De Outra Maneira
22 Capítulo XXII
Notas iniciais
POV’S ALLANA
— Henry, como você conseguiu esse vestido? – Passei o olhar por todo o meu corpo. Eu estava vestindo um vestido azul, cheio de lantejoulas, que Henry havia me entregado agora há pouco para o casamento. Ele estava com um terno.
— Ora, eu comprei! Sou rico, esqueceu? – Ele disse e sorriu para mim. – Não se esqueça de fingir que está enfeitiçada, para Sabrina não desconfiar.
Eu murchei ao ouvir o nome dela. Não iria aguentar ver aquela piranha vestida de noiva, para se casar com o meu Cauê. Fora que algo poderia dar errado e eu acabaria morta. De novo.
— Nós temos mesmo que buscar Sabrina? – Eu não queria vê-la, de jeito nenhum. – Não podemos ir direto para o casamento?
— Allana, foi uma exigência dela. Não podemos abusar da confiança! Ela nem imagina o que estamos planejando. Venha, hora de ir.
Henry me guiou até o carro e abriu a porta do banco de trás. O encarei, antes de entrar ali.
— O que você vai fazer com a Sabrina? – Perguntei.
— Você vai ver. – Henry sorriu. – Agora entre no carro e finja que está enfeitiçada!
Eu assenti e entrei. Era bem difícil me manter imóvel no sacolejo do carro, mas eu consegui. Quase não pude conter as lágrimas quando paramos bem em frente à casa de Emanuel... A minha casa.
Henry buzinou e alguns segundos depois Sabrina abriu a porta da frente da casa e correu em nossa direção. Ela entrou pela porta de frente e olhou para mim com desprezo. Aquele olhar gelou minha barriga.
— Porque ela está vestida assim? – Sabrina perguntou com certo tom de desconfiança na voz. – E você? Porque está de terno?
Henry riu.
— Ora, Sabrina! Não é só você que vai se casar. Nós também vamos.
Sabrina sorriu. Henry consegui fingir muito bem! Por alguns segundos, pensei até que ele poderia não estar fingindo. Mas Henry se mostrou digno de minha confiança.
Não demoramos muito para chegar no bosque. Henry estacionou em um local onde Cauê não pudesse nos ver. Sabrina desceu do carro. Meu coração estava acelerado, quase saindo pela boca!
— Adeus para vocês! – Sabrina disse com um sorriso debochado no rosto.
— Adeus, Sabrina! – Henry respondeu. – Seja feliz! – Ele acelerou o carro. Mas não parou longe dali, simplesmente em um local onde Sabrina não pudesse nos ver.
Ele rapidamente tirou o seu cinto de segurança e olhou para mim.
— Vá! – Ele disse. – Vai e arrasa! Pega de volta o que é seu!
— E você? – Perguntei, preocupada. – O que você vai fazer?
Henry sorriu.
— O que eu já devia ter feito há muito tempo. Agora, vai! Não podemos perder tempo!
Não esperei nem mais um segundo para sair do carro. Me aproximei do local onde aconteceria o casamento e vi algumas pessoas ali, observando o que estava acontecendo lá na frente. Estava tocando marcha nupcial e eu parei no final do caminho que Sabrina estava passando. Algumas pessoas me notaram ali e ficaram boquiabertas. Cauê e Sabrina estavam de costas para mim.
De repente, começou a tocar uma música. Eu reconheci como sendo Whistle, do Flo Rida, e aquela música me trouxe uma lembrança muito vaga... De minha outra vida! Era uma festa, e eu estava dançando com Cauê ao som dessa música. Isso só podia ser coisa do Henry!
Cauê olhou para Sabrina com um olhar diferente. Tristeza e raiva podiam definí-lo, e ela retribuiu com um olhar confuso. Foi quando comecei a caminhar, para que me notassem com mais facilidade. Jacqueline estava se acabando de chorar e quando Cauê me viu, eu abri o maior sorriso que consegui e mesmo assim não foi o suficiente para expressar toda a felicidade que eu estava sentindo. Sabrina, como sempre, me olhou com raiva e desprezo.
— O que você está fazendo aqui? – Ela gritou e a música parou. – Esse é o meu casamento, você não pode estraga-lo!
— Ora, Sabrina! – Respondi calmamente. – Só estou fazendo o que é justo. Você também estragou o meu casamento.
— Vai se fuder, sua vaca! – Sabrina gritou ainda mais alto.
— Sabrina, mantenha a compostura. – Cauê disse, também calmamente. Ele segurou em minha mão, o que a fez borbulhar de raiva. – Eu sempre amei a Allana e você nunca vai mudar isso!
— Mas você é meu! – Ela continuou gritando. Sua respiração estava ofegante, então ela olhou para mim. – Cadê o Henry, hein? Aquele traíra!
— Estou aqui, Sabrina!
Como uma sombra, Henry surgiu atrás de Sabrina. Provavelmente estava escondido atrás de uma árvore e esperou a melhor hora para aparecer.
— Você é cara de pau mesmo, hein? – Sabrina estava totalmente descontrolada. Nunca a vi tão louca assim. – Afinal, o que você quer de mim?
Henry sorriu.
— Ora, de você eu só quero uma coisa. – Daí ele fez uma coisa surpreendente. Rapidamente, tirou uma faca bem pontiaguda do bolso de trás de sua calça e enfiou diretamente no coração de Sabrina. – Eu quero que você morra! Isso é por tudo o que você fez com a Allana e a família dela, sua vagabunda!
Sabrina olhou para o próprio peito. O sangue jorrava pelo seu vestido branco, tingindo-o de vermelho. Não demorou muito para que ela caísse no chão. Ninguém a segurou, seus olhos estavam vidrados. Sabrina estava morta.
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