Notas iniciais
Inventem um nome pra mim, tanto faz, de verdade.

Boa noite.

São sete e meia da noite e eu resolvi contar um pouco do meu dia, minha vida, enfim... Começar a escrever nesse diário que nem sei se irá me ajudar, ou se irá piorar, tanto faz. Não importa.

Acordei no horário normal de ir pra escola morta como um zumbi, queria voltar pra cama e ficar até tarde dormindo, afinal, eu dormi tarde pra caralho, não nego. Eu estava terminando de escrever o capítulo da minha fic pelo celular, cujo postaria agora, às oito da noite em ponto.

Depois de acordar, tomei um banho quente (depois de ligar e desligar o chuveiro, tentando e tentando esquentar aquela merda), vesti o uniforme da escola, tomei meu café da manhã e comecei a mexer no celular de novo. Fiquei até oito horas fazendo um edit no vine, ainda não o postei por motivos que já irei explicar.

Me atrasei, afinal, minha aula começa sete e meia. Quando cheguei na escola, vi minha amiga Gabi, que esperava do lado de fora, também tinha se atrasado, supus. Ficamos esperando o segundo tempo, que era oito e vinte e então entramos, em salas diferentes.

Fiquei meio nervosa quando sentei ao lado de Brenda, a menina que sempre me tratava mal ou me diminuía. Eu andava com ela toda hora, ela e Duda, o problema é que essas meninas sempre caçoavam de mim, me chamavam de lerda, lésbica, gorda, etc. Eu só ando com elas até hoje, pois temos poucos bons momentos. São as únicas que falo da minha sala, mas suas palavras machucam muito.

Duda, no dia anterior, tinha dito que ia sair da escola, como ela fez da outra vez. Ia pra outra unidade, a que iremos ter aula na quarta (amanhã), quinta vamos juntos conhecer uma faculdade pelo passeio da escola e sábado tem o tal projeto que junta as duas unidades também.

Brenda tinha me recusado emprestar o material no dia anterior só porque eu tirei notas melhores que as dela e Duda. Tudo bem que eu mal consigo estudar e que minhas notas são um lixo, mas Geografia e Literatura me surpreenderam com oito e meio e sete ponto seis. Ela foi super grossa, o que feriu fortemente meus sentimentos.

Voltando para hoje, sentei do lado dela e não falei com ela a aula toda. Ela parecia mais calma, então, na hora do intervalo, perguntei se ela estava mais calma. Ela disse que estava, e eu saí da sala. Fui procurar Clara e Gabi, como eu sempre fazia.

Fiquei um pouco com a Clara, ela é um amor de pessoa. Super grudenta, amo. Aí fui catar a Gabi e ela estava na sala do segundo ano junto com a Nina e a Luana (essa tinha sumido da vida e eu me animei quando a vi). Conversamos e rimos até o final do recreio.

Quando voltei pra sala, Brenda estava no lugar dela e eu no meu. Nós tínhamos o costume de juntar cadeiras, mas meu medo de levar um fora era maior e eu me sentei sozinha, esperando que ela me chamasse ou sei lá. Ela acabou por me chamar para sentar ao seu lado e foi super simpática comigo o resto da aula, o que eu estranhei muito.

Ao chegar em casa, comecei a conversar com meus amigos virtuais sobre uma fic minha. Eu os chamaria apenas de "leitores" se não os amasse tanto. Enquanto isso, eu editava a abertura da minha fic nova pelo celular mesmo e escolhia o dreamcast. Fiquei até cinco da tarde sem almoçar, apenas pensando na fic, então meu pai chegou, e tudo virou de cabeça para baixo.

Ele gritou comigo, disse que eu só pensava em whatsapp. Disse que eu era uma péssima filha, começou a xingar minha mãe e me tratou como um lixo, além de confiscar meu celular, onde estava o tal capítulo que eu iria postar hoje, agora, sete e cinquenta e dois (ou oito hora, dá no mesmo).

Não aguentei a dor de ter que discutir tanto com meu pai. Aquele jeito dele de dizer o que é certo, o que é errado, de ditar regras. Tudo tem horário, que saco! Ele pensa que eu sou uma criança que merece correções, mas eu já tenho dezessete anos e isso me irrita e me dói ao mesmo tempo. Eu realmente estou passando dos horários, desde ontem, que fui dormir às duas da manhã escrevendo capítulo e foi comprovado hoje, antes de aula e mais tarde, no almoço.

Fiquei em meu quarto até agora, mas o que aconteceu aqui foi muito mais que tristeza. Eu não conseguia parar de pensar em todas as palavras de meu pai, a saudade que eu sentia da escola antiga, a vontade de postar meu capítulo e ver meus amigos virtuais felizes. Doía pra caralho, então eu não vi outra alternativa.

Admito que estou tentando parar com isto há tempos, mas vez ou outra volta e eu sei que é errado, mas é inevitável. Peguei a lâmina do apontador no meu estojo (quase entrei em pânico quando achei que não estava lá), então fui até a janela de meu quarto e comecei a passar a lâmina sobre meu pulso esquerdo.

A dor emocional logo diminuía, dando lugar pra dor física, que nem se comparava com a da minha cabeça. Não estava funcionando, eu chorava mais e mais por pensamentos e gritos de "socorro". Então larguei a porra da lâmina em um lugar qualquer (escondi num potinho que tem no meu quarto) e deitei na minha cama.

Eu chorava muito ao pensar em diversas coisas, então comecei a me beliscar muito forte no braço esquerdo. Ele ficou todo marcado, mas era melhor parar de pensar nas coisas ruins e apenas pensar na dor do machucado. Era minha salvação, eu diria.

Então eu fiquei num estado depressivo até agora. Parei de chorar, mas as palavras saem da minha boca baixas e a vontade de comer só diminui. Sou uma pessoa gorda e que ama comer, mas nesses dias parece que estou viciada no meu celular, ou em fics, ou em edits no vine, sei lá.

Talvez todos estejam certos e eu seja o verdadeiro erro desse mundo, talvez eu esteja cometendo um erro, mas os pensamentos suicidas só aumentam a cada dia que passa. Espero não ter que me matar para que entendam que eu preciso de ajuda.

Boa noite.

Notas finais
Espero estar aqui até postar o próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.