Aonde foi parar a magia?

Lembro-me dos mundos imaginários

Que coloriam meu real com fantasia,

Preenchendo-me de sentido

E nutrindo-me o corpo

Com o mistério da alegria.

Tudo era animado,

Todo objeto tinha vida.

O pensamento das coisas era respeitado

E toda voz era ouvida

Quando a energia vivia fora da cabeça

E povoava o mundo

Com a alma de vigor tão profundo

Que o homem até podia esquecer

De se perguntar sobre seu próprio viver.

Hoje pergunta-se porque a vida não mais responde.

A experiência esvazia-se de sentido

E o homem ou se confronta, ou se esconde,

Procurando nas palavras o que antes tinha corpo

Pois no mundo já não se sabe mais

O que é vivo ou morto

Se o olhamos com os olhos da mente

Que separa aquele vê

Do resto do mundo presente.

Caminho em busca da magia

Para que o mundo volte a ser numinoso,

No sonho de reanimar a vida

Para que a luz daquele que ilumina

Seja maior do que a escuridão

Do questionador que em mim habita,

Fazendo do certo sempre duvidoso.