Notas iniciais
Oie pessoas, capítulo novo! Boa leitura :*

Eu não fazia a mínima ideia de que horas eram. Meu estômago roncava alto, e eu queria saber se faltava muito para o jantar. Fazia algum tempo que eu estava sentada na grama, com medo de Sabrina. Talvez ela estivesse em aula agora, mas mesmo assim eu não iria sair daquele lugar sozinha. Quer dizer, acho que se dependesse dos meus novos amigos, eu morreria aqui. Ninguém tinha vindo atrás de mim, até aquele momento.

Percebi sua presença de longe. Ele carregava uma sexta bem grande de piquenique, e seus olhos negros me observavam, conforme se aproximava. Ali estava Cauê, minha salvação.

– Olá – Ele disse, se aproximando de mim – Como você está?

– Assustada – Eu respondi, com a voz meio trêmula.

Cauê deu um sorriso meio triste e se sentou na minha frente.

– Não se preocupe com a Sabrina. Nada de ruim vai acontecer com você, eu prometo.

De alguma forma, aquelas palavras mexeram comigo. Cauê tinha alguma coisa no olhar que fazia o meu coração pular. Só consegui fitar aqueles olhos negros, que me fitavam de volta, antes de agradecer.

– Obrigada Cauê, eu fico bem mais tranquila.

Ele sorriu, mas dessa vez não era um sorriso triste, era um sorriso alegre, e muito, muito lindo! Ai, merda! Eu não podia me apaixonar de novo! Estava aqui nesse lugar justamente por me apaixonar uma vez, e eu nem sabia quem Cauê era, o que ele havia feito para estar aqui. E se ele fosse um psicopata que seduzia as mulheres para depois as matar?

– Você deve estar com muita fome – Ele disse, interrompendo os meus pensamentos paranoicos – Eu te trouxe comida, que tal fazer um piquenique?

Ele abriu a grande cesta que ele havia trazido, e tirou uma grande toalha xadrez vermelha e branca, típica de piqueniques. Estendeu-a entre nós dois, e começou a tirar comida da cesta. Havia sanduíches de salame com peito de peru, pedaços de bolo de chocolate com granulado, bolachas recheadas de todos os sabores, salgadinhos de queijo e duas grandes garrafas de refrigerante.

– Cauê – Eu disse, impressionada – Como você conseguiu tudo isso? E como passou pelas câmeras?

Ele riu.

– Um amigo de Henry tem como conseguir isso para nós. E as câmeras... Ela não viram nada. Apenas coma, Allana. Você deve estar faminta.

– Sim – Respondi, pegando um dos sanduíches – Muito.

– Eu também estou – Cauê também pegou um sanduíche – Posso ser magro, mas tenho a mesma fome que dois elefantes juntos.

Nós dois rimos e passamos o tempo todo conversando. Cauê era uma pessoa muito legal, falava sobre diversos assuntos e não parecia ser um psicopata que seduzia as mulheres e depois as matava. Acho que ele realmente merecia um voto de confiança.

Comemos até não aguentarmos mais, e ainda haviam sobrado coisas.

– Pode ficar com o que sobrou – Cauê disse, sorrindo para mim.

– O que você acha de guardarmos para repetirmos a dose outro dia – Sugeri.

– É uma ótima ideia! Allana, obrigada pela companhia, essa tarde foi sensacional.

– Eu que te agradeço por tudo, pela comida, pela conversa, por tudo! – Abri meu melhor sorriso para ele.

– Allana, eu não quero ser inconveniente, me responda se quiser, mas porque você está aqui?

Eu suspirei. Toda e qualquer forma de amizade entre nós acabaria agora, porque ele me acharia maluca. Eu poderia não contar, mas eu precisava desabafar isso com alguém.

– Eu estava num acampamento e briguei com a minha melhor amiga – Comecei a trágica história, mas iria poupá-lo dos detalhes do motivo da briga – Eu estava com muita raiva, e estávamos assando marshmallows em uma fogueira. Eu a empurrei e ela caiu, mas bem distante da fogueira. Nisso, o fogo começou a se dispersar na direção dela, e a queimou viva. Eu não sei como isso aconteceu, só sei que não fui culpa minha – Eu estava com lágrimas nos olhos – Eu vou entender se você me achar maluca.

– Eu não acho – Ele estendeu a mão e limpou uma lágrima que havia escorrido pelo meu rosto com o polegar – Eu acredito em você. Eu sei como é te chamarem de maluco quando você não está.

– O que você fez para estar aqui? – Finalmente fiz a pergunta que estava entalada na minha garganta.

– Foi culpa de Sabrina – Aquelas palavras me surpreenderam. Cauê já conhecia Sabrina? – Jacque, Lívia, Melissa, Henry e eu viemos para cá por culpa de Sabrina. Ela queria algo que é nosso, algo... Que não vale a pena ser discutido – Assim como eu fiz, Cauê também estava me poupando de alguns detalhes – Ela nos acusou de perseguição, e nós a acusamos de roubo. Então, todos viemos para cá para sermos vigiados por Tina.

Eu não sabia o que dizer, só queria chorar. Ele me ajudou levantar, e me deu um forte abraço, daqueles bem apertados, que te sufoca toda mas que você só deseja que nunca acabe.

– Lana, eu gosto... Gostei muito da sua companhia, e de você! – Ele me olhou nos olhos, sem me soltar – Desculpa pela intimidade do apelido, eu achei que combinaria perfeitamente com você.

– Não tem problema – Eu disse, sorrindo – Com certeza é bem melhor do que o apelido que a Sabrina me arrumou, Vacana...

– A única vaca aqui é ela – Cauê parecia irritado – Allana, você está segura com a gente, eu vou te proteger de tudo e de todos, para sempre. Eu prometo.

Agora tive mais vontade de chorar. Não de tristeza, mas sim de alegria. Cauê tinha se mostrado tão gentil e protetor, coisa que eu nunca tive na vida. Mas era uma sensação muito boa, algo que eu gostava de sentir. Eu gostava de ser protegida por ele.

O que ele fez em seguida foi algo totalmente inesperado. Ele me olhou fundo nos olhos, acariciou o meu rosto e uniu nossos lábios. O beijo começou como um selinho, mas ele estava sedento e logo enfiou sua língua em minha boca, me fazendo estremecer de alegria e paixão. Aumentamos a intensidade e só paramos quando ficamos sem fôlego. Como eu queria ter fôlego para sempre.

– Allana, eu... Me perdoe, eu não sei – Cauê se afastou e tentou se explicar, mas eu o interrompi, me aproximando novamente.

– Calma, está tudo bem. Eu também queria.

Ele sorriu, meio sem jeito, e dessa vez a iniciativa foi minha. Dei um salto e colei nossos lábios, sentindo pela última vez naquele dia, o doce gosto de uma paixão correspondida.

Notas finais
E aí galera, o que acham da Allana com o Cauê? Me digam nos comentários, vou adorar saber a opinião de vocês *-* Obrigada a todos que estão acompanhando :3