De Ponta Cabeça.
1 Capítulo 1 - pantufas
Notas iniciais
Amy havia passado a noite toda acordada com os mesmos pensamentos: último dia de aula. Para onde tio Fiske vai nos levar? Será para a Holanda? Tomara. Ou para a Grécia? Agora ninguém pode me impedir de ter férias merecidas. Sem risco de vida. Nenhum Cahill ou Vesper vai tentar me matar. Nem Jonah, nem Ned, Ted ou Sinead. Nem Madison e Reagan. Nem Hamilton. Nem mesmo Natalie Kabra, nem... Nem Ian. Somos todos amigos agora. Muito bem Amy, conseguiu acabar com a sua bela noite de sono.
Ian Kabra sempre lhe tirava o sono. Ela sabia que não voltaria a dormir, pelo menos não tão cedo. Sentou-se na cama e olhou para o livro na mesinha de cabeceira, ao lado do abajur. A menina que roubava livros. Não, pensou. Não iria voltar a ler. Pensou por um minuto então percebeu que sua boca estava seca. Decidiu ir até a cozinha.
-Prrr?
-Vá dormir Saladin.
Silenciosamente, deslizou para fora da cama e abriu a porta do enorme quarto da mansão de tio Fiske. Minha não, dissera ele, de vocês. De Nellie. Nossa.
Nossa. Amy repetiu em pensamento. Tudo aquilo era dela. Não dava pra acreditar que há apenas um ano estava na responsabilidade da rabugenta Beatrice, e morava num apartamento velho e mofado com Nellie. O melhor presente que ganhara desde que a busca pelas pistas terminou foi ver a mansão de Grace reconstruída. Era uma sensação imensa de felicidade mais, ao mesmo tempo Amy se sentia triste, porque apesar de ser tudo, tudo exatamente igual, a mansão não tinha o cheiro de Grace, não havia fotos, nem os mapas dela. Contudo, biblioteca, assim como todos os arquivos que arderam em chamas foram repostos.
Ascendeu a luz da cozinha e deu um pulo.
-Dan! – gritou – o que pensa que está fazendo aqui a essa hora da noite?
Dan, que tinha o rosto enfiado numa tigela de cereal com leite levantou a cabeça, e bocejou. Seu rosto estava todo molhado de leite e ele tinha cereal grudado nos cabelos.
Estava de pijama e com as pantufas... de coelhinho... de Amy!
-Daniel Arthur Cahill! Quem foi que deixou você pegar as minhas pantufas?
-O que está havendo aqui? – um Fiske Cahill amarrando um roupão cinza, com pijama, pantufas de leão e os cabelos grisalhos projetando-se em tufos da cabeça, para todos os lados como um cientista louco, entra na cozinha. .
-Eu desço aqui para tomar alguma coisa e encontro Dan. Não sei como ele não se afogou em cereal.
De repente, seus olhos caem para os pés do tio e ela cai na gargalhada.
-Do que é que você está rindo? – pergunta Dan, sonolento.
Amy consegue perguntar, entre gargalhadas:
-Pantufas de leão, tio Fiske?
Fiske e Dan fitam os pés e, um minuto depois, os três estão rindo igual a hienas.
-Nala e Simba, sou Dan, muito prazer – Dan cumprimenta as pantufas, fazendo Amy cair no chão.
Depois de mais ou menos quinze minutos inteiros rindo, Amy perde o fôlego e senta em uma das cadeiras envolta da mesa, arfando.
-Eu não rio assim faz... – tio Fiske faz cara de pensativo. – muitos anos.
-Assim você parece velho. – informa Dan.
-Eu sou velho.
Amy enche dois copos com água e entrega a eles.
-Bom crianças – diz o tio – tenho uma notícia para vocês.
Dan fecha a cara.
-Pare de fazer suspense.
-Só falarei depois que vocês voltarem da escola amanhã, então é melhor irmos dormir – Ele se levanta, agora com o roupão aberto revelando um pijama azul com estampa de ursinhos de pelúcia.
-Vou te dar um pijama no Natal, tio Fiske – diz Amy, mordendo o lábio pra não rir.
-E pantufas de homem – completa Dan, rindo.
-Ei! Foi presente de Grace.
-Sei...
-Agora vão dormir, teremos um dia cheio amanhã. Muito trabalho. Boa noite. – diz ele, saindo pela porta da cozinha.
-Vamos Dan – chama Amy. – E essas pantufas são minhas.
-O que acha que é a notícia?
Ela balança a cabeça.
-Não tenho a mínima ideia.
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