De Mãos Abertas
1 Livro: Cancioneiro
DE MÃOS ABERTAS
Tranquei na casa o medo e fui pr'a rua
Entrei no trem de sempre a me esperar
Cada estação me lembra o que é meu lar
E o tempo em seu correr jamais recua
Saltando, fiz da praça a cena aberta
Caminhos tortos buscam se encontrar
Quando esta ausência não cede o lugar
Desfaz-se a hora e tudo está tão perto
Sentar em vão num banco e desejar-te
Ainda que estivesses ao meu lado
Não fez de nós só um em duas partes
Afago, então, teu rosto imaginado
Agora sei que vivo quando invento
E entrego alegre o tempo a tal intento.
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