Daylight

10 Capítulo 9


Edward

A semana se passou sem notícias de Bella. Eu não mandei novas mensagens, e ela também não entrou em contato depois daquela noite.

O silêncio não foi um acordo explícito. Foi mais uma consequência natural de tudo o que tinha sido dito. Nenhum dos dois prometeu espaço, mas ambos pareceram entendê-lo da mesma forma.

Ainda assim, algo mudou depois da nossa conversa. As provocações dela sobre como eu me comportava versus a minha presença como pai tiveram algum efeito. Não de forma dramática, nada que pudesse ser apontado como um marco, só pequenas correções de rota, quase imperceptíveis se você não estivesse prestando atenção.

Comecei a ajustar meus horários para estar em casa no fim da tarde, quando Emerald ainda estava acordada o suficiente para se irritar com frustrações mínimas e se encantar com qualquer coisa que fizesse barulho.

Na quarta-feira, sentei no chão da sala com ela por quase uma hora, empilhando blocos de madeira que ela derrubava com uma satisfação quase agressiva. Ela ria cada vez que tudo caía, como se o colapso fosse a parte mais interessante do processo.

— Você não tem nenhum apego ao resultado, amor? — murmurei, quando ela começou a construir novamente.

Tanya observava da cozinha, em silêncio, sem interferir, apenas registrando ocasionalmente com o celular. Ela, talvez, tenha percebido meus esforços de estar mais presente. Ao longo da semana, eu tinha sugerido mais de uma vez a contratação de uma babá, pelo menos para um período, já que a nossa tinha ficado em Londres.

— Você acha que eu não sou uma boa mãe, Edward? — Tanya reclamou, com um bico como se ela fosse a criança, e não nossa filha.

— Nunca disse isso, Tanya. Meu ponto é que nós dois sabemos que não estamos disponíveis o tempo inteiro, e ela precisa de alguém que possa atendê-la a qualquer momento.

Quando mencionei a outra noite, aquela em que os dois passamos dos limites dentro do quarto, ela pareceu entender melhor a ideia e começou a tagarelar sobre como ia procurar a melhor agência de babás da cidade e fazer entrevistas para escolher a melhor opção.

Naquela noite, quando Emerald finalmente dormiu depois de chorar e lutar contra o sono por uma hora inteira, eu não senti a mesma urgência de antes. Antes, eu usava aquele intervalo como uma espécie de passe livre: se ela estivesse dormindo, qualquer excesso parecia justificável. Agora, a ideia vinha acompanhada de uma pergunta nova: por quê?

Ao invés disso, entrei no chuveiro e deixei a água correr como se pudesse lavar qualquer pensamento destrutivo. Porque era isso que eu fazia: de pouco em pouco, de uso em uso, eu destruía um pouco mais da minha vida, em todos os sentidos.

A água escorria forte pelas minhas costas, quente demais, quase punitiva. Eu mantinha os olhos fechados, a testa encostada no azulejo, como se aquilo fosse algum tipo de penitência silenciosa.

E, exatamente como uma punição, ouvi a porta — que eu não tranquei — ser aberta. Não precisei me virar para saber quem era, só nós dois estávamos em casa. A água continuava caindo, abafando o resto do mundo, mas não a presença dela.

— Você sempre esquece de trancar — disse, a voz tranquila, quase divertida.

Senti o ar mudar quando ela se aproximou do box.

— Não é um convite — respondi, sem abrir os olhos.

— Eu sei, meu bem — ela disse. — Nunca precisei de um.

O vidro foi aberto como se aquilo fosse o gesto mais natural do mundo. Tanya entrou sem se importar com a água que molhava o cabelo que escapava do coque no alto da cabeça.

— Você anda… distante — comentou, passando a mão pelo meu braço, os dedos frios contrastando com a água quente.

Abri os olhos, mas mantive o rosto virado para a parede.

— Só estou cansado.

Ela sorriu. Eu podia ouvir o sorriso na voz.

— Cansaço é a sua desculpa favorita — provocou, se aproximando cada vez mais de mim. — Eu posso ajudar com isso.

Interpretando meu silêncio como aceitação, ela colou o peito nas minhas costas e passou os braços pela minha cintura.

Tanya sempre soube exatamente como se aproximar quando queria me puxar de volta para um lugar conhecido. A respiração dela tocou minha nuca, como se estivesse me lembrando de um acordo antigo que eu não lembrava de ter assinado, mas que vinha cumprindo há anos.

— Você ficou tão quieto nos últimos dias — murmurou. — Parece até que está pensando demais. Foi algo que eu fiz?

A mão dela deslizou pelo meu abdômen, como quem testa um caminho conhecido.

— Pensar nunca te fez bem — continuou. — Você sempre preferiu sentir.

Fechei os olhos por um segundo. Aquilo tudo era familiar demais. O roteiro, o tom, a certeza de que, em algum momento, eu cederia porque era mais simples do que interromper.

— Tanya… — comecei, mas a palavra saiu fraca demais para pará-la.

— Shh — ela interrompeu, apertando um pouco mais o corpo contra o meu. — Você não precisa explicar nada agora. Eu sei reconhecer quando você só precisa desligar.

Era sempre assim. Ela não perguntava o que estava errado, só oferecia a solução que sabia que funcionava comigo. Não porque se importasse com a origem do problema, mas porque queria eliminar o sintoma.

A mão dela continuou se esgueirando, insistente, provocativa. Não havia carinho ali. Era método.

Abri os olhos de vez.

— Pare — disse, baixo, mas firme.

Ela não recuou de imediato. Apenas riu de leve, como se achasse que aquilo fazia parte do jogo.

— Você anda tão dramático. Isso vai passar rapidinho quando você gozar — comentou, e desceu as duas mãos de uma vez.

Foi a minha vez de levar as mãos até os braços dela e segurar, impedindo qualquer novo movimento. Não foi brusco, mas foi definitivo. Tanya finalmente se afastou meio passo, o suficiente para que o corpo dela deixasse de se apoiar no meu e consegui virar para ficarmos de frente.

— Eu disse para parar — repeti.

O sorriso dela vacilou por um instante, mas foi rápido demais. Tanya era boa em se recompor.

— Tudo bem — disse, erguendo as mãos em falsa rendição. — Não precisa transformar isso em uma coisa maior do que é.

Mas o olhar dela já estava me avaliando de cima a baixo, calculando o próximo passo. Eu continuava sendo um homem, afinal, e ela sabia jogar com isso.

— Só achei que você estivesse precisando — acrescentou. — Você sempre precisa, no fim das contas.

Desliguei o chuveiro sem dizer mais nada. O silêncio que se seguiu foi pesado, quebrado apenas pela água gotejando nos azulejos. Peguei a toalha e a passei pelo corpo, evitando encará-la.

Saí do box sem pedir licença, e Tanya permaneceu ali, parada, a água ainda escorrendo pelo corpo dela, como se tivesse sido deixada no meio de uma cena que não se concluiu.

— Não me deixe falando sozinha — disse, num tom que poderia muito bem pertencer a uma criança mimada.

— Não estou — respondi, já me afastando — Só não quero continuar com isso.

Vesti qualquer coisa às pressas, desesperado para sair dali. Não queria uma discussão, mas sabia que tinha mexido em um vespeiro. Tanya não ia aceitar tão facilmente uma recusa sem maiores explicações.

— Isso não vai durar. Eu te conheço — ela disse, como quem faz uma previsão, não uma ameaça.

Não respondi. Peguei o celular e saí do quarto, deixando-a ali, cercada por vapor, água e certezas antigas. E não senti vontade de voltar, enquanto descia as escadas.

A sala estava às escuras. Deitei no sofá sem me dar o trabalho de ligar nenhuma luz, e o celular pesava na minha mão. Não por notificações, já que ele estava quieto, mas pelo que representava. Pela facilidade de tocar na tela e atravessar aquela linha outra vez, mandar uma mensagem para Bella e pedir que me encontrasse, e talvez terminar a noite de uma forma muito melhor que agora.

Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, pensei na minha filha dormindo lá em cima. Pensei na forma como ela dormia, totalmente alheia à sujeira que os pais estavam envolvidos. Como eu sempre deixava uma luz acesa no quarto durante a noite, mesmo que Tanya odiasse isso e dissesse que era um hábito ruim. Como ela respirava fundo e lentamente, em um ritmo que era hipnotizante.

Com isso em mente, tudo parecia menos justificável. Não havia vilões claros, nem decisões fáceis. Só consequências esperando para serem assumidas.

Pensei em Bella outra vez, inevitavelmente. Não mais na possibilidade de entrar em contato, mas no que ela representava: alguém que me via sem a conveniência das soluções rápidas. Com ela, eu não conseguia fingir que tudo se resolvia com silêncio, sexo ou substâncias. Talvez por isso a ideia de escrever agora parecesse tão errada quanto tentadora.

Virei o celular com a tela para baixo, como se isso fosse algum tipo de controle. O teto acima de mim parecia distante, impessoal. Aquele apartamento inteiro era assim: funcional, caro, vazio. Eu estava exatamente onde deveria estar, segundo todas as escolhas que fiz nos últimos anos. E ainda assim, algo não encaixava.

Fechei os olhos sabendo que o desconforto não ia passar rápido. Que Tanya não esqueceria, nem a rejeição desta noite, nem a briga de dias atrás. Que Bella continuaria ali, ocupando um espaço que não deveria existir. Que Emerald acordaria na manhã seguinte esperando a versão de mim que eu vinha tentando manter viva.

Fiquei encarando o escuro atrás das pálpebras fechadas, esperando que o cansaço físico fizesse o que minha cabeça se recusava a fazer: se calar. Não fez. O silêncio só ampliava tudo.

Pensei em como tinha chegado ali. Não naquela noite em específico, isso seria fácil demais, mas nas pequenas concessões que sempre fiz. Nada parecia definitivo quando era feito aos poucos. Eu não tinha acordado um dia e decidido viver assim. Eu tinha simplesmente continuado.

Ouvi um ruído acima de mim, passos leves no andar de cima. O som da porta do quarto abrindo, depois fechando. Esperei que Tanya descesse, que dissesse alguma coisa, que transformasse aquela suspensão em confronto. Parte de mim quase desejava isso, só para não ter que sustentar o silêncio. Mas ela não veio.

Suspirei e me levantei outra vez, incapaz de ficar parado. Abri a porta que dava acesso à varanda e me sentei na primeira cadeira, esticando a mão para a coisa mais fácil ao meu alcance: o maço de cigarros e um isqueiro. Não traria o conforto que eu queria agora, mas teria que servir.

Acendi o cigarro e puxei a primeira tragada, como se esse gesto em si fosse mais importante do que a nicotina. A fumaça preencheu meus pulmões e saiu em seguida, dissolvendo no ar frio da varanda. Havia algo quase ritualístico nisso: era um intervalo, um jeito aceitável de ocupar as mãos quando a cabeça se recusava a colaborar.

Olhei para baixo, para a rua, e percebi como tudo parecia organizado demais lá fora, distante demais da bagunça que eu carregava comigo. Era irônico como eu tinha vindo parar exatamente em um lugar assim.

Pensei em Tanya outra vez, agora com menos irritação. Ela não era exatamente uma vilã. Na verdade, ela era eficiente. Tinha aprendido a oferecer o que funcionava, inclusive para mim. Era fácil, não exigia tantas explicações e me permitia existir no automático. O problema não era ela usar isso contra mim, mas eu continuar permitindo.

Traguei de novo, com mais força agora. Pensei em quantas vezes eu tinha sido apenas funcional nos últimos tempos. Trabalhar, aparecer nos lugares certos, sorrir quando necessário. Tudo isso eu fazia, sempre fiz. Mas havia uma parte de mim que ficava de fora, observando, esperando algo maior.

Apaguei o cigarro no cinzeiro antes de terminar, quando percebi que já tinha perdido o efeito. Encostei as costas na cadeira e fechei os olhos por um instante, sentindo o ar frio no rosto. O impulso de buscar algo mais forte veio rápido, mas o afastei antes que ele se organizasse mais. Eu não iria cair tão facilmente, certamente não agora.

Lá dentro, o apartamento continuava em silêncio, do tipo que faz qualquer pensamento soar mais alto do que realmente é. Abri os olhos e fiquei observando a porta de vidro, o reflexo difuso da varanda misturado ao interior do apartamento. Era estranho como aquele lugar parecia um cenário e nunca uma casa.

Levantei e caminhei de um lado ao outro da varanda, incapaz de permanecer sentado. Meu corpo começava a cobrar alguma resolução, qualquer uma, e o cansaço já não era só físico, era nervoso, elétrico, como se algo estivesse prestes a transbordar. Olhei o relógio no celular. Passava da meia noite e a madrugada sempre foi um território perigoso.

Entrei no apartamento outra vez, fechando a porta de vidro atrás de mim. O cheiro do cigarro ainda me acompanhava, misturado ao ar limpo da sala. Caminhei até a cozinha sem pensar muito, abri um armário, depois outro. Nada que fizesse sentido. Abri a geladeira, encarei o interior por alguns segundos e fechei de novo, irritado comigo mesmo.

Era assim que começava. Pequenos movimentos sem propósito, a sensação de que qualquer coisa seria melhor do que continuar dentro da minha própria cabeça. Passei a mão pelos cabelos e respirei fundo, tentando lembrar quando aquele impulso tinha deixado de ser exceção e se tornado o único caminho possível. Eu não era um viciado, era?

Não, claro que não. Eu era um homem funcional. E funcional significava que eu chegava aos lugares certos, que ninguém precisava vir me buscar no chão, que eu ainda sabia a hora de parar.

Ouvi um som acima de mim e congelei no lugar. Não era choro ainda, era mais um resmungo irritado, talvez não totalmente acordado. O som veio de novo, mais insistente agora. O tempo que eu levei para reagir foi mínimo, mas pareceu longo demais.

Subi as escadas quase correndo, dois degraus por vez. O choro já estava mais definido quando cheguei ao corredor. Empurrei a porta e entrei.

Emerald estava acordada no berço, o rosto vermelho, as mãos pequenas fechando e abrindo no ar, desorganizadas.

— Ei, ei… — murmurei, indo até ela.

Peguei-a no colo e, por um instante, o choro pareceu diminuir, como quase sempre acontecia. Balancei devagar, encostando o corpo pequeno contra o meu peito, sentindo aquela familiaridade que costumava me acalmar também. Mas algo estava diferente. O choro não cedia completamente. Em vez disso, ficou mais agudo, mais urgente. Emerald se contorcia levemente, arqueando o corpo para trás, o rostinho ainda mais vermelho.

— Calma, amor… — tentei de novo, andando de um lado para o outro do quarto.

Ela soluçava, com a respiração curta demais para um simples terror noturno. Passei a mão pelas costas, depois pelos bracinhos, tentando identificar o problema, até que senti o calor.

Meu estômago se contorceu, e não era pela falta de comida.

Apoiei a mão na testa dela com mais atenção, depois no pescoço. Quente demais. Emerald chorou mais forte quando tentei ajustá-la nos braços, claramente desconfortável, irritada, perdida.

— Emmie, está tudo bem — menti, a voz baixa, mas firme. — Seu papai está aqui.

Coloquei-a de volta no berço por um segundo, só o tempo necessário para pegar o termômetro na gaveta. Esperei os segundos que pareciam longos demais e retirei, confirmando minha suposição de que ela estava, de fato, com uma febre alta.

Soltei o ar devagar pelo nariz, como se isso fosse suficiente para organizar o caos e voltei a pegá-la no colo, o choro agora contínuo, cansado, mas ainda insistente. Minha primeira reação foi automática, chamar a mãe dela.

— Tanya — chamei, já caminhando para fora do quarto. Nenhuma resposta. — Tanya! — tentei outra vez, mais alto.

O choro de Emerald vibrava contra minhas costelas e apressei o passo, empurrando a porta do nosso quarto com o ombro.

Tanya estava deitada atravessada na cama, de pijama. O primeiro detalhe que me atingiu foi o visual da mesa de cabeceira, familiar o suficiente para que eu entendesse o que ela tinha feito.

— Tanya, acorda! — disse, agora mais perto.

Ela se mexeu um pouco, virou o rosto para o lado, mas não abriu os olhos.

— O que foi… — murmurou, arrastando as palavras.

Meu estômago afundou ao perceber que ela não seria útil.

— A Emerald está com febre — falei, tentando manter a voz estável. — Preciso de ajuda.

Ela levou a mão ao rosto, esfregando os olhos sem sucesso, e tentou se sentar. Parou no meio do caminho e apoiou o cotovelo no colchão, respirando fundo, como se o simples ato de estar acordada fosse um problema.

— Agora? — perguntou, confusa. — Ela não estava dormindo?

— Estava, Tanya, mas acordou. Será que você pode me ajudar aqui?

Tanya franziu a testa.

— Você não pode… — começou, mas a frase morreu no meio. Ela balançou a cabeça levemente, como se isso fosse alinhar os pensamentos. — Me dê um minuto.

Um minuto. Olhei para Emerald, com o rosto colado no meu pescoço, ainda quente demais, e decidi que aquele não era um momento que podia esperar.

— O que você usou? — perguntei, e insisti quando ela não respondeu. — Tanya, eu preciso saber se tenho que ajudar vocês duas!

Ela ergueu o olhar, vidrado, para mim pela primeira vez.

— Não exagera — respondeu, fazendo um gesto vago com a mão. — Só tomei algo pra dormir. Você estava estranho hoje e eu não queria lidar com isso.

— Nossa filha está doente, Tanya — repeti, sentindo algo duro se formar no fundo do peito — Eu preciso que você esteja aqui. Agora.

Ela tentou se levantar de novo. Colocou os pés no chão, mas sentou de volta na cama, derrotada pelo próprio equilíbrio.

— Eu não consigo — disse, por fim. — Minha cabeça está girando.

Fiquei parado por um segundo longo demais, finalmente constatando que aquela cena não combinava com nenhuma das narrativas que eu vinha contando a mim mesmo. E percebi que Bella estava certa. Nós não tínhamos mais controle.

— Então fica aí — falei, tentando aparentar estar mais controlado do que realmente estava. — Eu resolvo.

Ela pareceu aliviada demais com aquilo.

— Depois você me explica melhor — murmurou, já se deitando de novo, virando o rosto para o travesseiro. — Provavelmente não é nada.

Não respondi.

Voltei pelo corredor com Emerald nos braços, sentindo o peso dela aumentar não pelo tamanho, mas pela responsabilidade que agora era inegavelmente só minha. Entrei na cozinha, liguei a luz, abri gavetas e armários com pressa. Tylenol infantil. Colher. Água. Uma toalha para limpar a eventual bagunça.

Minhas mãos tremiam levemente com a consciência clara de que, quando eu precisei, Tanya não estava indisponível por um acaso e sim por escolha. A mesma escolha que eu vinha tentando não fazer naquela noite.

Emerald soluçava baixinho enquanto eu tentava organizar as coisas, paciente demais para alguém tão pequena. Apoiei a testa na dela por um momento, igualando nossas respirações, como se isso pudesse regular alguma coisa além de mim mesmo.

— Está tudo bem — murmurei, sem saber se falava com ela ou comigo. — O papai vai cuidar de você.

Mais tarde, quando o choro virou apenas uma respiração pesada e irregular, sentei no chão do quarto, com as costas encostadas no berço, observando cada movimento mínimo do peito dela. A porta permanecia aberta. Não porque eu esperasse ajuda, mas porque eu precisava ver tudo com clareza.

O celular vibrou no meu bolso, com uma notificação qualquer, mas me fez tomar uma decisão. Desbloqueei a tela e fui direto na conversa que tinha passado a noite toda evitando.

Você estava certa.

Perdemos o controle.

Quando a luz do sol surgisse, as coisas teriam que mudar.

Notas finais
Well, as coisas vão começar a mudar. Até semana que vem!