De Coração

23 Anel de Sauron


Notas iniciais
Olá, amados leitores! Como estão vocês? Bem? Mal? Querendo me matar pela demora? *sorriso colgate* eu imagino que sim. Primeiramente, me desculpem MESMO pela demora! Não sei se isso se tornará de praxe, mas eu realmente espero que vocês possam me perdoar pelas demoras dos capítulos :((( Um dos motivos é o fato de que minhas aulas voltaram nessa segunda feira, dia 15/02, e eu meio que ainda estou desnorteada pela ideia ajskalsasa Já nessa semana os professores ferraram a todos nós, e, como eu estudo numa ETEC integrada, fica meio difícil conciliar o tempo de estudo com a escrita - porém, não se preocupem, é só uma questão de tempo para que eu me organize com os meus novos horários! ahuhauhua E o outro motivo é que eu tive uma crise de inspiração, não conseguia nem tocar no teclado direito ;__; MAS, TENHO FÉ! Com o retorno da minha rotina, tenho certeza que essa fdp já volta ajsalskasa Em segundo lugar, quero agradecê-los IMENSAMENTE por todos os seus reviews! Obrigada mesmo rodrigo, Lohaynne, Lucy, luf warie, Lua, Luna, Nico, ju, Fly, Kim, Kalki e Blue Star pelos INCRÍVEIS comentários! Os amei demaais! Aqui vai este capítulo pequeno, porém importantíssimo para o desenvolvimento da história! No próximo, já teremos o passeio dos dois pelo parque, hihi~ Boa leituraa!

Trenton Owen sabia claramente que havia se metido numa confusão bem grande quando percebeu em que bairro aquele ‘café inocente’ se localizava. A parte rica de Honolulu ficava, geralmente, à beira mar, com os seus quiosques reluzentes, as placas em tons de rosa e laranja florescente, tudo tão colorido e brilhante que parecia ser pleno meio-dia — os prédios estavam todos pontilhados de branco, cada quarto produzindo sua luz, que era facilmente refletida na maré alta do mar.

Com sua jaqueta de couro falsificada cheirando a fumo, tênis encardidos e rasgados e, principalmente, com o cabelo parecendo um ninho de ratos, Trenton entrou num dos bares mais ‘chiques’ da cidade, chamando instantaneamente a atenção daqueles por quem passava.

— Isso aqui cheira a universitários… — Resmungou consigo mesmo, erguendo a cabeça enquanto passava pelo corredor de mesas, todas elas recheadas de estudantes com cara de mortos e muito dinheiro no bolso.

Sentou-se ao balcão nos fundos, cruzando as pernas e encarando o menu que ficava num painel ao alto, pensando que deveria, ao menos, vender um dos rins para conseguir comer um hambúrguer daqueles. Quase que instantaneamente, lambeu discretamente os lábios, ouvindo o estômago roncando de forma tímida, batucando os dedos no balcão com ansiedade, virando-se para encarar o aviso de ‘Proibido Fumar’ quase como se fosse seu inimigo.

Mordeu os lábios, sorrindo lindamente quando viu uma atendente se aproximar. Ela retribuiu, meio tímida e completamente hesitante.

— Oi, hm, você já quer pedir? — Disse, retirando um bloquinho de notas e uma caneta do bolso. Trent notou uma gota de suor escorrendo por seu rosto, vendo-a olhar de soslaio para uma das câmeras no canto do café.

— Ah, não, obrigado — lhe respondeu de forma educada e doce, apesar de notar o preconceito que estava recebendo ali. Coçou o cabelo, pensando no que mais poderia dizer. — Vocês têm amostras grátis? — Indagou preguiçosamente, sorrindo de novo, sabendo que aquilo seria a única coisa que poderia consumir sem ter de perder nenhum dos órgãos.

— Hm… Infelizmente, não… — Ela tentou, ainda nervosa, como se estivesse o esperando tirar uma arma do bolso e fazer todos ali de reféns. — Q-quando você quiser pedir, por favor, me chame…

— Te chamar? Não, eu prefiro pegar e sair furtivamente pelos fundos. — Quando ela arregalou os olhos e escancarou a boca, Trent simplesmente se remexeu na cadeira. — Estou brincando… — Disse de forma propositalmente duvidosa, arregalando os olhos quando ‘Married with Children’ começou a tocar, o fazendo apontar para o teto. — Nossa, eu adoro essa música.

— Trenton? — A garçonete com toda a certeza iria chamar a polícia se Max não tivesse aparecido naquele instante. Passou por ela, a olhando desconfiado enquanto cumprimentava o Owen, vendo-a engolir em seco e sair dali rapidamente. — Aconteceu alguma coisa?

— Não. — Sorriu de forma simples, descruzando as pernas, acompanhando-o com o olhar enquanto ele se sentava num banquinho ao seu lado, a corrente de Harry Potter cintilando sobre seu moletom de Breaking Bad. — Só estávamos discutindo o menu. — Sorriu, aproximando-se do salva-vidas.

Max sorriu de volta, os caninos tortinhos parecendo a Trenton muito atraentes. Maxwell pediu duas xícaras de café desenhadas e pedaços de bolo de morango, sua dieta parecida com a de uma criança.

— Você não parece ser nativo… — Max começou de repente, sorrindo para o barista quando ele trouxe o que havia pedido.

— Deve ser porque eu não sou. — Trenton o respondeu, avulso, fatiando o bolo com uma velocidade impressionante, se perguntando há quanto tempo não comia um daqueles. — Viemos para cá há uns… Nove? Dez? Não me recordo, há alguns anos para passarmos as férias… Aconteceu que ficamos para sempre aqui — respondeu entre as mastigadas, segurando a xícara e a olhando com curiosidade. Um coelhinho estava desenhado com chantili na superfície quente da bebida.

— Ah, sério? Vocês gostaram demais daqui? — Max virou-se sutilmente na sua direção, bebendo seu café com um coração desenhado.

Trent riu com desgostoso, lambendo os lábios.

— Claro que sim… — Manteve a voz plácida, sabendo bem como contar uma mentira. Jamais iria despejar sua vida pessoal para uma pessoa que havia conhecido no dia anterior. Coçou a cabeça, acariciando os fios macios de seu cabelo, que estavam uma perfeita zona. — E você? Nasceu aqui ou veio para cá?

— Eu vim para cá. — Respondeu com um suspiro, e Trenton percebeu naquele instante que ele não era o único a omitir verdades. — Precisava de férias.

— E o melhor jeito de ter férias é trabalhando e estudando de segunda a segunda até às nove da noite? — Trent gracejou, aproximando-se mais dele com um sorriso matreiro nos lábios, tocando em seu joelho.

— Hã… — Max olhou para baixo, hesitação dominando em seus olhos. — E-eu precisava me distrair.

— Ainda precisa? — Trenton jogou todas as suas cartas, olhando-o de forma séria, como se estivesse disposto a levá-lo para casa.

Mas, contrariando suas expectativas, Max pareceu ficar chocado. Afastou-se um pouco, engrenagens dentro de sua cabeça ficando quase visíveis.

— Ahn… Eu preciso mesmo ir para casa. — Disse de repente, erguendo-se suavemente no banco para pegar sua carteira no bolso traseiro da bermuda.

— O quê? — Trent piscou, os olhos ainda presos nele, recuando com a mão. — Eu acho que esse é o segundo fora que você me deu. — Riu, empurrando o prato vazio quando um garçom se aproximou, recolhendo as louças de ambos.

— Não! — Max se virou de repente, parecendo meio apavorado. — Não, Trenton, isso não é um fora. Por favor, acredita em mim.

— O.k… Se isso não é um fora… O que é? — Permaneceu inabalável, erguendo as sobrancelhas.

O salva-vidas engoliu em seco, pagando ao garçom com euforia, agarrando um guardanapo e uma caneta do balcão, inclinando-se e começando a escrever.

— Quando você estiver com vontade de conversar, comer alguma coisa ou só matar o tempo, você pode me ligar. — Disse, a voz agitada e nervosa, enfiando o guardanapo no bolso da jaqueta de Trent, afastando-se antes que o garoto reclamasse.

Trenton coçou a cabeça, olhando para os lados, pensando que, sim, a merda em que havia se metido era grande demais.

***

Luana inspirou profundamente mais uma vez, olhando para o próprio reflexo com desagrado. Puxou o tecido de seu vestido para baixo, sentindo que sua cintura havia ficado muito marcada.

Não gostava que os outros reparassem em sua ausência de curvas, ou melhor dizendo, em suas gordurinhas. Não tinha uma ‘barriga chapada’, coxas finas e braços durinhos. Em seu olhar, tudo nela era… Molenga. Gorduroso.

Feio.

As pessoas na praia com certeza iriam reparar nela, compará-la às turistas europeias de pele pálida, braços esqueléticos e de olhos azuis da cor do mar. Com toda a certeza iriam perceber que o Havaí não continha nativos bonitos, todos eles baixinhos e feios.

Ela era a prova disso, não era?

Inspirou com resignação, retirando o vestido e evitando se olhar no espelho.

Quando estava perto de Manu e de Kai, parecia que uma chama de ‘você pode vestir isso’ se acendia em seu interior, mas porque eles a conheciam o suficiente para aceitá-la do jeito que era — era algo envolvendo amizade, nada mais. Não é como se a vissem como uma mulher, e sim como uma irmã. Por isso que, nestes momentos, sentia-se confortável em usar um biquíni na praia ou colocar um vestido rodado.

Mas a realidade era outra quando ela se encontrava sozinha em seu apartamento. Naquela manhã de domingo, Manu a convidou para almoçar — tecnicamente, ele convidou também a Kai, mas o garoto acabou recusando por causa de um cansaço inexistente.

Colocou uma calça jeans rasgada nos joelhos, sapatilhas e uma regata de seda florida. Prendeu os cabelos cacheados num rabo de cavalo bem alto, vendo seus fios escorrerem por seus ombros. Assim que saiu do quarto, pegou Pono com carinho pela barriga, mantendo-a aconchegada em seus braços, impedindo-a de ir para o chão assim que pisassem na rua.

Sabia que ela precisava passear, mas suas patinhas eram sensíveis demais ao calor da calçada, já que seu antigo ‘dono’ (que Luana insistia em chamar de Monstro) havia a maltratado àquele ponto.

Manu morava num prédio à beira mar. A vista era maravilhosa, os moradores eram calmos e a região era muito segura e vazia, justamente por ser um bairro nobre. Lua andou calmamente por Kulamanu Street, sentindo Pono tremendo em seu colo, as sequelas de seus maus tratos se solidificando para sempre.

Não eram nem onze horas quando Luana acenou para o porteiro do edifício, desejando-o um ‘ótimo dia!’, entrando com passos rápidos na construção nada modesta. O elevador tinha uma pequena faixa em vidro, coisa que sempre a fazia ter arrepios, dando gritinhos e fechando os olhos com força à medida em que ia subindo até o décimo andar, provavelmente causando muito divertimento ao segurança que vigiava as câmeras.

Só descolou os olhos quando as portas se abriram, dando uma corridinha para fora daquele trambolho transparente, ainda arrepiada. O cheiro de comida invadiu o corredor no exato instante em que foi se aproximando do apartamento 102, um aroma gostoso e inebriante provavelmente invadindo o apartamento dos vizinhos.

Tocou a campainha com Pono remexendo-se ansiosamente em seus braços, o rabinho não parando de balançar com entusiasmo.

Manu a atendeu segundos mais tarde, provocando em Luana um ataque de risos no instante em que o viu. Ainda mantendo a pose séria e quase mortífera, o cozinheiro vestia um avental que ela havia o presenteado em seu aniversário, com o desenho do corpo da Mulher Maravilha.

— Você realmente o usa? — Ela perguntou enquanto ria, adorando o fato de aquilo estava completamente desproporcional.

— É claro que sim. Não deixa de ser um avental — sorriu, escancarando a porta para que ela entrasse. — Você gosta de sushi, não gosta?

— Quem não gosta de sushi? — Lua espremeu as sobrancelhas, soltando Pono no chão frio de madeira. A cadelinha logo tratou de seguir o cozinheiro, pulando em sua perna, implorando por sua atenção.

Manu apenas estralou a língua, ignorando-a enquanto andava até sua cozinha. Pono foi atrás, balançando alegremente o rabo, farejando seu calcanhar.

— O que você quer, sua cadelinha feia? — Indagou com quase raiva, agachando e procurando o saco de ração. — Você quer isso aqui? — Quando ela se sustentou nas patinhas traseiras, apoiando as dianteiras em seu joelho, Manu sorriu de lado, colocando um pouco na tigela que havia comprado especificamente para ela. — Pronto, come logo isso aqui e cai fora da minha cozinha.

Luana até pensou em soltar os cachorros em cima dele por tratar sua pobrezinha daquele jeito, mas decidiu ignorá-lo, ligando a TV e deitando-se no sofá de tecido do cozinheiro, retirando suas sapatilhas com os pés e as lançando longe, para perto da entrada da cozinha.

— Eu te dou cinco segundos para você adivinhar quem me ligou ontem, quando eu cheguei em casa. — Luana disse de repente, parando num canal de esportes, vendo uma luta sanguinária de MMA.

— Sua mãe? — Manu tentou confirmar da cozinha, despejando o shoyu num recipiente ao lado do prato com temakis. Quando Lua soltou um ‘aham’ arrastado e quase dolorido, Manu entendeu. — Ela queria falar sobre Você-Sabe-Quem?

— Sim. — Inspirou de novo, abraçando uma almofada. Lua olhou sobre o braço do sofá, observando a parede de vidro na sala, adorando a vista perfeita que aquela parede dava para o mar. Não conseguia entender o porquê de Manu odiar aquela casa. — Ela me disse sobre ele… Me disse o nome dele… — Começou, engolindo em seco. Não ouviu quando as mãos de Manu tremeram e ele derrubou um pouco de água no chão. — Eu realmente não sei o que fazer, Manu. Ela me trata apenas como se eu fosse um robô programado para casar e trazer a ela dinheiro. É como se, para ela, a obrigação da minha vida é essa: casar com um cara que eu nunca vi na minha vida, ter filhos e a enriquecer.

Manu permaneceu quieto, ouvindo-a em silêncio. Pegou a bandeja cheia de sushi, o cheiro maravilhoso logo inundando a sala quando ele saiu da cozinha, quase tropeçando numa das sapatilhas de Luana.

— Tcs, é difícil para você não bagunçar a casa dos outros? — Resmungou, chutando o calçado minúsculo para perto do sofá.

— Você sabe qual foi a parte em que eu fiquei mais puta?! — Disse com óbvio repúdio no olhar, ignorando-o completamente, ficando de joelhos no sofá. — Quando ela ousou me perguntar se eu era virgem! — Contou com raiva repentinamente transbordando, como se tivesse guardado demais aquilo, pegando a almofada em que estava abraçada e a jogando longe com um grito de raiva, assustando Pono, que correu para o banheiro. — PORQUE, SEGUNDO ELA, EU IRIA VALER MAIS! ELA PENSA QUE EU SOU O QUÊ? A MERDA DE UM PRODUTO?! — Continuou com o seu discurso inflamado, batendo com raiva nas costas do sofá.

Manu utilizou de seus hashis para pegar um futomaki* da bandeja, não demorando para enfiá-lo na boca da garota, que, apesar de estar com as bochechas cheias, não parava de falar sobre como odiava sua cultura. Luana pulou do sofá, pousando na cadeira que ficava encostada atrás no móvel, sentando-se à mesa com facilidade, pegando os hashis e atacando com raiva um urumaki* indefeso, enfiando-o na boca sem nem ao menos tê-la esvaziado.

— Olha, francamente, isso está me enlouquecendo. É como se aquela merda de anel fosse o Anel de Sauron. Aquilo me perturba em todas as noites desde que eu o ganhei! — Grunhiu, o rosto levemente afogueado.

O cozinheiro sentou-se em frente a ela, arrastando para perto de si o recipiente com shoyu, mergulhando nele um pedaço de salmão, enfiando-o na boca, ainda quieto, pensando no que poderia dizer.

— Qual o nome dele? — Decidiu perguntar, mastigando devagar.

Luana inspirou fundo, parecendo ter dor psicológica só ao se lembrar daquilo.

— Ehu— disse ainda de boca cheia, desagrado inundando seu rosto.

— Ehu? — Manu espremeu as sobrancelhas, confuso. — Que merda de nome é esse?

Luana piscou, encarando-o de maneira curiosa.

— Sério que a única coisa que você tem pra falar é sobre o nome dele?

— Deve ser porque eu realmente não me importo. — Manu disse de repente, percebendo segundos mais tarde como aquilo havia soado. A verdade era que nunca foi e provavelmente jamais será um bom orador, sempre dizendo coisas que às vezes não queria dizer.

Não se assustou — ou, pelo menos, não mostrou estar assustado — quando Lua se levantou repentinamente, percebendo em seus olhos um sentimento cheio de mágoa.

— Tcs, calma, Luana, não foi isso o que eu quis dizer — o cozinheiro também se levantou, impedindo-a de andar ao segurar em seu braço.

— “Não foi isso o que eu quis dizer”?! Eu estou desabafando sobre a merda da tradição que vem ocorrendo na minha família há mais de setecentos anos, sobre a ideia estúpida de ser obrigada a me casar com um estranho por dinheiro, sobre como isso está me enlouquecendo aos poucos, e a única coisa que você me diz é que não se importa?! — Aumentou gradualmente o tom de sua voz, não se importando com os vizinhos naquele instante.

— Você poderia me ouvir por um instante? — Manu tentou controlar sua voz, a garganta tremulando por um momento. — Você sabe que não foi isso o que eu quis dizer! Estou me referindo ao fato de você estar fazendo um pouco de drama!

A cada palavra dita, a indignação de Luana se elevava um grau. Seu queixo caiu, os olhos arregalados pelo desafeto e descaso nas palavras de um de seus melhores amigos. Seu rosto era uma mistura de mágoa, indignação e raiva.

— DRAMA?!

— Sim, drama! — Manu grunhiu de volta, aproximando-se dela. — Mas que merda! Você já tem vinte e um anos, trabalha e se sustenta sem nunca ter pedido porra nenhuma para os seus pais! Você é independente o suficiente para decidir se você quer ou não se casar, e nem vem com este papinho de ‘ah, mas isso não está nas minhas mãos’, porque está sim! Se as pessoas continuarem dizendo o que você deve fazer, o melhor é mandá-los direto à merda! — Encerrou, completamente brusco, chacoalhando-a, como se quisesse enfiar aquilo em sua cabeça.

— O.k., então me diga como eu mandarei minha própria mãe à merda, porque, francamente, eu não faço a mínima ideia! — Rebateu, contorcendo-se para tentar sair do aperto forte do amigo.

— Apenas diga o que você quer dizer, Luana! — Manu largou seus ombros, agarrando-a nos pulsos, puxando-a para bem perto de si, encarando-a quase furioso. — Diga que você não dá a mínima para este pirralho que mal saiu das fraldas, diga que ainda está para nascer alguém que realmente te mereça, diga que você é o tipo de pessoa que merece ter a merda do amor correspondido, e não comprado por alguém que nunca viu na vida! — Explodiu de forma descontrolada, assustando até mesmo a Pono, que voltou do banheiro com a atenção redobrada, sentando-se ao lado deles para prestar atenção na cena.

Luana relaxou os ombros, apertando os olhos, meio surpresa, meio incrédula. Continuou olhando-o, sentindo que um peso existente somente em sua cabeça havia diminuído algumas gramas — ainda estava lá, porém, preso em sua consciência, preso no anel enfiado no fundo da gaveta. Não conseguia negar que sentia-se grata por ter em quem se apoiar quando tudo parecia estar gradualmente desabando, conseguindo amenizar a dor daquele dilúvio de problemas insolucionáveis.

Era difícil e, em seu ponto de vista, era um absurdo ser vendida, ainda mais quando aquela ideia vinha aos poucos, crescendo em sua mente desde quando era pequenina, sendo implantada em sua cabeça por sua própria família.

As piores verdades são aquelas que são implantadas com afeto — são as mais acreditáveis, as mas aceitáveis, as mais doloridas.

Notas finais
Como eu não sei descrever os '*' só vou pegar aqui o que o Google me diz sobre eles: "Futomaki (rolinhos grandes). 太巻き. Cilíndrico e grande, é um dos sushis mais populares. Possui como recheio uma variada combinação de peixes, folhas e raízes. Tendo tradicionalmente recheios ímpares, é um dos mais apreciados em festivais e datas comemorativas." "Uramaki (enrolado ao contrário). 裏巻き. Um pedaço cilíndrico médio, com dois ou mais recheios. Uramaki diferencia-se dos outros maki porque o arroz está na parte externa e o nori na interna. O recheio fica no centro, rodeado por uma camada de nori, uma camada de arroz e uma cobertura de outro ingrediente, como ovas de peixe ou sementes de gergelim torradas. No Japão, "rolo invertido" seria, na verdade, gyakumaki." Tomara que eu não tenha deixado nenhum escapar. Enfim, vocês entenderam? Eu também não. Enfimmm, creio que eu fico por aqui hojee! Eu vou tentar o possível e o impossível para fazer o próximo capítulo vir rápido, coisa que eu não duvido tanto assim, já que eu ~sinto~ a inspiração HAHAHAH! Obrigada a todos vocês que leram até aqui! Bye, byeee~