. — concordou o loiro levantando-se da poltrona a caminho da porta.
_ Naruto! Se perguntarem porque eu fiquei... — iniciou a Yamanaka.
_ Relaxa, eu já estou pensando numa boa desculpa. — completou o Uzumaki saindo do quarto.
Na mansão todos já estavam estranhando a demora dos três no hospital.
_ Nossa, eles estão demorando muito! Será que aconteceu algo grave com o Gaara? — manifestou-se Hinata chegando a sala, onde todos assistiam tv.
Nesse instante Naruto adentra a mansão.
_ E ai, Naruto? Cadê a Ino e o ruivinho anormal? — questionou Sasuke.
_ O Gaara vai passar a noite lá, ele está com muita dor de cabeça e está tomando soro porque ele estava vomitando também. Provavelmente deve ter comido alguma coisa estragada. — mentiu Naruto.
_ E a Ino? — perguntou Sakura.
_ A Ino resolveu ficar no hospital com ele. — disse o loiro subindo as escadas em direção ao seu quarto.
_ Duvido nada que folgado como você é Naruto, tenha enrolado ela para ficar lá e você poder voltar para casa!! — ironizou Sasuke.
_ Isso é que é melhor amigo hein, Sasuke!!! — gritou o Uzumaki do segundo andar.
Hinata optou por ir atrás de Naruto, ele parecia um pouco distante demais. Ela entrou no quarto com cuidado e o loiro estava sentado na cama.
_ O Gaara vai ficar bem? — perguntou ela.
_ Não sei... Sabe Hinata, quando eu era pequeno fui criado por meu padrinho, porque meus pais morreram quando eu era um bebê ainda. Meu padrinho sempre foi muito carinhoso comigo, mas ele não parava em casa... Me lembro de ficar sozinho todas as tardes... Ele sempre foi muito mulherengo, e por isso saía muito. Eu passei um bom período da minha infância sozinho... mas nem por isso me retraí. — contou Naruto.
Hinata sentou-se ao seu lado não compreendendo muito o motivo dele estar lhe falando isso.
_ As vezes tenho tanto orgulho das minhas batalhas, acredito tanto em mim, mas tem vezes que acho poderia ter feito muitas coisas com mais atenção. — desabafou o Uzumaki olhando para a Hyuuga que como de costume sorria docemente.
Sasuke estava sentado na janela ao lado de sua cama, quando Sakura se aproximou dele e se sentou na janela também.
_ Você e seu irmão não se dão muito bem, né? — disse a Haruno puxando assunto.
_ Há anos. Não acreditei quando vi que ele teve a cara de pau de aparecer aqui! Ele destruiu nossa família! Desgraçado! — exclamou Sasuke.
_ O que ele fez? — questionou Sakura.
_ Meus pais faleceram em um acidente de carro a muitos anos, e a culpa pela morte deles foi do Itachi!! Preferia que ele não tivesse me salvado para não ter o que me jogar na cara durante todo o tempo que tive que morar com ele. Agora, a alguns meses ele vem tentando de tudo para que tenhamos uma relação de "irmãos felizes", desgraçado! — revelou o Uchiha se dando conta depois do que estava contando a rosada.
_ Enfim... esquece o que eu falei, ok? Você não precisa se preocupar com os meus problemas. — disse Sasuke olhando a paisagem do bairro naquele início de noite.
_ Tudo bem, então vamos mudar de assunto... Ah! Amanhã estamos encarregados de separar todas as correspondências, não esquece! — falou Sakura.
_ Pode deixar... Sakura? Que tipo de música você gosta mais? — perguntou o moreno, que começava a se abrir com a rosada. Sakura e ele permaneceram na beirada da janela conversando sobre os assuntos que lhes davam na cabeça por um bom tempo, até irem jantar.
Tenten e Neji estavam sentados na calçada da mansão, sem terem o que fazer os dois resolveram ir tomar um pouco que ar.
_ Quando eu era bem pequeno, meu pai e eu costumávamos nos sentar na calçada esse horário. Ele me contava histórias, muitas histórias... sinto a falta dele até hoje, fui criado pelo meu avô depois da morte dele. Tenho muito ressentimento do meu avô, pela incapacidade dele como pai, como avô... mas acima de tudo pelo fato de não ter resolvido os problemas que tinha com meu pai quando ele ainda era vivo. — falou Neji olhando para o céu, enquanto seu cabelo solto voava junto a brisa da noite.
Tenten nada disse, apenas ouvia com atenção tudo que era dito pelo Hyuuga, que aparentava afundar-se em suas lembranças em cada palavra que pronunciava.
Temari havia acabado de chegar ao hospital, estava próxima da entrada quarto de Gaara quando viu pelo vidro seu irmão depois de quase um ano sem vê-lo. Estava deitado sobre a cama usando uma blusa branca e um casaco cinza grosso, que pelo que recordava era o preferido dele. Suas pálpebras estavam avermelhadas, ou havia dormido pouco ou tinha chorado muito. Um soro ao lado da cama ligava-se até um de seus braços, e cada uma de suas mãos tinha curativos.
Diante da cena, a Sabaku não conseguia acreditar no ponto em que seu irmão havia chegado. Desviou brevemente o olhar de Gaara e viu uma garota loira dormindo na poltrona do quarto.
_ Enfermeira, quem é aquela garota no quarto junto com meu irmão? — perguntou Temari quando viu uma enfermeira sair do quarto em frente ao do ruivo.
_ Ah, aquela menina é graça! Coitadinha, ficou o tempo todo do lado dele, agora que conseguiu dormir um pouquinho. — disse a enfermeira.
_ Ela é o que dele? — questionou Temari.
_ Senhora, ela se apresentou como amiga dele, igual um garoto que estava ai também quando eles chegaram. Já que a senhora é irmã dele, porque não entra lá. Daqui a pouco ele deve acordar, o efeito do sedativo não vai durar muito. Ele vai gostar de te ver. — falou a enfermeira, que em seguida prosseguiu seu caminho em direção a outro quarto.
Temari entrou com cuidado no quarto, mas Ino acabou acoradando.
_ Quem é você? — perguntou a Yamanaka.
_ Meu nome é Temari, sou irmã do Gaara. Prazer. — respondeu Temari.
_ Ah, eu sou a Ino, sou amiga do Gaara, moramos na mesma república. — informou Ino levantando-se da poltrona.
_ O que houve com meu irmão? — questionou Temari chegando perto da cama.
_ Temari, né? Eu acho melhor conversarmos lá fora. — disse Ino.
Percebendo que ela ainda não sabia do envolvimento do ruivo com drogas, a Yamanaka chegou a conclusão que o hospital apenas deve ter avisado que ele estava internado. Então decidiu por não revelar isso a ela sem a autorização de Gaara. As duas saíram do quarto e se sentaram nas cadeiras do corredor.
_ Quando Kankuro e eu éramos crianças, nós costumávamos culpar o Gaara pelos problemas de nossos pais, pela separação deles, e mais tarde pela morte deles. Fomos morar com o nosso avô desde então, eu percebia que o Gaara era muito isolado, em casa, no colégio, ele passou a detestar muitas companhias. Na escola, os colegas preferiam não se aproximar dele. Eu sou quase dois anos mais velha que ele, e até as minhas colegas de classe chegavam a me perguntar se ele era louco, de tanto que ele se isolava. Eu nunca liguei para isso, quase não conversava com ele. Gaara vivia doente, não comia nada. E aí está! Meu irmão está deitado numa cama de hospital.... e a culpa é minha e do Kankuro! Se ele sofre até hoje por tudo que passou quando era menor... é culpa nossa também! E nunca exergamos isso!!! — falou Temari chorando.
Ino pegou um copo de água de entregou a Sabaku.
_ Porque você se preocupa tanto com ele? — perguntou Temari em função do que a enfermeira havia dito.
_ Acredito no Gaara. Sei que ele é forte. — respondeu Ino.
A Sabaku se levantou da cadeira observando Ino. A Yamanaka importava-se com seu irmão muito mais que ela, que até medo dele já chegou a sentir um dia. Não compreendia como uma garota tão bonita como Ino, acreditava em alguém que provavelmente não tem solução.
_ Ino, eu... vou ter que ir embora. Amanhã cedo eu volto para acompanhar ele até a república. Se quiser ir embora também eu falo para a enfermeira ficar de olho no Gaara. — disse Temari.
_ Não vou embora! Não vou deixar ele sozinho! — indignou-se Ino.
_ Como queira, até mais! — despediu-se Temari andando devagar pelo corredor pensativa.
Ino voltou ao quarto e se supreendeu ao ver que Gaara estava acordado.
_ Minha irmã esteve aqui, não acredito. — se pronunciou o ruivo.
_ É, ela esteve mais acabou de ir embora. — disse Ino se sentando na beira da cama.
_ Achei que nenhum dos dois fosse ter esse trabalho. — debochou Gaara. Queria sair logo dali. Não suportava a ideia de ver Ino se desgastando para permanecer naquele hospital para não deixá-lo sozinho. Não queria que ela tivesse pena dele em momento algum, e para isso teria que reunir uma força absurda, e ele estava disposto a fazer de tudo para obter essa força.
Notas finais
Beijos!! Até a próxima!!
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