Days Of Hell
1 Capítulo 1 - Esperança
Notas iniciais
Primeira parte dedicada ao Lucas L. Lins, por ser o primeiro sobrevivente.
♪ Now is the time to start,
let all our fears aside,
we will be stronger, a case apart,
your sorrow is mine, your fear is mine. ♪
Essa música agora sempre toca na rádio enquanto estou a caminho da escola.
Ainda é noite, cinco e meia da manhã, e estou parado no trânsito com meu pai, o que é extremamente estranho, pois ele não costuma me levar para a escola. Sempre vou de ônibus e sempre com meu Ipod no último volume.
Essa foi uma das coisas em São Paulo que me acostumei. O trânsito.
São cinco e cinquenta, me despeço do meu pai e o desejo "Bom trabalho", ele me sorri meio sem graça, é como ele tem ficado ultimamente quando tenta me agradar, e percebe que sei disso, "Meio sem graça".
Tenho 17 anos, e estou no último ano da escola, com um pé na faculdade. É estranho, todos estão meio que se despedindo uns dos outros.
– Lucca, pensei que você iria faltar hoje, é o dia da foto esqueceu? –Olhei por cima do ombro e vi uma garota negra com longos cabelos ondulados, olhando pra mim sorridente:
– Eu sei Andrea, por mais que eu deteste fotos, minha mãe me obrigou e disse: "TODOS TEM QUE TIRAR A ÚLTIMA FOTO DO ANO LETIVO, É UMA RECORDAÇÃO".
– hahahahaha, Não acredito que depois de todo esse tempo é a última semana, depois todos nós vamos nos separar, e vai ficar cada vez mais difícil de nos vermos, é meio triste...
Começamos a caminhar para a sala de aula...
– É... por um lado sim, mas vou adorar não precisar pegar ônibus todo dia de manhã, pelo menos por algum tempo...
– Mas você não veio de ônibus que eu vi, veio de carro...
– Era meu pai, ele esta me agradando muito esses últimos dias...
– Vai ver ele quer se aproximar mais de você Lucca, é duro para um pai ver que seu filho cresceu!
– Que seja, estou com fome e sono, e pra piorar prova de matemática agora...
– hahahaha
Sento-me na primeira mesa ao lado da janela, Andrea se senta atrás de mim. A professora entra na sala e começa a distribuir as folhas da prova e pede silêncio...
São Sete e meia, estou no meio da prova, e não consigo me concentrar muito bem, olho pra janela e vejo um homem alto de terno preto e óculos-escuro, no pátio, parece que ele esta olhando diretamente para mim, eu o encaro por dois minutos, e quando tenho certeza que é para mim que o homem olha, vejo que ele recebeu um telefonema. Olhou uma última vez em minha direção e saiu correndo.
"Que cara louco, fiquei com um pouco de medo disso, ele não devia estar olhando em minha direção, minha imaginação é tão forte, qualquer coisa que acontece já penso que é sobrenatural ou que vou morrer".
Eu dou risada de mim, e Andrea se incomoda e sussurra:
– Ei, o que é tão engraçado? É a última prova do ano e, se você se sair mal, vai ficar em D.P.
– Acalme-se, foi só uma risada, vamos voltar á prova ta?
Ela balança a cabeça negativamente e continua seu dever.
Já terminamos a prova e quatro aulas já se passaram, agora estamos no ginásio, prontos para a última foto da turma. Na primeira fileira, estão as patricinhas e as garotas que pensam que todo mundo as amam. Na segunda, as pessoas normais, mas que todos falam que estudam demais, ou seja, eu a Andrea e mais alguns colegas, e atrás de nós os garotos idiotas que pensam que são homens e se acham os gostosões.
No momento do flash não resisto a minha mania de colocar a mão no rosto, e finjo que estou coçando a testa...
TIC
A última foto foi tirada, e que minha mão tenha protegido meu rosto...
TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM
UFA, agora só faltam 4 dias e estou livre da escola.
Despeço-me de Andrea e de outros colegas. Na verdade eu finjo que não, mas vou sentir muita falta da Andrea, é que não consigo demonstrar meus sentimentos para algumas pessoas.
O ônibus estava lotado de novo na volta, e como sempre o motorista não vê que eu dei sinal para descer do ônibus e para metros á frente...
Tudo bem, calma, só alguns passos a mais.
Meu celular toca, vejo o nome que o identificador de chamadas me mostrou, "Walter":
– Oi, Lucca? É o Walter, é que eu liguei pra avisar que eu falei com nosso professor de Kung-fu e ele disse que hoje não haverá aula, você ta assistindo o noticiário? Esta passando a mesma coisa em todos os canais ah! Tenho que desligar, tchau!
Odeio quando ele faz isso, não me deixa nem falar.
Abro o portão da minha casa me deparo com minha prima:
– Gabi? Você não devia ir pra a escola?
– AH, é mesmo! É que estou indo ali na casa do Douglas e depois eu venho rapidinho e vou pra escola...
– hm...
– O Douglas me ligou e disse pra ir pra casa dele! Ah, você viu o que esta passando no noticiário?
– O Walter me ligou e me perguntou a mesma coisa !
– É, é muito chato! Esta passando a mesma coisa em todos os canais... Beijos e vem na casa do Douglas mais tarde pra se despedir dele, ele vai viajar hoje á noite!
– Ok, mais tarde eu vou, Tchau!
Entro em casa jogo minha mochila no sofá, escuto minha mãe fazendo a comida, e quase me esqueço de ligar a TV, pego o controle e aperto o botão, a imagem começa a ficar nítida e um cara velho fala mais não o ouço.
– Você viu o que esta passando na TV mãe? Todo mundo ta falando disso!
– Não filho, nem tive tempo de ligá-la hoje, o que é?
– É a mesma coisa em todos os canais!
Pego o controle e aumento o volume:
– Isso era impossível há alguns anos, mas repito que hoje a nossa genética deu um enorme passo adiante, e só tende a melhorar.
Outra repórter pergunta
– Mas então, este novo processo, pode melhorar a vida de muitos humanos, e pode dar fim a doenças de grandes proporções?
– Sim, e não só em humanos, estudamos alguns animais e eles estão respondendo muito bem ao tratamento...
– Então, este tratamento poderá ser o fim de grandes pragas como Aids, Cancêr e etc?
– Sim, podemos curar essas Doenças!
Olho para minha mãe, e vejo nos olhos dela que ela sabe exatamente em que estou pensado. Em Val, minha irmã que há alguns anos foi diágnosticada com Cancêr na medúla óssea. Será que esta é uma nova esperança, e que realmente encontraram uma cura?
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