Days Of Hell
17 Capítulo 17 - Um Homem de Honra
Notas iniciais
Ali Benjamin Castelhano pensava que estava seguro. Desde que a epidemia se alastrou, a Unidade Militar foi criada em cima da montanha mais bonita da cidade maravilhosa, o Pão de Açúcar. Ele era um Militar, mas mesmo assim não concordava com as atitudes de seu irmão Marco, o General da Unidade, ele não costumava ser assim, parece que o poder o mudou, e então este mundo o fez esquecer a humanidade.
Agora eles estavam reunidos no salão principal da Unidade, o grande piso de mármore sustentava uma mulher ajoelhada, humilhada, mas acima de tudo linda, com seus cabelos radiantes louros da cor do sol, e seus olhos verdes como a folha de uma árvore na primavera.
Havia muitos Militares ali também com suas metralhadoras descansadas apontadas para o piso cinza-azulado. Marco Castelhano, o irmão de Benjamin, estava impaciente, querendo saber quem ajudara a prisioneira, quem a alimentara e ‘Ben’ sabia quem foi.
“É a última vez que os pergunto... Quem alimentou a prisioneira?”. Perguntou o General Marco impaciente.
“Senhor... Eu vi pelas câmeras... O traidor foi seu irmão... Benjamin”. Dedurou um Militar dos quinze que estavam assistindo a cena.
Aquilo foi um choque para Marco, se tem uma coisa que ele não admitia era traição, mas por que seu fez isso, quando as ordens dadas aos Militares foram claras? “Ninguém deve alimentar os prisioneiros”.
Seu irmão... O único que Marco confiava, o desafiou e alimentou a prisioneira.
“Vocês estão dispensados Militares, menos Benjamin. E levem a mulher de volta ao calabouço”. Ordenou o General, na grande sala iluminada pela luz do dia, que entrava por entre as janelas de vidro.
Benjamin estava assustado, não acreditou que seu próprio amigo o entregou. Afinal qual era o erro em alimentar uma mulher com fome? Por que seu irmão tratava tão mal os sobreviventes que chegavam ao abrigo? Era o dever protegê-los. Por que os Militares agem desta forma?
“Isto é verdade Ben?” Perguntou Marco rispidamente.
“Qual o problema? Eu não fiz nada demais Marco. Alimentar uma mulher com fome é errado?”.
“Benjamin, nós não sabemos como este vírus funciona, e ela pode estar infectada, você pode estar infectado agora”.
“Então você me tratara como os sobreviventes em busca de refúgio?”.
Marco fez quase que uma careta, como se fosse dizer algo, mas então voltou atrás.
“Você será castigado. Como qualquer outro Militar, e será enviado á uma missão á um dia”. Revelou Marco, sem remorso.
“Sim senhor!”. Disse Ben como se o irmão fosse apenas um General qualquer.
Um monstro. Agora ele tinha certeza de que o irmão mais velho se transformara em um monstro. Literalmente, o poder lhe subiu á cabeça, e seus pensamentos eram demoníacos. Ele estava entregando o próprio irmão, praticamente, ao abate...
Então, Ben teria de pensar em algo rapidamente, Marco não era mais o mesmo, então Ben preferia arriscar-se na vida lá em baixo, á que ficar ali sob as ordens infernais do irmão mais velho. Mas ele não poderia deixá-la, a mulher que ele alimentou. Ele acabara se apaixonando por ela. Mas como ele a salvaria? Os outros Militares o impediriam, e ele não poderia mais contar com a ajuda de Ian, pois ele o entregou ao General.
Ele teria que ganhar total confiança, era o único jeito. Teria que ganhar a confiança de seu irmão novamente, e depois era só dizer-lhe, para salvar a amada, que a executaria para não ter outros pensamentos, sem ser na sua honra como Militar.
Era o único jeito, era Ben contra mais de cem Militares. Teria de ser assim, então ele aceitaria a missão, e a faria o mais certo possível, mas ele teria de vê-la antes de partir, teria de lhe dizer o plano, antes de ir para a missão, seja lá qual fosse.
No subsolo era onde ficavam os calabouços, por assim dizer, eram prisões grotescas, com pouca iluminação e pouca ventilação de ar. Era para lá que Benjamin estava indo, após convencer seu quase amigo agora, Ian, de ver sua amada uma última vez, antes da misteriosa missão.
Quando Ben abriu a porta que dava acesso ao calabouço, ele se viu mais uma vez, em um corredor escuro enorme, e com muitas portas, cujas tinham apenas uma pequena janelinha embutida na porta, ele deixou passar cinco, dez, quinze portas ate chegar aquela, que ele procurava. E quando a encontrou colocou sua face, na pequena janela, e sussurrou:
“Sarah?! Sou eu, Benjamin! Você está bem?”.
Da escuridão, Ben pode ver por aquela brecha, se mostrou Sarah, cansada e machucada, sua voz muito fraca:
“Ben... Você não deveria estar aqui. Eles vão puni-lo!” Sussurrou Sarah de volta, colocando sua face sobre a janelinha também.
“Sarah escute, não posso demorar muito... Perdoe-me, por te colocar nesta situação, mas eu vou conseguir tirá-la daqui e juntos fugiremos desses monstros”.
“Ben não, não se coloque em perigo mais uma vez por mim, eles podem matá-lo”.
“Eu não vou permitir de eles tratarem você assim! E nem os outros sobreviventes...”.
Parece que eles combinaram de ao mesmo tempo observarem o Militar que conversava com a sobrevivente. Eles observavam pelas pequenas janelinhas que cada porta tinha. Já se acostumaram com ele, ele não era como os outros. Sempre quando possível ele trazia pães para todos os sobreviventes, mas agora tinha algo errado, ele estava assustado, nervoso...
“O que? Que missão é esta Ben? E se eles matarem você?”. Perguntou Sarah desesperada, após Ben lhe explicar que ele teria de ir á uma missão que seu irmão o obrigara.
“Mas é o único jeito de ganhar a confiança do meu irmão, é fazendo esta missão, não é só eu Sarah, vou acompanhar outros Militares também...”.
“Você promete que voltará, e salvará todos nós?” Perguntou ela.
“Eu prometo, salvarei você e quantos eu puder!”. Prometei Ben.
Ela não sabia se era verdade, ela não sabia se era um sentimento real, ou coisa do momento, mas ela não pode impedir das palavras saírem de sua boca, foi natural:
“Eu te amo”. Disse a mulher de olhos verdes.
“Eu também amo você!”.
Os uniformes negros estavam sob a cama quente em que Ben dormira. Ele não prestou muita atenção nos detalhas deste, mas percebeu que era um uniforme diferente, talvez o novo. Após colocar, ele estava pronto para executar a missão...
O helicóptero estava o esperando do lado de fora da unidade. Era um enorme pátio e o vento tentava jogar tudo montanha a baixo, mas era seguro, mesmo que ele balançasse os cabos de aço do bonde que cruzava o Pão de Açúcar, que era onde eles estavam, e outra montanha lá em baixo, menor.
Meia dúzia de Militares esperavam em formação, fileira, as ordens do General, Ben se juntou a formação, e aguardou também. Ali Ben percebeu que alguns Militares ele só conhecia de vista no abrigo, mas um era o seu amigo Ian, que o entregou.
O General apareceu com um Militar grudado em cada um de seus ombros. E então disse:
“Bom dia Militares, todos vocês foram recrutados para uma missão especial, que nos ajudará a descobrir melhor de como o vírus respondi ao DNA humano, e animal. Sendo assim vocês serão enviados para a parte norte do estado, nos arredores da cidade de Paraty, e lá vocês entrarão nos esgotos, encontrarão e trarão amostras do DNA de ratos. Após isto vocês se retiraram e voltarão para esta Unidade Militar. Apenas isto! Sem perguntas. Vocês estarão recebendo suas armas, e outros utensílios. Vocês irão neste exato momento...”.
Após os Militares convocados á missão pegarem suas armas, eles foram caminhando até o Helicóptero onde um deles pilotaria. Antes que Ben pudesse embarcar Marco o segurou pelo braço e o afastou dos outros Militares:
“Ben, trate de se sair bem nesta missão, é a sua honra que está em jogo, você tem a chance de ajudar o seu país”.
“Não tem como ajudá-lo mais General, está tudo acabado, mas farei o meu melhor”. Respondeu Ben indiferentemente.
“Você é meu irmão, protegerei você até o fim”.
“Você era meu irmão quando não negava alimento para sobreviventes, era na época em que me salvou de uma parada respiratória me levando ao hospital na velha caminhonete do pai, sem nem ao menos ter carteira de motorista, era também quando me protegia dos garotos do colegial. Agora que este mundo te mudou e o poder subiu-lhe a cabeça, você é apenas o General! Permissão para embarcar no helicóptero senhor?!”.
“Permitido”. Disse Marco ainda engolindo as palavras que acabara de ouvir...
Ben embarcou com um único pensamento, Sarah. Ele queria voltar para resgatá-la, mas era melhor não pensar no que poderia acontecer com ela enquanto ele estaria fora. Apesar de tudo ela estava, agora, mais segura que ele que, após colocar o comunicador e ajustar o microfone como os outros cinco Militares, estavam decolando para longe da Unidade Militar...
TAC! TAC! TAC! TAC! TAC! TAC! TAC!
As hélices do helicóptero cantaram e ecoaram, fazendo um enorme barulho nos ouvidos dos Militares á bordo, mesmo com os comunicadores presos nas orelhas. Ben reparou que Ian o encarava, mas quando seus olhares se tocaram Ian desviou os dele. Ben sabia que ele se sentira culpado por ter o entregue. Por quê? Para ganhar mais confiança com seu General? Seja o que for não funcionou, pois ambos estavam sendo enviados ao abate. Mas Ben não podia se deixar abater, ele tinha que voltar por Sarah, para salvá-la e juntos fugirem daquele inferno que era a Unidade Militar.
Não demorou muito até que o helicóptero começasse a sobrevoar o local que certamente eles iriam pousar.
“Chegamos ao local do recolhimento do DNA, vamos carreguem suas armas silenciosas e estejam prontos para atirar a qualquer momento na cabeça dos infectados, pois eles com certeza estão seguindo o barulho do helicóptero”. Disse o piloto, pelo comunicador, que também se arriscaria na missão.
Eles pousaram no pátio de uma empresa não muito longe de um córrego que eles teriam de entrar para conseguir o DNA dos roedores.
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaarh!
Após desembarcarem do helicóptero eles imediatamente ouviram muitos infectados começarem a gritar atrás dos muros da empresa, fazendo-o balançar cada vez mais...
“Temos que fazer algo rápido ou eles derrubarão os muros”. Disse um Militar que ao olhar em seu peito, Ben, pode ver que seu nome estava escrito numa pequena plaquinha de ferro, como todos os outros: Mathias Oliveira.
“Tenho uma granada, já que eles apenas escutam, essa coisinha chamará a atenção deles e nos deixará em paz!”. Disse Ian.
“Faça!”. Mandou Mathias.
Ian retirou o pino da bomba e a jogou longe do outro lado do muro. Não demorou muito até ela explodir. Eles nunca viram o que a bomba explodiu, apenas escutaram.
A bomba caiu em uma rua deserta, e explodiu o asfalto, formando um pequeno buraco que dava nos esgotos, e que mais tarde, uma garotinha iria entrar por ele.
Shivan, o que pilotava o helicóptero era o líder da missão, concedido pelo General, e após os infectados seguirem o Estrondoso som causado pela granada, ele disse:
“Militares como vocês ouviram do General sou o líder desta missão, que não é muito difícil, mas pode ser complicada, por isso vamos trabalhar juntos. Não nos separaremos dentro dos esgotos, e após conseguirmos o DNA de um roedor, sairemos imediatamente, entendidos?”.
“Sim senhor”. Responderam simultaneamente os quatro Militares.
Eles conseguiram sem dificuldade sair da empresa e caminharem silenciosamente em direção ao córrego para entrarem pelos canos, em busca de um rato. Ben estava preocupado com o fato de eles estarem se distanciando do helicóptero, mas ele precisava se acalmar, e focar na missão.
“Porque precisam do DNA de um rato Shivan?” Perguntou sussurrando Ian.
“Eu também não sei Ian, mas é melhor não falarmos durante a missão”.
Depois de algum tempo eles encontraram o córrego e juntos, pularam nele, que não era muito fundo. O que eles não esperavam é que ali perto havia um grupo de infectados.
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaarh!
“Para dentro do esgoto, agora!”. Ordenou Mathias, fazendo todos entrarem no enorme cano por onde saía á água do córrego.
Com suas metralhadoras e seus uniformes negros que os protegiam da água imunda do esgoto, eles entraram no túnel imundo, tentando fugir dos infectados, que a esta altura já teriam pulado no córrego e estariam os perseguindo. As lanternas, que as metralhadoras silenciosas dos Militares tinham, facilitou a visão dos Militares que corriam nos canos para despistar os corpos sem alma que os perseguiam.
Ben estava na frente, e correndo o máximo que podia, acabou entrando num cano a esquerda, junto com Ian. Os outros se perderam.
Após correr muito Ben e Ian tiveram certeza de que ninguém mais os seguiam e então pararam para recuperar o fôlego.
“Perdemo-nos dos outros... E agora?”. Perguntou Ian.
“Temos que encontrá-los, ou então encontrarmos os ratos e voltamos para o helicóptero nós mesmos!”. Respondeu Ben.
“Mas como faremos isto? Estes malditos infectados podem estar perto de nós, e os outros?” Ian se mostrava nervoso.
“Temos armas não temos? Podemos encontrar os ratos e após isto podemos ir para o Helicóptero e esperar pelos outros...”. Mas Ben não, ele se mostrava determinado a concluir a missão o mais rápido possível.
Eles seguraram firmes suas metralhadoras silenciosas, e começaram a andar naqueles túneis escuros.
A única luz era a das lanternas de suas armas que penetravam a escuridão daquele esgoto tenebroso. Á medida em que eles adentravam cada vez mais na escuridão, procurando algum sinal de roedores, mais eles se sentiam confusos em relação á saída daquele lugar, era um labirinto sem igual. Mesmo que nem Ben, e nem Ian comentassem sobre, ambos se sentiam perdidos.
O único barulho que havia naquela escuridão era o do bater dos pés deles na corrente de água que corria no chão lodoso.
“Ben, acho que não encontraremos nada, é melhor voltarmos”. Benjamin achou estranho de Ian o chamar especificamente de ‘Ben’, pois ele havia perdido este poder quando o entregou ao General.
“Por onde saímos então?” Perguntou Ben na intenção de colocar Ian sobre a parede.
Ian olhou para Ben perplexo, como se ele é quem deveria saber a saída. Com raiva, ele passou a frente e esbarrou propositalmente em Ben dizendo: “Você que deveria saber... Eu não tenho culpa se...”. Mas foi interrompido.
Ele devia estar os esperando, talvez eles ainda tivessem alguma inteligência e não ligassem apenas para a fome, talvez ligassem em armar um plano para matar humanos mais facilmente, ou então foi puro azar de Ian. Ele passou na frente de Ben quando estavam em uma esquina do esgoto, e no momento seguinte um infectado saiu desta e pulou em cima de Ian, batendo e tentando mordê-lo desesperadamente.
O som foi agudo, e não muito alto, pois a arma de Ben havia silenciadores de tiros. Em um momento o infectado estava excitado com o jantar que arrumou, no outro, deveria estar se lamentando nas chamas do inferno, morto.
Ian se levantou assustado da água imunda que tinha cheiro de animal morto.
“Cara... Cara! Que susto... Eu nem tive tempo de mirar minha arma... Você me salvou...” Foi a maneira de Ian agradecê-lo.
“Sim Ian, pois apesar das circunstâncias você é meu amigo!” Jogou Ben.
Ian acalmou-se, e então abaixou a cabeça, provavelmente se lamentando. Será que estava arrependido de ter entregado o amigo?
“Olha... Eu não queria ter feito aquilo Ben, não queria tê-lo entregue, mas minha situação não estava das melhores com o General, e não está! Pois mesmo eu ter feito um favor á ele te entregando, estou aqui não é? Estamos na mesma situação!”. Confessou Ian.
“Porque você o fez? Porque se deu ao trabalho?” Perguntou Ben confuso.
“Eu já disse. Minha situação não estava muito boa... Você sabe que de todos os Militares somos os mais covardes... Lembra-se de quando eles trouxeram aquelas crianças sobreviventes, e disseram que elas estavam infectadas? Fomos os únicos que não teve coragem de matá-los...”.
“Isso, não Just...”.
SPLAFITH!
O som de algo caindo na corrente de água inundou a conversa dos amigos, por assim dizer, e então juntos, seguiram o som, que não parecia de um infectado, mas sim de alguém chorando, eles viraram mais uma esquina de canos e quando iluminaram com suas lanternas as profundezas do esgoto escuro, viram uma menina, que ao repararem, tinha caído de um buraco feito no teto, ou seja, feito no asfalto acima.
O buraco que havia no teto daquele esgoto estava cheio de infectados tentando descer também, colocando as mãos, a cabeça, mas ele era muito pequeno, apenas uma criança pequena conseguiria. Ben e Ian encarou a garotinha que caiu de lá, ela estava assustada, mas não com os infectados era com os Militares ali parados.
Ian tomou a frente da situação, e apontou a arma para a garota que começou a chorar desesperada.
“O que está fazendo Ian?” Gritei.
“Temos que matá-la, ela deve estar infectada!”.
“O que?! Você sabe que ela não está infectada, ou já estaríamos mortos!”
“Qual é Benjamin, é a nossa chance de nos redimir com o General. Mostramos o corpo dela para os outros Militares e eles falarão para o General”.
“Você está louco? Você teria coragem mesmo de matar esta garotinha, para o seu próprio bem?”
“É que...”. Ian parecia lutar com seus demônios interiores.
“Temos que levá-la, os outros Militares devem estar mortos agora.”.
Demorou alguns minutos para a garotinha perceber que aqueles Militares não a machucariam, mas mesmo assim ela estava muito assustada, e sempre ficava perto de Ben, o que ela percebeu que era uma boa pessoa.
Eles começaram a procurar uma saída, Ben e Ian já não pensavam mais em conseguir o DNA do roedor, eles estavam mais preocupados em fugir daquele labirinto. Após ser perguntada, depois de alguns minutos andando, a garotinha lhes explicou o motivo de ter caído no esgoto, e disse que amigos dela planejavam encontrá-la num córrego próximo. Ben a explicou que eles vinham de lá, e provavelmente estava infestado de infectados. A Garotinha começou a chorar pensando que seus amigos poderiam estar todos mortos.
O choque de não conseguirem sair daquele lugar, os golpeou de uma maneira incrível, não viam uma brecha da luz do dia, e agora, que pareciam adentrar ainda mais aqueles canos, o único barulho era da água correndo sobre seus pés. Água.
Era isso, a saída estava ali o tempo todo, era só seguir o fluxo de água, que com certeza sairia para um córrego.
Juntos e com a garotinha no encalço de Ben, eles seguiram a água e ao invés de encontrar um córrego, se viram em um pequeno poço, que tinha uma escada, e que se subissem, certamente sairiam numa boca de lobo. Primeiro subiu Ian, seguido pela garotinha e Ben.
Eles estavam certos saíram pela boca de lobo, mas como esperavam, não estavam em uma rua, mas sim em uma empresa. A empresa em que pousaram o helicóptero. Pura sorte.
Deixando o objetivo de acharem o DNA no esgoto tortuoso, eles saíram pela boca de lobo e caminharam em direção ao helicóptero, foi aí que viram um vulto, era Shivan. Antes de perceber a presença da garotinha, ele os explicou assustadoramente que os outros não conseguiram fugir dos infectados do esgoto, ele só sobreviveu por que se escondeu atrás de um duto, e em um túnel próximo encontrou muitos ratos mortos, o bendito DNA dos roedores, colocou-o em um saco plástico para entregar ao General.
A mesma reação que Ian teve com a garotinha foi á mesma de Shivan, que apontou a arma para ela, pronto para atirar, Ben entrou na frente, protegendo-a, tentou amenizar a situação. Benjamin não queria ver matarem a pobre garotinha, mas o líder da missão estava determinado a executá-la.
“O que você vai ganhar com isto? Você irá matá-la e não ganhará nada! Ela não está infectada!”.
“E o que você ganhará levando esta infeliz para a Unidade Militar? Vamos matá-la de uma vez por todas!” Ele destravou a arma.
“Não! Eu me viro com o General, mas matá-la vocês não vão!”. Exigiu Ben, e então ele olhou para Ian, para ele ajudá-lo, pois alguns minutos atrás ele se convenceu de que matar a garotinha não ajudaria em nada na situação deles. Mas mais uma vez, Ian, o traiu, e com alguns passos e olhando para o chão, caminhou para o lado de Shivan.
“Vocês não vão matá-la, terão de me matar primeiro!”. Disse Ben ouvindo os soluços da garota atrás dele.
Mathias forçou a arma, e então Ben soube qual era aquele momento, o momento que ele não salvaria a garotinha, e pior, não veria Sarah nunca mais. Ele observou os movimentos do Militar que o ameaçava, e viu suas expressões mudarem de determinado, para horrorizado.
Ele estava olhando para além de Ben, para os muros, que não existia mais. Como eles não perceberam? Como não viram que os infectados estavam entrando para a empresa? E agora? Todos morreriam ali? Não!
Rapidamente, Mathias entrou no helicóptero e começou a ligá-lo imediatamente, seguido por Ian. Sem pensar Ben pegou a garotinha no colo e embarcou-a na águia, antes que os infectados que corriam para alcançá-los a pegassem primeiro.
Mas havia outro infectado. Este não vinha da multidão que entravam desesperados pelo muro caído, para ganhar seu jantar. Este devia ter vindo de dentro da empresa, era uma secretária, loira de olhos verdes, parecida com Sarah. Tudo congelou e Ben quase não sentiu quando ela tirou um pedaço de seu braço. Mas então Ian acabou com o sofrimento do ‘amigo’ e da pobre mulher sem alma, atirando em sua testa e espalhando a bile por todos os lados.
TAC! TAC! TAC! TAC! TAC!
Alguns infectados se penduraram nos pés do helicóptero, quando ele estava decolando, mas logo desistiram do jantar fujão. A águia que lavava três Militares e uma garotinha voou para longe daquele lugar imundo e monstruoso.
“Você foi mordido”. Disse a garotinha chorando e tremendo.
Shivan, que pilotava o helicóptero, acionou o piloto automático e passou para parte de trás perplexo com o que ouvira da garotinha.
“Isto é verdade? O que a garota disse é verdade?!”. Gritou o Militar agarrando Ben pela gola, enquanto Ian olhava assustado.
Ben não viu como fugir, ele mostrou a eles o braço direito, ensanguentado, que faltava um pedaço de carne.
Shivan arregalou os olhos e rapidamente voltou para pilotar o avião. Estranhando aquilo, Ben olhou para Ian novamente, mas o amigo não o encarava, sempre procurava outro lugar para prestar atenção. A garotinha estava sentada bem atrás deles, agarrada a um banco de ferro do helicóptero.
Então, eles sentiram a águia balançar e inclinar-se para a direita, Ben já imaginava o que estava acontecendo após sentir o helicóptero baixar cada vez mais. Foi então que ele ouviu a voz do piloto na frente:
“Ian, Jogue-o do helicóptero...”. Desta vez Ian olhou para Ben, que estava transpirando. “Vamos Ian, você não quer se redimir? Sua situação não está nada boa com o General! Jogue-o, agora!”. Gritava o máximo que conseguia o piloto. Ian, engatinhando, vinha na direção de Ben.
A garotinha só soluçava, pois o que ela poderia fazer?
“Anda logo!” Gritou Shivan.
Ben levantou, e ficou cara a cara com o amigo, ele não lutaria, estava tudo acabado, ele foi mordido, se tornaria um deles...
Ian agarrou Ben pela gola, e o aproximou do precipício, para a morte certa. Com os últimos momentos de Ben no helicóptero, ele olhou para a garotinha e tentou tranquilizá-la sorrindo, e então se voltou ao amigo:
“Não deixe que façam mal a ela... E não deixe que controlem você...” Disse á Ian.
O Militar soltou a gola do amigo, que caiu, em direção á uma floresta, a floresta que traria a morte. Ian não ouviu o baque, mas ouviu o gritinho da garotinha atrás dele, e sentiu uma lágrima lhe escapar dos olhos, e então voaram em direção á Unidade Militar.
Ben caiu, mas o engraçado foi que ele não se sentiu morto, pois o helicóptero estava muito baixo, e quando ele caiu, atingiu uma árvore que amorteceu sua queda, mas ao atingir o chão, ouviu um osso se quebrar.
Ele estava cansado, não aguentaria mais sair daquele lugar, e seu corpo estava morrendo devido ao vírus, seria ali o fim dele, em meio á floresta, á natureza, ele só queria ver Sarah novamente, dizer á ela o porquê não conseguira manter sua promessa de voltar. Mas então ele viu os olhos da amada, estavam em todos os lugares, nas folhas daquelas árvores, na cor das folhas, verdes vivos. Então ele fechou os olhos, esperando o vírus consumi-lo.
Sem saber quanto tempo se passou, ele ouviu algo:
ROOOOOOOOOOOOOOOOM!
Ele escutou um caminhão próximo, e com dificuldade ele levantou, mancando e sentindo uma dor lancinante por todo o corpo, seguiu o barulho. Ele não sabia como chegara, não sentia mais as dores do corpo. Agora se via numa estrada e um caminhão abandonado recentemente pairava na estrada tortuosa. Ele não sabia o que estava fazendo e seu corpo parecia mover sem seu consentimento. Ele viu três vultos á sua frente, andando naquela estrada de serra. Ele tentou chamar, mas ninguém ouvira, ele tentou chegar perto deles o mais rápido possível, e então quando conseguiu, viu que o garoto que andava retraidamente, virou-se rapidamente... Ele recebeu Ben, recebeu Ben com um lindo tiro na testa.
Esta é a história de como Benjamin Castelhano morrera. O homem de honra.
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